terça-feira, 29 de agosto de 2006

Balanço Zona Sul


Balanço Zona Sul (1959) (samba bossa, 1963) - Tito Madi - Intérprete: Wilson Simonal

LP Tem "Algo Mais" / Título da música: Balanço Zona Sul / Tito Madi (Compositor) / Wilson Simonal (Intérprete) / Lyrio Panicalli (Acomp.) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Ano: 1963 / Álbum: MOFB 3370 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.


A7+            Bm7
Balança toda pra andar
  E7     A7+          Bm7
Balança até pra falar
  E7    A7+       Bm7     C#m7     D7+ Em7  A7/9
Balança tanto que já balançou meu coração
        D7+         G7/9
Balance mesmo que é bom,
         C#m7    F#m7
Do Leme até o Leblon
         B7/9
E vai juntando um punhado de gente
              Bm7   E7
Que sofre com seu andar
         A7+         Bm7
Mas ande bem devagar
    E7    A7+           Bm7
Que é pra não se cansar
    E7  A7+       Bm7      C#m7   D7+   Em7   A7/9
Vai caminhando, balan balançando sem parar
           D7+     G7/9
Balance os cabelos seus
        C#m7         F#m7
Balance cai mas não cai
       B7/9             Bm7
E se cair vai caindo, caindo
    E7     A7+
Nos braços meus

Senhorita

Senhorita (valsa, 1956) - Tito Madi

Vamos sair outra vez, senhorita,
A bailar, senhorita,
Vamos sair outra vez, senhorita,
A bailar, senhorita.

Tudo em redor nos convida,
Senhorita, a valsar,
Valsa que nos faz sentir, felizes,
Valsa que nos faz sonhar,
Sonhar, sonhar,
Deixo o seu rosto no meu,
Senhorita,
Só assim,
Apertarei sua mão,
Senhorita,
Contra mim,
Faça de conta que eu,
Sou o maior sonho seu,
Que nunca, se acaba,
Eternamente a sonhar,
Senhorita.

Valsa que nos faz sentir, felizes,
Valsa que nos faz sonhar,
Sonhar, sonhar,
Deixo o seu rosto no meu,
Senhorita,
Só assim,
Apertarei sua mão,
Senhorita,
Contra mim,
Faça de conta que eu,
Sou o maior sonho seu,
Que nunca, se acaba,
Eternamente a sonhar,
Senhorita.
A bailar....

Tito Madi


Tito Madi (Chauki Maddi), compositor e cantor nasceu em Pirajuí/SP em 18/7/1929. Começou a interessar-se por música por influência do pai, tocador de alaúde, e dos irmãos, que tocavam violão e bandolim. Aos seis anos, dedilhava violão e aos dez já tocava e cantava nas festas do grupo escolar de Pirajuí.

Por essa época, criou, com os irmãos, o serviço de alto-falantes A Voz de Pirajuí e quando da inauguração da rádio local, foi chamado a colaborar, junto com os irmãos. Aos 18 anos já era um dos diretores da Rádio Pirajuí, onde fazia de tudo um pouco: era locutor, escrevia textos de programas, criava textos de publicidade e, de vez em quando, cantava.

Em 1949 compôs sua primeira música, Eu espero você, e no ano seguinte organizou, ainda na cidade natal, o conjunto de amadores Estudantes Alegres. Na mesma época, servindo no tiro-de-guerra, organizou dois shows musicais e desde então começou a se dedicar à música.

Durante dois anos, a partir de 1952, atuou como cantor na Rádio e TV Tupi, de São Paulo/SP, e em 1953 teve sua primeira composição gravada, a valsa Eu e você, interpretada pelo conjunto vocal Os Quatro Amigos, liderado por Sidney Morais, que depois dirigiu o conjunto Os Três Morais.

Em 1954 gravou Não diga não e Pirajuí (ambas com Georges Henri), pela Continental, com arranjo do maestro Luís Arruda Pais, recebendo por esse disco o título de Cantor Revelação do Ano. Transferiu-se para o Rio de Janeiro/RJ, ainda nesse ano, passando a cantar com o pianista Ribamar, no ano seguinte, em diversas boates cariocas, como Jirau, Little Club, Texas e Cangaceiro.

Por intermédio de Teófilo de Barros Filho, conseguiu um contrato com a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e continuou gravando pela Continental, lançando, em 1956, Senhorita e Eu voltei, acompanhado pelos Garotos da Lua e As Três Marias.

Convidado, em 1957, para participar dos festejos de aniversário da Rádio Farroupilha, em Porto Alegre/RS, compôs lá uma música de inspiração local, Gauchinha bem querer, que gravou a seguir com Chove lá fora, composição de sua autoria que atingiu as paradas de sucesso e que lhe assegurou quase todos os prêmios de melhor compositor daquele ano, tendo recebido, entre outros, o Disco de Ouro oferecido pelo jornal carioca O Globo, medalhas dos Diários Associados e da Revista do Rádio, esta recebida diretamente das mãos do presidente Juscelino Kubitschek.

Chove lá fora, com o titulo It’s Raining Outside, destacou-se também nos EUA, tendo sido gravada por Della Reese e The Platters, conjunto norte-americano que lançou num LP (um milhão de cópias vendidas) duas outras músicas suas: Quero-te assim (I Wish) e Rio triste (Sad River), todas com letras em inglês de Buck Ramm.

Tendo rescindido, em 1956, o contrato com a Rádio e TV Tupi, passou a trabalhar como cantor independente e, em 1957, gravou Fracassos do amor (com Milton Silva) e Cansei de ilusões. Dois anos depois, quando gravou o LP Sua voz.., suas composições, deixou a Continental, transferindo-se sucessivamente para a Columbia (onde gravou cinco LPs até 1964), Odeon, onde gravou um de seus maiores êxitos, Balanço Zona Sul, RCA e Odeon novamente, onde gravou uma série de LPs de sucesso, A Fossa, em quatro volumes.

Entre os seus maiores sucessos destacam-se ainda Menina moça (Luís Antônio) êxito em 1964, Carinho e amor, Canção dos olhos tristes, Sonho e saudade, Amor e paz e Chove outra vez (com Romeu Nunes). Em 1987 fez temporada no restaurante Via Brasil, em New York, EUA. Gravou 34 LPs e 10 CDs, o último disco em 1996.

Letras e cifras:


Obras:

Amor e paz, samba, 1964; Balanço Zona Sul, samba, 1965; Cansei de ilusões, samba, 1957; Canto do engraxate, samba, 1957; Carinho e amor, samba, 1960; Chove lá fora, samba, 1957; Encontro no sábado (c/ Georges Henri), valsa, 1955; Eu e você, valsa, 1953; Fracassos de amor (c/Milton Silva), samba, 1957; Gauchinha bem-querer, samba, 1957; Não diga não (c/Georges Henri), samba, 1954; Olhe-me, diga-me, samba-canção, 1958; Pirajuí (c/Georges Henri), samba, 1954; Senhorita, valsa, 1956. CDs: Brasil samba-canção (c/Dóris Monteiro). 1996, Sony 479357; Tito Madi, 1996, Sony 866190.

Ora, acho que vou me embora

Ora, acho que vou me embora - Sidney Miller - Interpretação: Dóris Monteiro

Fiz um samba de primeira
Pra lhe dar em serenata
Ensaiei a tarde inteira
Pra cantar da forma exata
Nem ouviu, não disse nada
Me deixou ficar de fora
Inda pede agora pra voltar
Ora, acho que vou me embora
Convidei para o cinema
Ela disse: vou agora
Precisei de uma cadeira
Pra aturar sua demora
Até hoje estou esperando
Brincadeira assim tem hora
Inda pede agora pra voltar
Ora, acho que vou me embora
Vaidade não sossega
Quando a sorte anda por perto
Mas o tempo se encarrega
De mostrar quem esteve certo
Fez de mim o que queria
E hoje vem como quem chora
Me pedindo pra lhe perdoar
Ora, acho que vou me embora
Ora, acho que vou me embora
Ora, acho que vou me embora
Ora, acho que vou me embora...

É isso aí

É isso aí - Sidney Miller - Intérprete: Dóris Monteiro

Preparei uma roda de samba só pra ela
Mas se ela não sambar
Isso é problema dela
Entreguei um palpite seguro só pra ela
Mas se ela não jogar
Isso é problema dela
Esse problema é só dela

Tô cansado de andar por aí
Curtindo o que não é
Preocupado em pintar na jogada que dá pé
Só que tem que eu tô numa tão certa
Que ninguém me diz
Quem eu sou, o que devo fazer
E o que eu não fiz

Separei um pedaço de bolo só pra ela
Mas se ela não provar
Isso é problema dela
Inventei na semana um domingo só pra ela
Se ela for trabalhar
Isso é problema dela
Esse problema é dela

Comprei roupa, sandália e sapato só pra ela
Mas se ela não usar isso é problema dela
Aluguei uma roda-gigante só pra ela
Mas se ela não rodar
Isso é problema dela

Olhou pra mim

Dóris Monteiro

Olhou pra mim (1963) - Ed Lincoln e Sílvio César

Olhou pra mim / Sorriu pra mim
Fez tanta coisa pra chamar a minha atenção


Mandou dizer / Fingiu sofrer
Fez tudo, tudo para ter meu coração


Eu quis olhar / Eu quis sorrir
Eu quiz dizer tanta coisa bonita de agradar


Porém não sei / Me atrapalhei
Perdi a voz perdi até o coração


Perdi a voz / perdi o coração
Olhou pra mim

Alô fevereiro




Alô fevereiro (1972) - Sidney Miller - Intérprete: Dóris Monteiro
A7+          F#5+/7  Bm7
Tamborim avisou, cuidado
             E7/9       A7+
Violão respondeu, me espera
               F#5+/7 Bm7
Cavaquinho atacou, dobrado
                   E7/9    A7+
Quando o apito chegou, já era
                 F#5+/7     Bm7
Veio o surdo e bateu, tão forte
              E7/9     A7+
Que a cuíca gemeu, de medo
                F#5+/7    Bm7
E o pandeiro dançou, que sorte
                E7/9   A7+
Fazer samba não é brinquedo
           F#7  Bm7
Todo mês de fevereiro, morena
E7/9          A7+
Carnaval te espera
F#5+/7             Bm7
Querem te botar feitiço, morena
E7/9      A4/7 A7
Mas também pudera
      D4/7 D7       A4/7 A7
Se ele pega no teu corpo
         D4/7 D7      A7+
Vai ter gente enlouquecida
              F#5+/7     Bm7
Querendo entender a tua dança
            E7/9       A7+
Querendo saber da tua vida


Mudando de conversa

A personagem indaga sobre “aquela velha amizade, aquele papo furado todo fim de noite num bar do Leblon”, lamentando a ausência dessas amenidades em sua vida atual. Este é o tema de “Mudando de Conversa”, um samba moderno, romântico, um pouco nostálgico e tipicamente carioca.

Só que a composição nasceu, não em um bar do Leblon, mas, na legendária Taberna da Glória, no bairro homônimo. Conta Hermínio que ele e o parceiro, Maurício Tapajós, haviam passado a noite trabalhando, em seu apartamento, em cima de uma sugestão de Cacaso que resultaria na ópera popular “João-Amor e Maria”. De manhã cedinho, a dupla desceu para o desjejum na Taberna, sendo o café-com-leite logo substituído pelo chope gelado, no momento em que surgiu a idéia do samba. “A ópera foi um fiasco”, informa o poeta, “mas ‘Mudando de Conversa’, um grande sucesso”.

Tanto sucesso, que daria nome a um musical com Clementina de Jesus, Nora Ney, Ciro Monteiro, Jards Macalé, o conjunto Os Cinco Crioulos e um regional comandado pelo Mestre Dino. Embora destinado a Ciro Monteiro, que àquela época tinha uma preguiça enorme para aprender músicas novas, o samba acabou sendo gravado por Dóris Monteiro, em atenção a um pedido de Milton Miranda, diretor da Odeon (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Mudando de Conversa (samba, 1968) - Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho - Intérprete: Dóris Monteiro

Compacto duplo / Título da música: Mudando de Conversa / Maurício Tapajós (Compositor) / Hermínio Bello de Carvalho (Compositor) / Dóris Monteiro (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: 7BD-1157 / Ano: 1968 / Gênero musical: Samba / MPB.

Tom: Tom: G
Intr.: C7+/9 Cm7/9 G7/13 E7 A7 D7 G7+

               A7        D7 
Mudando de conversa onde foi que ficou
         E7     A7
Aquela velha amizade
 D7/9        Dm7/9              G7/13
Aquele papo furado todo fim de noite
            C7+/9
Num bar do Leblon

Meu Deus do céu, que tempo bom!
                                  C#°
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
                 G7+         F#5+/7   F7/13
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
     E7       A7
E acabava em samba
                  D7               G7+
Que é a melhor maneira de se conversar
F#7/13     Bm                  C#m5-/7     F#7     Bm
Mas tudo mudou, eu sinto tanta pena de não ser a mesma
         C#m5-/7     F#7       Bm                   C#m5-/7
Perdi a vontade de tomar meu chopp, de escrever meu samba
     F#7     Bm             C#m5-/7
Me perdi de mim, não achei mais nada
       F#7  Bm   C#m5-/7
O que vou fazer?
F#7            Bm               C#m5-/7   F#7    Bm
Mas eu queria tanto, precisava mesmo de abraçar você
             C#m5-/7       F#7   Bm
De dizer as coisas que se acumularam
               C#m5-/7       F#7  Bm
Que estão se perdendo sem explicação
           C#m5-/7     F#7    Bm  E7
E sem mais razão e sem mais porque
  A7+         B7          E7       A7+
Mudando de conversa onde foi que ficou
        F#7     B7
Aquela velha amizade
  E7/9        Em7/9             A7/13
Aquele papo furado todo fim de noite
            D7+/9
Num bar do Leblon

Meu Deus do céu, que tempo bom!
                                  D#°
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
                 A7+         G#5+/7   G7/13
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
     F#7       D7
E acabava em samba
                  E7               G7/13 (A7+)
Que é a melhor maneira de se conversar

Dóris Monteiro


Dóris Monteiro (Adelina Dóris Monteiro), cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 21/10/1934. Começou cantando fados em programas infantis, estreando como intérprete a 31 de outubro de 1949 no programa de calouros Papel Carbono, de Renato Murce, na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde interpretou Bolero, imitando Lucienne de Lille.

Em 1951, quando estudava no Colégio Pedro II, foi convidada pelo cantor Orlando Correia para cantar na Rádio Guanabara, permanecendo um mês nessa emissora, passando em seguida, graças a Alcides Gerardi, para a Rádio Tupi, onde trabalhou oito anos. Nesse mesmo ano, começou a cantar na boate do Copacabana Palace Hotel e fez sua primeira gravação, pela Todamérica, interpretando Se você se importasse (Peterpan), que foi também seu primeiro sucesso.

Em 1952, eleita Rainha dos Cadetes, gravou outro sucesso: Fecho meus olhos, vejo você (José Maria de Abreu). No ano seguinte, convidada por Alex Viany, estrelou o filme Agulha no palheiro, cantando a música do mesmo nome e sendo premiada por sua atuação como atriz.

Casou, em 1954, com Carlos Rui Meneses e, nesse mesmo ano, gravou seu primeiro LP, Vento soprando, na Continental, interpretando, entre outras, Graças a Deus (Fernando César) e Joga a rede no mar (Fernando César e Nazareno de Brito). Uma das músicas mais marcantes de seu repertório foi Mocinho bonito (Billy Blanco), gravada em 1956.

Gravou mais dez LPs, destacando-se Gostoso é sambar, de 1963, na Philips, com a faixa-título de João Melo, O que eu gosto de você (Sílvio César) e Olhou pra mim (Ed Lincoln e Sílvio César); Dóris Monteiro, de 1964, na Philips, com Samba de verão (Marcos Vale e Paulo Sérgio Vale); Mudando de conversa, de 1969, na Odeon, em que cantou dois dos maiores sucessos de sua carreira, Mudando de conversa (Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho) e Dó-ré-mi (Fernando César); e o disco Odeon, de 1970, cujo destaque principal foi Coqueiro verde (Roberto e Erasmo Carlos). Lançou, ainda na Odeon, LPs nos anos de 1972, 1973 e 1974.

Na década de 80 gravou na Copacabana o LP Dóris Monteiro (1981) e participou do LP da Continental Dóris, Elisete, Helena e Ângela Maria, (1986). Em 1990, a convite de Lisa Ono, viajou ao Japão e realizou shows em Tóquio, Osaka e Nagóia.

No ano seguinte a Sony lançou Dóris e Tito Madi, na série Academia Brasileira de Música. No cinema, trabalhou também em Rua sem sol, de Alex Viany (1954), Tudo é música, de Luís de Barros (1957) e De vento em popa, de Carlos Manga (1957).

Algumas letras e cifras:

A banca do distinto
Alô fevereiro
Coqueiro verde
De conversa em conversa
Dó-ré-mi
É isso aí
Fim de caso
Fiz o bobão
Graças a Deus
Joga a rede no mar
Mocinho bonito
Mudando de conversa
Olhou pra mim
Ora, acho que vou me embora
Ronda
Samba de verão
Se você se importasse

Anda, vem cá

Buci Moreira
Anda, vem cá (samba, 1932) - Buci Moreira

Disco 78 rpm / Título: Anda, vem cá / Autoria: Moreira, Buci (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 03/08/1931 / Nº Álbum 10824 / Gênero: Samba /

Anda, vem cá
Se tu soubesses
Os carinhos de amor
Que eu tenho pra te dar
Se você provar
Cairá vencida
E minha será, pra toda vida

Eu gosto muito de você
Eu tenho mesmo um certo que
Não sei como explicar
Já modifiquei a minha vida
Com você minha querida
Sou capaz de me casar

És para mim uma uvinha
Uma linda moreninha
Que eu quero guardar
Anda, assim não me arrependo
Acho bom aproveitar.

Buci Moreira

Buci Moreira, compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 1/8/1909 e faleceu em 1982. Neto da famosa Tia Ciata (em cuja casa, perto da Praça Onze, se reuniam pioneiros do samba), seu pai, Guilherme Eduardo Moreira, tocava violão e ele, desde pequeno, mostrou vocação para ritmista.

Em 1917, sem deixar sua casa em São Cristóvão, passou a viver também com outra família, no mesmo bairro, fazendo companhia a um menino da casa. Nessa época começou a estudar. Em 1922 foi morar com a avó, até a morte desta em 1924, e de 1925 a 1927 estudou na Escola Bom Jesus, na ilha de Paquetá.

Com a morte do pai em 1928, foi viver com os tios na Praça Onze, ingressando no Colégio Benjamim Constant. No ano seguinte desfilou pela única vez na hoje extinta escola de samba Deixa Falar.

Em 1930 foi descoberto na Praça Onze, por Francisco Alves, que gravou sua primeira música na Odeon, o samba Palhaço (com Nelson Gomes). Por essa época começou a atuar como ritmista em gravações na Odeon, formando dupla com Valdemar Silva e, depois, com Arnô Canegal.

De 1936 a 1940 desfilou (e era diretor de harmonia) na hoje extinta escola de samba Vê Se Pode, do morro de São Carlos. Em seguida trabalhou com o cineasta Moacir Fenelon, continuando a atuar como ritmista em gravações.

Em 1943 participou, com outros sambistas, do filme inacabado de Orson Welles Jangada. Em parceria com Arnô Canegal e Mutt, compôs o samba Anda, vem cá, gravado por Francisco Alves e Mário Reis e Não põe a mão, sua música mais conhecida, que ele mesmo, além de outros intérpretes, gravou com êxito na Star em 1951.

Outros sucessos seus foram Quem pode, pode e Por que é que você chora. Obras: Anda, vem cá, samba, 1932; Em uma linda tarde, samba, 1935; Não põe a mão (c/Mutt e Arnô Canegal), samba, 1951; Quem pode, pode (c/Haroldo Torres), samba, 1950.

Foi somente uma vez

Núbia Lafayette
Núbia Lafayette

Foi somente uma vez (Solamente una vez / bolero /- Agustín Lara - versão de Rossini Pinto)
  F
Foi somente uma vez
Gm
Que amei na vida
C7
Foi somente uma vez
F
E nunca mais
Uma vez nunca mais em meu peito
D7        Gm
Guardei a esperança
C7          Gm       C7
A esperança que é luz do caminho
F  C7
Desta solidão 
              F
Uma vez nada mais
Gm
A gente ama
C7
Com loucura total
F
E emoção
E quando esse milagre acontece
D7         Gm
Tudo é diferente
C7         Gm        C7
Toca os sinos e um coro de anjos
F
Canta uma canção.

Esta noite eu queria que mundo acabasse


Esta noite eu queria que o mundo acabasse (samba-canção, 1963) - Silvinho - Intérprete: Silvinho

LP A Consagração - Silvinho / Título da música: Amor sincero / Sílvio Lima (Compositor) / Roberto Muniz (Compositor) / Silvinho (Intérprete) / Paulo Gracindo (Declam.) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Philips / Ano: 1963 / Álbum: P 632.133 L / Lado A / Faixa: 1 / Gênero musical: Samba-canção.


Tom: Em 

Em
Esta noite 
                          Am
Eu queria que o mundo acabasse 
            D7                   G
E para o inferno o senhor me mandasse 
        C                    B7  C B7
Para pagar todos os pecados meus 
      Em
Esta noite 
                          Am
Eu queria que o mundo acabasse 
            D7                   G
E para o inferno o senhor me mandasse 
        C                    B7  C B7
Para pagar todos os pecados meus 
D                              G
Eu fiz sofrer a quem tanto me quis 
        C                 Am
Fiz de ti, meu amor, infeliz 
      C                  B7  C B7
Esta noite eu queria morrer 
     Em
Perdão... 
                         Am
Quantas vezes tu me perdoaste 
         D7                 G
Quanto pranto por mim derramastes 
          C                B7  C B7
Hoje o remorso me faz padecer 
D                          G
Esta é a noite da minha agonia 
     C                  Am
É a noite da minha tristeza 
 B7                     Em
Por isso eu quero... Morrer.

Casa e comida


Casa e comida - Rossini Pinto - Interpretação: Núbia Lafayette



Introdução: Am  Em  F#7  B7  Em  B7 
     Em          B7                Em
Desculpe, meu amor, o que eu lhe digo
D
Mas meu bem, nao é comigo
C         B7  E7
Que você deve lamentar
Am                     Em
Você nunca foi um bom marido
D
Não cumprindo o prometido
C                B7  E7
Que jurou aos pés do altar
Am                        Em
É triste confessar, mas é preciso
D          C
Você não teve juízo, em dizer
B7  E7                     
Que não me quis
Am                        Em
Perdoa, meu amor, não sou fingida
F#7
Não é só casa e comida
B7             Em
Que faz a mulher feliz
Am                           Em
Noites, quantas noites eu passava
D
Por você abandonada
C          B7  E7
A chorar na solidão
Am                       Em
E quando eu reclamava, você ria
D
Me dizendo que ficava
C           B7  E7
No escritório, no serão
Am                 Em
Agora você tenha paciência
F#7
Eu lhe peço por clemência
B7  E7
Deixa em paz meu coração
Am                    Em
Repito o que todo mundo diz:
F#7
Não é só casa e comida
B7             Em
Que faz a mulher feliz.

Núbia Lafayette


Núbia Lafayette (Idemilde Araújo), cantora, nasceu em Açu/RN, em 21/1/1937. Aos três anos de idade, viajou com a avó para o Rio de Janeiro/RJ, onde passou a residir. Ainda criança, foi participante assídua do programa Clube do Guri, na Rádio Tupi, cantando o repertório de Vicente Celestino . Depois, na década de 1950, recebeu forte influência de Dalva de Oliveira, identificando-se com seu estilo.

Em 1958, quando trabalhava nas Casas Pernambucanas, resolveu participar do concurso A Voz de Ouro ABC, na televisão. Não ganhou o primeiro prêmio, mas despertou a atenção de um dos jurados, Jordão de Magalhães, que a convidou a se apresentar na Cave, boate paulistana da qual era proprietário. Aí conheceu o compositor Adelino Moreira, que lhe proporcionou a oportunidade de gravar na RCA.

Assim, já com o nome artístico de Núbia Lafayette, gravou em 1960 o disco de estréia, que registrava os sambas Devolvi, seu primeiro sucesso, e Nosso amargor, ambos de Adelino Moreira. Em fevereiro de 1961, saiu o segundo disco, ainda com músicas de Adelino, Preciso chorar e Solidão, sendo esta sua canção favorita. Consolidou então o estilo próprio, cantando temas românticos com voz pungente, a maioria em ritmo de bolero ou samba-canção.

Com o predomínio da Jovem Guarda no meio fonográfico, sua carreira entrou em declínio, só retornando às paradas radiofônicas no início da década de 1970, quando lançou novos sucessos, como Casa e comida, de Rossini Pinto.

CDs Brasil sentimental, 1991, Columbia 852-01912-484232; Núbia Lafayette - 20 super sucessos, 1993, Polydisc 470049. Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.

Algumas cifras:

Casa e comida, Devolvi, Esta noite eu queria que mundo acabasse, Foi somente uma vez, Fracasso, Lama, Quem eu quero não me quer.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Ed. e Publifolha.

Quem eu quero não me quer

Raul Sampaio
Cantor, integrante do Trio de Ouro por vários anos e compositor, com mais de duzentas músicas gravadas, Raul Sampaio viveu a sua melhor fase no início dos anos sessenta. Em 1962, por exemplo, ele emplacou dois grandes sucessos, o samba-canção “Lembranças”, cantado pelo amigo Miltinho, e o bolero “Quem Eu Quero Não me Quer”, em gravação sua, lançada no final de 61, mas que estourou nas paradas depois do carnaval de 62.

Embora autor de repertório eclético, que vai do carnaval (“Eu Chorarei Amanhã”) ao mais intenso romantismo, é neste último estilo que melhor se exprime a ele pertencendo “Lembranças” (“Lembro um olhar / lembro um lugar / teu vulto amado / lembro um sorriso / e o paraíso! que tive ao teu lado”) e “Quem Eu Quero Não me Quer" (“Quem eu quero não me quer / quem me quer mandei embora / e por isso eu já não sei! o que será de mim agora”), sua canção mais gravada, inclusive com uma versão mexicana de Agustín Lara, que saiu inicialmente sem o seu nome.

Capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, Raul Sampaio homenagearia a sua cidade na composição “Meu Pequeno Cachoeiro”, oficializada em 66 como hino do município, e que, além de sua gravação (em 63), foi sucesso na voz de Roberto Carlos (em 70), outro ilustre cachoeirense (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Quem eu quero não me quer (bolero, 1962) - Benil Santos e Raul Sampaio - Intérprete: Raul Sampaio

Disco 78 rpm / Título da música: Quem eu quero não me quer / Sampaio, Raul (Compositor) / Santos, Ivo (Compositor) / Sampaio, Raul (Intérprete) / Orquestra RGE (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1961 / Nº Álbum 10350 / Gênero musical: Bolero.

Am 
 Quem eu quero não me quer 
                        Dm 
 Quem me quer mandei embora 
                       E7 
 E por isso eu já nem sei 
                     Am 
 O que será de mim agora 
 Passo as noites recordando 
                     Dm 
 Revivendo o meu castigo 
                      E7 
 No meu quarto de saudade 
                 Am 
 Solidão mora comigo 
                         Dm 
 Por onde anda quem me quer? 
 G7                           C 
   Quem não me quer onde andará? 
 Am                  Dm 
   Que será de suas vidas 
 E7                      Am 
   Da minha vida o que será 
                         Dm 
 Não sou capaz de ser feliz 
 G7                         C 
   Ao lado de um amor qualquer 
 Am                     Dm 
   Ah! Se este fosse o outro 
 E7                            Am 
   Que eu amo tanto e não me quer. 

Raul Sampaio

Raul Sampaio (Raul Sampaio Cocco), cantor e compositor, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim em 06 de julho de 1928. É filho de Fanny Sampaio Cocco e José Cocco. Foi aluno dos colégios Liceu Muniz Freire, Bernardino Monteiro e Escola Técnica de Comércio, todos em Cachoeiro.

Sua vida artística começou na ZYL-9, Rádio Cachoeiro, como solista do conjunto Dois Valetes e uma Dama. Em 1949 mudou-se para o Rio de Janeiro, dedicando-se ao comércio até 1952, quando passou a integrar o conjunto Trio de Ouro.

Sua primeira música de sucesso foi Guarda-chuva de pobre. Autor de mais de 200 composições musicais, teve como parceiros Herivelto Martins, Benil Santos, e outros. Raul Sampaio atuou na Rádio Nacional e, pela sua projeção no Rio de Janeiro, principalmente com as músicas Rio Quatrocentão e Rio eterna Capital, recebeu o título de Cidadão do Estado da Guanabara.

Recebeu o título de Cachoeirense Ausente em 1969. O título é a honra máxima de Cachoeiro. Só é concedido uma única vez por ano, ao cidadão nascido nesta cidade que, deixando sua terra, lá fora, tenha prestado relevantes serviços como foi torná-la mais conhecida no Brasil e no Mundo.

É o autor da letra e música do Meu pequeno Cachoeiro. A canção, depois interpretada por Roberto Carlos, em gravação do ano de 1969, é um dos grandes sucessos nacionais de todos os tempos. Outros sucessos de sua autoria: A carta (com Benil Santos), Canção da rua (c/Benil Santos), Estou pensando em ti (c/Benil Santos), Lembranças (com Benil Santos), Meu pranto rolou (com Benil Santos e Ivo Santos), Onde estás agora? (com Benil Santos), Quem eu quero não me quer (com Benil Santos), Revolta (com Nelson Gonçalves).

Benil Santos

Benil Santos (Benil dos Santos), compositor, nasceu em Cabo Frio/RJ, em 20/11/1931. De família numerosa (22 irmãos), começou a trabalhar aos nove anos, numa farmácia. Com 19 anos, foi trabalhar na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro RJ, tendo sido depois locutor e produtor. Formou-se pela Faculdade de Ciências Econômicas do Rio de Janeiro como técnico de contabilidade.

Criou o programa Manhã de Grande Gala, na Rádio Mayrink Veiga, em 1958, ano em que passou a exercer a função de diretor artístico da RGE, permanecendo no cargo durante sete anos.

Incentivado por Marijó, cronista do jornal carioca Última Hora, e por Héber Lobato, locutor e descobridor de talentos, começou a compor, tendo sua primeira composição gravada ainda em 1958, Noites cruéis com Raul Sampaio, seu parceiro mais constante.

Em 1960, compôs com Enrico Simoneti Canção de ninar mamãe, gravada por Gilberto Milfont na RGE. No mesmo ano, conheceu um de seus maiores sucessos, parceria com Raul Sampaio, Estou pensando em ti, gravada por Anísio Silva na Odeon. Em 1961, dois novos sucessos, parcerias com Raul Sampaio, Estou só e Lembranças gravadas por Miltinho na RGE. Em 1962, Roberto Luna gravou Fingimento; Miltinho, Confidência, estes na RGE e Gilvan Chaves, gravou na Victor Protesto (Praga de amor), parcerias com Raul Sampaio.

Em 1963, obteve o primeiro lugar no Festival de Música do Brasil, da TV-Rio, do Rio de Janeiro, com a música Distância (com Raul Sampaio), gravada por Miltinho e Rosana Toledo.

Entre suas composições gravadas, destacam-se as marchas A serenata (com Raul Sampaio), de 1966, e Eu compro essa mulher (com Raul Sampaio e Ivo Santos), de 1967. Exerce também atividade de empresário artístico.

Algumas obras:

Canção de ninar mamãe (c/Enrico Simonetti), 1960; Confidência (c/Raul Sampaio), 1962; Distância (c/Raul Sampaio), 1963; Estou pensando em ti (c/Raul Sampaio), bolero, 1960; Estou só (c/Raul Sampaio), 1961; Eu compro essa mulher (c/Raul Sampaio e Ivo Santos), marcha, 1967; Fingimento (c/Raul Sampaio), 1962; Lembranças (c/ Raul Sampaio), 1961; Meu pranto rolou (c/Raul Sampaio), marcha, 1965; A serenata (c/Raul Sampaio), marcha, 1966; Protesto (Praga de amor) (c/Raul Sampaio), 1962.

Arnaldo Pescuma

Arnaldo Pescuma, tenor e compositor, nasceu em 29/1/1903, em São Paulo/SP, e faleceu na mesma cidade em 13/1/1968.

Em 1920 participou, como tenor, de uma companhia de óperas, que se apresentou em Recife/PE e Aracaju/SE. Em 1923 aparecia como cantor de operetas no Teatro Boa Vista, de São Paulo, e, durante dez anos, em outros locais.

Em 1933 viajou para o Rio de Janeiro/RJ e assinou um contrato de seis meses na Rádio Mayrink Veiga.

No filme Alô, alô, Brasil (1935, co-direção de João de Barro e Alberto Ribeiro), cantou a marcha de sua autoria Muita gente tem falado de você, com o conjunto Os Quatro Diabos (que, com ele, passou a se chamar Os Cinco Diabos).

Em 1935 voltou a São Paulo como contratado da Rádio Difusora, e no ano seguinte foi para Buenos Aires, Argentina, contratado pela Radio Belgrano. Em 1937, já em São Paulo, fundou a escola de canto Apebar. Quatro anos depois voltou a cantar ópera no Teatro Municipal, de São Paulo, onde mais tarde seria diretor de cena.

Gravou vários discos, destacando-se os que fez em dupla com Januário de Oliveira, com seis músicas premiadas no Carnaval paulista, entre as quais duas marchas de muito sucesso: Mulatinha da caserna (Martinez Grau e Capitão Furtado) e Paulistinha querida (Ary Barroso).