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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Senhor da floresta

Augusto Calheiros
Senhor da floresta (samba, 1945) - René Bittencourt - Intérprete: Augusto Calheiros

Disco 78 rpm / Título da música: Senhor da floresta / René Bittencourt (Compositor) / Augusto Calheiros, 1891-1956 (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e Seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 03/04/1945 / Lançamento: 05/1945 / Nº do Álbum: 80-0279 / nº da matriz: S-078146-1 / Gênero musical: Samba


Senhor da floresta
Um índio guerreiro da raça Tupi
Vivia pescando, sentado na margem do rio Chuí
Seus olhos rasgados
No entanto fitavam ao longe uma taba
Na qual habitava, a filha formosa de um morubixaba.

Um dia encontraram
Senhor da floresta do rio Chuí
Crivado de flechas
De longe atiradas por outro Tupi

E a filha formosa do morubixaba, quando anoiteceu
Correu, subindo a montanha
E no fundo do abismo, desapareceu.

Naquele momento
Alguém viu no espaço, à luz do luar
Senhor da floresta
De braços abertos, risonho a falar:

Ó virgem guerreira
Ó virgem mais pura que a luz da manhã
Iremos agora, unir nossas almas aos pés de Tupã!



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Sinhá Maria

Orlando Silva
Sinhá Maria (canção, 1941) - René Bittencourt - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Sinhá Maria / René Bittencourt (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Violões (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 24/03/1941 / Lançamento: 05/1941 / Nº do Álbum: 34739 / Nº da Matriz: 52159 / Gênero musical: Canção


Nosso Senhor, me perdoa
Essa descrença magoada
Tive uma vida tão boa
Hoje, não creio em mais nada
Não canto mais ladainha
Não faço mais oração
Até a crença que eu tinha
Fugiu do meu coração.

Porque não foste justo, outro dia
Vindo buscar Sinhá Maria
A santa do meu altar

Talvez tu não pensasse em maldade
E que mais tarde, a saudade
Vinha me desesperar.

Nosso Senhor, que tristeza
Quando regresso à tardinha
Debruço e choro na mesa
Lembrando a vida que eu tinha
Minha choupana vazia
Com a porta aberta pra trás
Não sabe que Sinhá Maria
Não volta mais, nunca mais!

Perdão, volve para mim teu olhar
Só tu me podes vingar
O que a saudade me fez
Por Deus, escuta Nosso Senhor
Manda do céu por favor
Sinhá Maria, outra vez!



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Nono mandamento

Cauby Peixoto
Nono mandamento (samba-canção, 1958) - René Bittencourt e Raul Sampaio - Intérprete: Cauby Peixoto

Disco 78 rpm / Título da música: Nono mandamento / Sampaio, Raul (Compositor) / Bittencourt, René (Compositor) / Peixoto, Cauby (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Rca victor, 20/12/1957 / Nº Álbum 801928 / Gênero musical: Samba.


Tom: G
    Em 
Senhor, 
                   Am 
Aqui estou eu de joelhos 
                      B7 
Trazendo os olhos vermelhos 
                      Em   Am   B7 
De chorar, porque pequei 

    Em 
Senhor, 
                  Bm 
Por um erro de momento 
                   C7 
Não cumpri o mandamento 
                 B7 
O nono de vossa lei 

    Em 
Senhor, 
                  Am 
Eu gostava tanto dela 
                  B7 
Mas não sabia que ela 
                  Em   E7 
A um outro pertencia 

    Am 
Perdão, 
                       Em 
Por este amor que foi cego 
                      Am 
Por esta cruz que carrego 
       B7             Em    E7 
Dia e noite, noite e dia 

    Am 
Senhor, 
                    Em 
Dai-me a vossa penitência 
                       F#7 
Quase sempre a inconsciência 
  B7              Em   E7 
Traz o remorso depois 

    Am 
Mandai, 
     B7           Em 
Para este caso comum 
                 B7 
Conformação para um 
                Em 
Felicidade pra dois...

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Que bom, felicidade que vai ser

René Bittencourt
Sub-intitulado na edição "Que bom, felicidade, que vai ser!', verso final do estribilho, este samba-canção foi lançado por Noel na Columbia, futura Continental, em fevereiro de 1932 (78 rpm 22083-B, matriz 381159). No selo, o nome de René Bittencourt não apareceu como co-autor. Já em 1952, pouco antes de falecer, Francisco Alves regravou a música, mas o nome omitido no selo foi o de Noel! Dá pra acreditar! (Samuel Machado Filho - Youtube).

Felicidade - (Que bom, felicidade que vai ser) (samba, 1932) - René Bittencourt e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Felicidade / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Bittencourt, René (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1931 / Nº Álbum 22083 / Lado B / Lançamento: Fevereiro/1932 / Gênero musical: Samba.



Felicidade, felicidade
Minha amizade foi-se embora com você
Se ela vier e te trouxer
Que bom, felicidade que vai ser

Trago no peito o sinal de uma saudade
Cicatriz dessa amizade
Que com o tempo vi morrer
Eu fico triste
Quando vejo alguém contente
Tenho inveja dessa gente
Que não sabe o que é sofrer

O meu destino
Foi traçado no baralho
Não fui feito para trabalho
Eu nasci pra batucar
Eis o motivo
Que do meu viver agora
A alegria foi-se embora
Pra tristeza vir morar

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Maria das Graças


Maria das Graças (1963) - Carlos Nobre e René Bittencourt - Interpretação de Carlos Nobre

LP Nos Braços da Saudade / Título da música: Maria das Graças / Carlos Nobre (Compositor) / René Bittencourt (Compositor) / Carlos Nobre (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1963 / Nº Álbum: BBL 1262 / Lado A / Faixa 5.
  Bb+
Maria das Graças
        F+7        Bb+7
Dá me a graça do teu beijo
            Cm
Maria das Graças
 F+7
Dá-me a graça de um
   B+
Olhar


Eu fico te olhando
       Gm
Te adorando
       G+7
Quando tu passas
            F+7
E falo sozinho


Baixinho
              Bb+
Maria das Graças


Há, lá no céu
                Bb+
Nossa Senhora das Graças
               Eb+
A quem sempre peço
   F+7
Proteção, quando tu
     B+
Passas
                G+7
Se um dia me olhas


Se um dia tu paras
             C+7
Se um dia me abraças
             F+7
Que bom para mim, Maria
           B+
Maria das Graças

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Garoto da rua

René Bittencourt
Garoto da Rua (samba-canção, 1947) - René Bittencourt - Interpretação de Augusto Calheiros

Disco 78 RPM / Título da música: Garoto Da Rua / René Bittencourt (Compositor) / Augusto Calheiros (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1947 / Nº Álbum: 80-0496-a / Lado A / Gênero musical: Samba-canção.



(Am) ---------Dm6------- E7------- Am
Garoto da rua / Que anda rasgado
--------------------A7---------------- Dm
Com o bolso pesado / De bolas de gude
---------------------Dm6---------- Am
Que estuda sem livros / A filosofia
------------------Em ---------B7 -------E7
Buscando alegria / Num fardo tão rude

---------------Am-------- E7------- Am
Garoto da rua / Que corre na frente
----------C7------ F ---------B7----- E7
Da turma valente / Que tasca balão
----------------G7 -----------------C
Na bola de meia / É craque afamado
-------------Em -------B7 -----E7
É rei coroado / Cravando pião


---------------Am ----------E7-------- Am
Garoto da rua / Que é bamba da zona
---------C7 ------F ------B7 ------------E7
Que pega carona / Melhor que ninguém
---------A7----- Dm -------Dm6------- Am
Ao vê-lo relembro / Saudosa quimera
--------Am/G------ B7 -------E7 -----Am
O tempo que eu era / Garoto também

sábado, 13 de maio de 2006

Prece de amor

Dalva de Oliveira
Prece de Amor (samba-canção, 1957) - René Bittencourt - Interpretação: Dalva de Oliveira

Disco 78 rpm / Título da música: Prece de amor / Bittencourt, René (Compositor) / Oliveira, Dalva de (Intérprete) / Peracchi, Leo (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 17/04/1957 / Nº Álbum 14212 / Gênero musical: Samba canção.


Tom: Em

  Em 
Pai nosso que estás no céu 
       E7        Am 
Conservai o meu amor 
                   E7 
Não permitis por favor 
                    Em  
Entre nós dois um adeus 

  Em
Afastai os inimigos 
          E7       Am 
da minha vida com ela 
                    Em   C 
conservai os olhos dela  
B7               Em  
Dentro dos olhos meus 

    B                          Em  
Se acaso não for este o meu destino 
                  B    
Por vosso manto divino 
E7                     Am   
Dai-me um viver sem ninguém 
                                    Em   
Para ser infeliz prefiro sentir saudades 
                       C    B7      Em 
Seja feita a vossa vontaaaaade,   amém!

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Canção da criança

Orlando Silva prestando homenagem
no túmulo do grande Francisco Alves
"... Francisco Alves, morreu em um desastre de automóvel na Via Dutra, no Estado de São Paulo, quando viajava em direção ao Rio de Janeiro. Seu carro chocou-se com um caminhão em plena rodovia, e, explodindo o motor, as chamas envolveram o veículo carbonizando o corpo do querido artista. Seu primo Haroldo Alves, estudante que o acompanhava na viagem, foi projetado à grande distância no momento da colisão, escapando com vida, porém em estado grave...".

Durante toda a sua vida, Francisco Alves sempre ajudou as entidades assistenciais do Rio de Janeiro. Vinte e quatro dias antes do acidente que o vitimou, havia gravado um disco, cujo resultado econômico reverteria em benefício das "Meninas da Casa de Lázaro", no Rio. "Canção da Criança" em uma face, e "Brasil de Amanhã" na outra, compunham o disco. Ambas composições do próprio Chico, com versos de René Bittencourt.

Antes que a gravadora Odeon lançasse o disco, a fatalidade levou de forma trágica o cantor Francisco Alves. A vendagem do disco atingiu cifras enormes poucas vezes vista no Brasil; porque além de Chico, também as "Meninas da Casa de Lázaro" faziam parte da gravação, cantando no coro.

No velório do cantor, ocorrido na câmara de vereadores do Rio de Janeiro, ocorreu uma cena inesquecível, emocionando ainda mais o povo e autoridades presentes: na saída do féretro para o cemitério São João Batista, as meninas da Casa de Lázaro cantam "Canção de Criança" ao lado do caixão lacrado, em despedida ao rei da voz que a elas havia dedicado o disco.

A parte declamada da gravação coube à Lúcia Helena, locutora da Rádio Nacional, que fazia parte do programa do Rei da Voz, aos domingos, ao meio-dia. A valsa foi gravada em 3/09/1952, 24 dias antes da morte de Chico Alves.

Canção da Criança (valsa, 1952) - Francisco Alves e René Bittencourt

Disco 78 rpm / Título da música: Canção da criança / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Bittencourt, René (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Coro de Crianças (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1952 / Nº Álbum 13336 / Gênero musical: Valsa


-----D------ A7-----------------D
Criança feliz / Que vive a cantar
----------------A7 ----------------D----- D7
Alegre embalar / Seu sonho infantil
-------------------G-------------------- D
Oh meu bom Jesus / Que a todos conduz
-----------------A7---------------D------- B7
Olhai as crianças / Do nosso Brasil

-----Em------------- D---- B7------Em------------------ D------ B7
Crianças com alegria /------- Qual um bando de andorinhas
---Em---------------- D---- A7 --------------------------D ------B7
Viram Jesus que dizia /------- "Vinde a mim as criancinhas"

--Em------------------- D ----B7------ Em -------------D------- B7
Hoje dos céus num aceno / ------Os anjos dizem Amém
------Em------------- D -----A7------------------------ D------- A7
Porque Jesus Nazareno / --------Foi criancinha também

-----D------ A7 ----------------D
Criança feliz / Que vive a cantar
---------------A7 -----------------D------- D7
Alegre embalar / Seu sonho infantil
-------------------G--------------------- D
Oh meu bom Jesus / Que a todos conduz
----------------A7----------------- D
Olhai as crianças / Do nosso Brasil

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Sertaneja

Orlando Silva
De uma simplicidade comovente, este bucólico canto de amor à mulher sertaneja seria uma das composições mais cantadas em todo o Brasil nos anos seguintes ao seu lançamento, em julho de 39. Todo amador com pretensões a se tornar um novo "cantor das multidões", inscrevia-se num programa de calouros (que na época vivia o auge da popularidade) para cantar: "Sertaneja se eu pudesse / se Papai do Céu me desse / o espaço pra voar / eu corria a natureza / acabava com a tristeza / só pra não te ver chorar...".

Incluída entre os maiores sucessos de Orlando Silva, "Sertaneja" seria superada em popularidade apenas por três ou quatro canções de seu repertório, como "Carinhoso" e "Lábios Que Beijei". Curiosamente, seu autor, o compositor, jornalista e empresário artístico, René Bittencourt, não era do sertão, tendo nascido na Ilha de Paquetá e vivido no Rio de Janeiro.

Sertaneja (canção, 1939) - René Bittencourt - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Sertaneja / René Bittencourt (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 28/04/1939 / Lançamento: 07/1939 / Nº do Álbum: 34455 / Nº da Matriz: 33068-1 / Gênero musical: Canção


Em------- C----------- Em------- C ----------------Em
Sertaneja se eu pudesse / Se Nosso Senhor me desse
---------C --------B7 -C -B7----------- Am--------- B7
O espaço pra voar /--------- Eu corria a natureza
--------Am ------------B7 -------------------------Em-- B7-- Em
Acabava com a tristeza / Só prá não te ver chorar
----------C----------- Em ----------C ------------Em
Na ilusão deste poema / Eu roubava um diadema
-----------E7----------- Am--- E7-- Am -------Am6------ Em
Lá do céu pra te ofertar / --------E onde a fonte rumoreja
--------------------Gb7 -----------B7 -------(Em) (B) (Em)
Eu erguia tua igreja / Dentro dela o teu altar

(B) ------Em-------------C-----------------B7
Sertaneja / Porque choras quando eu canto ?
-------------------------------------Em------- B7
Sertaneja / Se este canto é todo teu . . . .
---------E7------------------------- Am--------- Am6
Sertaneja / Prá secar os teus olhinhos
----------------------Em----- B7---------------- (Em) (B) (Em) (B) Em
Vá ouvir os passarinhos / Que cantam mais do que eu

---------C -------------Em----------- C ---------------Em
A tristeza do seu pranto / É mais triste quando eu canto
----------C ---------------B7 -------------Am----------- B7
A canção que eu te escrevi / E os teus olhos neste instante
--------------Am---------------- B7----------------------- Em- --B7--- Em
Brilham mais que a mais brilhante das estrelas que eu já vi.

---------C ---------------Em ---------C----------- Em
Sertaneja vou me embora / A saudade vem agora
----------E7 ---------Am-- E7 ----Am------- Am6------- Em
A alegria vem depois / --------Vou subir por essas serras
--------------------------Gb7 -----------B7------------- (Em) (B) (Bm)
Construir lá noutras terras / Um ranchinho prá nós dois
.


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 9 de abril de 2006

René Bittencourt

René Bittencourt (René Bittencourt Costa), compositor nasceu em Paquetá RJ em 23/12/1917 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 21/11/1979. Durante muitos anos foi animador de shows de circos e teatros, e empresário de artistas. Mais tarde, como jornalista, colaborou em várias revistas e jornais especializados em música.

Sua primeira composição gravada foi o samba Felicidade (com Noel Rosa), que também o gravou em disco Columbia, em 1932. O primeiro sucesso foi Sertaneja, canção gravada por Orlando Silva na Victor em 1940.

No ano seguinte, também pela Victor, Orlando Silva gravou Sinhá Maria. Em 1945 foram gravadas Era uma vez, por Gilberto Alves, e Senhor da floresta, por Augusto Calheiros, ambas na Victor.

Em 1947 Augusto Calheiros gravou Garoto da rua, na Victor. Em 1957 Caubi Peixoto gravou Prece de amor, pela Columbia, e em 1958 Nono Mandamento (com Raul Sampaio), pela Victor. Compôs ainda, em parceria com Francisco Alves, Canção da criança e Brasil de amanhã, ambas gravadas pelo cantor, acompanhado pelo Coro das Crianças da Casa de Lázaro, na Odeon, em 1952.

Durante 25 anos assinou a seção Feira de Amostras da Revista do Rádio. Foi membro do conselho deliberativo da SBACEM e integrante de suas comissões de finanças e repertório.


Fonte: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.