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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O cafona


O Cafona (1971) - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle - Intérpretes: Ângela Valle e Paulo Sérgio Valle

LP O Cafona - Trilha Sonora Da Novela da Rêde Globo / Título da música: O Cafona / Marcos Valle (Compositor) / Paulo Sérgio Valle (Compositor) / Ângela Valle (Intérprete) / Paulo Sérgio Valle (Intérprete) / Gravadora: Som Livre / Ano: 1971 / Nº Álbum: SIG 1001 / Lado a / Faixa 7 / Gênero musical: MPB.



Eu quero ver, eu quero ver
Eu quero
Eu quero ver, eu quero ver
Eu quero
Eu quero ver, eu quero ver
O seu retrato, seu reinado, seu cavalo
Eu quero ver

Eu quero ver, eu quero ver
Eu quero
Eu quero ver, eu quero ver
Eu quero
Eu quero ver, eu quero ver
O seu casaco, seu cigarro e o seu carro
Eu quero ver

Uau! Um cara maneiro
Ganhando dinheiro
Tudo mudou
Uau! Mudou sua gente
Da mãe ao gerente
Subiu de valor...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mustang cor de sangue


Mustang Cor de Sangue (1969) - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle - Intérprete: Wilson Simonal

LP Alegria, Alegria Vol. 3 (ou Cada Um Tem O Disco Que Merece) / Título da música: Mustang Cor de Sangue / Paulo Sérgio Valle (Compositor) / Marcos Valle (Compositor) / Wilson Simonal (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1969 / Nº Álbum: MOFB 3576 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: MPB.


Intr.: C / Eb / Ab / G / C / Eb / Ab / G /
C / Eb / Ab / G / C / Eb / Ab / G /
C / Eb / Ab / G / C / Eb / Ab / G /

C7M(9)       Am7(9)     Dm7(9) G7(4/9/13)G7(9/13) C7M(9)
A questão    social     in------dus------trial
F7M(9)         Bm7(9)  /       E7(4/9)   E7(b9)   Am7
Não permi-----te, não quer     Que eu         ande     a pé
D7(9)          Dm7  / G7(9)    C    /  Eb / Ab / G /
Na vitri---ne um Mustang   cor   de sangue

C7M(9)      Am7(9)      Dm7(9)  G7(4/9/13) G7(9/13) C7M(9)
Tenho um no----vo ideal     se--------xu--------al
F7M(9)     Bm7(9)  /   E7(4/9)    E7(b9)  Am7
Abando----no a mulher   Vir-------gem no      altar
D7(9)   Dm7   G7(9)    C   Eb Ab  G4  G  C(add9)
Amo em ferro e sangue um  Mustang     Cor de san----gue

D/C           G/B        C/Bb                F/A / /
No farol vejo seu olhar Minha mão  toca a direção
Fm/Ab              C/G / Am7 /
No painel   eu vejo seu amor
D7(4/9)       D7(9)           G7(4/9) / / G7(9)
E  o meu cor----po inva--de o interior               Hum...

C7M(9)       Am7(9)     Dm7(9)  G7(4/9/13)  G7(9/13) C7M(9)
A questão  social   in----------dus------trial
F7M(9)       Bm7(9) /  E7(4/9)   E7(b9)  Am7
Não permi----te que eu      Se-------ja fi------el
D7(9)          Dm7  / G7(9)    C    /  Eb / Ab / G /
Na vitri---ne um Corcel    cor   de mel

C / Eb / Ab / G / C / Eb / Ab / G / C / Eb / Ab / G
/ C / Eb / Ab / G / C7M / Am7 / Dm7 / G7 / C7M / F7M
/ Bm7 / E7 / Am7 / D7(9) / Dm7 / G7 /
C / Eb / Ab / G / C / /

D/C           G/B        C/Bb                F/A / /
No farol vejo seu olhar Minha mão  toca a direção
Fm/Ab              C/G / Am7 /
No painel   eu vejo seu amor
D7(4/9)    D7(9)         G7(4/9) / G7(9)   /   /
E o meu cor---po inva---de o interior               Hum...

C7M(9)       Am7(9)   Dm7(9) G7(4/9/13)  G7(9/13)   C7M(9)
A questão  social  in-------dus------trial
F7M(9)       Bm7(9) /  E7(4/9)   E7(b9)  Am7
Não permi----te que eu      Se-------ja fi------el
D7(9)    Dm7   G7(9) C     Eb  Ab G4 G  C  Eb Ab G4  G  C
Na vitrine um Corcel  cor  de mel    Meu Corcel    cor de mel
Eb / Ab / G4  G  C  / Eb / Ab / G / C Eb Ab G C  Eb Ab G  C
Meu Corcel

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Terra de ninguém

Terra de ninguém (canção, 1965) - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle - Interpretações: Marcos Valle e Elis Regina

LP A Bossa No Paramount / Título da música: Terra de ninguém / Marcos Valle (Compositor) / Paulo Sérgio Valle (Compositor) / Marcos Valle (Intérprete) / Elis Regina (Intérprete) / Gravadora: RGE / Ano: 1965 / Álbum: XRLP-5.268 / Gênero musical: Canção / Gravado ao vivo no Teatro Paramount - São Paulo, nos dias 08, 09 e 12 de abril de 1965.


Tom: G

Intro: G7M Bb7/13 G7M Bb7/13

G7M                Bb7/13
Segue nessa marcha triste 
               G7M
Seu caminho aflito 
           G7/4 G7         C7M
Leva só saudade e a injustiça 
               Cm7/9 F7/13         G7M
Que só lhe foi feita desde que nasceu 
               Gm7               G7M  Bb7/13 G7M Bb7/13
Pelo mundo inteiro que nada lhe deu 
 
G7M                  Bb7/13
Anda, teu caminho é longo 
               G7M
Cheio de incerteza 
              G7/4 G7             C7M               Cm7/9
Tudo é só probreza,tudo é só tristeza, tudo é terra morta 
F7/13          G7M
Onde a terra é bo___a 
            Gm7                G7M Bb7/13 G7M  Bb6
O senhor é dono, não deixa passar 
 
G7M              Bb7/13
Para no final da tarde 
             G7M
Tomba já cansado 
             G7/4 G7         C7M                 Cm7/9
Cai o nordestino, reza uma oração, prá voltar um di____a 
F7/13    G7M
E criar coragem 
           Gm7             G7M Bb7/13 G7M E7/b9
Prá poder lutar pelo que é seu 
 
Am7      Cm7/9 F7/13    Bm7
Mas, um dia    vai  chegar 
      E7/b9      Am7
Que o mundo vai saber 
        D7/4(9)    B7/#5
Não se vive sem se dar 
Am7      Cm7/9 F7/13     Bm7
Quem trabalha  é    quem tem 
 E7/b9      Am7
Direito de viver 
        D7/4(9)       G6
Pois a terra é de ninguém

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Marcos Valle


Marcos Valle (Marcos Kostenbader Valle), compositor, arranjador, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 14/9/1943. Começou a estudar piano clássico aos seis anos, formando-se em piano e teoria musical pelo Conservatório Haydée Lázaro Brandt com 13 anos. Nessa época, passou a estudar acordeom, dedicando-se quatro anos depois ao violão.

Em 1961 formou um trio com Edu Lobo, seu colega de colégio, e Dori Caymmi. Começou a compor com seu irmão, o letrista Paulo Sérgio Valle, criando uma dupla que produziu vários sucessos. A primeira música foi Sonho de Maria, gravada pelo Tamba Trio em 1963.

No ano seguinte, lançou seu primeiro LP, Samba demais, pela Odeon, com seis músicas suas e seis de outros autores, ganhando com esse disco vários prêmios. Nessa época, começou a se apresentar em shows, cantando suas próprias composições, entre as quais fez sucesso Terra de ninguém.

Em seu segundo LP — O compositor e o cantor Marcos Valle — editado em 1965, incluiu uma de suas músicas de maior êxito, Eu preciso aprender a ser só. Em junho do mesmo ano, foi para os EUA e, ao chegar, sua composição Samba de verão, gravada por Walter Wanderley, estava em segundo lugar nas paradas de sucesso (a música teve cerca de 80 gravações diferentes nos EUA). Durante oito meses se apresentou com o conjunto de Sérgio Mendes em boates, universidades e na televisão, tendo participado do programa de Andy Williams.

Em 1966 voltou ao Brasil, onde se apresentou em televisão e shows e gravou outro LP Braziliance — a música de Marcos Valle, e nos anos seguintes gravou ainda os LPs Viola enluarada (1967) e Mustang cor de sangue (1969), todos pela Odeon. No fim da década de 1960, começou a dedicar-se à composição de temas de novelas, tendo feito Azimute em 1969 para a novela Véu de noiva.

Gravou nessa época os LPs Marcos Vale (1970), com o tema de novela Pígmalião 70 (com Paulo Sérgio Valle e Novelli); Garra (1971), contendo Com mais de trinta e Black is Beautiful (com Paulo Sérgio Valle); Vento sul (1972); Previsão do tempo (1973), com o tema da novela Ossos do barão (com Paulo Sérgio Valle); Marcos Vale (1974), com Meu herói (com Paulo Sérgio Valle). Venceu, em 1971, a IV Olimpíada da Canção de Atenas, Grécia, com Minha voz virá do sol da América.

De 1975 a 1980 morou nos EUA, onde cantou a música Something (George Harrison) com Sarah Vaughan, no disco Songs of the Beatles, lançado em 1981. Em 1977 escreveu os arranjos, juntamente com Airto Moreira, para o disco deste intitulado Touching You, Touching Me, que foi indicado para o Prêmio Grammy.

Em 1979, o grupo Chicago gravou músicas suas, e Sarah Vaughan incluiu duas versões no disco I Love Brazil: If You Went Away (versão de Eu preciso aprender a ser só) e The Face I Love (versão de Seu encanto). Retornou ao Brasil em 1981 e gravou pela Som Livre o disco Vontade de rever você.

Em 1983 lançou Marcos Valle, também pela Som Livre, cuja música Estrelar fez sucesso. Gravou em 1984 um compacto que incluiu Bicicleta, outro êxito. Em 1986 gravou o disco Tempo da gente, para a gravadora Arca Som.

No início da década de 1990, suas músicas foram descobertas pela juventude de Londres, Inglaterra, e passaram a ser tocadas nas pistas de dança inglesas, o que se espalhou pela Europa e Japão, em seqüência. Em 1995 foi lançado na Europa e Japão The Essential Marcos Valle, e em 1996 The Essential Marcos Valle n°2. Graças a esse revival, foi apontado como o Homem do Momento de 1995 pela revista européia Straight No Chased.

No exterior, foram lançados ainda Previsão do tempo (1996), O compositor e o cantor (1997) e Vontade de rever você (1997), indicando sua grande popularidade atual. Vários intérpretes da música negra americana gravaram suas músicas.

Algumas músicas









Obras

Black is Beautiful (c/Paulo Sérgio Valle), 1971; Bloco do eu sozinho (c/Ruy Guerra), s.d.; Bye Bye tristeza (C/Carlos Colla), s.d.; Campina Grande, s.d.; Capitão de indústria (c/Paulo Sérgio Valle), s.d.; Com mais de trinta (c/Paulo Sérgio Valle), 1971; Os dentes brancos do mundo (c/Paulo Sérgio Valle), 1969; Deus brasileiro (c/Paulo Sérgio Vale), samba, 1965; Dia de vitória (c/Paulo Sérgio Valle), 1970; Dorme profundo (c/Pingarilho) 1971; Estrelar (c/Paulo Sérgio Valle), s.d.; Gente (c/Paulo Sérgio Vale), s.d.; Lenda (c/Lula Freire), samba 1965; Maria da favela (c/Paulo Sérgio Valle), 1965; Mustang cor de sangue (c/Paulo Sérgio Valle), 1969; Paixão antiga (c/Paulo Sérgio Vale), s.d.; Pelas ruas do Recife (c/Paulo Sérgio Valle), 1968; Pigmalião 70 (c/Paulo Sérgio Vale e Novelli), 1970; Preciso aprender a ser só (c/Paulo Sérgio Valle), samba, 1965; Quarentão simpático (c/Paulo Sérgio Valle), 1970; Remédio pro coração (c/Paulo Sérgio Valle), s.d.; Samba de verão (c/Paulo Sérgio Valle), samba, 1965; Sonho de Maria (c/Paulo Sérgio Valle), samba, 1963; Verão violento (c/Fausto Nilo), samba; Viola enluarada (c/Paulo Sérgio Valle), toada, 1967.

CD: Portifólio (3 CDs Mustang cor de sangue, Garra e Previsão do tempo), 1997, EMI 859/66-2.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Paixão antiga


Paixão Antiga - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle - Intérprete: Tim Maia

LP Tim Maia - Carinhos / Título da música: Paixão Antiga / Marcos Valle (Compositor) / Paulo Sérgio Valle (Compositor) / Gravadora: BMG-Ariola / Ano: 1988 / Nº Álbum: 130.0065 / Lado A / Faixa 3.


Tom: Am7
C7 Am7    Dm          Am7        Dm  
Paixão antiga sempre mexe com a gente
Bb7+              Eb7+  C7
é tão difícil esquecer
Am7        Dm         Am7   
Basta um encontro por acaso
Dm     Bb7+              Eb7+  C4/7
e pronto começa tudo outra vez
F    Bbm7      Eb7/9          Ab7+
E vendo você o coração parece que vai saltar
Db7+               Gm7/5-   C7     F
Pelo meu corpo, saudade em todo lugar
Bbm7             Eb7/9           Ab7+
E eu sem disfarçar te como com meu olhar
Db7+                Gm7/5-   C7   F
Foi bom demais, não tinha que acabar
F7        Bb7+  Bº  F/C C#o    Dm F/Eb         Bb7+
Meu bem, quando te vi, tudo voltou e eu compreendi
Gm7                        C7
Que te amo, quero, adoro sempre mais
Bb7+               Am              Gm7             Dm
Deixa o coração te seduzir, não dá mais pra disfarçar
Gm7                Am            Bb7+  G7/B  C4/7
Deixa o sentimento decidir, já é hora de voltar

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Verão violento

Marcos Valle
Verão violento (samba bossa) - Marcos Valle e Fausto Nilo

Tarde de sol, tem jangada no mar
Lua no céu, uma estrela e ninguém pra sonhar
Meu amor, onde anda você
Quero beber o sabor dos seus lábios de mel
Aquele amor bateu, me levou pro céu
Doeu, doeu, mas foi tão bom
Aquele adeus foi seu, não valeu pra mim
Porque eu te amo tanto
Eu quero já, quero puro prazer
Ser pra você como a lua no verde do mar
E amanhã acordar para lhe ver
Na luz do sol lhe perder e depois lhe encontrar
Aquele amor bateu, me levou pro céu
Doeu, doeu, mas foi tão bom
Aquele adeus foi seu, não valeu pra mim
Porque eu te amo tanto assim
Pela janela do tempo
O vento muda de cor
Vai ter felicidade sim
Não tenha dó de mim
Pois o pior já passou
Foi um verão violento
Deu pra sentir seu calor
Eu sei que essa saudade é ruim
Mas no final do fim
Você será meu amor

Nova Bossa Nova

Paulo Sérgio Valle
Nova Bossa Nova (samba bossa) - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle

CD Tempos de Bossa Nova - Volume 1 / Título da música: Nova Bossa Nova / Marcos Valle (Compositor) / Paulo Sérgio Valle (Compositor) / Marcos Valle (Intérprete) / Gravadora: Revista Caras / Ano: 1994 / Faixa 4 / Gênero musical: Samba bossa nova.


Tom: F

   F6                                   B° 
olha, que vê cara não vê rosto mais bonito 
                                 Eb6 
quem vê corpo não vê nada mais perfeito 
                                 Ab7/A 
quem se chega se amarra no teu jeito 
                           Fm7    
quem te toca fica louco de paixão 
                 Em7/5b        A7/5b 
pra mim não tem saída, você na minha vida 
        D6/9 
é só tentação 


olha, tou tentando fazer rap bossa nova 
misturando don juan com casanova 
escrevendo qualquer coisa muito louca 
pra no fim pedir um beijo em tua boca 
não dá pra esconder 
eu quero te dizer 
você é um avião 

Gm7/11             C7/G             Gm7/11 
é toda vez que eu tento ligar pra você 
           C7/G            F6 F7+ F7 F7+ 
tá na secretária ou ta ocupado 
Am7/11        D7/A             Am7/11  
é já deixei recado já mandei dizer 
              D7/A              Dm7 Eb7/9  Bbm6 
eu não posso mais, estou apaixonado 


F6  
olha, qualquer coisa passa aqui num fim de tarde 
tou sozinho, tou morrendo de saudade 
com você a vida tem mais poesia 
é uma bossa nova de alegria 
na cara e na coragem 
você é uma viagem 
pro meu coração 
pra que levar bagagem 
é só pouso e decolagem 
A7/5b         D6/9     A7/5b     D6/9 
você é um avião...     você um avião...você é um avião

Viola enluarada

Marcos Valle - 1968
A saudade do Brasil, sentida por Marcos Valle durante uma longa estada (a maior até então) nos Estados Unidos, levou-o a compor uma toada dolente, com harmonia bem brasileira, que traria em sua bagagem de volta sem nome e sem letra. Ainda em Nova York, às vésperas do retorno, ele ouvira de Eumir Deodato elogios entusiasmados a um novo compositor, chamado Milton Nascimento, que despontara no II FIC e para cujas músicas havia escrito os arranjos.

Assim, ao chegar ao Rio, procurou logo conhecê-lo, tendo esse encontro acontecido na casa de Tom Jobim, no Leblon. Na ocasião, como seu irmão Paulo Sérgio já havia aprontado a letra da toada que se chamou “Viola Enluarada”, Marcos e Milton tiveram a oportunidade de cantá-la juntos pela primeira vez: “A mão que toca um violão / se for preciso faz a guerra / mata o mundo, fere a terra...”

Ao contrário de outras músicas de protesto, em que o êxito se baseia quase tão somente na força da letra, “Viola Enluarada” possui, além dos belos versos libertários, uma rica melodia, que a classifica entre as grandes canções brasileiras do século. Isso era reconhecido pelo exigente Jacó do Bandolim, que tinha um projeto de gravá-la, não realizado em virtude de sua morte.

Divulgada inicialmente em shows do Quarteto em Cy e da cantora Eliana Pittman, a canção foi lançada pela Odeon num compacto com seus contratados Marcos Vale e Milton Nascimento. Nesta gravação, que tem arranjo de Dori Caymmi, a dupla canta exatamente como o fazia nas reuniões com os amigos. Aliás, a boa participação de Milton, bem à vontade, acontece não por acaso, pois a composição encaixa-se em seu estilo como se por ele tivesse sido feita.

Sucesso instantâneo (já havia uma lista de pedidos dos lojistas antes da gravação existir), “Viola Enluarada” foi incluída no álbum seguinte de Marcos, propiciando pela segunda vez a ele e a Paulo Sérgio o prêmio de melhor canção do ano, oferecido pela Rádio Jornal do Brasil (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Viola enluarada (1968) - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle - Interpretação: Marcos Valle e Milton Nascimento.

LP Viola Enluarada / Título da música: Viola enluarada / Paulo Sérgio Valle (Compositor) / Marcos Valle (Compositor) / Marcos Valle (Intérprete) / Milton Nascimento (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1968 / Álbum: MOFB 3531 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Canção-toada.


Tom: A

A                  E/G#
A mão que toca um violão     
           Em/G        D/F#  Dm/F
Se for preciso faz a guerra
           A/E  D6/9  E7/4  E7
Mata o mundo, fere a terra
A                      E/G#
A voz que canta uma canção
            Em/G      D/F#  Dm/F
Se for preciso canta um hino
       E7/4    E7
Louva à morte
A                  E/G#
Viola em noite enluarada
Em/G                  D/F#  Dm/F
No sertão é como espada
    A/E     D6/9  E7/4  E7
Esperan - - ça de vingança
A                      E/G#
O mesmo pé que dança um samba
          Em/G  D/F#  Dm/F
Se preciso  vai à luta
         E7/4  E7  A
Capoei -- ------ - ra
                     B/A  Bm7/5-  Bb7
Quem tem de noite a compan hei ---- ra
         Am7        B/A  Bm7  E7/9
Sabe que a paz é p assagei -- ra
   A             B/A  C/G
Prá defende-la se levanta
F#m7/5-    E7/4  E7  A
E grita: Eu vou !
A                       E/G#
Mão, violão, canção e espada
   Em/G      D/F#  Dm/F
E viola enluarada
A/E             D6/9  E7/4  E7
Pelo campo, e ci da -- de
A                   E/G#
Porta bandeira, capoeira
Em/G              D/F#  Dm/F
Desfila ndo vão cantando
         E7/4   E7  A
Liberda -- ------  de
A                        B/A    Bm7/5-  Bb7
Quem tem de noite a compan hei -- ra
  Am7              B/A       Bm7  E7/9
Sabe que a paz é passagei -- ra
  A                 B/A    C/G
Prá defende-la se levanta
F#7/5-  E7/4  E7  A
E grita: Eu vou!
A                   E/G#
Porta bandeira, capoeira
Em/G                 D/F#  Dm/F
Desfilando vão cantando
         E7/4  E7  A
Liberda -- ----- de
(  A  B/A  C/A  D/A  E7/4  E7   )
Liberdade, liberdade, liberdade....

Preciso aprender a ser só

Marcos Valle 1965
Durante algum tempo, amigos de Marcos Valle como Joyce Edu Lobo e Dori Caymmi acharam, depois de conhecerem uma de suas novas criações, a composição já era tão bonita que nem sequer precisava ter letra.

Com encadeamento muito bem elaborado para uma melodia intuitiva e esplendidamente desenvolvida sobre um tema que, inclusive, era aproveitado na sela parte, em menor, a canção também impelia Marcos a concordar com a ideia. Isso até que seu irmão, Paulo Sérgio, propôs escrever-lhe uma letra romântica, conseguindo criar um poema perfeitamente ajustado ao espírito melodia — “Ah, se eu te pudesse fazer entender / sem teu amor eu não o viver / e sem nós dois / o que resta sou eu”.

“Preciso Aprender a Ser Só” foi originalmente apresentada por Elis Regina num show no Teatro Paramount, em maio de 64, do qual participava o próprio Marcos, cantando com ela “Terra de Ninguém”, canção de protesto de sua autoria (com Paulo Sérgio), que se tornaria tema de abertura de “O Fino da Bossa”. Depois, ambas as canções seriam muito divulgadas no celebre elepê Dois na bossa, com Elis, Jair Rodrigues e o Jongo Trio, gravado ao vivo em abril de 65, quase ao mesmo tempo em que Marcos lançou-as, acompanhado por arranjos de Eumir Deodato.

“Preciso Aprender a Ser Só” foi premiada pela Rádio Jornal do Brasil como a melhor canção de 65, tendo recebido nesse ano inúmeras gravações como as de Alaíde Costa, Dóris Monteiro, Pery Ribeiro e Os Cariocas.

Em 1975, participando em Los Angeles de um disco de Sarah Vaughan, Marcos Vale mostrou-lhe suas canções, levando-a a planejar a gravação de um álbum de música brasileira. Esse projeto se concretizou no final de 77, apresentando em uma das faixas “If 1 Went Away”, a versão americana de “Preciso Aprender a Ser Só”. Curiosamente, a canção inspirou uma resposta: “Preciso Aprender a Só Ser”, de Gilberto Gil (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Eu preciso aprender a ser só (canção, 1965) - Marcos Valle, Ruy Guerra e Paulo Sérgio Valle - Interpretação: Elis Regina.

LP 2 Na Bossa - Elis Regina e Jair Rodrigues / Título da música: Preciso aprender a ser só / Paulo Sérgio Valle (Compositor) / Marcos Valle (Compositor) / Jongo Trio (Acomp. ) / Gravadora: Philips / Ano: 1965 / Álbum: P-632.765-L / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Canção.

F7+         Bm7    E7       F7+
Ah   se eu te pudesse fazer entender
         Cm7          F7       Bb7+
Sem teu amor  eu não posso viver
           Dm7          G7        Gm7
Que sem nós dois o que resta sou eu

 C7/9+                F7+
Eu     assim    tão  só
        Bm7      E7           F7+
E eu preciso aprender a ser só
      Cm7           F7       Bb7+
Poder dormir sem sentir teu amor
          Dm7        G7          Gm7
E ver que foi só um sonho e passou

C7/9+        Fm7
Ah . . . o amor
            Db7/9      C7/9+    F7+
Quando é demais ao findar leva paz
          Cm7   F7      Bb7+
Me entreguei    sem pensar
        Am7    Ab0          Gm7         C7/-9
Que a saudade existe e se vem é tão triste

F7+            Bm7       E7           F7+
Vê    meus olhos choram a falta dos teus
      Cm7          F7            Bb7+
Estes teus olhos que foram tão meus
         Bm7/-5      Bbm7          Am7  
Por Deus entenda que assim eu não vivo
 Ab0        Gm7       C7/9     F7+
Eu morro pensando no nosso amor. . . .
C7/9+    Fm7       C7/9      F7+
Ah! O amor,   no nosso amor

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Samba de verão

Marcos Valle
Uma espécie de temporão da bossa nova, “Samba de Verão” lembra o estilo que consagrou a dupla Menescal e Bôscoli. Aliás, um ídolo de Marcos Valle, Roberto Menescal seria não por acaso um dos primeiros a conhecer o “Samba de Verão”, quando o próprio autor mostrou-lhe a composição, ao violão, na Pedra do Arpoador, provocando o auspicioso comentário: “Vai ser um estouro.”

Marcos havia concluído a música sem maior esforço, tentando transmitir o seu lado esportivo de surfista, bem como o clima de sensualidade das praias cariocas. Como vaticinara Menescal, “Samba de Verão” foi um grande sucesso. Lançada ainda sem letra pelo grupo Os Catedráticos, de Eumir Deodato, a composição teve a sua estréia cantada no elepê O compositor e o cantor, que foi o segundo de Marcos Vale, seguindo-se várias versões que a tornaram uma das mais gravadas em 1965.

Dois anos depois, estourou nos Estados Unidos, em gravação do Walter Wanderley Trio. Por conta desse sucesso, Marcos seria convidado para se apresentar no show de tevê de Andy Williams, que também gravou “Samba de Verão”, além de outros artistas como Johnny Mathis, Caterina Valente e Connie Francis, em versão de Norman Gimbel que, curiosamente, aparece nos discos ora como “Summer Samba”, ora como “So Nice” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Samba de verão (samba-bossa, 1965) - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle - Intérprete: Marcos Valle

Tom: F7+/9

F7+/9                        F7+/6             
Você viu só que amor, nunca vi coisa assim
Bm7                       E7/9- 
E passou nem parou mas, olhou só pra mim
A#7+                      A#6
Se voltar vou atrás, vou pedir vou falar
A#m6                
Vou dizer que o amor foi feitinho pra dar

Am7 D7/9-           Gm7/9    
Olha,      é como o verão
Em7/5-   A7/5 Dm7/9  G7
  Quente o coração
                 Gm7/9          
Salta de repente
                    C#7        C7
Para ver a menina que vem

F7+/9                      F7+/6
Ela vem sempre tem esse mar no olhar
Bm7                         E7/9- 
E vai ver, tem que ser nunca tem quem amar
A#7+                          A#6
Hoje sim diz que sim, já cansei de esperar
A#m6                 
Nem parei nem dormi só pensando em me dar

Am7 D7/9-                 Gm7/9   C7/13
Peço,      mas você não vem    bem
F7+/9          A#7/9
Deixa então, fale só
F7+/9         A#7/9        F7+/9
Digo ao céu mas você vem