quarta-feira, 3 de maio de 2006

A moda da mula preta

Por alguns anos o disco que mais dividendos rendeu a Luiz Gonzaga foi "A Moda da Mula Preta", um autêntico recordista de vendagem. E o surpreendente é que esta moda-de-viola nem inédita era na ocasião, pois já havia sido lançada por Raul Torres e Florêncio em 1945.

Recolhida do folclore mineiro pelo próprio Torres, a peça conta em quatro partes a história de uma certa mula, ensinada e manhosa, que morre no verso final picada por uma cobra. Só que a história é contada com muita graça - e aí esta a razão do sucesso - sobre uma melodia repetitiva, fácil de memorizar. "A Moda da Mula Preta" foi na época um dos raros casos de música sertaneja a fazer sucesso em todo o país.

A moda da mula preta (moda de viola, 1948) - Raul Torres

Disco 78 rpm / Título da música: Moda da mula preta / Autoria: Torres, Raul (Compositor) / Gonzaga, Luiz (Intérprete) / Acompanhamento (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1948 / Nº Álbum 800580 / Gênero musical: Moda de viola



A ----------------------------------------------------E7
Eu tenho uma mula preta tem sete palmos de altura
----------------------------------------------A---- E----- A
A mula é descanelada, tem uma linda figura
-----------------------------------------------E7
Tira fogo na calçada no rampão da ferradura
--------------------------------------------A---- E------ A
Com morena delicada, na garupa faz figura
-------D ----------E7 --------------------A ------E7 ------A
A mula fica enjoada, pisa só de andadura
------------------------------------------E7
Ensino na criação vejo quanto ela regula
-------------------------------------------------A----- E----- A
O defeito do mulão se eu contar ninguém calcula
-------------------------------------------------E7
Moça feia e marmanjão na garupa a mula pula
-----------------------------------------------A
Chega a fazer cerração todo pulo desta mula
------------D --------E7 -------------------A---- E------ A
Cara muda de feição, sendo preto fica fula
-------------------------------------------------E7
Eu fui passear na cidade só numa volta que dei
-----------------------------------------------A------ E--------- A
A mula deixou saudade no lugar onde passei
--------------------------------------------------E7
Pro mulão de qualidade, quatro milhões injeitei
--------------------------------------------A------ E -------A
Pra dizer a verdade, nem satisfação eu dei
----------D ---------E7---------------------- A------ E ------A
Fui dizendo boa tarde pra minha casa voltei
-------------------------------------------------E7
Soltei a mula no pasto veja o que me aconteceu
---------------------------------------------A----- E------- A
Uma cobra venenosa a minha mula mordeu
--------------------------------------------------E7
Com o veneno desta cobra a mula nem se mexeu
-----------------------------------------------------A----- E ------A
Só durou umas quatro horas depois a mula morreu
---------D --------------E7 ----------------------A------ E------- A
Acabou-se a mula preta que tanto gosto
me deu


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Segredo

Lançado por Dalva de Oliveira em julho de 47 e, um mês depois, por Nelson Gonçalves, "Segredo" se tornou um dos maiores sucessos do ano. Sucesso, aliás, que contribuiu para popularizar a expressão "O peixe é pro fundo das redes, segredo é pra quatro paredes", citada na primeira parte: "Seu mal é comentar o passado / ninguém precisa saber o que houve entre nós dois / o peixe é pro fundo das redes...".

De estilo dramático/sentimental, como tantos outros sambas que integram a vertente principal da obra de Herivelto Martins, "Segredo" tem segunda parte de Marino Pinto, feita a pedido de Dalva. "O Marino fez aqueles versos à minha revelia" - esclarece Herivelto - "mas , ficaram tão bons que aceitei imediatamente".

Segredo (samba-canção, 1947) - Herivelto Martins e Marino Pinto

Disco 78 rpm / Título da música: Segredo / Autoria: Martins, Herivelto (Compositor) / Pinto, Marino (Compositor) / Oliveira, Dalva de (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1947 / Nº Álbum 12792 / Lado A / Gênero musical: Samba canção



---------A --------------------Ab7
Seu mal é comentar o passado
---------A ------------Gb7
Ninguém precisa saber
-----------Bm---- Gb7---- Bm
O que houve entre nós dois
-------D--------------------- Dm
O peixe é pro fundo das redes
------A ---------------------Gb7
Segredo é pra quatro paredes
---------Bm------------------ E7
Não deixe que males pequeninos
------------------A-------------------- Gb7
Venham transformar os nossos destinos

-------D --------------------Dm
O peixe é pro fundo das redes
-------A-------------------- Gb7
Segredo é pra quatro paredes
------Bm ---------------E7
Primeiro é preciso julgar
---------------------A
Pra depois condenar

------E------------------------------ A
Quando o infortúnio nos bate à porta
---------A7 -----------------D
E o amor nos foge pela janela
---------Eb0-------- A-------- Gb7
A felicidade para nós está morta
----------B7--------------- E7
E ninguém pode viver sem ela
----D ------------Eb0 ----------A--------- Gb7
Para o nosso mal não há remédio, coração
------------------Bm------- E7-------- A
Ninguém tem culpa da nossa desunião



Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Rumba de Jacarepaguá

Emilinha Borba
Rumba de Jacarepaguá (rumba, 1947) - Haroldo Barbosa

Disco 78 rpm / Título: Rumba de Jacarepaguá / Autoria: Barbosa, Haroldo (Compositor) / Emilinha Borba (Intérprete) / Chiquinho (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1947 / Nº Álbum 15784 / Lado B / Gênero: Rumba


A rumba que eu canto / Não nasceu na Nicarágua
Em Las Vegas, em Manágua / Acapulco ou Panamá
Não tem rimas de Havana / Com banana, hasta mañana
Nem Caracas, nem Maracas / Nem bongôs pra atrapalhar

É no duro brasileira / Nasceu lá pra Madureira
Pouco além de Cascadura / A oeste de Irajá
Salve a rumba mascarada / Que não é rumba nem nada
Mas dá pra gente / Requebrar até cansar, ai, ai
Salve a rumba de Jacarepaguá

Pirata da perna de pau

Depois de três carnavais sem sucesso, João de Barro (Braguinha) voltou firme em 1947 com "Pirata da Perna de Pau". Esta marcha vitoriosa conta as aventuras de um personagem, que poderia também habitar o universo das historinhas infantis de seu criador.

Braguinha, porém, preferiu colocá-lo no comando de uma alegre galera, tripulada só por garotas, que ele ao ver ameaçada por um pirata rival, defende com o grito de guerra: "Opa, homem não!".

"Pirata da Perna de Pau" serviu ainda para consagrar seu intérprete, Nuno Roland, um cantor competente que não tivera até então um grande sucesso. Seu valor e versatilidade seriam confirmados em seguida com o samba paisagístico "Fim de Semana em Paquetá".

Pirata da Perna de Pau (marcha/carnaval, 1947) - João de Barro

Disco 78 rpm / Título: Pirata da perna de pau / Autoria: João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Roland, Nuno, 1913-1975 (Intérprete) / Chiquinho (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1946 / Nº Álbum 15727 / Lado A / Gênero: Marcha



Eu sou o pirata da perna de pau
Do olho de vidro, da cara de mau

Minha galera
Dos verdes mares não teme o tufão
Minha galera
Só tem garotas na guarnição

Por isso, se outro pirata
Tenta a abordagem eu pego o facão
E grito do alto da popa:
Opa! Homem, não.


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Pela décima vez

Aracy de Almeida
Pela décima vez (samba, 1947) - Noel Rosa - Samba composto em 1935.

Disco 78 rpm / Título: Pela décima vez / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Araci de Almeida, 1914-1988 (Intérprete) / Bolinha (Acompanhante) / Medeiros, Geraldo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1947 / Álbum 12804 / Lado A / Gênero: Samba

E             A7              Eadd9    B7
Jurei não mais amar pela décima vez 
  E6/9         C#7(#9)       C#7(b9)    F#m   
Jurei não perdoar      o que ela     me fez
F#m                                   F#m/E
    O costume é a força que fala mais forte 
             B7/D#  B7
Do que a natureza
  F#m7/11             B7/13            B7/4
E que     nos faz dar provas de fraqueza

  E                   A7/9       E6/9  F#m7/11
Joguei meu cigarro no chão   e pisei
           Bm7/11        E7/4(9) 
Sem mais nenhum   aquele mesmo   
E7(b9)  Aadd9       G#°(b13)  F#m
apan....hei     e fumei
    F#m/E      Aadd9               A#°
Através   da fumaça   neguei minha raça
   E6/B     D7/9   C#7(#9)
Chorando, a repe...tir 
          F#7/13          B7/13                 E6/9
Ela é o veneno que eu escolhi pra morrer sem sentir

   E              A7/9         E6/9  F#m7/11
Senti que meu coração   quis parar
          Bm7/11       E7/4(9)    E7(b9)   Aadd9  
Quando voltei    e escutei    a vizinha  falar
G#°(b13)  F#m                 Aadd9  
              Que ela só de pirraça
              A#°       E6/B  D7/9       C#7(#9)
Seguiu com um praça,  ficando lá    no xadrez
            F#7/13       F#7(#5)    B7/13
Pela décima vez    ela está      inocente
    B7(#5)      E6/9
Nem sabe  o que fez  

Onde estão os tamborins

Era véspera do carnaval de 46 e Mangueira estava quieta, às escuras, sem sinal de animação. Esta cena motivou Pedro Caetano a fazer "Onde Estão os Tamborins", samba em que reclamava do marasmo que a escola atravessava na ocasião, vivendo somente de glórias passadas. E reclamava também da ausência dos sambas de Cartola, na época sumido do morro. Lançado um ano depois, pelos Quatro Ases e um Coringa, "Onde Estão os Tamborins" seria o grande samba do carnaval de 47.

Onde Estão os Tamborins (samba/carnaval, 1947) - Pedro Caetano

Disco 78 rpm / Título da música: Onde estão os tamborins? / Autoria: Caetano, Pedro (Compositor) / Quatro Ases e um Coringa (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1946 / Nº Álbum 12735 / Lado A / Lançamento: 1946 / Gênero musical: Samba

Tom: Bb

Introd.: Bb G7 Cm F7 Bb

    Cm        F
Mangueira
              F7          Bb           Eb
Onde é que estão os tamborins, ó nega
Bb       Gm7         Cm              F7
Viver somente de cartaz não chega
                       Bb
Põe as pastoras na avenida,
     Bb 
Mangueira querida!   (bis)

   Cm7         F7           Dm
Antigamente havia grande escola
         G7          Cm7
Lindos sambas de Cartola
      F7           Bb
Um Sucesso de Mangueira
     Fm7      Bb7         Eb     
Mas hoje o silêncio é profundo
       Gm7         Fm7
E por nada neste mundo
       Bb7            Eb
Eu consigo ouvir Mangueira! 


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Felicidade

Lupicínio Rodrigues
Felicidade (toada, 1947) - Lupicínio Rodrigues

Disco 78 rpm / Título da música: Felicidade / Autoria: Rodrigues, Lupicínio, 1914-1974 (Compositor) / Quarteto Quitandinha (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1947 / Nº Álbum 15835 / Lado A / Gênero musical: Toada

Tom: A  

A               Bm
Felicidade foi-se embora
                   E7           A
E a saudade do meu peito ainda mora
        C#7          F#m7        Bm
E é por isso que eu gosto lá de fora
                         E7          A
Porque eu sei que a falsidade não vigora
                               Bm
A minha casa fica lá detrás do mundo
                    E7
Onde eu vou em um segundo
                    A
Quando começo a cantar 
                                 Bm
O pensamento parece uma coisa à toa
                       E7
Mas como é que a gente voa
                    A
Quando começa a pensar

Dezessete e setecentos

Quatro Ases e um Coringa

Dezessete e setecentos (calango, 1947) - Luiz Gonzaga e Miguel Lima

Disco 78 rpm / Título da música: Dezessete e setecentos... / Autoria: Gonzaga, Luiz (Compositor) / Lima, Miguel (Compositor) / Manezinho Araújo, 1910-1993 (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 15/02/1945 / Nº Álbum 15302 / Lado A / Lançamento: Março/1945 / Gênero musical: Samba


Disco 78 rpm / Título da música: Dezessete e setecentos / Autoria: Gonzaga, Luiz (Compositor) / Lima, Miguel (Compositor) / Quatro Ases e um Coringa (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1947 / Nº Álbum 12784 / Lado B / Lançamento: 1947 / Gênero musical: Calango

A                    Bm7                     A
Eu lhe dei vinte mil réis pra pagar três e trezentos
                  Bm7                  A
Você tem que me voltar dezessete e setecentos
Sou diplomado, frequentei a academia
              A#°                Bm7
Conheço geografia, sei até multiplicar
           D          D#°            A
Dei vinte mango para pagar três e trezentos
     F#7        Em7          E           A
Dezessete e setecentos você tem que me voltar
                         Bm7                       A
Mas eu lhe dei vinte mil réis pra pagar três e trezentos
                E                   A
Você tem que voltar dezessete e setecentos
Eu acho bom você tirar os nove fora
                    A#°                      Bm7
Evitar que eu vá embora e deixe a conta sem pagar
           D              D#°        A
Eu já lhe disse que essa droga tá errada
      F#7       Bm7           E             A
Vou buscar a tabuada e volto aqui pra lhe provar

De conversa em conversa

Lúcio Alves
Tal como "Saia do caminho", lançado em 1946, "De Conversa em Conversa" explora o tema da separação amorosa. Só que de uma maneira diversa, pois, enquanto no samba anterior a protagonista aceita o fato resignadamente, aqui reage de forma decidida, procurando minimizar o trauma da separação: "Vivendo dessa maneira / continuar é besteira / não adianta não / o que passou é poeira / deixa de asneira / que eu não sou limão / não sou limão, não, não...".

O curioso é que em "De Conversa em Conversa" o autor da letra é Haroldo Barbosa, irmão de Evaldo Rui, letrista de "Saia do Caminho", o que de certa maneira expõe as diferenças de estilo dos dois, sendo o primeiro irônico, prático, realista, em contraste com o segundo, mais chegado ao romantismo.

Lançado no rádio por Lúcio Alves (autor da melodia, quando tinha 16 anos) e os Namorados da Lua, com o título de "Não Sou Limão", o samba despertou a atenção de Isaura Garcia, que o gravou acompanhada pelo citado conjunto.

De conversa em conversa (samba, 1947) - Haroldo Barbosa e Lúcio Alves

Disco 78 rpm / Título da música: De conversa em conversa / Autoria: Barbosa, Haroldo (Compositor) / Alves, Lúcio, 1927-1993 (Compositor) / Isaura Garcia (Intérprete) / Os Namorados da Lua (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1946 / Nº Álbum 800497 / Lado B / Lançamento: 1947 / Gênero musical: Samba

F7+
Oi de conversa em conversa
  Am7            G#m7  Gm7   D7  Gm7
Você vai arranjando um meio de brigar
                                 G#º
Oi de palavra em palavra você está querendo
   F    F7+
É nos separar
               Am7                 G#m7
Parece até que o destino uniu-se com você
             Gm7
Só pra me maltratar
                                   C7/9
Pois cada dia que passa é mais uma tormenta
              F7+
Que eu deixei ficar
Nosso viver não adianta
    Am7     G#m7    Gm7  D7 Gm7
É melhor juntarmos nossos trapos
Arrume tudo que é seu
      E7                A7    F7
Que vou separando os meus farrapos
               Bb7+                 Bbm7
Vivendo dessa maneira continuar é besteira
             Am7      D7
Não adianta não, não, não
                Gm7
O que passou é poeira
         C7/9                  F7+
Deixa de asneira que eu não sou limão
F#7+              F7+
Não sou limão, eu não!


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Asa branca

Luiz Gonzaga
Um tema folclórico muito antigo é a origem da toada "Asa Branca" (espécie de pomba brava que foge do sertão ao pressentir sinais de seca). Luiz Gonzaga o conhecia desde a infância, através da sanfona do pai, mas achava-o simples demais para transformá-lo numa canção.

Assim, foi só para atender ao pedido de uma comadre que se dispôs a gravá-lo, levando-o antes para Humberto Teixeira dar-lhe uma "ajeitada" na letra. Então, Teixeira ajeitou-lhe também a melodia, acrescentou-lhe versos inspirados ("Quando o verde dos teus óios se espaiá na prantação") e tornou "Asa Branca" uma obra-prima.

Reconhecida e gravada internacionalmente, a canção inspirou nos anos setenta a retomada da música nordestina, em geral, e o culto a Luiz Gonzaga, em particular, por iniciativa dos baianos Caetano e Gil. Sua construção, possibilitando boas oportunidades de explorações harmônicas, tem-lhe proporcionado o aproveitamento como peça de concerto.

Asa branca (toada, 1947) - Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga

Disco 78 rpm / Título da música: Asa branca / Autoria: Gonzaga, Luiz (Compositor) / Teixeira, Humberto, 1916-1979 (Compositor) / Gonzaga, Luiz (Intérprete) / Acompanhamento (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1947 / Nº Álbum 800510 / Lado B / Gênero musical: Toada

Tom: G
  
G                         C
  Quando olhei a terra ardendo
         G     D7/F#   G
Qual fogueira de São João
           G7            C
(Eu perguntei a Deus do céu, ai
           D7         G
Por quê tamanha judiação) (2x)

                      C
Que braseiro, que fornaia
        G      D7/F#  G
Nem um pé de plan-ta-ção
            G7              C
(Por farta d'água perdi meu gado
           D7           G
Morreu de sede, meu alazão) (2x)

                   C
Inté mesmo a asa branca
      G     D7/F#  G
Bateu asas do  sertão
             G7             C
(entonce eu disse, adeus Rosinha
           D7           G
Guarda contigo meu coração) (2x)

                   C
Hoje longe muitas léguas
        G     D7/F# G
Nessa triste so-li-dão
            G7           C
(Espero a chuva cair de novo
            D7            G
Pra mim voltá pro meu sertão) (2x)

                        C
Quando o verde dos teus olhos
         G       D7/F#  G
Se espalhar na plan-ta-ção
            G7               C
(Eu te asseguro, nao chores não, viu?
             D7                 G
Que eu vortarei, viu, meu coração) 2X


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Adeus (Cinco letras que choram)

Silvino Neto
Prestes a separar-se do filho pequeno, a fim de realizar uma longa excursão artística, Silvino Neto compôs "Adeus, Cinco Letras Que Choram". E o fez, segundo afirmava, "Em menos de meia hora, numa viagem de bonde entre o Catete e o Centro do Rio". Achando-a ótima para a voz de Francisco Alves, Silvino logo lhe mostrou a canção, que o cantor aprovou.

Mas parece que Chico não fazia muita fé em "Cinco Letras Que Choram", pois só resolveu gravá-la três anos depois, e assim mesmo porque não dispunha de outra música para usar na face posterior de um disco em que lançaria "Você e a Valsa", de Alcir Pires Vermelho e Pedro Caetano. Acontece que, contrariando a expectativa do cantor, foi o lacrimoso samba-canção de Silvino que fez sucesso e entrou para a história.

Adeus - Cinco letras que choram (samba-canção, 1947) - Silvino Neto

Disco 78 rpm / Título da música: Cinco letras que choram (adeus) / Autoria: Silvino Neto (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 11/03/1947 / Nº Álbum 12783 / Gênero musical: Samba canção


Em
Adeus, adeus, adeus
Am    B7
Cinco letras que choram
Em    D7  C7  B7
Num soluço de dor
Em              D
Adeus, adeus, adeus
C
É como o fim de uma estrada
B7
Cortando a encruzilhada
Am              B7           Em  B7
Ponto final de um romance de amor

Em         E7               Am
Quem parte, tem os olhos rasos d’água
B7
Ao sentir a grande mágoa
Em     E7
Por se despedir de alguém
Am                    Em
Quem fica, também fica chorando
F
Com o lenço acenando
B7              Em  D7 C7 B7 Em
Querendo partir também


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Saia do caminho

Custódio Mesquita morreu aos 35 anos, justamente quando atingia o ápice de sua carreira. Assim, não chegou a ouvir a primeira gravação de "Saia do Caminho", realizada por Araci de Almeida em 1946. Um requintado samba-canção, dos melhores da dupla Custódio / Evaldo Rui, "Saia do caminho" conta a história de uma resignada separação: "Junte tudo o que é seu / seu amor, seus trapinhos / junte tudo o que é seu / e saia do meu caminho...".

Embora bem apropriado para voz feminina, de preferência suave e romântica (além de Araci, já foi gravado por Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Gal Costa, Isaura Garcia, Elza Soares, Zezé Gonzaga, Miúcha, Nana Caymmi... ), "Saia do Caminho" estava destinado por Custódio ao então iniciante cantor Jorge Goulart. "A gravação estava marcada para o dia 14 de março de 1945" lamenta Jorge - "só não se realizando porque Custódio morreu na véspera."

Saia do caminho (samba-canção, 1946) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui

Disco 78 rpm / Título da música: Saia do caminho / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Rui, Evaldo, 1913-1954 (Compositor) / Almeida, Araci de, 1914-1988 (Intérprete) / Araújo, Lauro (Acompanhante) / Ritmo (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1946 / Nº Álbum 12686 / Lado B / Gênero musical: Samba

                 C7+     G#6/7          F7+
Junte tudo que é seu, seu amor, seus trapinhos
     A6/7         Dm7/9                 G#6/7 G6/7
Junte tudo o que é seu e saia do meu caminho
                D
Nada tenho de meu
             Em  Ebº  Dm7
Mas prefiro viver sozinho

Nosso amor já morreu
                         F/G
E a saudade se existe é minha
             C7+        G#6/7      F7+
Fiz até um projeto, no futuro, um dia
     A6/7      Dm7/9
No nosso mesmo teto
                 G#6/7 G6/7
Mais uma vida vingaria
             Bb/C
Fracassei novamente
                            F7+
Pois sonhei, mas sonhei em vão
           Em7        A5+/7  Dm7/9
E você francamente, decididamente
    G6/7    C7+
Não tem coração


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Porta aberta

A religiosidade está presente em várias canções de Vicente Celestino como "Um Raio de Sol" e "Porta Aberta", que foi lançada no filme "O Ébrio" em 1946. Sem abandonar o estilo melodramático, Celestino imprimiu a esta composição uma forte dose de misticismo, simbolizando a porta em questão a esperança de acolhimento dos que recorrem à religião.

Com essas características, tão apreciadas pelos fãs do autor, "Porta Aberta" tornou-se um dos discos mais vendidos do ano.

Porta aberta (canção, 1946) - Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Porta aberta / Autoria: Celestino, Vicente (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 02/05/1946 / Nº Álbum 800427 / Lançamento: Agosto/1946 / Lado B / Gênero musical: Canção


Em      Am                   Em
Vinha por este mundo sem um teto   
             F       B7               Em     B7
Dormia as noites em banco tosco de jardim
   Em       Am             Em
Sem ter a proteção de um afeto
           F    B7                     Em
Todas as portas estavam fechadas para mim

D7                               G
Mas Deus   que tudo vê e nos consola
D7                           G
Em seu  sagrado templo me acolheu
    B7                         Em     Am
E além de me ofertar aquela esmola
                    Em
Meus destino transformou
                   F               B7      E    B7
Meu sofrimento acabou e a minha vida renasceu

        E     A                         E      Dbm
Porta aberta/  Tendo um emblema de uma cruz
                    Gbm                       B7
Esta porta não se fecha / Contra ela não há queixa
                    E      B7
São os braços de Jesus
        E      A              E       Dbm
Porta aberta/ Por Jesus de Nazaré
                      Gbm
Desvendou-me o bom caminho
                   B7                        E    E7
Hoje é meu doce ninho  / Novamente deu-me a fé

       A                           E      Dbm
Porta aberta/ Já não vivo mais ao léo
  Gb7                                   B7
Porta aberta/ Ao transpor-te entrei no céu
E    A                       E        Dbm
Porta aberta/ Nunca mais hei de esquecer
                        Gbm                B7
Que és na terra a minha luz / É o bem que conduz
     E      Am    E
Desde o berço até morrer


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Minha Terra

Waldemar Henrique
Composta em 1923, "Minha Terra" antecipa a temática dos sambas exaltação que proliferaram na época do Estado Novo. Em sua letra estão "Este sol, este luar, estes rios e cachoeiras, estas flores e este mar", de presença assídua nas composições ufanistas. A diferença é que "Minha Terra", ao contrário das sucessoras, não é samba. Contava o autor, o paraense Waldemar Henrique, que a canção já era muito conhecida em Belém, antes de ser gravada pela primeira vez, em 1935, por Jorge Fernandes. O sucesso nacional, porém, só chegaria com a gravação de Francisco Alves, em 1946.

Minha Terra (canção, 1946) - Waldemar Henrique

Disco 78 rpm / Título: Minha terra / Autoria: Henrique, Valdemar (Compositor) / Fernandes, Jorge (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1935 / Álbum 11231 / Lado A / Gênero: Canção



Disco 78 rpm / Título: Minha terra / Autoria: Henrique, Valdemar (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Patané, Eduardo (Acompanhante) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1946 / Álbum 12680 / Lado B / Gênero: Canção



Este Brasil tão grande amado
É meu país idolatrado
Terra do amor e promissão
Toda verde, toda nova
De carinho e coração

Na noite quente enluarada,
O sertanejo está sozinho
E vai cantar pra namorada
No lamento do seu pinho
E o sol nasce atrás da serra
A tarde em festa rumoreja
Cantando a paz da minha terra
Na toada sertaneja

Este sol, este luar
Estes rios e cachoeiras
Estas selvas, este mar
Este mundo de palmeiras
Tudo isto é teu, ó meu Brasil
Deus foi quem te deu
Ele por certo é brasileiro
Brasileiro como eu.


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Mia Gioconda

Mia Gioconda (canção, 1946) - Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Mia gioconda / Autoria: Celestino, Vicente (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1945 / Nº Álbum 800375 / Gênero musical: Canção

Gm                                   D7 
No dia em que nascemos e viemos para o mundo
                                             Gm
Nos falta uma costela que encontramos num segundo
               G7                   Cm
Às vezes muito perto desejamos encontrá-la
                  D7                   Gm
No entanto é preciso muito longe ir buscá-la
                                      D7
Vejamos o destino de um pracinha brasileiro
                                               Gm
Partindo para a Itália transformou se num guerreiro
               G7                      Cm
E lá muito distante despontar o amor sentiu
                D7                           G   D7 G
E disse essas palavras a uma jovem quando a viu
     G
Italiana la mia vita oggi sei tu
                   D7
Io ti voglio tanto bene
Partiremo tutti insiene
                      G
Ti lasciar non posso piú
      C                       Bm
Italiana voglio a te piccola bionda
    G               D7
Hai il viso degli amori
Ie tue labbra son due fiori
                       G
Tu sarai la mia Gioconda
            Gm                     D7
Vencido o inimigo que antes fora varonil
                                          Gm
Recebeu a FEB ordem de embarcar para o Brasil
                  G7                   Cm
Dizia a mesma ordem quem casou não poderá
                   D7               Gm
Levar consigo a esposa, a esposa ficará
                                             D7
Prometeu então o bravo, ao dar baixa e ser civil
                                      Gm
Embarcarás amada, para o céu do meu Brasil
                  G7                 Cm      
Enquanto ela esperava lá no cais napolitano
                D7                    G
Repetiu essas palavras no idioma italiano
      G      
Brasiliano, la mia vita oggi sei tu
                   D7
Io ti voglio tanto bene
Chiedo a Dio che tu venga
                      G
Ti scordar non posso piú
     C                           Bm
Brasiliano, sono ancora la tua bionda
      G            D7    
Il mio sposo ha lasciato
                    D7
Questo cuore abbandonato
                      G
Che chiamasti di Gioconda
      C
Di Gioconda
       G
Di Gioconda

Mensagem

Isaura Garcia
Mensagem (samba, 1946) - Cícero Nunes e Aldo Cabral

Disco 78 rpm / Título da música: Mensagem / Autoria: Cabral, Aldo (Compositor) / Nunes, Cícero (Compositor) / Isaura Garcia (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1945 / Nº Álbum 800387 / Lado A / Lançamento: 1946 / Gênero musical: Samba canção

Dm                 Gm
Quando o carteiro chegou
                A7
E o meu nome gritou
                Dm
Com um carta na mão
Gm      C7         F
Ante surpresa tão rude
             E/B    E7         A7
Nem sei como pude chegar ao portão
Dm                  Gm
Lendo o envelope bonito
              A7             D7
No seu sobrescrito eu reconheci
Gm        C7    F
A mesma caligrafia
    Bb          Eb7
Que me disse um dia
      A7       Dm
Estou farto de ti
Gm         C7       F
Porém não tive a coragem
              Em
De abrir a mensagem
  A7           E7 D7
Porque na incerteza
Gm     Em   A7  Dm
Eu meditava e dizia
            E/B
Será de alegria
  E7            A
Ou será de tristeza
 Gm        C7       F
Quanta verdade tristonha
      Em    A7
A mentira risonha
                  D7
Que uma carta nos traz
    Gm      C7       F
E assim pensando rasguei
     Bb          Eb
Tua carta e queimei
      A7         Dm
Para não sofrer mais

Fracasso

Francisco Alves
Fracasso (samba-canção, 1946) - Mário Lago

Disco 78 rpm / Título: Fracasso / Autoria: Lago, Mário, 1911-2001 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1946 / Nº Álbum 12731 / Gênero musical: Samba canção

Em9           B7  B7/F#          Em9      G#º 
Relembro com saudade      o nosso amor 
   E7                            Am  Am7  Am7 
O nosso último beijo e último abraço 
     D7/9                        G9           D 
Porque só me ficou da história triste desse amor 
      C9                      B7   B7/F#  B7 
A história dolorosa de um fracasso. 
    Em9             B7    B7/F#        Em9       G#º 
Fracasso por te querer assim como eu quis 
    E7                             Am  Am7  Am7 
Fracasso por não saber fazer-te feliz 
    D7/9                        G9         D 
Fracasso por te amar como a nenhum outro amei 
    C9              Em9              B7   B7/F#  B7 
Chorar o que já chorei, fracasso eu sei. 
    Em9               B7      B7/F#     Em9       G#º 
Fracasso por compreender que devo esquecer 
    E7                                 Am  Am7  Am7 
Fracasso porque já sei que não esquecerei 
    D7/9                D7/9-              Em9  G/B 
Fracasso, fracasso, fracasso, fracasso afinal 
                     F#7        B7        Em9 
Por te querer tanto bem e me fazer tanto mal. 
(solo sobre os dois primeiros versos) 
(repete de:) 
     D7/9                        G9           D 
Porque só me ficou da história triste desse amor

Copacabana


"Copacabana" nasceu em 1944, quando o americano Wallace Downey encomendou a João de Barro e Alberto Ribeiro uma canção que identificasse musicalmente um night-club de Nova York, cujo título homenageava a praia carioca. Aproveitando alguns compassos de seu fox "Era Uma Vez" (lançado sem sucesso por Arnaldo Amaral e Neide Martins, em 1939), os compositores desenvolveram o tema na forma de um samba-canção, suave e romântico.

Como o assunto do night-club não se concretizou, "Copacabana" permaneceu inédita até meados de 46, quando João de Barro resolveu gravá-la com o cantor e pianista Dick Farney , que na época iniciava sua carreira interpretando música norte-americana. "Por esse motivo não foi fácil convencê-lo a cantar em português", relembra João de Barro. Resistindo aos apelos do amigo, Dick argumentava: "Mas eu não sei cantar samba, Braguinha!".

Finalmente, para agradar o compositor, que também era diretor da gravadora, ele acabou gravando "Copacabana" e "Barqueiro do São Francisco", um samba de Alcir Pires Vermelho e Alberto Ribeiro. No acompanhamento, havia uma orquestra constituída por oito violinos, duas violas, violoncelo, oboé, piano, violão, contrabaixo e bateria, executando arranjos "diferentes" de Radamés Gnattali -, que causaram celeuma na ocasião e depois passaram a ser considerados um marco na evolução da moderna MPB. Na verdade, Radamés já fazia havia tempos esse tipo de arranjo em suas atividades nas rádios e gravadoras.

Entretanto, o sucesso de "Copacabana", cuja melodia se prestava, mais do que as músicas da época, a realçar as concepções harmônicas do orquestrador, iria chamar a atenção dos críticos para a modernidade do arranjo, que encantou os novos e desagradou os conservadores - "Bonitinho, mas não é samba", comentou o flautista Benedito Lacerda ao ouvir pela primeira vez o disco.

Recordista de vendagem, "Copacabana" se manteria nas paradas de sucesso, disputando as primeiras colocações, de setembro de 46 ao final de 47. Pode-se mesmo dizer que sua gravação marcou o começo da fase áurea da Continental. Serviu ainda para convencer Dick Farney de que ele "sabia" cantar em português, motivando-o a gravar uma longa série de sambas românticos. E o curioso é que "Copacabana", feita às pressas, não despertaria em princípio o entusiasmo de seus autores.

Copacabana (samba-canção, 1946) - João de Barro e Alberto Ribeiro

Disco 78 rpm / Título da música: Copacabana / Autoria: Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Farney, Dick, 1921-1987 (Intérprete) / Patané, Eduardo (Acompanhante) / Orquestra de Cordas (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1946 / Nº Álbum 15663 / Lado A / Gênero musical: Samba canção

    G7+       Em7/9       Am7
Existem praias tão lindas 
         D7/9       G7+  E7/9- Am7  D7/9
        cheias de luz 
     G7+     Em7/9  Am7
Nenhuma tem o encanto 
        D7/9          B5+/7  E7/9  E7/9-
        que tu possuis 
Am7   D7/9   G7+
Tuas areias, teu céu tão lindo 
Em7/9  A7/13     Am7   D7/9-    Gm7      C7/9-
Tuas sereias sempre sorrindo, sempre sorrindo 
F7+                         Em7            A7
Copacabana, princesinha do mar 
Dm7                            A7
Pelas manhãs tu és a vida a cantar 
Bb7+    Bm5-/7   E7   Am7
E à tardinha o sol poente 
Dm7                        G7/13   Gm7      C7/9-
Deixa sempre uma saudade na gente 
F7+                        Em7        A7
Copacabana o mar eterno cantor 
Dm7                    A7
Ao te beijar ficou perdido de amor 
Bb7+ Bm5-/7 E7     Am7
E hoje vivo a murmurar 
      Dm7      G7/13  Gm7/9
Só a ti Copacabana eu hei 
       C7/9 F7+
      de amar 
     (Eb7+  F7+)

Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

O cordão dos puxa-sacos

O cordão dos puxa-sacos (marcha/carnaval, 1946) - Eratóstenes Frazão e Roberto Martins

Disco 78 rpm / Título da música: Cordão dos puxa-saco / Autoria: Frazão, Eratóstenes (Compositor) / Martins, Roberto (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 10/09/1945 / Nº Álbum 800342 / Lado B / Lançamento: Novembro/1945 / Gênero musical: Marcha


-------D -------------------------A7
Lá vem / O cordão dos puxa-saco
------------------------------D
Dando viva aos seus maiorais (bis)

--------------------B7 -------------------Em
Quem está na frente é passado para trás
-----------A7 ------------D ----------A7------------ D
E o cordão dos puxa-saco / Cada vez aumenta mais (bis)

--------------A7 ------------------D
Vossa Excelência / Vossa Eminência
----------------A7---------------------- D
Quanta referência nos cordões eleitorais !
----------------G----------------------------- D
Mas se o “Doutor” cai do galho e vai pro chão
-------------Gb7 --------------(Bm)
A turma logo evolui de opinião
--------------------------D-------- A7 -------------D
E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais.

Deus me perdoe

Ciro Monteiro
Deus me perdoe (samba/carnaval, 1946) - Lauro Maia e Humberto Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Deus me perdoe / Autoria: Teixeira, Humberto, 1916-1979 (Compositor) / Maia, Lauro (Compositor) / Ciro Monteiro (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1945 / Nº Álbum 800370 / Lado A / Lançamento: 1946 / Gênero musical: Samba


Deus me perdoe
Mas levar esta vida que eu levo
Melhor morrer
Relembrando a fingida mulher
Que me abandonou
Eu aumento a saudade
Que tanto me faz sofrer

Deus me perdoe...

Se ela quisesse voltar eu perdoava
Se ela voltasse na certa recordava
O bom tempo feliz que ficou,
Ficou para trás
Tenho sofrido bastante
Não posso mais
Ai meu Deus!

O boi Barnabé

Esta marcha humorística representa um contato inicial da música brasileira com a country music, aproximação que floresceria com grande vigor muitos anos depois. Nesse sentido a figura sui generis do ídolo Bob Nelson (Nelson Roberto Perez) é fundamental. Embora se apresentando como um personagem que nada tem a ver com a nossa tradição, ele atingiu na época uma invejável popularidade.

A relação entre o homem urbano e alguns elementos da vida rural - fazenda, boi, cavalo - faz parte desse universo das interpretações de Bob Nelson, marcadas pelo uso de trinados semelhantes aos de cantores de country e country-blues, como Jimmie Rodgers.

O boi Barnabé (marcha, 1946) - Vitor Simon e Bob Nelson

Disco 78 rpm / Título da música: O boi Barnabé / Autoria: Simon, Victor (Compositor) / Nelson, Bob, 1918-2009 (Compositor) / Nelson, Bob (Intérprete) / Seus Rancheiros (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 12/11/1945 / Nº Álbum 800372 / Lado A / Lançamento: Janeiro/1946 / Gênero musical: Marcha



Na minha fazenda tem um boi
Esse boi se chama barnabé
Sabe moço ele anda se babando
Pela minha linda vaca salomé.

Na minha fazenda tem um boi
Esse boi se chama barnabé
Sabe moço ele anda se babando
Pela minha linda vaca salomé.

O barnabé anda muito satisfeito
Por ter feito uma boa escolha
Pois esta vaca que ele anda apaixonado
Dá leite engarrafado com tampinha e com rolha
E essa vaca minha linda Salomé
Dá leite açucarado misturado com café....


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Samuel Machado Filho (youtube).

Barqueiro do São Francisco


Barqueiro do São Francisco (samba-canção, 1946) - Alcir Pires Vermelho e Alberto Ribeiro

Disco 78 rpm / Título da música: Barqueiro do São Francisco / Autoria: Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / Pires Vermelho, Alcyr, 1906-1994 (Compositor) / Dick Farney, 1921-1987 (Intérprete) / Patané, Eduardo (Acompanhante) / Orquestra de Cordas (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1946 / Nº Álbum 15663 / Lado B / Gênero musical: Samba canção


Uma canoa vai
Correndo no rio, vai (2x)

Veio de Minas
E agora atravessa
A Bahia de Nosso Senhor
Traz um barqueiro
Que volta pra ver seu amor

Ôôôô
Ôôôô

Cantando ele diz
São Francisco
Eu sou feliz
Oh! rio do meu país

Baião

Luiz Gonzaga
O ciclo do baião, a música que melhor enfrentou a invasão do bolero ao final dos anos quarenta, começou com o lançamento desta composição, em outubro de 1946. Conscientes do potencial até então pouco explorado da música nordestina, seus autores, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, são os estilizadores que tornaram o gênero assimilável ao gosto do público urbano.

Como peça abre-alas, "Baião" apresenta o ritmo, com forte ênfase na síncope do segundo tempo, e ensina como dançá-lo, ao mesmo tempo em que convida o ouvinte a aderir à novidade. Tudo isso sobre uma melodia cheia de sétimas menores, semelhante às cantigas de cantadores do Nordeste.

A bemolização da sétima nota do acorde representaria o devaneio de um possível elo entre o baião e o blues, mas na verdade remete ao ancestral mouro da música nordestina. A nostalgia, a possibilidade de improviso, a tendência constante de caminhar em busca da tônica e de bemolizar a terça, a quinta e a sétima, estão presentes nos blues, nas cantigas nordestinas e no canto da Andaluzia.

Baião (baião, 1946) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Baião / Autoria: Teixeira, Humberto, 1916-1979 (Compositor) / Gonzaga, Luiz (Compositor) / Quatro Ases e um Coringa (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1946 / Nº Álbum 12724 / Lado B / Gênero musical: Baião

Tom: C
                    
C7
Eu vou mostrar pra vocês

Como se dança o baião

E quem quiser aprender
                    F7
É favor prestar atenção

Morena chega pra cá

Bem junto ao meu coração
                 D7
Agora é só me seguir
               G7       C
Pois eu vou dançar o baião
                 F7
Eu já dancei balancê

Xamego, samba e xerém

Mas o baião tem um quê

Que as outras dancas não têm

Oi quem quiser é só dizer
                   D7
Pois eu com satisfação
                        C
Vou dançar cantando o baião
                  F7
Eu já cantei no Pará

Toquei sanfona em Belém

Cantei lá no Ceará

E sei o que me convém

Por isso eu quero afirmar
               D7
Com toda convicção
               G7     C
Que sou doido pelo baião 


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Peguei um ita no Norte

Peguei um ita no Norte (samba, 1945) - Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título da música: Peguei um ita no Norte / Autoria: Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Intérprete) / Fon-Fon, 1908-1951 (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1945 / Nº Álbum 12606 / Lado B / Gênero musical: Samba


Tom: C  

C
Peguei um Ita no norte
                  Dm
Pra vim pro Rio morar
                     G7
Adeus meu pai, minha mãe
                 C
Adeus Belém do Pará
    G7      C
Ai, ai, ai, ai
 G7              C
Adeus Belém do Pará
     G7      C
Ai, ai, ai, ai
 G7              C
Adeus Belém do Pará

Vendi meus troços que eu tinha
                      Dm
O resto dei pra “aguardá”
                     G7
Talvez, eu volte pro ano
                    C
Talvez eu fique por lá

Ai, ai...

Maria Bethânia

Raros são os compositores brasileiros que, vivendo fora do eixo Rio-São Paulo, tornam-se conhecidos nacionalmente. Uma exceção é o pernambucano Capiba ou Lourenço da Fonseca Barbosa (na foto), autor de frevos, maracatus e muitas canções bonitas como "Maria Bethânia".

Esta composição, cuja história tem aspectos pitorescos, foi feita em 1943, por encomenda de Hermógenes Viana, diretor do Teatro dos Bancários, grupo que ensaiava na ocasião a peça "Senhora de Engenho", de Mário Sette.

Tendo como motivo Maria da Bethânia, heroína da peça, a canção deveria ser apresentada num ato de variedades, criado por Hermógenes para complementar o espetáculo. Pouco faltou, porém, para Capiba não atender ao pedido, pois só conseguiu concluir a canção na véspera da estreia, quando reduziu o nome da moça, que não se encaixava na melodia, para Maria Bethânia.

Mal apresentada no palco, "Maria Bethânia" teve melhor sorte dois anos depois, quando Nelson Gonçalves, em temporada em Recife, cantou-a no rádio e acabou gravando-a. Esta gravação, aliás, só aconteceu por insistência de um lojista pernambucano, que se comprometeu junto à RCA a comprar um mínimo de duzentos discos. Então, a composição tornou-se um clássico, popularizando o nome, que inspiraria o surgimento de muitas Marias Bethânias, inclusive a cantora, assim batizada por insistência de seu irmão, Caetano Veloso, admirador da canção.

Inspiraria ainda a paixão de um marinheiro americano que, em noite de bebedeira, fez o disco tocar dezenas de vezes consecutivas na eletrola do Bar Gambrinus, na zona portuária de Recife. Resultado da brincadeira: frequentadores da casa surraram o marinheiro e arrebentaram a eletrola.

Maria Bethânia (canção, 1945) - Capiba

Disco 78 rpm / Título da música: Maria Betânia / Autoria: Capiba, 1904-1997 (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1945 / Nº Álbum 800301 / Lado B / Gênero musical: Canção

          Em                Gbm7/-5    B7         Em   E7
Maria Bethânia / Tu és para mim a senhora do engenho
             Am              Bm7/-5
Em sonhos te vejo / Maria Bethânia,
                                          E7             Am    
                                       és tudo o que eu tenho
   Am7       Gbm7/-5      B7        Em    Em/D
Quanta tristeza          sinto no peito
            Gb7                      B7
Só em pensar que o meu sonho foi desfeito

          Em              Gbm7/-5   B7         Em    E7
Maria Bethânia / Tu lembras ainda daquele São João
          Am                   Bm7/-5     E7     Am   Am7
As minhas palavras caíram bem dentro do teu coração
        Gbm7/-5    B7       Em      Em/D
Tu me olhavas        com emoção
         Gb7                      B7
E sem querer, pus minha mão na tua mão
         Em                Gbm7/-5   B7         Em    E7      
Maria Bethânia / Tu sentes saudade de tudo, bem sei
                  Am     Bm7/-5      E7          Am 
Porém também sinto saudade do beijo que nunca te dei   
Am7        Gbm7/-5     B7       Em         Em/D
Beijo que vive         com esplendor
               Gb7                     B7
Nos lábios meus  para aumentar a minha dor

          Em           Gbm7/-5      B7         Em    E7
Maria Bethânia / Eu nunca pensei acabar tudo assim
          Am             Bm7/-5        E7         Am
Maria Bethânia / Por Deus eu te peço tenha pena de mim
Am7       Gbm7/-5   B7         Em    Em/D
Hoje confesso         com dissabor
     Gb7    B7                Em   Am  Em
Que não sabia     nem conhecia o amor

Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Izaura

Herivelto Martins
Tudo o que Herivelto Martins compunha nos anos quarenta era logo gravado e, quase sempre, transformado em sucesso. Houve até carnavais, como o de 45, em que ele teve mais de uma composição - "Izaura" e "Que Rei Sou Eu" - entre as preferidas do público. E essa preferência justificava-se, pois as composições eram animadas e bem feitas, como "Izaura" que, em 1977, mereceu uma revisitação de João Gilberto.

Este samba, que tem estribilho de Roberto Roberti , trata do dilema de um indivíduo que reluta em ficar com uma mulher, porque teme perder a hora do trabalho ("Se eu cair em seus braços / não há despertador que me faça acordar"). Mas na segunda parte - só de Herivelto - o sujeito parece optar pelo trabalho, embora admita uma alternativa: "Se você quiser eu fico / mas vai me prejudicar...".

Izaura (samba, 1945) - Herivelto Martins e Roberto Roberti

Disco 78 rpm / Título da música: Isaura / Autoria: Martins, Herivelto (Compositor) / Roberti, Roberto (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1944 / Nº Álbum 12530

F7+     Gb0     Gm7   C7/-9
Ai,  ai,  ai    Izaura
F7+       F0         Gm7   C7/-9
Hoje eu não posso ficar
F7       F7/5+          Bb7+
Se eu cair nos seus braços
    B0        A7/13  D7/-9 G7 C7/-9  F7+
Não há despertador que me faça acordar
              F0
Eu vou trabalhar


Am7/4  Ab7/-5  Gm7/4   Gb7/-5
Ai,  ai,  ai,         Isaura
Am7        Ab0       Gm7    C7/-9
Hoje eu não posso ficar
F7    F7/5+             Bb7+
Se eu cair nos seus braços
        B0         A7/13 D7/-9 G7 C7/-9 F7+
Não há despertador que me faça acordar


     F0             Gm7           C7/-9         F7+
O trabalho é um dever    /    Todos devem respeitar
      F6                 F7      F7/5+             Bb7+
Oh,  Izaura, me desculpe   /   No domingo eu vou voltar
               Bbm6                            Am7
Seu carinho é muito bom   /  Ninguém pode contestar
      Dm7             G7                       Gm7
Se você quiser,  eu fico  /   Mas vai me prejudicar
            C7/-9
Eu vou trabalhar


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Feitiçaria

Sílvio Caldas
Feitiçaria (samba, 1945) - Custódio Mesquita e Evaldo Rui

Disco 78 rpm / Título: Feitiçaria / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Rui, Evaldo, 1913-1954 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Guerra Peixe (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 09/02/1945 / Nº Álbum 800269 / Lado A / Lançamento: Abril/1945 / Gênero: Samba


Sexta-feira à meia-noite / Vou jogar na encruzilhada
Um feitiço pra você / Já comprei um galo preto
Duas velas, um amuleto / Mais um litro de dendê
Vou ver você sofrê / Tem vintém, tem farofa e marafo
No canjerê / Pra você me querê

Muitas rezas rezei, fiz promessas, paguei
E você não voltou
Muita carta escrevi, tantas vezes pedi
Você nem ligou!
Mil recados mandei, com as respostas chorei
Você zombou
Tudo, amor, perdoei, mas você não voltou!

Descer mais eu não desço, porque não mereço
Sofrer assim
Já desci muito baixo, já fui seu capacho!
Tem dó de mim
Vou fazê despacho pra você se enfeitiçar
Que eu enfeitiçado já estou
Com a luz azul do seu olhar
Ôi... Meu Xangô!

Eu nasci no morro

Deo
Eu nasci no morro (samba, 1945) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Eu nasci no morro / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Déo (Intérprete) / Imprenta[S.l.]: Continental, 1945 / Álbum 15440 / Gênero musical: Samba

Bb6       Bbdim      Eb6/Bb
Não tenho queixas da vida
Adim      Gm7               G7/+5
nem de ninguém que nasceu feliz
Cm7       Ddim  Ebmaj9    Ddim   C7
Pois cada um de nós neste mundo, 
       Bdim Eb6/Bb       Adim
tem o destino que Deus lhe deu
Bbmaj7 D7/A    G#maj7/-5 G7
Não adianta chorar,
Cm7            F7  Edim F7
Não adianta se re- vol- tar
Bmaj7                             Cm7  G7
Eu nasci no morro, num pobre barracão,
Cm7 G#m6 G7
De caixão
Cm7  G#m6 Cm7     Dbdim Dm7  F7        Bmaj7 F7
Vida de cachorro, pé no chão,   Sem tostão
Bmaj7 F7     Bmaj7 Dbdim Cm7   G7      Cm7
E   depois segui o meu caminho,   Eu sozinho
F7   C7   F7         Bmaj7 G7    Cm7      F7
Conheci o luxo, a vaidade,    Lá     da cidade
Bmaj7                               Cm7  G7
Meus amores não duravam mais que um dia,
Cm7  G#m6 G7
Eu sofria,
Cm7  G#m6   Cm7 Dbdim  Dm7 F7    Dm7/-5 G7/+5
Consolava o coração no meu    violão
              Ebmaj7 F7  Emaj7        F#dim Bmaj7 G7
A-       final me convenci, Lugar melhor não encontrei
Cm7        F7       Cm7      F7   Bmaj7
No morro eu nasci e no morro eu morrerei
(1x Gm7 Cm7 F7 Bmaj7 ...) (2x B7 Ebmaj7 ...)

Doralice

Doralice (samba, 1945) - Dorival Caymmi e Antônio Almeida

Disco 78 rpm / Título da música: Doralice / Autoria: Almeida, Antônio (Compositor) / Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1945 / Nº Álbum 800329 / Lado A / Gênero musical: Samba

A7+                   B7
Doralice eu bem que te disse
        E7                  A7+
Amar é tolice, é bobagem, ilusão
                       E7+
Eu prefiro viver tão sozinho
   C#m      F#m7     B7    Bm7 Bº
Ao som do lamento do meu violão
  A7+                    B7
Doralice eu bem que te disse
              E7                    Em7 Eº
Olha essa embrulhada em que vou me meter
 D7+   Dm6   A7+/C#      C#º
Agora amor, Doralice meu bem
    Bm7        Bº     A7+  A6
Como é que nós vamos fazer?
        Bm7      E7    A7+ A6
Um belo dia você me surgiu
         G#m7      C#7     F#m7
Eu quis fugir mas você insistiu
        Bm7            E7        A7+   A6
Alguma coisa bem que andava me avisando
      Bm7           E7         A7+
Até parece que eu estava adivinhando
   Cº            Bm7      E7      A7+
Eu bem que não queria me casar contigo
 Cº           Bm7      E7           Em7     Eº
Bem que não queria enfrentar esse perigo Doralice
 D7+       Dm6         A7+/C# C#º
Agora você tem que me dizer
     Bm7        E7     A7+
Como é que nós vamos fazer? 

Dora


Em fins de 1941, Dorival Caymmi fez uma temporada no Nordeste, começando por Fortaleza, onde pretendia passar 18 dias, mas acabou ficando dois meses. De Fortaleza, viajou para Recife, enquanto a esposa Stela, saudosa da filha Nana, seguia direto para o Rio. Foi na sua primeira madrugada em Recife, enquanto aguardava vaga no Grande Hotel, que começou a compor "Dora".

Essa história Caymmi conta em depoimento prestado à Associação de Pesquisadores da Música Popular Brasileira, em 1983: "O bar já estava fechando quando, de repente, ouvi uma banda rasgando um frevo. Era um bloco, o ‘Pão da Tarde', que vinha em direção ao hotel, recolhendo donativos para o carnaval. Na frente, dançando descalça, destacava-se uma mulata clara, monumental, que nem devia ser do bloco, estando ali por gostar de dançar. Então, fiquei visualizando a imagem da moça e naquela madrugada mesmo comecei a fazer os primeiros versos: ‘Dora, rainha do frevo e do maracatu / Dora, rainha cafuza de um maracatu...' e continuei repetindo aqueles versos, até que veio um empregado do hotel me avisar que havia desocupado um quarto. No dia seguinte fiz mais um pedaço. Mais adiante, já em Maceió, cheguei naquela parte que diz: 'Os clarins da banda militar / tocam para anunciar...".

Por fim, meses depois, Caymmi completou "Dora"; um notável samba-canção que tem a novidade da introdução em forma de frevo. Este, aliás, é um dos pontos altos da composição, estabelecendo um curioso contraste entre o instrumental vibrante do frevo e o canto dolente do samba-canção. "Dora" pode ser considerada uma homenagem ao Recife, inclusive com a citação nos versos de três expressões do carnaval local: a passista, o frevo e o maracatu. Com sua calma habitual, Caymmi guardou este samba por três anos, somente o gravando em 1945.

Dora (samba-canção, 1945) - Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título: Dora / Autoria: Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Intérprete) / Fon-Fon, 1908-1951 (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1945 / Nº Álbum 12606 / Lado A / Gênero: Samba canção

D6/9                             Em7      
Dora, rainha do frevo e do maracatu   
A7(13)                          D6/9  
Dora, rainha cafuza de um maracatu  
        D        A7(#5)    D7(b9/b13)            G6    
Te conheci no Recife   dos rios      cortados de pontes  
                 A7/E   A7        D6/9   D7M(9)   
Dos bairros, das fontes    coloniais   
 Em7   A7(13)         D7M(9)  D6/9 
-Dora!        chamei  
  Em7   A7(13)    D7M(9) 
Ô Dora!        Ô Do--ra!... 
   D6/9    A7(#5)     D7/4(9)         D7(b9)        G6 
Eu vim à cidade   Pra ver      meu bem       passar 
  A7(13) 
Ô Dora!  
 D6/9       Em6                      A7(13)      D6/9    
Agora... no meu pensamento eu te vejo     requebrando  
               Em6         A7(13)         D7M(9)  D6/9  
Pra cá,        Ora prá lá,        meu bem   
  
      Am7            D7(9)   Am7  D7(9)            D7(b9)  G6 G7M 
Os clarins da banda militar,           tocam para anunciar: 
    Gm7            C7(9)  
Sua Dora, agora vai    passar!... Gm7  C7(9)     
       C7(b9)             F6  Em7  D7M(9) 
Venham ver o que é bom!...  
   G6     C7(9)    F6         Bb7(9)  Eb7M  D7M 
Ô Dora, rainha  do frevo e do maraca--tu  
G6        C7(9)       F6       Bb7(9)   Eb7M  D6 
Ninguém requebra, nem dança, melhor que tu 
 G6     C7(9)    F6         Bb7(9)  Eb7M  D7M 
Ô Dora, rainha  do frevo e do maraca--tu  
G6        C7(9)       F6       Bb7(9)   Eb7M  D6 
Ninguém requebra, nem dança, melhor que tu 
    G6          D7M  
Ô Do---ra!  Ô Do---ra! 


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Boogie-woogie na favela

Denis Brean
Boogie-Woogie na favela (samba, 1945) - Denis Brean

Disco 78 rpm / Título da música: Boogie-woogie na favela / Autoria: Brean, Denis (Compositor) / Ciro Monteiro (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 03/05/1945 / Nº Álbum 800294 / Lado A / Lançamento: 07/1945 / Gênero musical: Samba


Chegou o samba minha gente
Lá da terra do Tio Sam com novidade
E ele trouxe uma cadência que é maluca
Pra mexer toda a cidade
O boogie-woogie, boogie-woogie, boogie-woogie
A nova dança que balança, mas não cansa
A nova dança que faz parte
Da política da boa vizinhança

E lá na favela toda batucada
Já tem boogie-woogie
Até as cabrochas já dançam
Já falam do tal boogie-woogie
E o nosso samba foi por isso que aderiu
Do Amazonas, Rio Grande, São Paulo e Rio
Ao boogie-woogie, boogie-woogie, boogie-woogie