quinta-feira, 20 de abril de 2006

Só quero um xodó

Gilberto Gil - 1973
Na retomada da carreira, após o exílio londrino, Gilberto Gil incluiria em seu repertório algumas músicas de autores nordestinos cultuados pelo gosto popular. Gravaria assim o excelente “Só Quero um Xodó”, de Dominguinhos e Anastácia, xote que o traria de volta aos primeiros postos das paradas de sucesso, depois de quatro anos.

Esta composição nasceu em plena Rua Amaral Gurgel em São Paulo, quando, caminhando com a sua então mulher Anastácia Dominguinhos começou a assoviar uma melodia que lhe veio à cabeça. Ao chegarem em casa, só estava faltando a letra que Anastácia escreveu em poucos minutos: “Que falta eu sinto de um bem / que falta me faz um xodó / mas como eu não tenho ninguém / eu levo a vida assim tão só...”

Então, “Só Quero um Xodó” foi gravado pela cantora nordestina Marinês, com a introdução definitiva, composta no estúdio, mas com o andamento apressado de um arrasta-pé. Descoberto por Gil nos ensaios para o show do Midem, em Cannes, em que cantou com Gal e Dominguinhos, “Só Quero um Xodó” seria por ele relançado num ritmo de xote, mais lento, com sua voz cantando na introdução, junto à sanfona, sílabas semelhantes a sons de idiomas africanos (asá-cá-rá-iê...). As repetições dessa introdução como um interlúdio, após cada volta, produziram um efeito original e atraente, valorizado pelas melodiosas intervenções da sanfona de Dominguinhos.

Na verdade, Gil fez render ao máximo a simplicidade rústica da composição, com sua habitual competência para entender e enriquecer músicas alheias (do que também é exemplo “Não Chore Mais {No Woman, No Cry}”, em 1979).

Editado num compacto, juntamente com o samba “Meio-de-Campo”, dedicado ao jogador Afonsinho, “Só Quero um Xodó” alcançaria o sucesso três meses depois, quando passou a ser a “música de trabalho” nas emissoras de rádio. No mesmo clima, Gilberto Gil gravaria “Tenho Sede” (Dominguinhos e Anastácia) e “Lamento Sertanejo” (letra sua sobre melodia de Dominguinhos feita em 1967), faixas do álbum Refazenda, em 1975 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jaime Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Só quero um xodó (1973) - Dominguinhos e Anastácia - Intérprete: Gilberto Gil


D              Bm    F#m
Que falta eu sinto de um bem
    G            A7   D    A7
Que falta me faz um xodó
    D           Bm       F#m
Mas como eu não tenho ninguém
   G             A7      D
Eu levo a vida assim tão só

      Am7       D7
Eu só quero um amor
     Am7          E
Que acabe o meu sofrer
     Bm     Em         Bm      Em
Um xodó prá mim do meu jeito assim
     G     F#m   Em   A7  D
Que alegre o     meu    viver

Vamos fugir

Gilberto Gil
Vamos fugir (1984) - Gilberto Gil e Liminha

           A
Vamos fugir
        E7
Deste lugar, baby,
        F#m
Vamos fugir
      D
Tô cansado de esperar
E7                   F#m
Que você me carregue
         A
Vamos fugir
        E7
Deste lugar, baby,
        F#m
Vamos fugir
      D
Pra onde quer que você vá,
E7                   F#m
Que você me carregue

                A
Pois diga que irá,
    E7     D
Irajá, Irajá,
Prá onde eu só veja você,
                A
Você veja mim só,
    E7      D
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum,
                 A
Outro lugar qualquer,
     E7       D
Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol,
               A
Outro lugar ao sul
     E7        D
Céu azul, céu azul
Onde haja só o meu corpo nu
                      E7 D E7 D
Junto ao seu corpo nu
A
Vamos fugir
        E7
Deste lugar, baby,
        F#m
Vamos fugir
         D
Pra onde haja um tobogã
E7                      F#m
Onde a gente escorregue



D
Todo dia de manhã
E7                       F#m
Flores que a gente regue
    D
Uma banda de maçã,
E7                    F#m
Outra banda de reggae
      D
Tô cansado de esperar
E7                   F#m
Que você me carregue
      D
Pra onde quer que você vá,
E7                   F#m
Que você me carregue
         D
Pra onde haja um tobogã
E7                      F#m
Onde a gente escorregue
     D
Todo dia de manhã
E7                       F#m
Flores que a gente regue
    D
Uma banda de maçã,
E7                    F#m
Outra banda de reggae

Super-Homem (A Canção)

Gilberto Gil estava hospedado na casa de Caetano Veloso no Rio de Janeiro, quando, um dia, o anfitrião chegou entusiasmado com “Super-Homem” (“Superman”), um filme que acabara de assistir, com Christopher Reeve no papel do herói. Então, Gil “viu o filme” através da narrativa de Caetano e naquela noite não conseguiu dormir.

Ficara tão impressionado com a imagem do Super-homem fazendo a Terra girar ao contrário em seu movimento de rotação, a fim de voltar o tempo e salvar a mulher, que acabou pulando da cama para compor “Super-Homem — A Canção” em apenas uma hora, o que contraria o seu método habitual de trabalho: “Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria / que o mundo masculino tudo me daria / do que eu quisesse ter...”

Gil esclarece no livro Todas as letras: “muita gente confundia essa música como apologia ao homossexualismo e ela é o contrário. (...) Eu tinha feito ‘Pai e Mãe’ antes, já abordara a questão, mais explicitamente da posição de ver o filho como o resultado do pai e da mãe. Em ‘Super-Homem — A Canção’, a idéia central é de que pai é mãe, ou seja, todo homem é mulher (e toda mulher é homem).” Inegavelmente, os versos finais da canção, que a princípio soam como algo conhecido, agradam em cheio o público feminino: “Quem sabe/ o Super-Homem venha nos restituir a glória / mudando como um deus o curso da história / por causa da mulher” - “Super-Homem — A Canção” (o subtítulo foi criado para diferenciar do filme) e outras composições já citadas fizeram de Realce um dos álbuns da maior importância e vendagem na discografia de Gilberto Gil (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Super-Homem (A Canção) (1979) - Gilberto Gil - Intérprete: Gilberto Gil

LP Realce / Título da música: Super-Homem (A Canção) / Gilberto Gil (Compositor) / Gilberto Gil (Intérprete) / Gravadora: WEA / Ano: 1979 / Nº Álbum: BR 32.038 / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: MPB.

Intr.: A7M  A   A7M   

    A7M  Adim                                 A7M
Um dia   vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Adim                                G#m7
Que o mundo masculino tudo me daria
C#7/9-               F#7M
Do que eu quisesse ter
    A7M   Adim                                         A7M
Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
Adim                                   G#m7
É a porção melhor que trago em mim agora
C#7/9-            F#7M   Em7   A7
É o que me faz viver

       D7M  D#dim                         C#m7              F#7/9-
Quem dera   pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
                               Bm7
Ser o verão no apogeu da primavera
        F#7/9-  B7/9   Bm7    E7/9-
 só por ela   ser
     A7M    Adim                                    A7M
Quem sabe   o super-homem venha nos restituir a glória
Adim                                    Bm
Mudando como um Deus o curso da história
E7/9                Adim  Dm7   G7   C   C    C   C   Bm7  E7/9-
Por causa da mulher

Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher

Sítio do Pica-pau-amarelo

Gilberto Gil

Intro: C Bm Am Bm C Bm Am Bm 
       C Bm Am Bm C Bm D/C

G                    E7
Marmelada de banana, bananada de goiaba
A7                  A7 C#/B D/C
Goiabada de marmelo
G/B        Bbdim     D/A  Am7 D7
Sítio do Pica-Pau amarelo
G          G#dim     D/A  Bb(#5) Bm7 D/C -Intr-
Sítio do Pica-Pau amarelo
G                    E7
Boneca de pano é gente, sabugo de milho é gente
A7                  A7 C#/B D/C
O sol nascente é tão belo
G/B        Bbdim     D/A  Am7 D7
Sítio do Pica-Pau amarelo
G          G#dim     D/A  Bb(#5) Bm7 D/C -Intr-
Sítio do Pica-Pau amarelo
G                    E7
Rios de  prata, pirata
A7                  A7 C#/B D/C
Vôo sideral na mata, universo paralelo
G/B        Bbdim     D/A  Am7 D7
Sítio do Pica-Pau amarelo
G          G#dim     D/A  Bb(#5) Bm7 D/C -Intr-
Sítio do Pica-Pau amarelo
G                    E7
No país da fantasia, num estado de euforia
A7                  A7 C#/B D/C
Cidade polichinelo
G/B        Bbdim     D/A  Am7 D7
Sítio do Pica-Pau amarelo
G          G#dim     D/A  Bb(#5) Bm7 D/C -Intr-
Sítio do Pica-Pau amarelo

Se eu Quiser Falar com Deus

Roberto Carlos pediu a Gilberto Gil uma canção, sem especificar o tema. Sabendo-o religioso, Gil fez então “Se Eu Quiser Falar com Deus”, uma longa e filosófica enumeração de atitudes e pensamentos (“Tenho que ficar a sós / (...) / tenho que apagar a luz / (...) / tenho que calar a voz / (...) / tenho que encontrar a paz...”) distribuídos por 36 versos, sobre uma melodia repetida três vezes e de grande simplicidade na parte inicial, com seus dez primeiros compassos baseando-se numa mesma célula melódica.

O seguimento, que tem um caráter de soul music, ostenta um elaborado desenvolvimento melódico, em movimento crescente, só de colcheias, que vão atingir o ápice na tônica final, depois de uma intrincada seqüência harmônica. Na terceira e última volta a palavra “nada” é repetida treze vezes, sem que se produza uma sensação de monotonia, em razão dos predicados assinalados.

Entretanto, talvez pelo seu sentido mais filosófico do que religioso, “Se Eu Quiser Falar com Deus”, não foi aproveitada por Roberto Carlos. “O que chegou a mim”, afirma Gil no livro Todas as letras, “foi que ele (Roberto) disse que aquela não era a idéia de Deus que ele tem”. Então, a canção foi gravada pelo autor no citado álbum, Luar, com grande orquestra de sopros e cordas, além de um coro feminino, salientando-se como a principal faixa do disco (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Se Eu Quiser Falar Com Deus (1981) - Gilberto Gil - Intérprete: Gilberto Gil

LP Luar / Título da música: Se Eu Quiser Falar Com Deus / Gilberto Gil (Compositor) / Gilberto Gil (Intérprete) / Gravadora: WEA / Ano: 1981 / Nº Álbum: BR 36.180 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: MPB.

C7+         Bm7   Db/E     Am7  Bb/C
   Se eu quiser falar  com Deus
F7+      Bb7/9       C7+/G
   Tenho que ficar a sós
C7+      Bm7    Db/E   Am7  Bb/C
   Tenho que apagar  a luz
F7+      Bb7/9       C7+/G  Fm6/Ab G7
   Tenho que calar a voz
C7+      Bm7      Db/E   Am7 Am7+ Am7
   Tenho que encontrar a paz
Gm7 Gb7/11+ 
F7+      Bb7/9         Gm6
   Tenho que folgar os nós
      F7+          Db/E      Am7
Dos sapatos, da gravata, dos desejos,
Bb7+ 
  dos receios
      Bm7/5-            Am7
Tenho que    esquecer a data
Am/G  F#º          C/G
Tenho que perder a conta
      G#º            Am7
Tenho que ter mãos vazias
      Ab7+     F/G   C7+
Ter a alma e o corpo nus
 
 
C7+         Bm7   Db/E     Am7  Bb/C
   Se eu quiser falar  com Deus
F7+      Bb7/9         C7+/G
   Tenho que aceitar a dor
C7+      Bm7   Db/E  Am7  Bb/C
   Tenho que comer o pão
F7+        Bb7/9   C7+/G  Fm6/Ab G7
   Que o diabo amassou
C7+      Bm7   Db/E   Am7+ Am7
   Tenho que virar um cão
Gm7 Gb7/11+ 
F7+      Bb7/9          Gm6
   Tenho que   lamber o chão

      F7+            Db/E       Am7
Dos palácios, dos castelos suntuosos
Bb7+ 
  dos meus sonhos
      Bm7/5-            Am7
Tenho que    me ver tristonho
Am/G  F#º            C/G
Tenho que me achar medonho
      G#º             Am7
E, apesar de um mal tamanho
   Ab7+     F/G C7+
Alegrar meu coração
 
 
C7+         Bm7   Db/E     Am7  Bb/C
   Se eu quiser falar  com Deus
F7+      Bb7/9        C7+/G
   Tenho que me aventurar
C7+      Bm7   Db/E    Am7  Bb/C
   Tenho que subir aos céus
F7+      Bb7/9        C7+/G  Fm6/Ab G7
   Sem cordas prá segurar
C7+      Bm7   Db/E  Am7  Am7+ Am7
   Tenho que dizer  adeus
Gm7 Gb7/11+ 
F7+       Bb7/9       Gm6
   Dar as costas, caminhar
    F7+          Db/E           Am7
Decidido pela estrada que ao findar
Bb7+ 
  não vai dar em nada
      Bm7/5- Bb7/11+ Am7   Am/G
Nada, nada,  nada,   nada, nada,
F#º         C/G
Nada, nada, nada,
      G#º         Am7
Nada, nada, nada, nada
          Ab7+ F/G      C7+
Do que eu pensava  encontrar

Refazenda


Refazenda (1975) - Gilberto Gil - Intérprete: Gilberto Gil

LP Refazenda / Título da música: Refazenda / Gilberto Gil (Compositor) / Gilberto Gil (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1975 / Nº Álbum: 6349 152 / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: MPB.


D
Abaca-teiro
A7/4(9)           D
Aca-tare--mos teu ato
        A7/4(9)      D
Nós tam-bém somos do mato
       A7/4(9)     D   A7/4(9)
Como o pato e o le-ão 
        D
Aguarda-remos
       A7/4(9)     D
Brinca-remos no re-gato 
    A7/4(9)        D 
Até que nos tragam frutos 
      A7/4(9)       D     A7/4(9) 
Teu a-mor, teu cora-ção 
      D 
Abaca-teiro 
       A7/4(9)       D 
Teu re-colhi-mento é justamente 
A7/4(9)       D
O sig----nifi-cado 
      A7/4(9)     D   A7/4(9) 
Da pa-lavra tempo-rão 
           D 
Enquanto o tempo 
         A7/4(9)     D 
Não trou-xer teu aba-cate 
    A7/4(9)     D 
Ama-nhece-rá to-mate 
       A7/4(9)      D    A7/4(9) 
E anoi-tece---rá ma-mão 
      Dm 
Abaca-teiro
      Am7        Dm          Am7
Sabes ao que es--tou me refe-rindo 
       Dm        Am7        Dm    Am7 
Porque todo tama-rin--do tem 
        Dm          Am7
O seu a-gosto azedo
         Dm             Am7
Ce---do, antes que o ja-neiro
     Dm          Am7       Dm    A7/4(9)
Doce manga venha ser também
      D
Abaca-teiro
      A7/4(9)      D
Serás meu parceiro solitário
A7/4(9)     D
Nesse itine-rário
      A7/4(9)   D     A7/4(9)
Da le-veza pelo ar
      D
Abaca-teiro
      A7/4(9)     D
Saiba que na refa-zenda
A7/4(9)               D
Tu me en-sina a fazer renda
             A7/4(9)     D   A7/4(9)  Dm
Que eu te en-sino a namo-rar
Am7         Dm       Am7     Dm
Re---fa--zen----do tu-----do
Am7         Dm       Am7     Dm
Re---fa--zen----da
Am7         Dm       Am7     Dm
Re---fa--zen----da to-----da
Am7         Dm       Am7
Gua--ri--ro----ba

Procissão

Gilberto Gil
“Procissão” foi uma das três músicas que Gilberto Gil cantou em suas primeiras apresentações no programa “O Fino da Bossa”, em junho e julho de 66, sendo as Outras “Eu Vim da Bahia” e “Viramundo”.

A composição, uma espécie de baião estilizado, descreve uma procissão, tomando por modelo as que Gil assistia em Ituaçu, sua cidade natal no interior da Bahia, e ressalta o contraste de uma vida melhor, prometida por Jesus, com a situação de abandono do homem do sertão: “Olha lá vai passando a procissão / se arrastando que nem cobra pelo chão / as pessoas que nela vão passando / acreditam nas coisas lá do céu / (...) / eles vivem penando aqui na terra / esperando o que Jesus prometeu.”

De acordo com o próprio Gil, no livro Todas as letras, “Procissão” “é uma canção bem ao gosto do CPC, o Centro Popular de Cultura, solidária a uma interpretação marxista da religião, vista como ópio do povo e fator de alienação da realidade, segundo o materialismo dialético.” A platéia do programa adorava a maneira como Gil a interpretava, clara e contagiante, e sobretudo o arremate final, “se existe um Jesus no firmamento / cá na Terra isso tem que se acabar”.

A gravação original em 1965.
A gravação original, realizada em outubro de 65, foi lançada em um compacto simples da RCA, com “Roda” no outro lado e a informação de que as canções eram do espetáculo “Arena Canta Bahia”.

No início de 67, Gil gravou-a em nova versão, mais elaborada, incluída em seu elepê de estreia na Philips. Essas gravações apresentam, à guisa de introdução, trecho de um cântico católico (“Meu divino São José / aqui estou em vossos pés / dai-nos chuva em abundância / meu Jesus de Nazaré”), muito entoado nas procissões-de-pedir-chuva no interior do Nordeste.

Existem ainda mais três versões de “Procissão” gravadas por Gilberto Gil: a do elepê de 1968, a do Festival de Montreux, em 78, e a do álbum Gil em concerto, em 87, todas elas de muito boa qualidade (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Procissão (baião, 1966) - Gilberto Gil - Interpretação: Gilberto Gil.

LP Gilberto Gil / Título da música: Procissão / Gilberto Gil (Compositor) / Gilberto Gil (Intérprete) / Os Mutantes (Acomp.) / Gravadora: Philips / Ano: 1968 / Álbum: R-765.024-L / Faixa 7 / Gênero musical: Baião.

Intr.: (A  D)

A              Em7            A
Olha lá vai passando a procissão
                        Em7          A
Se arrastando que nem cobra pelo chão
                (D            A)
As pessoas que nela vão passando 
acreditam nas coisas lá do céu
                 (D           A)
As mulheres cantando tiram versos, 
os homens escutando tiram o chapéu
              D             C#m7
Eles vivem penando aqui na Terra
     F#m7         B7     E7    A   D   A   D
Esperando o que Jesus prometeu
A                    D       A
E Jesus prometeu coisa melhor
                      D            A
Prá quem vive nesse mundo sem amor
                   (D               A)
Só depois de entregar o corpo ao chão, 
só depois de morrer neste sertão
                 (D          A)
Eu também tô do lado de Jesus,  
só que acho que ele se esqueceu
                 D            C#m7
De dizer que na Terra a gente tem
        F#m7      B7    E7    A   D   A   D
De arranjar um jeitinho prá viver
A                  D          A                     
Muita gente se arvora a ser Deus 
                D            A
e promete tanta coisa pro sertão
                   D           A
Que vai dar um vestido prá Maria, 
              D          A
e promete um roçado pro João
               D             A                     
Entra ano, sai ano, e nada vem, 
               D              A
meu sertão continua ao Deus dará
                  D          C#m7
Mas se existe Jesus no firmamento, 
        F#m7        B7        E7    A  D  A  D
cá na Terra isso tem que se acabar

Panis et Circences

Gilberto Gil
lntro: ( G Am D4/7 ) ( G C/D )
G             C/D
eu quis cantar, minha canção
 G          C/D
iluminada de sol
soltei os panos sobre as
G         C/D
mastros no ar
                         G
soltei os tigres e os leões nos
  C/D
quintais
                    G
mas as pessoas da sala de
C/D
jantar
                  Am
são ocupadas em nascer
 C   A7   D/C    G
 e           mor... rer
G     C/D
mandei fazer de puro aço
   G       C/D
luminoso punhal
                  G
para matar o meu amor e
  C/D
matei
                     G
as cinco horas na avenida 
    C/D
central
                     G
mas as pessoas da sala de
   C/D
jantar
                   Am
são ocupadas em nascer
C     A7    D/G    G
e                mor... rer
G                  Am7
mandei plantar, folhas de
      G             Am7
sonho no jardim do solar
G
as folhas sabem procurar pelo
 Am7
sol
         G              Am7
e as raízes procurar, procurar
                   G
mas as pessoas da sala de
   Am7
jantar,
                 G
essas pessoas da sala de
  Am7
jantar
          G                Am7
são as pessoas da sala de jantar
                    G
mas as pessoas da sala de
    Am7
jantar
                 Am
são ocupadas em nascer
C   A7   D/G        G
 e           mor ... rer
solo (g am c)
G                 c
mas as pessoas da sala
 D4/7       G
de jan ... tar
                   C
mas as pessoas da sala de
D4/7     G
jan . . . tar
                   C
mas as pessoas da sala de
 D4/7      G
  jan. . .tar
                    C
mas as pessoas da sala de
D4/7     F6
jan. . .tar
                   G
mas as pessoas da sala de
  Am7
jantar
                   G
essas pessoas da sala de
  Am7
jantar
                    G
são as pessoas da sala de
  Am7
jantar
                  G
mas as pessoas da sala de
   Am7
jantar
                  Am
são ocupadas em nascer
C     A7   D/G        G
e            mor. . . rer

Palco

Gilberto Gil confessa no livro Todas as letras: “Eu estava havia três dias pensando em parar de cantar; em deixar a seqüência profissional de discos e shows. (...) Minha sensação era de fastio.” Então, achou que deveria comunicar essa decisão ao seu público e que a comunicação só poderia ser feita por meio de uma canção. Assim nasceu “Palco”, uma composição a respeito do que o ato de cantar representava para ele e de toda a sua “relação com a música”: “Subo neste palco / minha alma cheira a talco / como bumbum de bebê, de bebê / minha aura clara / só quem é clarividente pode ver / pode ver...”

Musicalmente, “Palco” se estrutura sobre uma introdução muito atraente, talvez composta depois de a música pronta, que aos poucos se tornaria o toque de preparação para o segmento dançante no final dos shows do Gil. Seguem-se uma rimeira parte repetida (A), a segunda (B) (“Fogo eterno para afugentar...”) e um arremate (C) (“Lalaiá...”), ou seja, quatro idéias melódicas encadeadas, numa demonstração de fartura de temas, o que só pode ocorrer a um compositor prolífico como Gilberto Gil.

Sua gravação no elepê Luar, de março de 81 — que, aliás, seria recebido friamente pela crítica — não foi a primeira de “Palco”. Um ano antes, o grupo A Cor do Som (Mu, Dadi, Ari, Gustavo e Armandinho) já a havia gravado no disco Transe total, sem a introdução mencionada (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Palco (1981) - Gilberto Gil - Intérprete: Gilberto Gil

LP Luar / Título da música: Palco / Gilberto Gil (Compositor) / Gilberto Gil (Intérprete) / Gravadora: WEA / Ano: 1981 / Nº Álbum: BR 36.180 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: MPB.

Intr.: E7+ Bm7 E7/9 A7+ Am7 D7/9

 E7+          F#m7         G#m7            A7+
Subo nesse palco, minha alma cheira a talco
      B7/4/9        C#m7  G#7/5+    A7+
Como bumbum de bebê,       de      bebê
 E7+          F#m7          G#m7        A7+          B7
Minha aura clara, só quem é clarividente pode ver
C#m7    B7
Pode ver
  E7+           F#m7            G#m7           A7+
Trago a minha banda, só quem sabe onde é Luanda
    B7/4/9           C#m7  G#7/5+    A7+
Saberá lhe dar valor,      dar valor
 E7+          F#m7           G#m7            A7+      B7
Vale quanto pesa prá quem preza o louco bumbum do tambor
C#m7    B7
Do tambor

:C#m7        G#7/5+
:Fogo eterno prá afugentar
:A7+            B7/4/9
:O inferno prá outro lugar
:C#m7        G#7/5+
:Fogo eterno prá consumir
:A7+          B7/4/9
:O inferno, fora daqui
C#m7    G#7/5+   A7+        B7/4/9     
 La laia, laia, laia laia laia             Fora daqui
   
 E7+         F#m7            G#m7            A7+
Venho para a festa, sei que muitos têm na testa
        B7/4/9         C#m7 G#7/5+   A7+
O deus-sol como um sinal,   um sinal
E7+         F#m7           G#m7           A7+         B7
Eu como devoto trago um cesto de alegrias de quintal
C#m7    B7
De quintal
 E7+           F#m7           G#m7           A7+
Há também um cântaro, quem manda é Deus a música
   B7/4/9         C#m7  G#7/5+    A7+
Pedindo prá deixar,     prá deixar
 E7+         F#m7        G#m7           A7+          B7
Derramar o bálsamo, fazer o canto, cantar o cantar
C#m7     B7
Lá, lá, iá

Não chores mais [Woman no cry]

Gilberto Gil
(intro) G7  C  G/B  Am  F  C  G  C  G7
 C  G/B         Am   F
No woman, no cry
C    G          C
No woman, no cry    (2x)

C                 G/B    Am              F  
Bem que eu me lembro a gente sentado ali
    C             G          C G7
   na grama do aterro sob o sol
C   G/B    Am      F  C           G/B         Am  F
Observando hipócritas disfarçados rondando ao redor
C      G/B     Am             F      C   G/B   Am  F
Amigos presos, amigos sumindo assim, prá nunca mais
C    G/B        Am     F    C        G            C G7
Nas recordações retratos do mal em si, melhor é deixar prá trás

C    G/B       Am     F
Não, Não chores mais
C     G/B      Am     F
Não, Não chores mais  (2x)

C        G/B       Am            F   C         
Bem que eu me lembro a gente sentado ali 
         G/B          Am      F
   na grama do aterro sob o  céu
C     G/B  Am    F  C        G/B             Am  F
Observando estrelas junto á  fogueirinha de papel
C          G/B  Am          F     C     G/B   Am F
Quentar o frio, requentar o pão e comer por você
C    G/B       Am          F     C      G           C
Os pés de manhã pisar o chão , eu sei a barra de viver
C         F          C
Mas, se Deus quiser
C                G/B        Am               F
Tudo, tudo, tudo vai dar pé , tudo, tudo, tudo vai dar pé
C                G/B        Am               F
Tudo, tudo, tudo vai dar pé, tudo, tudo, tudo vai dar pé
C                G/B        Am               F
Tudo, tudo, tudo vai dar pé, tudo, tudo, tudo vai dar pé

C  G/B         Am   F
No woman, no cry
C    G          C
No woman, no cry
C     G/B   Am    F
Não, não chore mais
C      G/B   Am   F
Não, não chore mais   (2x)

Marina

Destacam-se na obra de Dorival Caymmi três vertentes: as canções praieiras e os sambas de roda, em que predomina a Bahia, e os sambas urbanos de inspiração carioca. É ao terceiro grupo que pertence "Marina". De melodia e letra muito bem trabalhadas em sua simplicidade aparente, este samba conta a zanga de um homem ciumento, que não gosta de ver sua mulher pintada.

Uma curiosidade: Caymmi começou a canção pelo final, repetindo uma frase do filho Dori (então com três anos) que, ao ser contrariado, reagia dizendo: "Tô de mal com você, tô de mal com você...". Um dos grandes sucessos caymmianos, "Marina" já começou sendo gravada por quatro cantores - Dick Farney, Francisco Alves, Nelson Gonçalves e o próprio Caymmi -, derrubando um tabu adotado por nossas gravadoras na época, que não admitiam o lançamento de uma composição por mais de um intérprete.

Mas a gravação de maior sucesso foi a de Dick Farney que, pode-se dizer, fez de "Marina" peça obrigatória dos shows de boates, ambiente em que ele reinou por longos anos.

Marina (samba-canção, 1947) - Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título da música: Marina / Autoria: Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Compositor) / Caymmi, Dorival, 1914-2008 (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1947 / Nº Álbum 800536 / Lado A / Gênero musical: Samba canção

   D7M        F#7/C#     Bm7       D7(9)    G6  F#m7(b5)  B7(b9) 
Ma-rina,   mo-rena,   Ma-rina,  vo-cê   se pin-tou 
   Em(add9)           A7/4(9)            D7M(9) C#m7(b5) F#7(b13) 
Ma-rina,   você fa-ça tudo  mas, faça  um favor: 
    Bm         Bm(7M)         Bm7 
Não pinte esse rosto  que que gosto, 
       Bm6               F#m  F#m(7M)  F#m7  F#m6 
Que eu gosto, e que é só meu 
   A7M        A#°         Bm7         E7(9)        A7/4  A7(#5) 
Ma-ri---na  você  já é bo-nita  com o que  Deus lhe deu 
   D7M      F#7/C#        Bm7         D7(9)   G6  F#m7(b5)  B7(9) 
Me abor--re-ci,    me zan-guei,  já não posso falar 
  Em(add9)               A7/4(9)    A/G        F#m7(b5)  B7(b9) 
E quando eu me zango, Ma-rina,  não sei per--do-ar 
   Em7                   Gm7 
Eu já  desculpei mui--ta coi--sa 
   F#7(13)         C7(9)          B7/4(9)  B7(b9) 
Vo-cê     não arranjava  ou-tro i-gual 
    Em7(9)             A7/4(9)   A7(b9)      D6/9  A7(#5) 
Des-culpe   Marina, mo-rena, mas eu   tô  de mal 
 
D7M      F#7/C#        Bm7           D7(9)  G6  F#m7(b5) B7(9) 
Me abor--re-ci,    me zan-guei,  já não posso falar 
  Em(add9)               A7/4(9)    A/G        F#m7(b5) B7(b9) 
E quando eu me zango, Ma-rina,  não sei per--do-ar 
   Em7                   Gm7 
Eu já  desculpei mui--ta coi--sa 
   F#7(13)         C7(9)          B7/4(9)  B7(b9) 
Vo-cê     não arranjava  ou-tro i-gual 
    Em7(9)             A7/4(9)   A7(b9)      D6/9  Gm6 
Des-culpe   Marina, mo-rena, mas eu   tô  de mal 
              D7M  C7M                  D7M 
De mal com vo-cê,       De mal com   vo-cê


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Madalena

Madalena - Isidoro / Intérprete: Gilberto Gil

Intro: (D D7 G Gm D A D) D

                 G
fui passear na roça
     A           D
encontrei madalena
               A
sentada numa pedra
                  D
comendo farinha seca
                       A 
olhando a produção agrícola
D
e a pecuária 
             A
madalena chorava
sua mãe consolava
         D
dizendo assim
                A
pobre não tem valor
pobre é sofredor
e quem ajuda é senhor do
   D
bonfim
entra em beco sai em beco
                  A
há um recurso madalena
entra em beco sai em beco
                                    
                      D
há uma santa com seu nome
entra em beco sai em beco
                 A
vai na próxima capela
e acende um vela
                D
pra não passar fome
entra em beco sai em beco
                 A
há um recurso madalena
entra em beco sai em beco
                     D
há uma santa com seu nome
entra em beco sai em beco
                 A
vai na próxima capela
e acende um vela
                D     intro
pra não passar fome

Lente do amor

Gilberto Gil

Intro: F/G C7+ F/G C7+ F/G C7+ 
            F/G F#7/5- F7/5-
            Em7 F7/5- E/F# B7 E/F#
               B7/9
Pela lente do amor
             Em7/9  A7/6
Uma grande angular
         D7+ D7/9     G7+
Vejo o lado, acima e atrás
     Gm6       Am7
Pela lente do amor
      D7/9     Gm7    C7/9
Sou capaz de enxergar
     F7+    Bb7+ E/F#  F/G E/F#
Toda moça e todo rapaz
               B7/9
Pela lente do amor
          Em7/9   A6/7
Vejo tudo crescer
        D7+       D7/9  G7+
Vejo a vida mil vezes melhor
     Gm6       Am7
Pela lente do amor
    D7/9   Gm7 C7/9
Até vejo você
       F7+      Bb7+  E/F#
Numa estrela da Ursa Maior
        F/G
Abrir o ângulo, fechar o foco
    sobre a vida
     C7+
Transcender pela lente do amor
        F/G
Sair do cético, entrar num
         F#7/5-
    beco sem saída
     F7/5-                  Em7
Transcender, pela lente do amor
    F7/5- E/F#
Do amor
               B7+  E/F#
Pela lente do amor
Pela lente do amor
    
                Em7/9  A6/7
Sou capaz de entender
     D7+         D7/9    G7+
Os detalhes da alma de alguém
     Gm6       Am7
Pela lente do amor
       D7/9      Gm7  C7/9
Vejo a flor me dizer
          F7+     Bb7+
Que ainda posso enxergar mais
    E/F#  F/G  E/F#
    além
               B7/9
Pela lente do amor
              Em7/9  A6/7
Vejo a cor do prazer
       D7+       D7/9     G7+
Vejo a dor com a cara que tem
     Gm6       Am7
Pela lente do amor
       D7/9    Gm7  C7/9
Vejo o barco correr
      F7+      Bb7+     E/F#
Pelas águas do mal e do bem
           F/G
Mostrar ao médico, encarar,
    curar sua ferida
     C7+
Transcender pela lente do amor
         F/G
Cantar o mântrico
          F#7/5-
Pegar o kármico na lida
     F7/5-                  Em7
Transcender, pela lente do amor
    F7/5- E/F#
Do amor
               B7+  E/F#
Pela lente do amor...

Estrela

Gilberto Gil
Introdução :   B/E   Badd4/E   E9 
  
F#m7  B7(9)      F#m7   B7(9) 
Há          de surgir 
        F#m7 
Uma estrela no céu 
      B7(9)       Eadd9/G#     C#7(b9) 
Cada vez que ocê sorrir 
 F#m7   B7(9)       F#m7    B7(9) 
Há            de apagar 
     F#m7 
Uma estrela no céu 
    B7(9)          F#m7    F#7(#5) 
Cada vez que ocê chorar 
  
     Bmaj7 
O contrário também 
         C#m7       D#m7    C#m7 
Bem que pode acontecer 
           Bmaj7 
De uma estrela brilhar 
           C#m7      D#m7   
Quando a lágrima cair 
Em7  Dmaj7 
Ou então 
           Em7             F#m7 
De uma estrela cadente se jogar 
Gmaj7    F#m7(9) 
Só     pra ver 
          Em7             Dmaj7    G7(#5) 
A flor do seu sorriso se abrir 
Cmaj7  
Hum! 
Bbmaj7    Amaj7    Gmaj7 
Deus    fará 
   F#m7 
Absurdos 
              Fmaj7 
Contanto que a vida 
          Emaj7    G7(#5) 
Seja assim 
Cmaj7 
Sim 
Bbmaj7   Amaj7    Gmaj7 
Um     altar 
         F#m7  
Onde a gente celebre 
             Fmaj7    Emaj9 
Tudo o que Ele consentir

Esotérico

Gilberto Gil
Intr.: G  F#m  Em  A  Bm  D  
            G  F#m  Em  A  
            (D  Bm  G)

D      Bm            E/D
Não adianta nem me abandonar
                                         D
Porque mistério sempre há de pintar por aí
          Bm         E/D           G
Pessoas até muito mais vão lhe amar
                                      D
Até muito mais difíceis que eu prá você
              G                                     D
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões, todos iguais
F#7                    Bm
Até que nem tanto esotérico assim
       E7                                    A7    Ab5-/7   G
Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais
Gm                        D
Mistério sempre há de pintar por aí
D       Bm           E/D                       G
Não adianta nem me abandonar (não adianta não)
Nem ficar tão apaixonada, que nada
Que não sabe nada
                         D
Que morre afogada por mim

Drão


Drão (1982) - Gilberto Gil - Intérprete: Gilberto Gil

LP Um Banda Um / Título da música: Drão / Gilberto Gil (Compositor) / Gilberto Gil (Intérprete) / Gravadora: WEA / Ano: 1982 / Nº Álbum: BR 26.063 / Lado B / Faixa: 2 / Gênero musical: Canção / MPB.


C7M
Drão, 
                         Fm/C
o amor da gente é como um grão
                 Am  Am7M
Uma semente de ilusão
                      Am7/9
Tem que morrer pra germinar
Ebo               Dm7/9
Plantar n'algum lugar
              C7+/9          E7/9b/13
Ressucitar no chão nossa semeadura
Am           Gm7          C7/9b
Quem poderá fazer, aquele amor morrer
               Fm6
Nossa caminha dura
F7M     Fm6     F7M            C7M  Dm7/9
Dura caminhada, pela estrada escura

C7M                    Fm/C
Drão não pense na separação
                  Am   Am7M
Não despedace o coração
                    Am7/9 
O verdadeiro amor é vão
Ebo          Dm7/9            C7+/9
Entende-se infinito, imenso monolito
          E7/9b/13
Nossa arquitetura
Am7          Gm7           C7/9b
Quem poderá fazer, aquele amor morrer
              Fm6    F7M       Fm6
Nossa caminha dura, cama de tatame
           C7M  Dm7/9
Pela vida afora

C7M                       Fm/C
Drão os meninos são todos sãos
                      Am  Am7M
Os pecados são todos meus
                     Am7/9
Deus sabe a minha confissão
Ebo            Dm7/9
Não há o que perdoar
                     C7+/9
Por isso mesmo é que há 
                E7/9b/13
De haver mais compaixão
Am7          Gm7          C7/9b
Quem poderá fazer, aquele amor morrer
                    Fm6
Se o amor é como um grão
F7M           C7M
Morre nasce trigo
Fm7M        C7M   Dm7/9
Vive morre pão
C7M
Drão, Drão

Aquele Abraço

Gilberto Gil
Em dezembro de 68, no auge da repressão desencadeada pelo AI-5, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos e recolhidos a um quartel do Exército no subúrbio de Deodoro, no Rio de Janeiro. Meses depois, confinados na Bahia, os dois tiveram permissão da ditadura para exilar-se em Londres.

Desse episódio ficou “Aquele Abraço”, uma composição em que Gil despede-se do Rio e do povo brasileiro, em versos bem humorados cantados em ritmo de samba: “O Rio de Janeiro continua lindo / O Rio de Janeiro continua sendo / o Rio de Janeiro, fevereiro e março / alô, alô, Realengo, aquele abraço / alô torcida do Flamengo, aquele abraço...”

No livro Todas as letras, o compositor conta que começou a fazer a canção em casa de Mariah Costa, mãe de Gal, numa visita ao Rio, quando negociava a liberação para o exílio. No avião, de volta para Salvador, ele a completou sobre uma melodia fácil a fim de não esquecê-la.

Quanto ao mote “aquele abraço”, esclarece: “era assim que os soldados me saudavam no quartel”. O que Gil desconhecia era o fato de a expressão ter sido popularizada pelo comediante Lilico, que a usava como bordão num programa de televisão. “Aquele Abraço” permaneceu durante dois meses em primeiro lugar nas paradas de sucesso e é a composição mais executada de Gilberto Gil (A Canção no Tempo – Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Aquele abraço (1969) - Gilberto Gil


Intro:(E7/9 A7/6)

E7/9              A7/6
Este samba vai para Dorival Caymmi
João Gilberto e Caetano Veloso
E7/9            A7/6      E7/9  A7/6
O Rio de Janeiro continua lindo
E7/9             A7/6       E7/9   A7/6
O Rio de Janeiro continua sendo
E7/9              A7/6         C#m7
O Rio de Janeiro, fevereiro e março
           F#7
Alô, Alô Realengo
        C#m7
Aquele abraço
                  F#7
Alô torcida do flamengo
         C#m7  
Aquele abraço
            F#7 
Alô, Alô Realengo
         C#m7    
Aquele abraço
                   F#7
Alô torcida do flamengo
         C#m7  B7
Aquele abraço
 (Olha o breque)
E7/9          A7/6                 E7/9  A7/6   
Chacrinha continua    Balançando a pança
E7/9                A7/6            E7/9  A7/6    
E buzinando a moça  E comandando a massa
E7/9           A7/6              C#m7 
E continua dando as ordens no terreiro
                F#7               C#m7   
Alô, Alô seu Chacrinha Velho Guerreiro
           F#7              C#m7
Alô, Alô Terezinha  Rio de Janeiro
                 F#7          C#m7    
Alô, Alô seu Chacrinha Velho palhaço
            F#7            B7
Alô, Alô Terezinha Aquele abraço 
        E7        A6           E 
Alô moça da favela Aquele abraço
                 A6            E 
Todo mundo da Portela Aquele abraço
              A6                E
Todo mês de fevereiro  Aquele passo
              A6    G#       C#m7
Alô Banda de Ipanema Aquele abraço
                 F#7            C#m7   
Meu caminho pelo mundo Eu mesmo traço
              F#7               C#m7
A Bahia já me deu    Régua e compasso
                     F#7            C#m7   
Quem sabe de mim sou eu     Aquele abraço
                     F#7/B7      E   
Pra você que me esqueceu  Aquele abraço
             A6    G#       C#m7     
Alô Rio de Janeiro  Aquele abraço  
                 F#7            B7  
Todo o povo brasileiro  Aquele abraço             

      (olha o breque)
E7/9     A7/6              E7/9  A7/6
O Rio de Janeiro continua lindo
E7/9         A7/6            E7/9   A7/6
O Rio de Janeiro continua sendo
E7/9          A7/6            C#m7
O Rio de Janeiro, fevereiro e março
             F#7
Alô, Alô Realengo
        C#m7
Aquele abraço
                   F#7
Alô torcida do flamengo
         C#m7  
Aquele abraço
            F#7           C#m7
Alô, Alô Realengo Aquele abraço
                   F#7
Alô torcida do flamengo
        B7  
Aquele abraço  Alo moça da Favela....

Final
              A6                   E
A todo povo brasileiro  Aquele abraço
               A6                 E
Todo mês de fevereiro  Aquele passo
             A6                E
Alô moça da favela  aquele abraço 
                A6             (E    A6)
Todo mundo da Portela e do salgueiro
E da mangueira E todo Rio de Janeiro
 E todo mês de fevereiro  E todo povo brasileiro
Alô minha nega Sandra

Cérebro Eletrônico

Gilberto Gil

Db7                   Gb7   F7
O cérebro eletrônico faz tudo
           Bbm
Faz quase tudo
           Gb7  G7
Faz quase tudo
Ab7       Db7  Gb7
Mas ele é mudo

  Db7                   Gb7   F7
O cérebro eletrônico comanda
           Bbm
Manda e desmanda
           Gb7  G7
Ele é quem manda
Ab7       Db7  Gb7
Mas ele não anda

   Bbm          F7
Só eu posso pensar
         Bbm
Se Deus existe
   F7
Só eu
   Bbm         F7
Só eu posso chorar
               Bbm
Quando estou triste
   Ab7
Só eu
   Db7           Gb7
Eu cá com meus botões
            Gb7
De carne e osso
           Db7  F7
Eu falo e ouço. Hum

           Bbm   F7
Eu penso e posso
   Bbm       F7
Eu posso decidir
           Bbm       F7
Se vivo ou morro por que
   Bbm
Porque sou vivo
F7         Bbm      Ab7
Vivo pra cachorro e sei
    Db7         Gb7       Db7        Gb7
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
         Db7        F7           Bbm   F7
No meu caminho inevitável para a morte
   Bbm          F7
Porque sou vivo
          Bbm    F7
Sou muito vivo e sei

      Bbm             F7        Bbm      Ab7
Que a morte é nosso impulso primitivo e sei
    Db7      Gb7          Db7         Gb7
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
                   Db7      F7
Com seus botões de ferro e seus
         Bbm
Olhos de vidro

A paz

Zizi Possi
Gilberto Gil e João Donato

(intro) Bm7 E7 Bm7 E7 Bm7 E7 Bm7 E7

  A7M(9)           F#m7(11)
A paz     in--va--diu      
               Bm7      E7
o meu coração     de repente
                 A7M(9)  65  64 F#m7(11)                     
Me encheu de paz         co--mo se       
                Bm7
o vento de um tufão
     E7                     C7M         Am7(9)
Arrancasse os meus pés do chão  onde eu já   não me enterro mais

Bm7      E7      A7M(9)        F#m7(11)              Bm7
            a pa-------z  fez um mar      da revolução
    E7                      A7M(9)        F#m7(11)            Bm7
Invadir o meu destino a paz     co--mo aquela   grande explosão
       E7                  C7M        Am7(9)                 Bm7
De uma bomba sobre o Japão     fez nascer    o Japão na paz

G7(9)                  C7M  G/B           A7(9)    G6  F#m7(11)
     Eu pensei em mim      eu pensei em    ti    eu chorei
        G7(9)              C7M  G/B          A7(9) G6
Por nós           Que contradição  só  a guerra faz
       F#m7(11)        B7/F# F(6/#11) E7
Nosso amor      em paz

   A7M(9)        F#m7(11)                  Bm7          E7
Eu vim     vim parar      na beira do cais     onde a estrada
              A7M(9)  65  64   F#m7(11)              Bm7
Chegou ao fim         on--de o fim      da tarde é lilás
       E7                  C7M      Am7(9)               Bm7 E7
Onde o mar arrebenta em mim  o lamento  de tantos ais

Bm7 E7 Bm7 E7 Bm7 E7

  A7M(9)     F#m7(11)               Bm7
A paz     in--va--diu      o meu coração...

A Novidade

Gilberto Gil, Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone
Intro.: ( A  Bm )

  A                   Bm
A novidade veio dar a praia
   A                   Bm
Na qualidade rara de sereia
  A                         Bm
Metade o busto de uma deusa maia
  A                        Bm
Metade um grande rabo de baleia
      A                Bm
A novidade era o máximo
                 A            Bm
Do paradoxo escondido na areia
                      A              Bm
Alguns a desejar seus beijos de deusa
                     A            Bm
Outros a desejar seu rabo pra ceia

(Refrão)
C#m            Bm
O mundo tão desigual
C#m           Bm
Tudo é tão desigual
C#m         E7
O, o, o, o...
 C#m                Bm
De um lado esse carnaval
C#m             Bm
De outro a fome total
C#m         E7
O, o, o, o...

    A                     Bm
E a novidade que seria um sonho
  A                    Bm
O milagre risonho da sereia
  A                      Bm
Virava um pesadelo tão medonho
  A                        Bm
Ali naquela praia, ali na areia
      A                Bm
A novidade era a guerra
                      A          Bm
Entre o feliz poeta e o esfomeado
                    A          Bm
Estraçalhando uma sereia bonita
                     A            Bm
Despedaçando o sonho pra cada lado

(Repete refrão)

A Linha e o Linho

Gilberto Gil
Em7+/9                             Em7/9
      É a sua vida que eu quero bordar
 na minha 
Bm7                  Bbº/13-
Como se eu fosse o pa .... no e você fosse
               F#m7/11
 a linha 
                B7/9-/11+ B7
E a agulha do real        nas mãos
           Em7/9
 da fantasia 
A7/9/11+               A7            C7+
        Fosse bordando ponto a ponto
                      
 nosso dia-a-di..a 

  G7+/5+     G7+             F#m7/11
E fosse aparecendo aos poucos
        B7/9-/11+  B7
 nosso amor 
   Em6/9     B/D#        Dm7/9
Os nossos sentimentos loucos,
              F/G    Db7/9/11+
 nosso amor 
C7+          C#º                 G/D
   O zig-zag     do tormento, as cores
        B/D#
 da   alegria 
Em7            B/D#  G/D
   A curva generosa
     
                  B/D#  G/D A7/9
 da compreensão 
    G/A          A7/9/11+   A7
Forman ... do a pétala   da rosa
              D7
 da paixão 
  G7+/5+         G7+         F#m7/11
A su ...a vida o meu caminho,
        B7/9-/11+
 nosso amor 
B7   Em6/9           B/D#        Dm7/9
   Você    a linha e eu   o linho,
               F/G    Bb7/9/11+
 nosso amor 
C7+             C#º         G/D
   Nossa colcha     de cama,
                        B/D#
 nossa toalha de mesa 
Em7            B/D#
   Reproduzidos     no bordado 
    G/D              B/D#    G/D
A casa, a estrada, a correnteza 
      A7/9    G/A
O sol,     a a .... ve,
           A7/9/11+   A7/9
 a ár ...... vore,
   Eb7/9        D7
 o ninho    da beleza

Uma jura que fiz

Mário Reis
Uma Jura Que Fiz - (samba, 1932) - Ismael Silva, Francisco Alves e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Uma jura que eu fiz / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Silva, Ismael, 1905-1978 (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 12/07/1932 / Nº Álbum 10928 / Gênero musical: Samba


Não tenho amor
Nem posso amar
Pra não quebrar
Uma jura que fiz
E pra não ter
Em quem pensar

Eu vivo só
E sou muito feliz

Aquela que eu mais amava
Só pensava em me trair
Quando eu menos esperava
Partiu sem se despedir
Essa mesma criatura
Quis voltar mas eu não quis
E hoje cumprindo a jura
Vivo só e sou feliz

Um amor pra ser traído
Só depende da vontade

Tem francesa no Morro

Aracy Cortes
A primeira letra de sucesso de Assis Valente foi Tem francesa no morro, samba gravado por Araci Cortes, em 1932, em que satiriza a moda dos burgueses cariocas de infestarem suas falas de expressões francesas.

O compositor insurgiu-se, não contra os neologismos franceses, mas contra os modismos, frutos da pura exibição de quem queria mostrar que sabia francês: ''Donê muá si vu plé lonér de dancê aveque muá'', escreve ele, limitando-se a transcrever o francês falado pela gente fina e nobre.

Debochado, acrescentava o estribilho, repetido a cada dupla de versos do desjeitoso francês: ''Dance Iaiá, dance Ioiô''. ''Si vu frequentê macumbe entrê na virada e finí por sambá/ dance Iaiá, dance Ioiô''. ''Vian petite francesa, dancê lê classique em cime da mesa/ Quand la dance comece, on dance ici, on dance aculá''.

E terminava dizendo: ''si vu ne pa dancê, pardon, ma cherri, adie, je me vá''. Naturalmente, não era necessário, como não é ainda, nenhuma tradução. Aquele francês macarrônico era entendido por todos (Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Tem francesa no morro (samba, 1932) - Assis Valente - Intérprete: Aracy Cortes

Disco 78 rpm / Título da música: Tem francesa no morro / Autoria: Valente, Assis (Compositor) / Cortes, Araci (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1932 / Nº Álbum 22148 / Gênero musical: Samba


Donê muá si vu plé lonér de dancê aveque muá
Dance Ioiô / Dance Iaiá

Si vu frequenté macumbe entrê na virada e fini por sambá
Dance Ioiô / Dance Iaiá

Vian / Petite francesa
Dancê le classique / Em cime de mesa

Quand la dance comece on dance ici on dance aculá
Dance Ioiô / Dance Iaiá

Si vu nê vê pá dancê, pardon mon cherri, adie, je me vá
Dance Ioiô / Dance Iaiá

Sofrer é da Vida

Mário Reis
Na linha dos versos simples mas bem-humorados, este samba fez um enorme sucesso no carnaval de 1932, quando lançado por Mário Reis.

Repetiu a dose em 1967, ao fazer parte de um LP lançado para reviver os grandes momentos na voz de Mário, chamado Os grande sucessos de Mário Reis: “Sofrer é da vida / Eu já me convenci / Adeus, minha querida / Não foi pra você que eu nasci ...".

Sofrer é da Vida (samba/carnaval, 1932) - Ismael Silva e Francisco Alves - Intérprete: Mário Reis

Disco 78 rpm / Título da música: Sofrer é da vida / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Silva, Ismael, 1905-1978 (Compositor) / Reis, Mário (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1931 / Nº Álbum 10872 / Gênero musical: Samba



------A
Sofrer é da vida,
------D6--- D#º--- A
Eu já me convenci
-----D6---- D#º---- A
Adeus minha querida
-------F#7------ B7------ E7- A
Não foi pra você que eu nasci...

--------D6--- D#º---- A
Você tem boa conversa
------------D6----D#º-- A
Mas não vai me tapear
---------D6--- D#º----- A
Pode até fazer promessa
------F#7--------- B7---- E7 A
Porque eu não torno a voltar

--------D6 -------D#º--- A
Seu amor ninguém atura
-------------D6--- D#º---- A
Quem me disse não mentiu
--------D6 -----D#º-- A
Você me fez uma jura
--------F#7-- B7----- E7-- A
Que até então não cumpriu

Só dando com uma pedra nela

Só dando com uma pedra nela (samba, 1932) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Só dando com uma pedra nela / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, Novembro/1931 - Julho/1932 / Nº Álbum 10872 / Gênero: Samba


Mulher de setenta anos / já cheia de desenganos
que usa vinte e cinco gramas / de vestido na canela

Só dando com uma pedra nela! / Só dando com uma pedra nela!


Menina que pede esmola / com um cofre de ferro imenso
Que pede pra Santo Onofre / pra levar pra São Lourenço

Netinha da cozinheira / A avó já no cemitério

Na hora das três pós de cal / em vez de cal joga pá... nela

Cantora do Instituto / que canta toda semana
Ao escrever no quadro-negro / "Artilharia" Rusticana

Jogai quadro-negro nela! / Jogai quadro-negro nela!

Não tomo de voleibol / Não tomo de basquetebol
com esse meu corpinho assim / eu só tomo é leite Bol

Só dando com uma pedra em mim! / Só dando com uma pedra em mim!

Se ela perguntar

Se ela perguntar (valsa, 1932) - Sivan Castelo Neto

Disco 78 rpm / Título: Se ela perguntar / Autoria: Castelo Branco, Sivan (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Almirantes (Acompanhante) / Kosarin, Harry (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1932 / Álbum 33542 / Gênero: Valsa


Quando a deixei toda pálida a chorar
De amor / de amor / por mim
Nem sequer pensei que me fosse demorar
Assim / assim / tanto assim

Quando ela eu souber
Que eu estou triste / e que chorei

Decerto também vai sofrer / eu sei

Se ela perguntar
Você diga que vou bem
Que um dia eu hei de voltar
Desde que você a encontrar
De-lhe recomendações

Mas procure sempre lhe ocultar
As minhas desilusões
Não vá contar que me viu sofrer
Nem que me viu chorar
Diga que não a esquecerei
E que em breve voltarei

Se ela perguntar por mim...

Pierrot

O teatrólogo Pascoal Carlos Magno procurava uma canção inédita para a abertura de sua peça "Pierrô", prestes a estrear. Além de romântica, a canção deveria explorar o timbre agudo de Jorge Fernandes, o cantor escolhido para interpretá-la. Todos esses requisitos seriam preenchidos por Joubert de Carvalho, que compôs a tempo, sobre uma letra de Pascoal, a dramática canção "Pierrô" ( "Arranca a máscara da face, Pierrô / para sorrir do amor / que passou..."), sucesso no palco e no disco.

Pierrot (valsa-canção, 1932) - Joubert de Carvalho e Paschoal Carlos Magno

Disco 78 rpm / Título da música: Pierrô / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Magno, Pascoal Carlos (Compositor) / Fernandes, Jorge (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1931-1932 / Nº Álbum 22080 / Lado B / Matriz 381154 / Data de lançamento: março/1932 / Gênero: Canção


(Em)-------------------------- Am
Há sempre um vulto de mulher
------Em-------------------- B7------- E
Sorrindo / Em desprezo à nossa mágoa
-------------------- Gbm---- B7
Que nos enche os olhos d’água

---(E)-------- E------------------------ B7
Pierrot, Pierrot ! ... / Teu destino tão lindo
-----------------------------Gbm
É sofrer, é chorar toda a vida
----------------B7------------ B7/5--------- B
Por amor, do amor, de alguém ... de alguém
--------E7----------------- A------- Db°
Arranca a máscara da face, Pierrot,
------------E -------B7---- E----- Em
Para sorrir do amor / Que passou

----------------------------Am------- Em----------- B7----- E
Deixar de amar não deixarei / Porque o amor feito saudade
--------------- Gbm---B7----- (E)------- E
É a maior felicidade /------- Pierrot, Pierrot ! ....