terça-feira, 29 de agosto de 2006

Balanço Zona Sul


Balanço Zona Sul (1959) (samba bossa, 1963) - Tito Madi - Intérprete: Wilson Simonal

LP Tem "Algo Mais" / Título da música: Balanço Zona Sul / Tito Madi (Compositor) / Wilson Simonal (Intérprete) / Lyrio Panicalli (Acomp.) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Ano: 1963 / Álbum: MOFB 3370 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.


A7+            Bm7
Balança toda pra andar
  E7     A7+          Bm7
Balança até pra falar
  E7    A7+       Bm7     C#m7     D7+ Em7  A7/9
Balança tanto que já balançou meu coração
        D7+         G7/9
Balance mesmo que é bom,
         C#m7    F#m7
Do Leme até o Leblon
         B7/9
E vai juntando um punhado de gente
              Bm7   E7
Que sofre com seu andar
         A7+         Bm7
Mas ande bem devagar
    E7    A7+           Bm7
Que é pra não se cansar
    E7  A7+       Bm7      C#m7   D7+   Em7   A7/9
Vai caminhando, balan balançando sem parar
           D7+     G7/9
Balance os cabelos seus
        C#m7         F#m7
Balance cai mas não cai
       B7/9             Bm7
E se cair vai caindo, caindo
    E7     A7+
Nos braços meus

Senhorita

Senhorita (valsa, 1956) - Tito Madi

Vamos sair outra vez, senhorita,
A bailar, senhorita,
Vamos sair outra vez, senhorita,
A bailar, senhorita.

Tudo em redor nos convida,
Senhorita, a valsar,
Valsa que nos faz sentir, felizes,
Valsa que nos faz sonhar,
Sonhar, sonhar,
Deixo o seu rosto no meu,
Senhorita,
Só assim,
Apertarei sua mão,
Senhorita,
Contra mim,
Faça de conta que eu,
Sou o maior sonho seu,
Que nunca, se acaba,
Eternamente a sonhar,
Senhorita.

Valsa que nos faz sentir, felizes,
Valsa que nos faz sonhar,
Sonhar, sonhar,
Deixo o seu rosto no meu,
Senhorita,
Só assim,
Apertarei sua mão,
Senhorita,
Contra mim,
Faça de conta que eu,
Sou o maior sonho seu,
Que nunca, se acaba,
Eternamente a sonhar,
Senhorita.
A bailar....

Tito Madi


Tito Madi (Chauki Maddi), compositor e cantor nasceu em Pirajuí/SP em 18/7/1929. Começou a interessar-se por música por influência do pai, tocador de alaúde, e dos irmãos, que tocavam violão e bandolim. Aos seis anos, dedilhava violão e aos dez já tocava e cantava nas festas do grupo escolar de Pirajuí.

Por essa época, criou, com os irmãos, o serviço de alto-falantes A Voz de Pirajuí e quando da inauguração da rádio local, foi chamado a colaborar, junto com os irmãos. Aos 18 anos já era um dos diretores da Rádio Pirajuí, onde fazia de tudo um pouco: era locutor, escrevia textos de programas, criava textos de publicidade e, de vez em quando, cantava.

Em 1949 compôs sua primeira música, Eu espero você, e no ano seguinte organizou, ainda na cidade natal, o conjunto de amadores Estudantes Alegres. Na mesma época, servindo no tiro-de-guerra, organizou dois shows musicais e desde então começou a se dedicar à música.

Durante dois anos, a partir de 1952, atuou como cantor na Rádio e TV Tupi, de São Paulo/SP, e em 1953 teve sua primeira composição gravada, a valsa Eu e você, interpretada pelo conjunto vocal Os Quatro Amigos, liderado por Sidney Morais, que depois dirigiu o conjunto Os Três Morais.

Em 1954 gravou Não diga não e Pirajuí (ambas com Georges Henri), pela Continental, com arranjo do maestro Luís Arruda Pais, recebendo por esse disco o título de Cantor Revelação do Ano. Transferiu-se para o Rio de Janeiro/RJ, ainda nesse ano, passando a cantar com o pianista Ribamar, no ano seguinte, em diversas boates cariocas, como Jirau, Little Club, Texas e Cangaceiro.

Por intermédio de Teófilo de Barros Filho, conseguiu um contrato com a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e continuou gravando pela Continental, lançando, em 1956, Senhorita e Eu voltei, acompanhado pelos Garotos da Lua e As Três Marias.

Convidado, em 1957, para participar dos festejos de aniversário da Rádio Farroupilha, em Porto Alegre/RS, compôs lá uma música de inspiração local, Gauchinha bem querer, que gravou a seguir com Chove lá fora, composição de sua autoria que atingiu as paradas de sucesso e que lhe assegurou quase todos os prêmios de melhor compositor daquele ano, tendo recebido, entre outros, o Disco de Ouro oferecido pelo jornal carioca O Globo, medalhas dos Diários Associados e da Revista do Rádio, esta recebida diretamente das mãos do presidente Juscelino Kubitschek.

Chove lá fora, com o titulo It’s Raining Outside, destacou-se também nos EUA, tendo sido gravada por Della Reese e The Platters, conjunto norte-americano que lançou num LP (um milhão de cópias vendidas) duas outras músicas suas: Quero-te assim (I Wish) e Rio triste (Sad River), todas com letras em inglês de Buck Ramm.

Tendo rescindido, em 1956, o contrato com a Rádio e TV Tupi, passou a trabalhar como cantor independente e, em 1957, gravou Fracassos do amor (com Milton Silva) e Cansei de ilusões. Dois anos depois, quando gravou o LP Sua voz.., suas composições, deixou a Continental, transferindo-se sucessivamente para a Columbia (onde gravou cinco LPs até 1964), Odeon, onde gravou um de seus maiores êxitos, Balanço Zona Sul, RCA e Odeon novamente, onde gravou uma série de LPs de sucesso, A Fossa, em quatro volumes.

Entre os seus maiores sucessos destacam-se ainda Menina moça (Luís Antônio) êxito em 1964, Carinho e amor, Canção dos olhos tristes, Sonho e saudade, Amor e paz e Chove outra vez (com Romeu Nunes). Em 1987 fez temporada no restaurante Via Brasil, em New York, EUA. Gravou 34 LPs e 10 CDs, o último disco em 1996.

Letras e cifras:


Obras:

Amor e paz, samba, 1964; Balanço Zona Sul, samba, 1965; Cansei de ilusões, samba, 1957; Canto do engraxate, samba, 1957; Carinho e amor, samba, 1960; Chove lá fora, samba, 1957; Encontro no sábado (c/ Georges Henri), valsa, 1955; Eu e você, valsa, 1953; Fracassos de amor (c/Milton Silva), samba, 1957; Gauchinha bem-querer, samba, 1957; Não diga não (c/Georges Henri), samba, 1954; Olhe-me, diga-me, samba-canção, 1958; Pirajuí (c/Georges Henri), samba, 1954; Senhorita, valsa, 1956. CDs: Brasil samba-canção (c/Dóris Monteiro). 1996, Sony 479357; Tito Madi, 1996, Sony 866190.

Ora, acho que vou me embora

Ora, acho que vou me embora - Sidney Miller - Interpretação: Dóris Monteiro

Fiz um samba de primeira
Pra lhe dar em serenata
Ensaiei a tarde inteira
Pra cantar da forma exata
Nem ouviu, não disse nada
Me deixou ficar de fora
Inda pede agora pra voltar
Ora, acho que vou me embora
Convidei para o cinema
Ela disse: vou agora
Precisei de uma cadeira
Pra aturar sua demora
Até hoje estou esperando
Brincadeira assim tem hora
Inda pede agora pra voltar
Ora, acho que vou me embora
Vaidade não sossega
Quando a sorte anda por perto
Mas o tempo se encarrega
De mostrar quem esteve certo
Fez de mim o que queria
E hoje vem como quem chora
Me pedindo pra lhe perdoar
Ora, acho que vou me embora
Ora, acho que vou me embora
Ora, acho que vou me embora
Ora, acho que vou me embora...

É isso aí

É isso aí - Sidney Miller - Intérprete: Dóris Monteiro

Preparei uma roda de samba só pra ela
Mas se ela não sambar
Isso é problema dela
Entreguei um palpite seguro só pra ela
Mas se ela não jogar
Isso é problema dela
Esse problema é só dela

Tô cansado de andar por aí
Curtindo o que não é
Preocupado em pintar na jogada que dá pé
Só que tem que eu tô numa tão certa
Que ninguém me diz
Quem eu sou, o que devo fazer
E o que eu não fiz

Separei um pedaço de bolo só pra ela
Mas se ela não provar
Isso é problema dela
Inventei na semana um domingo só pra ela
Se ela for trabalhar
Isso é problema dela
Esse problema é dela

Comprei roupa, sandália e sapato só pra ela
Mas se ela não usar isso é problema dela
Aluguei uma roda-gigante só pra ela
Mas se ela não rodar
Isso é problema dela

Olhou pra mim

Dóris Monteiro

Olhou pra mim (1963) - Ed Lincoln e Sílvio César

Olhou pra mim / Sorriu pra mim
Fez tanta coisa pra chamar a minha atenção


Mandou dizer / Fingiu sofrer
Fez tudo, tudo para ter meu coração


Eu quis olhar / Eu quis sorrir
Eu quiz dizer tanta coisa bonita de agradar


Porém não sei / Me atrapalhei
Perdi a voz perdi até o coração


Perdi a voz / perdi o coração
Olhou pra mim

Alô fevereiro


Alô Fevereiro (1972) - Sidney Miller - Intérprete: Dóris Monteiro

LP Doris / Título da música: Alô Fevereiro / Sidney Miller (Compositor) / Dóris Monteiro (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1972 / Nº Álbum: SMOFB 3744 / Lado B / Faixa 7 / Gênero musical: Samba / Carnaval.


A7+          F#5+/7  Bm7
Tamborim avisou, cuidado
             E7/9       A7+
Violão respondeu, me espera
               F#5+/7 Bm7
Cavaquinho atacou, dobrado
                   E7/9    A7+
Quando o apito chegou, já era
                 F#5+/7     Bm7
Veio o surdo e bateu, tão forte
              E7/9     A7+
Que a cuíca gemeu, de medo
                F#5+/7    Bm7
E o pandeiro dançou, que sorte
                E7/9   A7+
Fazer samba não é brinquedo
           F#7  Bm7
Todo mês de fevereiro, morena
E7/9          A7+
Carnaval te espera
F#5+/7             Bm7
Querem te botar feitiço, morena
E7/9      A4/7 A7
Mas também pudera
      D4/7 D7       A4/7 A7
Se ele pega no teu corpo
         D4/7 D7      A7+
Vai ter gente enlouquecida
              F#5+/7     Bm7
Querendo entender a tua dança
            E7/9       A7+
Querendo saber da tua vida

Mudando de conversa

A personagem indaga sobre “aquela velha amizade, aquele papo furado todo fim de noite num bar do Leblon”, lamentando a ausência dessas amenidades em sua vida atual. Este é o tema de “Mudando de Conversa”, um samba moderno, romântico, um pouco nostálgico e tipicamente carioca.

Só que a composição nasceu, não em um bar do Leblon, mas, na legendária Taberna da Glória, no bairro homônimo. Conta Hermínio que ele e o parceiro, Maurício Tapajós, haviam passado a noite trabalhando, em seu apartamento, em cima de uma sugestão de Cacaso que resultaria na ópera popular “João-Amor e Maria”. De manhã cedinho, a dupla desceu para o desjejum na Taberna, sendo o café-com-leite logo substituído pelo chope gelado, no momento em que surgiu a idéia do samba. “A ópera foi um fiasco”, informa o poeta, “mas ‘Mudando de Conversa’, um grande sucesso”.

Tanto sucesso, que daria nome a um musical com Clementina de Jesus, Nora Ney, Ciro Monteiro, Jards Macalé, o conjunto Os Cinco Crioulos e um regional comandado pelo Mestre Dino. Embora destinado a Ciro Monteiro, que àquela época tinha uma preguiça enorme para aprender músicas novas, o samba acabou sendo gravado por Dóris Monteiro, em atenção a um pedido de Milton Miranda, diretor da Odeon (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Mudando de Conversa (samba, 1968) - Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho - Intérprete: Dóris Monteiro

Compacto duplo / Título da música: Mudando de Conversa / Maurício Tapajós (Compositor) / Hermínio Bello de Carvalho (Compositor) / Dóris Monteiro (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: 7BD-1157 / Ano: 1968 / Gênero musical: Samba / MPB.

Tom: Tom: G
Intr.: C7+/9 Cm7/9 G7/13 E7 A7 D7 G7+

               A7        D7 
Mudando de conversa onde foi que ficou
         E7     A7
Aquela velha amizade
 D7/9        Dm7/9              G7/13
Aquele papo furado todo fim de noite
            C7+/9
Num bar do Leblon

Meu Deus do céu, que tempo bom!
                                  C#°
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
                 G7+         F#5+/7   F7/13
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
     E7       A7
E acabava em samba
                  D7               G7+
Que é a melhor maneira de se conversar
F#7/13     Bm                  C#m5-/7     F#7     Bm
Mas tudo mudou, eu sinto tanta pena de não ser a mesma
         C#m5-/7     F#7       Bm                   C#m5-/7
Perdi a vontade de tomar meu chopp, de escrever meu samba
     F#7     Bm             C#m5-/7
Me perdi de mim, não achei mais nada
       F#7  Bm   C#m5-/7
O que vou fazer?
F#7            Bm               C#m5-/7   F#7    Bm
Mas eu queria tanto, precisava mesmo de abraçar você
             C#m5-/7       F#7   Bm
De dizer as coisas que se acumularam
               C#m5-/7       F#7  Bm
Que estão se perdendo sem explicação
           C#m5-/7     F#7    Bm  E7
E sem mais razão e sem mais porque
  A7+         B7          E7       A7+
Mudando de conversa onde foi que ficou
        F#7     B7
Aquela velha amizade
  E7/9        Em7/9             A7/13
Aquele papo furado todo fim de noite
            D7+/9
Num bar do Leblon

Meu Deus do céu, que tempo bom!
                                  D#°
Tanto chopp gelado, confissões à bessa
                 A7+         G#5+/7   G7/13
Meu Deus, quem diria que isso ia se acabar
     F#7       D7
E acabava em samba
                  E7               G7/13 (A7+)
Que é a melhor maneira de se conversar

Dóris Monteiro


Dóris Monteiro (Adelina Dóris Monteiro), cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 21/10/1934. Começou cantando fados em programas infantis, estreando como intérprete a 31 de outubro de 1949 no programa de calouros Papel Carbono, de Renato Murce, na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde interpretou Bolero, imitando Lucienne de Lille.

Em 1951, quando estudava no Colégio Pedro II, foi convidada pelo cantor Orlando Correia para cantar na Rádio Guanabara, permanecendo um mês nessa emissora, passando em seguida, graças a Alcides Gerardi, para a Rádio Tupi, onde trabalhou oito anos. Nesse mesmo ano, começou a cantar na boate do Copacabana Palace Hotel e fez sua primeira gravação, pela Todamérica, interpretando Se você se importasse (Peterpan), que foi também seu primeiro sucesso.

Em 1952, eleita Rainha dos Cadetes, gravou outro sucesso: Fecho meus olhos, vejo você (José Maria de Abreu). No ano seguinte, convidada por Alex Viany, estrelou o filme Agulha no palheiro, cantando a música do mesmo nome e sendo premiada por sua atuação como atriz.

Casou, em 1954, com Carlos Rui Meneses e, nesse mesmo ano, gravou seu primeiro LP, Vento soprando, na Continental, interpretando, entre outras, Graças a Deus (Fernando César) e Joga a rede no mar (Fernando César e Nazareno de Brito). Uma das músicas mais marcantes de seu repertório foi Mocinho bonito (Billy Blanco), gravada em 1956.

Gravou mais dez LPs, destacando-se Gostoso é sambar, de 1963, na Philips, com a faixa-título de João Melo, O que eu gosto de você (Sílvio César) e Olhou pra mim (Ed Lincoln e Sílvio César); Dóris Monteiro, de 1964, na Philips, com Samba de verão (Marcos Vale e Paulo Sérgio Vale); Mudando de conversa, de 1969, na Odeon, em que cantou dois dos maiores sucessos de sua carreira, Mudando de conversa (Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho) e Dó-ré-mi (Fernando César); e o disco Odeon, de 1970, cujo destaque principal foi Coqueiro verde (Roberto e Erasmo Carlos). Lançou, ainda na Odeon, LPs nos anos de 1972, 1973 e 1974.

Na década de 80 gravou na Copacabana o LP Dóris Monteiro (1981) e participou do LP da Continental Dóris, Elisete, Helena e Ângela Maria, (1986). Em 1990, a convite de Lisa Ono, viajou ao Japão e realizou shows em Tóquio, Osaka e Nagóia.

No ano seguinte a Sony lançou Dóris e Tito Madi, na série Academia Brasileira de Música. No cinema, trabalhou também em Rua sem sol, de Alex Viany (1954), Tudo é música, de Luís de Barros (1957) e De vento em popa, de Carlos Manga (1957).

Algumas letras e cifras:

A banca do distinto
Alô fevereiro
Coqueiro verde
De conversa em conversa
Dó-ré-mi
É isso aí
Fim de caso
Fiz o bobão
Graças a Deus
Joga a rede no mar
Mocinho bonito
Mudando de conversa
Olhou pra mim
Ora, acho que vou me embora
Ronda
Samba de verão
Se você se importasse

Anda, vem cá

Buci Moreira
Anda, vem cá (samba, 1932) - Buci Moreira

Disco 78 rpm / Título: Anda, vem cá / Autoria: Moreira, Buci (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 03/08/1931 / Nº Álbum 10824 / Gênero: Samba /

Anda, vem cá
Se tu soubesses
Os carinhos de amor
Que eu tenho pra te dar
Se você provar
Cairá vencida
E minha será, pra toda vida

Eu gosto muito de você
Eu tenho mesmo um certo que
Não sei como explicar
Já modifiquei a minha vida
Com você minha querida
Sou capaz de me casar

És para mim uma uvinha
Uma linda moreninha
Que eu quero guardar
Anda, assim não me arrependo
Acho bom aproveitar.

Buci Moreira

Buci Moreira, compositor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 1/8/1909 e faleceu em 1982. Neto da famosa Tia Ciata (em cuja casa, perto da Praça Onze, se reuniam pioneiros do samba), seu pai, Guilherme Eduardo Moreira, tocava violão e ele, desde pequeno, mostrou vocação para ritmista.

Em 1917, sem deixar sua casa em São Cristóvão, passou a viver também com outra família, no mesmo bairro, fazendo companhia a um menino da casa. Nessa época começou a estudar. Em 1922 foi morar com a avó, até a morte desta em 1924, e de 1925 a 1927 estudou na Escola Bom Jesus, na ilha de Paquetá.

Com a morte do pai em 1928, foi viver com os tios na Praça Onze, ingressando no Colégio Benjamim Constant. No ano seguinte desfilou pela única vez na hoje extinta escola de samba Deixa Falar.

Em 1930 foi descoberto na Praça Onze, por Francisco Alves, que gravou sua primeira música na Odeon, o samba Palhaço (com Nelson Gomes). Por essa época começou a atuar como ritmista em gravações na Odeon, formando dupla com Valdemar Silva e, depois, com Arnô Canegal.

De 1936 a 1940 desfilou (e era diretor de harmonia) na hoje extinta escola de samba Vê Se Pode, do morro de São Carlos. Em seguida trabalhou com o cineasta Moacir Fenelon, continuando a atuar como ritmista em gravações.

Em 1943 participou, com outros sambistas, do filme inacabado de Orson Welles Jangada. Em parceria com Arnô Canegal e Mutt, compôs o samba Anda, vem cá, gravado por Francisco Alves e Mário Reis e Não põe a mão, sua música mais conhecida, que ele mesmo, além de outros intérpretes, gravou com êxito na Star em 1951.

Outros sucessos seus foram Quem pode, pode e Por que é que você chora. Obras: Anda, vem cá, samba, 1932; Em uma linda tarde, samba, 1935; Não põe a mão (c/Mutt e Arnô Canegal), samba, 1951; Quem pode, pode (c/Haroldo Torres), samba, 1950.

Foi somente uma vez

Núbia Lafayette
Núbia Lafayette

Foi somente uma vez (Solamente una vez / bolero /- Agustín Lara - versão de Rossini Pinto)
  F
Foi somente uma vez
Gm
Que amei na vida
C7
Foi somente uma vez
F
E nunca mais
Uma vez nunca mais em meu peito
D7        Gm
Guardei a esperança
C7          Gm       C7
A esperança que é luz do caminho
F  C7
Desta solidão 
              F
Uma vez nada mais
Gm
A gente ama
C7
Com loucura total
F
E emoção
E quando esse milagre acontece
D7         Gm
Tudo é diferente
C7         Gm        C7
Toca os sinos e um coro de anjos
F
Canta uma canção.

Esta noite eu queria que mundo acabasse


Esta noite eu queria que o mundo acabasse (samba-canção, 1963) - Silvinho - Intérprete: Silvinho

LP A Consagração - Silvinho / Título da música: Amor sincero / Sílvio Lima (Compositor) / Roberto Muniz (Compositor) / Silvinho (Intérprete) / Paulo Gracindo (Declam.) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Philips / Ano: 1963 / Álbum: P 632.133 L / Lado A / Faixa: 1 / Gênero musical: Samba-canção.


Tom: Em 

Em
Esta noite 
                          Am
Eu queria que o mundo acabasse 
            D7                   G
E para o inferno o senhor me mandasse 
        C                    B7  C B7
Para pagar todos os pecados meus 
      Em
Esta noite 
                          Am
Eu queria que o mundo acabasse 
            D7                   G
E para o inferno o senhor me mandasse 
        C                    B7  C B7
Para pagar todos os pecados meus 
D                              G
Eu fiz sofrer a quem tanto me quis 
        C                 Am
Fiz de ti, meu amor, infeliz 
      C                  B7  C B7
Esta noite eu queria morrer 
     Em
Perdão... 
                         Am
Quantas vezes tu me perdoaste 
         D7                 G
Quanto pranto por mim derramastes 
          C                B7  C B7
Hoje o remorso me faz padecer 
D                          G
Esta é a noite da minha agonia 
     C                  Am
É a noite da minha tristeza 
 B7                     Em
Por isso eu quero... Morrer.

Casa e comida


Casa e comida - Rossini Pinto - Interpretação: Núbia Lafayette



Introdução: Am  Em  F#7  B7  Em  B7 
     Em          B7                Em
Desculpe, meu amor, o que eu lhe digo
D
Mas meu bem, nao é comigo
C         B7  E7
Que você deve lamentar
Am                     Em
Você nunca foi um bom marido
D
Não cumprindo o prometido
C                B7  E7
Que jurou aos pés do altar
Am                        Em
É triste confessar, mas é preciso
D          C
Você não teve juízo, em dizer
B7  E7                     
Que não me quis
Am                        Em
Perdoa, meu amor, não sou fingida
F#7
Não é só casa e comida
B7             Em
Que faz a mulher feliz
Am                           Em
Noites, quantas noites eu passava
D
Por você abandonada
C          B7  E7
A chorar na solidão
Am                       Em
E quando eu reclamava, você ria
D
Me dizendo que ficava
C           B7  E7
No escritório, no serão
Am                 Em
Agora você tenha paciência
F#7
Eu lhe peço por clemência
B7  E7
Deixa em paz meu coração
Am                    Em
Repito o que todo mundo diz:
F#7
Não é só casa e comida
B7             Em
Que faz a mulher feliz.

Núbia Lafayette


Núbia Lafayette (Idemilde Araújo), cantora, nasceu em Açu/RN, em 21/1/1937. Aos três anos de idade, viajou com a avó para o Rio de Janeiro/RJ, onde passou a residir. Ainda criança, foi participante assídua do programa Clube do Guri, na Rádio Tupi, cantando o repertório de Vicente Celestino . Depois, na década de 1950, recebeu forte influência de Dalva de Oliveira, identificando-se com seu estilo.

Em 1958, quando trabalhava nas Casas Pernambucanas, resolveu participar do concurso A Voz de Ouro ABC, na televisão. Não ganhou o primeiro prêmio, mas despertou a atenção de um dos jurados, Jordão de Magalhães, que a convidou a se apresentar na Cave, boate paulistana da qual era proprietário. Aí conheceu o compositor Adelino Moreira, que lhe proporcionou a oportunidade de gravar na RCA.

Assim, já com o nome artístico de Núbia Lafayette, gravou em 1960 o disco de estréia, que registrava os sambas Devolvi, seu primeiro sucesso, e Nosso amargor, ambos de Adelino Moreira. Em fevereiro de 1961, saiu o segundo disco, ainda com músicas de Adelino, Preciso chorar e Solidão, sendo esta sua canção favorita. Consolidou então o estilo próprio, cantando temas românticos com voz pungente, a maioria em ritmo de bolero ou samba-canção.

Com o predomínio da Jovem Guarda no meio fonográfico, sua carreira entrou em declínio, só retornando às paradas radiofônicas no início da década de 1970, quando lançou novos sucessos, como Casa e comida, de Rossini Pinto.

CDs Brasil sentimental, 1991, Columbia 852-01912-484232; Núbia Lafayette - 20 super sucessos, 1993, Polydisc 470049. Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000.

Algumas cifras:

Casa e comida, Devolvi, Esta noite eu queria que mundo acabasse, Foi somente uma vez, Fracasso, Lama, Quem eu quero não me quer.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Ed. e Publifolha.

Quem eu quero não me quer

Raul Sampaio
Cantor, integrante do Trio de Ouro por vários anos e compositor, com mais de duzentas músicas gravadas, Raul Sampaio viveu a sua melhor fase no início dos anos sessenta. Em 1962, por exemplo, ele emplacou dois grandes sucessos, o samba-canção “Lembranças”, cantado pelo amigo Miltinho, e o bolero “Quem Eu Quero Não me Quer”, em gravação sua, lançada no final de 61, mas que estourou nas paradas depois do carnaval de 62.

Embora autor de repertório eclético, que vai do carnaval (“Eu Chorarei Amanhã”) ao mais intenso romantismo, é neste último estilo que melhor se exprime a ele pertencendo “Lembranças” (“Lembro um olhar / lembro um lugar / teu vulto amado / lembro um sorriso / e o paraíso! que tive ao teu lado”) e “Quem Eu Quero Não me Quer" (“Quem eu quero não me quer / quem me quer mandei embora / e por isso eu já não sei! o que será de mim agora”), sua canção mais gravada, inclusive com uma versão mexicana de Agustín Lara, que saiu inicialmente sem o seu nome.

Capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, Raul Sampaio homenagearia a sua cidade na composição “Meu Pequeno Cachoeiro”, oficializada em 66 como hino do município, e que, além de sua gravação (em 63), foi sucesso na voz de Roberto Carlos (em 70), outro ilustre cachoeirense (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Quem eu quero não me quer (bolero, 1962) - Benil Santos e Raul Sampaio - Intérprete: Raul Sampaio

Disco 78 rpm / Título da música: Quem eu quero não me quer / Sampaio, Raul (Compositor) / Santos, Ivo (Compositor) / Sampaio, Raul (Intérprete) / Orquestra RGE (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1961 / Nº Álbum 10350 / Gênero musical: Bolero.

Am 
 Quem eu quero não me quer 
                        Dm 
 Quem me quer mandei embora 
                       E7 
 E por isso eu já nem sei 
                     Am 
 O que será de mim agora 
 Passo as noites recordando 
                     Dm 
 Revivendo o meu castigo 
                      E7 
 No meu quarto de saudade 
                 Am 
 Solidão mora comigo 
                         Dm 
 Por onde anda quem me quer? 
 G7                           C 
   Quem não me quer onde andará? 
 Am                  Dm 
   Que será de suas vidas 
 E7                      Am 
   Da minha vida o que será 
                         Dm 
 Não sou capaz de ser feliz 
 G7                         C 
   Ao lado de um amor qualquer 
 Am                     Dm 
   Ah! Se este fosse o outro 
 E7                            Am 
   Que eu amo tanto e não me quer. 

Raul Sampaio

Raul Sampaio (Raul Sampaio Cocco), cantor e compositor, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim em 06 de julho de 1928. É filho de Fanny Sampaio Cocco e José Cocco. Foi aluno dos colégios Liceu Muniz Freire, Bernardino Monteiro e Escola Técnica de Comércio, todos em Cachoeiro.

Sua vida artística começou na ZYL-9, Rádio Cachoeiro, como solista do conjunto Dois Valetes e uma Dama. Em 1949 mudou-se para o Rio de Janeiro, dedicando-se ao comércio até 1952, quando passou a integrar o conjunto Trio de Ouro.

Sua primeira música de sucesso foi Guarda-chuva de pobre. Autor de mais de 200 composições musicais, teve como parceiros Herivelto Martins, Benil Santos, e outros. Raul Sampaio atuou na Rádio Nacional e, pela sua projeção no Rio de Janeiro, principalmente com as músicas Rio Quatrocentão e Rio eterna Capital, recebeu o título de Cidadão do Estado da Guanabara.

Recebeu o título de Cachoeirense Ausente em 1969. O título é a honra máxima de Cachoeiro. Só é concedido uma única vez por ano, ao cidadão nascido nesta cidade que, deixando sua terra, lá fora, tenha prestado relevantes serviços como foi torná-la mais conhecida no Brasil e no Mundo.

É o autor da letra e música do Meu pequeno Cachoeiro. A canção, depois interpretada por Roberto Carlos, em gravação do ano de 1969, é um dos grandes sucessos nacionais de todos os tempos. Outros sucessos de sua autoria: A carta (com Benil Santos), Canção da rua (c/Benil Santos), Estou pensando em ti (c/Benil Santos), Lembranças (com Benil Santos), Meu pranto rolou (com Benil Santos e Ivo Santos), Onde estás agora? (com Benil Santos), Quem eu quero não me quer (com Benil Santos), Revolta (com Nelson Gonçalves).

Benil Santos

Benil Santos (Benil dos Santos), compositor, nasceu em Cabo Frio/RJ, em 20/11/1931. De família numerosa (22 irmãos), começou a trabalhar aos nove anos, numa farmácia. Com 19 anos, foi trabalhar na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro RJ, tendo sido depois locutor e produtor. Formou-se pela Faculdade de Ciências Econômicas do Rio de Janeiro como técnico de contabilidade.

Criou o programa Manhã de Grande Gala, na Rádio Mayrink Veiga, em 1958, ano em que passou a exercer a função de diretor artístico da RGE, permanecendo no cargo durante sete anos.

Incentivado por Marijó, cronista do jornal carioca Última Hora, e por Héber Lobato, locutor e descobridor de talentos, começou a compor, tendo sua primeira composição gravada ainda em 1958, Noites cruéis com Raul Sampaio, seu parceiro mais constante.

Em 1960, compôs com Enrico Simoneti Canção de ninar mamãe, gravada por Gilberto Milfont na RGE. No mesmo ano, conheceu um de seus maiores sucessos, parceria com Raul Sampaio, Estou pensando em ti, gravada por Anísio Silva na Odeon. Em 1961, dois novos sucessos, parcerias com Raul Sampaio, Estou só e Lembranças gravadas por Miltinho na RGE. Em 1962, Roberto Luna gravou Fingimento; Miltinho, Confidência, estes na RGE e Gilvan Chaves, gravou na Victor Protesto (Praga de amor), parcerias com Raul Sampaio.

Em 1963, obteve o primeiro lugar no Festival de Música do Brasil, da TV-Rio, do Rio de Janeiro, com a música Distância (com Raul Sampaio), gravada por Miltinho e Rosana Toledo.

Entre suas composições gravadas, destacam-se as marchas A serenata (com Raul Sampaio), de 1966, e Eu compro essa mulher (com Raul Sampaio e Ivo Santos), de 1967. Exerce também atividade de empresário artístico.

Algumas obras:

Canção de ninar mamãe (c/Enrico Simonetti), 1960; Confidência (c/Raul Sampaio), 1962; Distância (c/Raul Sampaio), 1963; Estou pensando em ti (c/Raul Sampaio), bolero, 1960; Estou só (c/Raul Sampaio), 1961; Eu compro essa mulher (c/Raul Sampaio e Ivo Santos), marcha, 1967; Fingimento (c/Raul Sampaio), 1962; Lembranças (c/ Raul Sampaio), 1961; Meu pranto rolou (c/Raul Sampaio), marcha, 1965; A serenata (c/Raul Sampaio), marcha, 1966; Protesto (Praga de amor) (c/Raul Sampaio), 1962.

Arnaldo Pescuma

Arnaldo Pescuma, tenor e compositor, nasceu em 29/1/1903, em São Paulo/SP, e faleceu na mesma cidade em 13/1/1968.

Em 1920 participou, como tenor, de uma companhia de óperas, que se apresentou em Recife/PE e Aracaju/SE. Em 1923 aparecia como cantor de operetas no Teatro Boa Vista, de São Paulo, e, durante dez anos, em outros locais.

Em 1933 viajou para o Rio de Janeiro/RJ e assinou um contrato de seis meses na Rádio Mayrink Veiga.

No filme Alô, alô, Brasil (1935, co-direção de João de Barro e Alberto Ribeiro), cantou a marcha de sua autoria Muita gente tem falado de você, com o conjunto Os Quatro Diabos (que, com ele, passou a se chamar Os Cinco Diabos).

Em 1935 voltou a São Paulo como contratado da Rádio Difusora, e no ano seguinte foi para Buenos Aires, Argentina, contratado pela Radio Belgrano. Em 1937, já em São Paulo, fundou a escola de canto Apebar. Quatro anos depois voltou a cantar ópera no Teatro Municipal, de São Paulo, onde mais tarde seria diretor de cena.

Gravou vários discos, destacando-se os que fez em dupla com Januário de Oliveira, com seis músicas premiadas no Carnaval paulista, entre as quais duas marchas de muito sucesso: Mulatinha da caserna (Martinez Grau e Capitão Furtado) e Paulistinha querida (Ary Barroso).

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Arnaldo Amaral

Arnaldo Amaral - 1941
Arnaldo Amaral (Arnaldo Augusto do Amaral Filho), cantor, ator, locutor e produtor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 05/08/1912. Começou a cantar para o público na Rádio Guanabara levado por Cristóvão de Alencar. Em seguida, passou a se apresentar no Programa Casé, na Rádio Philips.

Gravou o primeiro disco em 1933: Fita os meus olhos, de Cartola e Oswaldo Vasques. No mesmo ano grava Por que será (Buci Moreira e Osvaldo Vasques), Se passar da hora (Osvaldo Vasques e Boaventura dos Santos) e Rindo e chorando (Osvaldo Vasques e Buci Moreira). De 1934 são os sucessos Questão de raça (Francisco de Freitas e Zeca Ivo) e Lili (Kid Pepe e Benedito Lacerda).

Em 1935 faz sucesso com Vou fazer uma pergunta (Cristóvão de Alencar e Nássara). Nesse mesmo ano, assinou contrato com a Rádio Cruzeiro do Sul onde permaneceu até 1938, quando fez uma excursão a São Paulo apresentando-se na Rádio Cosmos e seguindo depois para Minas Gerais, onde apresentou-se na Rádio Inconfidência. Trabalhou também nas Rádios Educadora e Mayrink Veiga. Ainda nesse ano, gravou os sambas Saudade (Cristóvão de Alencar e Pedro Pinto) e Remexe as cadeiras baiana (Cristóvão de Alencar e Sílvio Pinto).

Em 1937, seriam gravadas as marchas Eu vou mandar fazer (Mário Lago e Martinez Grau) e Quem é o homem (Ary Barroso), esta em dueto com Alzirinha Camargo . Em 1939, gravou os sambas Ela foi e não voltou (Zé Pretinho e César Brasil) e Estou sentido com você (Zé Pretinho e Romeu Gentil). No mesmo ano, gravou de Ary Barroso a valsa Amar (Mentira de amor).

São de 1941 as gravações de Quem sabe não és a colombina (marcha de Pedro Caetano e Alcir Pires Vermelho) e do samba Com você e sem você (Amaro Silva e Nelson Teixeira). Em 1942, conquistou grande sucesso no carnaval com a marcha Eu quero ver é a pé (Mário Lago e Roberto Roberti), gravada em novembro do ano anterior em disco, no qual constava ainda o samba Bota a Maria na roda (Roberto Martins e Cristóvão de Alencar). Em 1943, seriam gravadas a marcha Conversa pra siri e o samba Do mundo nada se leva, ambas de Russo do Pandeiro e Valfrido Silva. Em 1944, gravou de Sá Róris e Valfrido Silva a marcha Filha do cacique.

Participou dos filmes Futebol em família (cantando a valsa Sonho de amor não morre), Bonequinha de seda, Jangada, Laranja da China, Entra na farra e de números musicais no filme Abacaxi azul.

Em 1946, resolveu parar de cantar e seguiu com a carreira de radialista, tornando-se locutor e produtor de programas na Rádio Clube. Atuou, ainda, como locutor esportivo. Sua produção radiofônica mais famosa foi o programa "Pescador de estrelas", onde foram revelados nomes como Zezé Gonzaga, Jamelão, Ângela Maria, Dóris Monteiro, Norma Suely, Altamiro Carrilho, Miriam de Souza, Alaíde Costa, Marisa, Dalva de Andrade, Ellen de Lima, Humberto Martins, Marilena Cairo e os locutores Jair Amorim, Oswaldo Sargenteli, Américo Vilhena, Décio Luiz e Walter Luiz. Encerrou sua carreira como diretor da Rádio Mundial, antiga Rádio Clube.

Linda flor que morreu

Ariovaldo Pires
Linda flor que morreu (samba, 1940) - Capitão Furtado (Ariovaldo Pires) e Jota Soares

Tu que és o meu bem querer
A alegria do meu viver,
Porque estranha razão
Tens tal prazer em me ver penar
E viver sempre a mendigar
Teu cruel coração,
Sim, é loucura, eu bem sei !
Eu te amar tanto, tanto assim,
Se não gostas de mim,
Mas te dei minha vida e é bem,
Pouco o que eu te dei,
Pois embora só me causes dor,
É só teu o meu amor.

Óh, eu quisera viver feliz,
Só viver da saudade,
Sim, da sublime ilusão,
Que é igual,
A uma flor que nasceu,
Porém logo após feneceu,
Tal qual minha felicidade,
Tu és o sonho fugaz que passou,
Linda flor que morreu
E o vento levou.

E o vento levou

E o vento levou (valsa, 1940) - Capitão Furtado (Ariovaldo Pires)

Na estrada da vida
De quem muito amou
A folha caída
Morreu e secou
E assim ressequida
A folha rolou
Sozinha, esquecida,
" E o vento levou "

Meu destino também é o mesmo
Dessa folha que o vento levou
Porque vive a vagar sempre a esmo
Recordando um amor que passou

Esperança... carinho... promessa...
Mil venturas minh'alma sonhou
Porém tudo passou tão depressa,
E somente a saudade ficou.

Mulatinha da caserna

Assim noticiava a revista "Carioca", de 01/02/1936: "Promovido pela Muncipalidade de São Paulo realizou-se um concurso de sambas e marchas para o Carnaval. Mais animado que nos anos anteriores, conseguiu este concurso reunir cerca de 280 músicas, entre sambas e marchas. Feita a seleção das mais interessantes, coube, no final, o primeiro lugar à marcha "Mulatinha da caserna", de autoria da parceria maestro Martinez Grau e Ariovaldo Pires, dois nomes de larga projeção no cenário musical de São Paulo. Em segundo lugar, saiu vencedor o compositor carioca Ary Barroso(1), cujas composições tem enchido de alegria o Brasil, em todos os Carnavais passados. "Paulistinha querida", é o título da composição do autor de "Maria" e "Rancho fundo.

Acompanhado pelo cantor Januário de Oliveira, criador de sua composição. o maestro Martinez Grau veio ao Rio, por conta da Diretoria de Divertimentos Públicos de São Paulo, especialmente para fazer gravar a marcha vencedora. O autor e o intérprete de "Mulatinha da caserna", visitaram a redação de CARIOCA e nos transmitiram suas felicitações pelo êxito de de nossa revista, que está sendo acolhida na Paulicéia com a mais viva simpatia." (1) Ary era mineiro.

Mulatinha da caserna (marcha, 1936) - Martinez Grau e Capitão Furtado (Ariovaldo Pires)

Antigamente a mulatinha
Fazia corso lá no quintal
Mas com o tempo ficou por cima
Foi promovida a general

Alerta! Alerta!
Vamos fazer revolução
Nossa trincheira vamos ter, mulata
Na avenida São João

A Benedita já fez progresso
Tirou o corpo lá do fogão
Vive na seda, tem um V-8
E sai de braço com o capitão

Capitão Furtado

Ariovaldo Pires - 1936
Capitão Furtado (Ariovaldo Pires), compositor, nasceu em Tietê SP em 31/8/1907, e faleceu em São Paulo SP, em 10/11/1979. Sobrinho de Cornélio Pires, em 1928 foi levado pelo tio ao então diretor da Columbia, Wallace Downey, passando a trabalhar como seu secretário em 1929, em São Paulo SP

Em seguida, participou do programa inaugural da Rádio Cruzeiro do Sul, que estava sendo organizada por Wallace Downey, substituindo um artista que havia faltado, no papel de um fazendeiro caipira, tendo sido logo contratado.

Ainda em 1929 estreou como compositor, com a toada Coração, em parceria com seu conterrâneo Marcelo Tupinambá, gravada por Januário de Oliveira. Dois anos depois, colaborou como assistente no filme Coisas nossas, produzido e dirigido por Wallace Downey, e, em 1932, ano da Revolução Constitucionalista, adotou o pseudônimo de Capitão Prudêncio Pombo Furtado, depois abreviado para Capitão Furtado.

Em 1934, transferiu- se para a recém-inaugurada Rádio São Paulo junto com os componentes do programa Cascatinha do Genaro. A mudança foi ótima para todos, pois o programa aí alcançou sucesso absoluto. Em 1935 atuou como coordenador artístico do filme Fazendo fita, de Vitório Capelaro, em que foi incluída sua toada Coração. Nesta ocasião, conheceu a dupla Alvarenga e Ranchinho, convidando-os a participar do filme.

No ano seguinte, obteve o primeiro prêmio em um concurso de música carnavalesca organizado pela prefeitura de São Paulo com a marcha Mulatinha da caserna (com Martinez Grau). Com o dinheiro do prêmio foi para o Rio de laneiro RJ com Alvarenga e Ranchinho, levando um sucesso da dupla, a moda-de-viola Itália e Abissínia (com a dupla), e que seria gravada na Odeon. Visitou a Rádio Tupi, onde fez um programa improvisado com Alvarenga e Ranchinho, a convite do diretor artístico da emissora. Ouvidos por Assis Chateaubriand, os três foram contratados e passaram a se apresentar como a Trinca do Bom Humor, três vezes por semana.

Gravaram vários discos pela Odeon, os primeiros intercalando piadas com números musicais, como Futebol (moda-de-viola), Meu coração (rancheira), A baixa do café (toada). Com a atriz Jurema de Magalhães, gravou a poesia Adoração (Campos Negreiros), sendo apelidado por Tia Chiquinha (Sílvia Autuori) de “o caipira que fala com o coração”, slogan que adotou para sua carreira.

Ainda no Rio, foi assistir à prova automobilística Circuito da Gávea e um dos locutores passou-lhe o microfone, depois dos comentários. Improvisando versos humorísticos, imediatamente agradou o público, formando uma multidão de ouvintes junto ao palanque da Rádio Tupi. Ouvido pelo diretor da Victor, Mr Evans, foi contratado pela gravadora, lançando com a Trinca do Bom Humor o disco Liga dos bichos e Vida do Zé Luís (ambas com Alvarenga e Ranchinho).

Teve outros discos lançados pela Odeon em 1936, como Caipira em Hollywood, cateretê de sua autoria gravado em dupla com Alda Garrido, e a moda-de-viola Calango (com Alvarenga e Ranchinho), no qual a menina Gilda Magalhães contava anedotas. No ano seguinte, gravou na Victor Natal do sertão (Lucilia Guimarães Villa-Lobos e Luís Guimarães), com a participação de Tia Chiquinha e o Coro dos Apiacás, formado por crianças, entre os quais dois meninos que se tornariam famosos, Luiz Bonfá e Lúcio Alves.

Em 1939, seu amigo Palmeirim Silva inscreveu sua peça O tesouro do sultão no concurso promovido pelo Serviço Nacional de Teatro, sob o patrocínio do Ministério da Educação. Vencedora, a peça foi montada por Jardel Jércolis, com música de Radamés Gnattali, cumprindo temporada de sucesso no Teatro João Caetano, do Rio de Janeiro, e depois em outros Estados e países vizinhos. Nesse mesmo ano, retornou a São Paulo, onde se fixou definitivamente. Criou na Rádio Difusora o programa Arraial da Curva Torta, que revelou artistas como a dupla Tonico e Tinoco (batizada por ele), Blecaute e a futura apresentadora Hebe Camargo, que na época formava com sua irmã a dupla caipira Rosalinda e Florisbela.

Em 1940, Orlando Silva gravou na RCA Victor a valsa E o vento levou, de sua autoria, e Gilberto Alves gravou Linda flor que morreu (com Jota Soares). Durante a década de 1940, realizou numerosas versões de sucessos internacionais. Em 1948, em Salvador BA, dirigiu por algum tempo a Rádio Excelsior local. Voltou a São Paulo em fins de 1949 e, no ano seguinte, começou a trabalhar na Rádio Cultura.

De 1952 a 1956 voltou a atuar na Rádio Difusora, que deixou para coordenar programas de música caipira patrocinados pela Alpargatas. Passou a viajar por todo o Brasil para divulgar Roda de Violeiros, programa que promoveu o primeiro campeonato de amadores, reunindo 3.250 grupos de 512 cidades do país, e revelando diversas duplas de cantores.

Em 1963 foi para a Rádio Bandeirantes, de São Paulo, e aí permaneceu até 1966, quando se aposentou. Na época, sua marcha Mulatinha de caserna foi oficializada pelo então prefeito de São Paulo, Faria Lima, como hino do Carnaval paulista. Em 1967, embora aposentado, exerceu por algum tempo as funções de coordenador de música e versões da Editora Fermata, mas logo se afastou do meio artístico. CD : Ao Capitão FurtadoMarvada viola, 1997, Funarte/ Atração Fonográfica ATR 32019 (Série Acervo da Música Brasileira, n 2).

sábado, 26 de agosto de 2006

Olha o Padilha

Olha o Padilha (samba, 1959) - Ferreira Gomes, Bruno Gomes e Moreira da Silva



Tom: C  

Intr:  Ab  Fm  C  Am  D7  D79 Gaug C9+

                     C                   G7
Prá se topar numa encrenca, basta andar distraído,
               C                             C
Que ela um dia aparece - não adianta fazer prece.
                            C7                    F
Eu vinha anteontem, lá da gafieira, com minha nega Cecília.
- Quando gritaram - Olha o Padilha!
                                   Fm
Antes que eu me desguiasse, um tira forte e aborrecido
    C
Me abotoou, e disse: - Tu és o nonô! Heim?
                    Dm                    G7
“Mas eu me chamo Francisco, trabalho como mouro,
         C
Sou estivador - Posso provar ao senhor.”
                            E7
Nisso o moço de óculos 'Raibam’,
                       Am
Me deu um pescoção: - bati com a cara no chão.
      A7
E foi dizendo, “Eu só queria saber
                                  Dm
Quem disse que és trabalhador. - Tu és salafra, achacador
       F                               G6
Esta macaca ao teu lado, é uma mina mais forte
                      C
Que o Banco do Brasil - Eu manjo ao longe este tiziu”
              Dm                        G7
E jogou uma melancia, pela minha calça adentro,
                       C
A =      Que engasgou no funil, - Eu bambeei, ele sorriu.
             Dm               G7
Apanhou uma tesoura, e o resultado
          C
Desta operação: - É que a calça virou calção
        C7
Na chefatura um barbeiro sorridente
                F
Estava à minha espera. - Ele ordenou: “Raspa o cabelo desta fera”
           Fm
“Não está direito, seu Padilha, me deixar
                   C
Com o coco raspado - Eu já apanhei um resfriado
                Dm                       G7
Isto não é brincadeira, pois o meu apelido era
                  C
Chico Cabeleira.” - Não volto mais à gafieira.

(solo) C  G7  C  C7  F  Fm  C  B  Bb  A7  Dm  G7  C  (A)

(Ele quer ver minha caveira. Eu, heim? Se eu não me desguio a tempo
Ele me raspa até as axilas. O homem é de morte…)  Dm  G7  C9+


Na subida do morro

Clássico do samba de breque, de autoria de Geraldo Pereira, que o compôs especialmente para uma peça teatral apresentada no Morro de Mangueira, onde Geraldo então morava, escrita, dirigida e interpretada por ele mesmo, como número de encerramento. Anos mais tarde, Moreira da Silva comprou de Geraldo Pereira os direitos autorais e de gravação da música por um conto e trezentos.

O lançamento se deu pela Continental, em maio-junho de 1952, disco 16553-B, matriz C-2816, mas no selo original e na edição impressa apareceram apenas os nomes de Moreira da Silva e Ribeiro Cunha (fabricante dos chapéus do cantor), sendo o de Geraldo Pereira omitido.

O próprio Moreira reconhecia ser Geraldo o verdadeiro e único autor de "Na subida do morro", e regravaria a música em outras oportunidades, além de interpretá-la no filme "Maria 38" (1959), de Watson Macedo, estrelado pela sobrinha do cineasta, Eliana (Fonte: Samuel Machado Filho - Youtube).

Na subida do morro (samba, 1952) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha

Disco 78 rpm / Título da música: Na subida do morro / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Orquestra Tabajara (Acompanhante) / Araújo, Severino (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1951-1952 / Nº Álbum 16553 / Lado B / Lançamento: 1952 / Gênero musical: Samba /
  (A)
Na subida do morro, me contaram   (breque)
  A         E7          A       
Que você bateu na minha nega  
             A7 
Isto não é direito
                        ( D )             
Bater numa mulher que não é sua  (breque) 
                   ( D )
Deixou a nega quase crua (breque)
             Dm                           ( A )
 No meio da rua / A nega quase que virou presunto (breque)
                       ( A )                             Bm
Eu não gostei daquele assunto (breque) / Hoje venho resolvido
                        E7        ( A )
Vou lhe mandar para a cidade de pé junto (breque) 
                      ( A ) 
Vou lhe tornar em um defunto
            Db7                          (Gbm) 
Você mesmo sabe que já fui um malandro malvado (breque)
                  (Gbm)                            Gb7
Somente estou regenerado (breque) /  Cheio de malícia
                           ( Bm )          
Dei trabalho à polícia pra cachorro (breque) 
                    (Bm)
Dei até no dono do morro(breque)
             Bm           Db7                  (Gbm)
Mas nunca abusei de uma mulher que fosse de um amigo (breque)
                   (Gbm)                         Bm  
Agora me zanguei consigo(breque) / Hoje venho animado  
                    E7                    ( A )
A lhe deixar todo cortado / Vou dar-lhe um castigo (breque)
Meto-lhe o aço no abdome e tiro fora
 o seu umbigo (breque)
 
“Aí meti-lhe o aço, hum! Quando ele ia caindo disse: 
Moringueira você me feriu; Eu então disse-lhe: É claro,
você me desrespeitou, mexeu com a minha nega. Você sabe 
quem em casa de vagabundo malandro não pede emprego; 
Como é que você vem com xavecada, está armado; eu quero 
é ver gordura que a banha está cara. Aí meti a mão lá 
na duana, na peixeira, é porque eu sou de Pernambuco, 
cidade pequena, porém decente, peguei o Vargolino 
pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e 
fiz-lhe uma tubagem; ele caiu, bum, todo ensanguentado; 
E as senhoras como sempre nervosas: Meu Deus esse homem 
morre, moço. Coitado olha aí está se esvaindo em
sangue; Ora minha senhora, dê-lhe óleo canforado, 
penicilina, estreptomicina crebiosa, engrazida e até
 vacina Salk; Mas o homem já estava frio; Agora o 
malandro que é malandro não denuncia o outro, espera 
para tirar a forra. Então diz o malandro:”
 
              Db7                                 (Gbm)
Vocês não se afobem que o homem desta vez não vai morrer (breque)
                       (Gbm)          
Se ele voltar dou pra valer (breque) 
              Gb7
Vocês botem terra nesse sangue
                     ( Bm )           
Não é guerra / É brincadeira (breque) 
                    ( Bm )
Vou desguiando na carreira (breque)
               Bm   
A jungusta já vem 
          Db7                  ( Gbm )
E vocês digam que eu estou me aprontando ( breque)
                     ( A )              
Enquanto eu vou me desguiando (breque) 
                  Bm
Vocês vão ao distrito
    E7            (  A )
Ao delerusca, se desculpando (breque)  
Foi um malandro apaixonado
                 ( A )
Que acabou se suicidando.

Margarida

Margarida (samba, 1961) - Zózimo Ferreira e Moreira da Silva

Disco LP / Título da música: Margarida / Autoria: Ferreira, Zózimo (Compositor) / Silva, Moreira da (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1961 / Álbum: Malandro em Sinuca / Nº Álbum: MOFB3207 / Lado B / Faixa 06 / Gênero musical: Samba de breque /
Tonalidade: F
Introdução: Bb  C7  Am7 D7  Bb  Am  Gm  C9

       Gm         C7          F
Eu preciso consertar a minha vida,
    Am       Gm   C7            F          Dm7
Que ficou arruinada quando a Margarida me deixou.
         Gm          C7       F
Eu, que nunca havia ido ao pesado,
    Bdim    E7  Am           E         Am
Desta vez fui obrigado a enfrentar o batedor
          C7
- mas que calor

        Gm              C7        F
Fui trabalhar dentro de uma cervejaria,
Dm        Gm          C7        F      
E, em poucos dias, dei o fora no patrão.
F7                       Bb
Trabalhei tanto, que quase levei a breca,
Bdim    F7   D7    Gm    C7      F   A7
Cheguei a ficar careca de tanto chifrar caixão.

    Dm       Dm/C      Bb  
Meu Deus, eu vou me acabar,
A7          Dm   Dm/C
se a Margarida não voltar.
                  A7               
Eu não sei como vai ser,
        D7                     Gm
a minha canja de galinha se acabou.
         C7                      F   
Eu estou cansado de enfrentar o batedor
  A7    Dm
- eu vou morrer.

        Dm/C           Bb          A7           Dm
Fui trabalhar num restaurante prá poder comer bastante.
      A7                         D7
Numa vaga de caixeiro, em pouco tempo,
                 Gm                     C7
Promovido a secretário, porque o proprietário
                F                A7     
Não conhecia dinheiro - era um fuleiro

Dm  Dm/C       Bb        A7         Dm
Ele tinha confiança na minha sinceridade,
Dm/C                A7
E eu trabalhava à vontade.
D7                         Gm               Dm
É, mas se a polícia não descobre, eu ficava rico,
            A7          Dm
E o meu patrão ficava pobre.

Bb  C7  Am7 D7  Gm  Am  Gm  C9

Jogando com o capeta

Jogando com o capeta (samba, 1959) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha

Disco LP / Título da música: Jogando com o capeta / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Fama/CID, 1989 / Álbum: 50 Anos de Samba de Breque / Nº Álbum: 90070 / Lado B / Faixa 06 / Gênero: Samba de breque /
Tonalidade: G

Introdução: C7M  C#° G7M  E7 Am  D7  G7M  D7

          G7M                D7
Jogando baralho, no terreiro grande
               G7M
No meio de homens fortes
- eu estava jogando com a sorte
           G7
Um desconhecido chegou, bem vestido
        C7M
E me pediu o corte
- eu disse-lhe “Jogo até com a morte.
             C#dim
Mas se acaso ganhar, não vá sorrir e nem zombar,
                  G7M     
Que hoje é meu companheiro
                 E7
- não vá levar o meu dinheiro
          Am7                        D7
Não sou brigador, mas se perder e não pagar,
            G7M
Eu vou bater no senhor”
- ele me disse ‘és um terror’

         Am7       D7     G7M
Fiz um macete de valete e dama
- o Vargo perde e não reclama

E diz ‘que lama’
G7                           C7M
Puxou de uma bolada e me desacatou,
- depois a sorte me deixou.

Ele tomou do lesco, e desfolhou
C#dim              G7M  
Fiquei sozinho, sem um companheiro
E7
- porque perderam o seu dinheiro
Am7           
Depois ele sorrindo me disse:
D7                     G7M
‘desista porque eu sou trigueiro.
                 Am7
Eu sou o Chico Tintureiro, o Zé Carneiro’. Fiz
     D7                     G7M
Umas paradas mais eu tinha um peso
- eu já estava quase pronto,
        G7                                C7M
Acabei teso. Puxei minha solinje e fiz o “pelo-sinal”

Ele me disse: ‘isto é que é mal’

“Deus me defenda do senhor”,
   C#dim                G7M  
falei em Deus mas sem má intenção.
          E7     
Mas para mim foi muito bom,
       Am7
porque deu um estouro e sumiu,
    D7             G7M
Era o capeta, mete cabelão
- mas que cheirinho de alcatrão.

Fui ao dentista

Fui ao dentista (samba, 1964) - Sebastião Fonseca e Cícero Nunes

Disco LP / Título da música: Fui ao dentista / Autoria: Fonseca, Sebastião (Compositor) / Nunes, Cícero (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1964 / Álbum: Morengueira 64 / Nº Álbum: MOFB 3385 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba /
Tonalidade: A
Introdução: D  Ebdim  A7M  Gb7  Bbm  E7  A7M  E7
          A7M            Cdim      Bbm
Fui ao dentista, prá chumbar uma panela,
E7                 A7M  G7M
Mais o gajo achou que ela, não podia obturar.
Ab7M   A7M           Bm    Cm     E
Ele me disse, “Vou mudar toda a mobília,
Dbm         Gbm         B7           E7
Tu vais ver que maravilha, Morengueira vai ficar.
Arranco tudo, arranco até o maxilar…”
- Mas doutor, o que está me doendo é o primolar.
Eu acho que vou ter um atrito com o senhor… -
              A7M      Cdim           Bbm
Mas quando eu vi o boticão que ele trazia,
E7                   A7
Minha tripa ficou fria, começou a tremedeira.
D             G           Dbm7
Quem foi que disse que o papai a boca abria,
Gb          Bm7         E7        A7M
Prá espetar a anestesia, na gengiva do Moreira.
Mas tem que ser, queira ou não queira.
Db7                            Gbm
Em vista disso, prá acabar com o meu berreiro,
Db7                        Gbm
O doutor me deu um cheiro, e eu ferrei numa soneca
Db7           Db/B      Gbm
E quando acordo, nem te conto camarada,
Gbm/A        Dbm          Ab7         Db7
Minha boca está chupada, e a gengiva está careca.
Meu panelão levou a breca…
Db7                         Gbm
Enquanto espero, se a gengiva murcha e seca,
Db7                   Gb    Gb7
Prá mudar a perereca, provisória no bocão.
Bbm         E7           A7M
Tudo o que é efe, sai comprido, sai soprado,
Gbm        D7          Db7          Gbm
Que até fico encabulado, com tamanha assopração:
Farora fofa faz fofoca no feijão.

Fenômeno

Fenômeno (samba, 1989) - Joaquim Domingos e Nilton Moreira

Disco LP / Título da música: Fenômeno / Autoria: Moreira, Nilton  (Compositor) / Domingos, Joaquim (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Fama/CID, 1989 / Álbum: 50 Anos de Samba de Breque / Nº Álbum: 90070 / Lado A / Faixa 03 / Gênero: Samba de breque /
Tonalidade: C  
Introdução: F7  Ebdim  C  A7  D7  G7  C  

                  Dm            G7  C           
Doutor des’que nasci, que vivo adoentado.  
           E7                 Am     C7 
Tenho um nariz um tanto avantajado. 
        F      Ebdim        C 
A minha cara é larga prá chuchu,  
      A7           D7                     G7 
o meu queixo até parece uma castanha de cajú. 
Nerusca de ai lóve iou… 

           Dm     G7       C 
É, a minha boca é grande demais,  
          E7                    Am   C7 
e sendo assim, eu sou muito infeliz, 
   F             Ebdim  C 
Doutor, veja por quanto faz,  
A7          D7 G7         C    E7 
uma intervenção, em meu nariz. 

       E7                           Am 
E o doutor olhou prá mim, deu um sorriso, e disse assim: 
          A7             Dm 
 “Você precisa é tomar juízo, vá por mim.  
       Bdim        E7      Am 
Você é forte e tem muita saúde, 
  Am/      B7                      E7 
Você até parece um astro lá de roliúdi…” 

      B7          E7        Am 
Acreditei no lero deste cientista de valor.  
       A#            A7         Dm         Dm/C 
Meti o peito e fui fazer uma conquista de amor, 
          Bdim         E7     Am 
Logo a primeira que chamei de flor,  
       Am/G     F            E7      Am 
me deu um catiripapo e um contra-à-vapor… 
                     C7 
Ai, ai, que dor, ai, ai… 

            Dm      G7           C 
Eu vi anunciado, um tal de seu Macário,  
             E7                  Am     C7 
que tem três filhas em estado precário. 
       F          Ebdim   C        
Meti o peito, e mudei prá lá.  
         A7      D7                     G7 
fui conhecer Maricota, Mariquinha e Maricá 

-É que o velho tem uma nota preta prá gastar,  
e eu estou entusiasmado. 
Desta vez eu vou ficar com aquela faca de (cortar) água morna,  
esterilizada e tudo o mais. 

          Dm     G7         C 
Mas seu Macário usou de franqueza:  
           E7                  Am    C7 
“as minhas filhas não querem beleza, 
      F           Ebdim       C 
Mas você com esta cara que me traz,  
         A7          D7          Db7 
eu tenho visto gente feia, mas assim 
       C  
Já é demais…Desguia Satanás. Que funeragem” 

F7  Ebdim  C  A7  D7  G7  C  C7 F7  
Ebdim  C  A7  D7  G7  C6 

Dormi no molhado

Dormi no molhado (samba, 1942) - Moreira da Silva, Tancredo Silva e Ribeiro Cunha

Disco 78 rpm / Título da música: Dormi no molhado / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Tancredo (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1942 / Nº Álbum 12144 / Lado A / Gênero musical: Samba choro /
Tonalidade: C

Introdução: F Ebdim C Am7 Dm7 G7 C Am7 Dm7  G7  C

                    C            G7                C
Eu quando vejo um rapaz, da sua idade estendendo a mão –
Dele não tenho compaixão
              C                       C7  
Porque não me conformo ver um homem de talento
                F
não querer trabalhar

Sente, meu velho, tou mais duro do que beira de sino,
Vê se tu me arranja uma nota aí prá pegar um prato feito
É, um P. F. um aparelho da zona acumulada.
        F                       Fm
Eu também já passei fome, já sofri e não morri,
               C                             Am7
Estou aqui de lição - e ninguém vai dizer que não.
                Dm7                   G7
Eu já dei atrapalhado, eu já andei afanado,
                   C
Mas nunca pedi tostão - acho que estou com a razão.
                                    G7
Eu enfrentei uma marreta, na pedreira São Diogo,
                           C
Quebrando pedra roliça - passando a pão e a linguiça.
                        C7                        
Dormia no cais do porto, no meio da sacaria,
              F
onde o rato dormia –
                   Fm
Onde ventava e chovia. Quando o dia amanhecia,
vinha o chefe da limpeza,
          C                         Am7
Jogando água fria - vejam só como eu saía.
         Dm7                       G7
Sem café e sem cigarro, sem saber prá onde ia,
                     C
Sem tostão e sem vintém - mas nunca pedia a ninguém.
                      G7
Cortei asfalto na linha, fui vendedor de galinha,
                      C
Carreguei cesto na feira - eu fui garçom de gafieira.
                          C7    
Comia numa vendinha, que só fritavam sardinha,
                    F
Com azeite de lamparina - eu só cheirava a gasolina.
                      Fm
Fui peixeiro, carvoeiro, fui carteiro, fui bicheiro
                C                            Am7
Apanhei como ladrão - mas não mudei de opinião.
                 Dm7                        G7
E como sou caprichoso, hoje me sinto outro homem,
                  C
Até já mudei meu nome
- oi, já me disseram até que eu virava lobisomem.
F  Ebdim  C  Am7  Dm7  G7  C  Am7  Dm7  G7  C