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domingo, 20 de janeiro de 2008

Mula baia

Raul Torres
Mula Baia - Raul Torres, Serrinha e Rieli

Fazenda Belo Horizonte / Uma tropa ali chegou
Que vinha do Indaiá / Ali a tropa pousou
Nego Plácido viu a tropa / Da mula baia gostou
Criola de São Junqueira / Fechou negócio e comprou

E foi nessa hora mesmo / Nego Plácido falou
Pregue o sêlo no recibo / O dinheiro ele puchou
Botou a besta no pasto / Êle mesmo que amansou
E no fim de quinze dias/ Na cidade ele passeou
Levou a besta na cidade / Foi ferrar lá no ferreiro
Lá na cidade de Franca / O povo ficou banzê
De vêr a marcha da besta / Pisando muito ligeira
Batia a ferragem nas pedras / Parecia fogo de isqueiro

No lugar que ele passava/ Causava adimiração/ Nego Plácido montado
Parecia o Napoleão/ No pescoço lenço branco/ Bombacha de gorgurão
Era de marcha trotada/ Ferradura de rompão

Lá na cidade de Franca/ êle é um grande fazendeiro/ Tem fazenda com invernada
Ele é um grande boiadeiro/ No estado de Goiás/ No Triângulo Mineiro
Prá comprar treis mil cabeça/ Ele tem muito dinheiro
Na barranca do Rio Grande/ Uma boiada chegou/ Tinha quase mil cabeça
Nego Plácido comprou/ No fazer a travessia/ A correnteza levou
No meio daquele rio/ A boiada esparramou

O nego vendo o perigo/ Co'a mula baia gritou/ Atirou a baia n'água
E o laço na mão levou/ Mesmo no meio do rio/ Muitos bois ele laçou
No lombo da mula baia/ A sua boiada ele salvou.

Do lado que o vento vai

Raul Torres
Do Lado Que o Vento Vai (1939) - Raul Torres e Serrinha

Adeus, morena! Eu vou
Do lado que o vento vai
Amanhã, muito cedinho,
Peço a bênção dos meus pais.

Me fizeram judiação,
É coisa que não se faz!
Adeus, morena! Eu vou,
Adeus, eu vou pro sertão de Goiás!

Na passagem da porteira
Quem achar um lenço é meu,
Que caiu da algibeira
No pulo que o macho deu.

Quando de ti me afastei,
No Riacho da Alegria,
Tanto os meus olhos choravam,
Como o riacho corria...

Boiada cuiabana

Raul Torres
Boiada Cuiabana (1937) - Raul Torres e Serrinha

Vou contar a minha vida
Do tempo que eu era moço
Duma viagem que eu fiz
Lá no sertão do Mato Grosso
Fui buscar uma boiada
Isto foi no mês de agosto.

Meu patrão foi embarcado
Na linha Sorocabana
Capitais da comitiva
Era o Juca Flor da Grama
Foi tratado pra trazer
Uma boiada cuiabana.

Eu sai de Lambary
Na minha besta Ruana
Só depois de 30 dias
Que cheguei em Aquidauana
Lá fiquei enamorado
Duma malvada baiana.

No baio foi João Negrão
No tordilho Severino
Zé Garcia no Alazão
No Pampa foi Catarino
A madrinha e o cargueiro
Quem puxava era um menino.

Na volta de Campo Grande
No cassino foi entrando
Uma linda paraguaia
Na mesa estava jogando
Botei a mão na gibeira
Dinheiro estava sobrando.

Ela mandou me dizer
Pra mim que fosse chegando
Eu virei e disse pra ela
Vai bebendo eu vou pagando
Eu joguei nove partida
Meu dinheiro foi andando.

De Campo Grande parti
Com a boiada cuiabana
Meu amor veio na anca
Da minha besta Ruana
Hoje eu tenho quem me alegre
Na minha velha choupana.

Cigana

Raul Torres
Cigana (1937) - Raul Torres e Serrinha
A                                                  
Um dia uma cigana leu a minha mão    -------     
F#m                                         dedilhado
Falou que o destino do meu coração   -------     
D                          A  E                          
Daria muitas voltas, mas ia encontrar você
A
Eu confesso que na hora duvidei
F#m  
Lembrei de quantas vezes eu acreditei
D                        A                
Mas não dava certo, não era pra acontecer
F#m              C#m
Foi só você chegar, pra me convencer
D                        A    Ab
Estava escrito nas estrelas, que eu ia te conhecer
F#m            C#m
Foi só você me olhar, que eu me apaixonei
D          Bm   
Valeu a pena esperar, esse é o grande amor,
E
Que eu sempre sonhei
A        F#m    
Vou te amar, pra sempre vou te amar
D                                  A  E
Quero seu carinho, sua boca pra beijar
A         F#m  
Vou te amar, pra sempre vou te amar
D                      A
Tudo que eu preciso, só você pode me dar

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Serrinha


Serrinha (Antenor Serra), cantor e compositor, nasceu em Botucatu SP no dia 26 de Junho de 1917, e faleceu em 19 de Agosto de 1978. Aprendeu a tocar viola com Lopinho, famoso violeiro da região. Aos 15 anos já fazia serenatas e animava as festas de seu bairro. Em 1935 foi trabalhar na antiga estrada de ferro sorocabana.


Transferiu-se para São Paulo SP a pedido de seu tio, que também trabalhava na estrada de ferro, mas que se apresentava em rádios e shows. Aí se hospedou em uma das pensões no bairro de Santa Cecília, tendo como companheiro de quarto Marino Rabelo, o Caboclinho com quem formaria dupla. Tempos depois começou cantando emboladas na Rádio Cosmos, fazendo a segunda voz para Raul Torres.

No final dos anos de 1930, antes de formar definitivamente a dupla gravou ao lado de Caboclinho uma primeira música, Cavalo Zaino. Em 1937 lançou pela Odeon em parceria de Nhá Zefa as músicas A coisa mió do mundo e Coração dos meus penares ambas de sua autoria. No mesmo ano em dupla com Raul Torres gravou na Victor a moda de viola Cigana e em seguida Boiada cuiabana que se transformou em grande sucesso da dupla Tonico e Tinoco.

Ainda em 1937 formou um trio com Raul Torres e Caboclinho exclusivamente para fazer a primeira gravação de Saudades de Matão (Francana). Em 1938 a dupla foi contratada pela Rádio Record de São Paulo, lançando em disco no ano seguinte, as toadas Do lado que o vento vai e Meu cavalo zaino.

Em seguida formou o conjunto sertanejo Torres, Serrinha e Rieli, que atuou por cinco anos na Rádio Record e lançou inúmeras canções, entre as quais Chora morena, chora, Caboclo magoado, Caipira namorador, Zé turuna e Mula baia, todas pela RCA Victor. Na mesma época, na Odeon, gravou com Raul Torres Mourão de porteira, Campo Grande, Sexta – feira 13 e O rei mandou me chamar, entre outras.

Em 1943 fizeram na Continental as últimas gravações como dupla: A Copa do mundo, Meus padecimentos, Moda do viaduto e Quero vê . . . quero oiá todas de sua autoria. Nesse mesmo ano rompeu parceria com Raul Torres e formou dupla com Marino Rabelo, a dupla Serrinha e Caboclinho. A dupla se consagrou logo de início, obtendo o primeiro lugar no programa A hora da peneira na rádio Excelsior. Com o prêmio gravou um disco na RCA – Victor do Rio de Janeiro.

Depois a dupla passou a se apresentar acompanhada do acordeonista Riellinho, ganhando o apelido de “O trio mais querido do Brasil”. Entre 1944 e 1961 , a dupla apresentou um programa na Rádio Tupi. Um dos maiores sucessos da dupla foi Bom Jesus de Pirapora.

Em 1954 Serrinha e Caboclinho gravaram na Continental o tango brejeiro Abandonado. Ainda neste ano, com a morte prematura de Caboclinho, Serrinha e Riellinho passaram a se apresentar com o Zé do Rancho, até Serrinha se aposentar em 1968.


Fonte: Revivendo Músicas - Biografias.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Meu cavalo zaino


Meu Cavalo Zaino (valsa sertaneja, 1939) - Raul Torres - Interpretação: Raul Torres e Serrinha

Disco 78 rpm / Título da música: Meu Cavalo Zaino / Raul Torres (Compositor) / Raul Torres e Serrinha (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Ano: 1939 / Álbum: 34.478 / Lado A / Gênero musical: Valsa / Regional / Sertanejo


Tom: E

E
Eu tenho um cavalo zaino,
        A           E
que na raia é corredor.
 E
Ja correu quinze carreiras,
        A           E
todas quinze ele ganhou.
A
Eu solto na quadrimeira,
                  E
meu zaino vem no galope.
A
Chega três corpos na frente,
                 E
nunca precisa chicote.

(refrão)
B
Ooooi,
           E
que cavalo bom.
B
Ooooi,
           E
que cavalo bom.

E
Eu tenho um cavalo zaino,
       A            E
que na raia é corredor.
E
Ja correu quinze carreiras,
      A             E
todas quinze ele ganhou.
A
Quiseram comprar meu zaino
                    E
por trinta notas de cem.
A
Não há dinheiro que pague
                     E
o macho que eu quero bem.

(refrão)
E
Eu tenho um cavalo zaino,
       A            E
que na raia é corredor.
E
Ja correu quinze carreiras,
      A             E
todas quinze ele ganhou.
A
Um dia roubaram meu zaino,
                    E
fiquei sem meu paranheiro.
A
Meu zaino na mão de outro,
                    E
nunca mais chega primeiro.

(refrão)

Meu cavalo zaino


Meu Cavalo Zaino (valsa sertaneja, 1939) - Raul Torres - Interpretação: Raul Torres e Serrinha

Disco 78 rpm / Título da música: Meu Cavalo Zaino / Raul Torres (Compositor) / Raul Torres e Serrinha (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Ano: 1939 / Álbum: 34.478 / Lado A / Gênero musical: Valsa / Regional / Sertanejo


Tom: E

E
Eu tenho um cavalo zaino,
        A           E
que na raia é corredor.
 E
Ja correu quinze carreiras,
        A           E
todas quinze ele ganhou.
A
Eu solto na quadrimeira,
                  E
meu zaino vem no galope.
A
Chega três corpos na frente,
                 E
nunca precisa chicote.

(refrão)
B
Ooooi,
           E
que cavalo bom.
B
Ooooi,
           E
que cavalo bom.

E
Eu tenho um cavalo zaino,
       A            E
que na raia é corredor.
E
Ja correu quinze carreiras,
      A             E
todas quinze ele ganhou.
A
Quiseram comprar meu zaino
                    E
por trinta notas de cem.
A
Não há dinheiro que pague
                     E
o macho que eu quero bem.

(refrão)
E
Eu tenho um cavalo zaino,
       A            E
que na raia é corredor.
E
Ja correu quinze carreiras,
      A             E
todas quinze ele ganhou.
A
Um dia roubaram meu zaino,
                    E
fiquei sem meu paranheiro.
A
Meu zaino na mão de outro,
                    E
nunca mais chega primeiro.

(refrão)

Ranchinho abandonado

João Pacífico
Ranchinho abandonado (1939) - Raul Torres e João Pacífico - Intérprete: Cia. Coral

Disco 78 rpm / Título da música: Ranchinho Abandonado / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1939 / Álbum: 34.425 / Lado B / Gênero musical: Regional / Sertanejo / Gravação indisponível.

LP João Pacífico / Título da música: Ranchinho Abandonado / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Cia. Coral (Intérprete) / Gravadora: Independente / Ano: 1990 / Álbum: 804.105 / Lado A / Faixa 3:



Você deixou o nosso ranchinho abandonado
Vive tão triste o coitado
Que dá pena até de ver.
Quando anoitece,
Bate a lua no caminho,
E eu lá dentro tão sozinho
Fico pensando em você
Pego a viola pra esquecer a minha mágoa
E os meus olhos rasos d'água
Que não cansam de chorar.
Eu vou cantando o soluço e a saudade,
Porque a felicidade
Hoje eu não posso cantar
E o ranchinho continua aqui tristonho,
Acabou-se o antigo sonho,
Veio a tristeza morar.
Em seu lugar só restou essa viola
Que a minha dor consola
Quando, às vezes, me vê chorar.
Pego a viola pra esquecer a minha mágoa,
E o s meus olhos rasos d'água
Que não cansam de chorar.
Eu vou cantando o soluço e a saudade,
Porque a felicidade
Hoje eu não posso cantar.

Pingo d'água


Pingo d'água (toada, 1944) - João Pacífico e Raul Torres - Intérprete: Raul Torres e Florêncio

Disco 78 rpm / Título da música: Pingo D'Água / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres e Florêncio (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1944 / Álbum: 80-0203 / Lado B / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo / Gravação indisponível.

LP Cavalo Zaino - Raul Torres e Florêncio / Título da música: Pingo D'Água / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres e Florêncio (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Ano: 1981 (Reedição de 1959) / Álbum: CLP 2011 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo:


Tom: G
(intro) ( G D7 G C D7 G )

            D7                           G
Eu fiz promessa pra que deus mandasse chuva
                     D7                 G
Pra cresce a minha roça e vingá as criação
              D7                 G
Pois veio a seca e matô meu cafesá
                  D7                G   ( G D7 G C D7 G )
Matô tudo meu arroz e seco tudo algodão

          D                    G
Nessa coieita meu carro ficô parado
                  D7                     G
Minha boiada carreira quasi morre sem pastá
           D7                           G
Eu fiz promessa que o primeiro pingo d'água
                    D                        G ( G D7 G C D7 G )
Eu moiava as frô da Santa que tava em frente do altá.

        D7                         G
Eu esperei uma semana, um mês inteiro.
                  D7                    G
A roça tava são seca, dava pena até de vê
         D7                      G
Oiava o céu, cada nuvem que passava.
              D7                              G ( G D7 G C D7 G )
Eu da santa me lembrava, pra promessa não esquecê

            D7                 G
Em pouco tempo a roça ficou viçosa
                 D7                      G
As criação já pastava, floresceu meu cafesá
          D7                           G
Fui na capela e levei treis "PINGO D'ÁGUA"
                     D7
Um foi o pingo da chuva...
                  G
Dois caiu do meu oiá...

Colcha de retalhos

Cascatinha-Inhana
Colcha de retalhos - Raul Torres - Interpretação: Cascatinha e Inhana

Disco 78 rpm / Título da música: Colcha De Retalhos / Raul Torres (Compositor) / Cascatinha e Inhana (Intérprete) / Gravadora: Todamérica / Ano: 1959 / Álbum: TA-5.803 / Lado B / Gênero musical: Regional / Sertanejo.


Tom: E

E
Aquela colcha de retalhos que tu fizeste
                                   B7
Juntando pedaço em pedaço foi costurada
Serviu para nosso abrigo em nossa pobreza
   E               B7                   E    E7
Aquela colcha de retalhos está bem guardada
  A
Agora na vida rica que estas vivendo
                               E
Terás como agasalho colcha de cetim
                                        B7
Mas quando chegar o frio no teu corpo enfermo
                                         E    B7
Tu hás de lembrar da colcha e também de mim
    E
Eu sei que hoje não te lembras dos dias amargos
                                     B7
Que junto de mim fizeste um lindo trabalho
E nessa sua vida elegre tens o que queres
    E                  B7                  E     E7
Eu sei que esqueceste agora a colcha de retalhos
  A
Agora na vida rica que estas vivendo
                               E
Terás como agasalho colcha de cetim
                                        B7
Mas quando chegar o frio no teu corpo enfermo
                                         E  B7  E
Tu hás de lembrar da colcha e também de mim

Cabocla Tereza

Raul Torres-Serrinha
Cabocla Tereza - João Pacífico e Raul Torres - Interpretação: Raul Torres e Serrinha

Disco 78 rpm / Título da música: Cabocla Tereza / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres e Serrinha (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1940 / Álbum: 34.642 / Lado B / Gênero musical: Regional / Sertanejo.


Tom: A-D
Introd.:(E E/G# A A/C# E D C#m Bm A)

(E E/G# A A/C# E D C#m Bm A)-Solo

Lá no alto da montanha / Numa casa bem estranha
Toda feita de sapê / Parei uma noite o cavalo
Pra mode de dois estalos / Que ouvi lá dentro bater
Apeei com muito jeito / Ouvi um gemido perfeito
Uma voz cheia de dor: "Você, Tereza, descansa 
jurei de fazer vingança / pra mode do meu amor."
Pela réstia da janela / Por uma luizinha amarela
De um lampião apagando / Vi uma cabocla no chão
E um cabra tinha na mão / Uma arma alumiando
Virei meu cavalo a galope / Risquei de espora e chicote
Sangrei a anca do tal / Desci a montanha abaixo
E galopeando aquele macho / O seu doutor fui chamar
Voltemos lá pra montanha / Naquela casinha estranha
Eu e mais seu doutor / Topei um cabra assustado
Que chamando nós prum lado / A sua história contou

A D/A A D/A

    A        D         A
Há tempo eu fiz um ranchinho
                     E7
Pra minha cabocla morar
           D        E7
Pois era ali nosso ninho
     D     E7      A
Bem longe deste lugar
         D        A
No alto lá da montanha
                  E7
Perto da luz do luar
        D      E7
Vivi um ano feliz
     D    E7        A
Sem nunca isso esperar

Solo: G/B A/C# D G/D D G/D

D          G       D
  E muito tempo passou
                       A7
Pensando em ser tão feliz
         G        A7
Mas a Tereza, doutor
   G   A7       D
Felicidade não quis
               G       D
Pus meu sonho neste olhar
                   A7
Paguei caro o meu amor
             G        A7
Por causa de outro caboclo
     G         A7     D
Meu rancho ela abandonou

Solo: D A E7 A D/A A D/A

    A      D         A
Senti meu sangue ferver
                  E7
Jurei a Tereza matar
        D        E7
O meu alazão arriei
  D       E7       A
E ela eu fui procurar
       D        A
Agora já me vinguei
                  E7
É esse o fim deste amor
        D         E7
Essa cabocla eu matei
    D         E7       A
É a minha história, doutor

Mourão da porteira

Raul Torres-Serrinha
Mourão da porteira - Raul Torres e João Pacífico - Intérprete: Raul Torres e Serrinha

Disco 78 rpm / Título da música: Mourão da Porteira / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres e Serrinha (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1942 / Álbum: 12.122 / Lado B / Gênero musical: Regional / Sertanejo.


Tom: E 

  E                       B7
Lá no mourão esquerdo da porteira.
   A        B7           E
Onde encontrei você pra despedi.
                        B7
É uma lembrança minha derradeira.
       A        B7      E
É um versinho que eu nele escrevi
                        B7
Você eu sei passa esbarrando nele.
    A      B7           E
E a porteira bate pra avisá.
E                              B7
Você não lembra que sinal é aquele.
                 A     B7  E
E nem se quer se alembra de oiá.
E                            B7
Aqui tão longe eu pego na viola.
               A      B7     E
E aquele verso começo a cantá.
                             B7
Uma saudade é dor que não consola.
               A       B7      E
Quanto mais dói a gente quer lembrá.
E                              B7
Você talvez não sabe o que é saudade.
              A        B7      E
Uma lembrança você nunca sentiu.
                               B7
Pois esquecer as vêiz tenho vontade.
             A      B7      E
Essa vontade o meu peito feriu.
                       B7
No dia que doê seu coração.
             A     B7       E
De uma saudade que tanto sentiu.
                    B7
Você chorando passa no mourão.
           A       B7       E
E lê o verso que eu nele escrevi

Chico Mulato

Raul Torres
Chico Mulato (toada, 1937) - João Pacífico e Raul Torres - Interpretação: Raul Torres

Disco 78 rpm / Título da música: Chico Mulato / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres (Intérprete) / Raul Torres, João Pacífico e Sua Embaixada (Participantes) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1937 / Álbum: 34.196 / Lado B / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo / A regravação abaixo é com Raul torres e Florêncio do LP "Cavalo zaino" de 1959 pela chantecler ClP-2.011:


Tom: C
Declamado: 
 
Na volta daquela estrada 
Bem em frente uma encruzilhada 
Todo ano a gente via / Lá no meio do terreiro 
A imagem do padroeiro / São João da Freguesia 
 
Do lado tinha a fogueira / Em redor a noite inteira 
Tinha caboclo violeiro / E uma tal de Terezinha 
Cabocla bem bonitinha / Sambava nesse terreiro 
 
Era noite de São João / Estava tudo no serão 
Estava Romão, o cantador / Quando foi de madrugada 
Saiu com Tereza pra estrada / Talvez, confessar seu amor 
 
Chico Mulato era o festeiro / Caboclo bom, violeiro 
Sentiu frio seu coração / Rancou da cinta o punhal 
E foi os dois encontrar / Era o rival, seu irmão 
 
Hoje na volta da estrada / Em frente àquela encruzilhada 
Ficou tão triste o sertão / Por causa de Terezinha 
Essa tal de caboclinha / Nunca mais teve São João  

C        G7          G#º        C/G
21 10 15 13 11 23 20 30 43 40 41 42 
     A/G Dm                    F  G  C 
21 10 15 13 11 10 13 11 23 20 32 20 21 
         G7 
10 11 12 13 
42 40 41 42
 
   C                   Dm 
Tapera de beira da estrada 
     G7              C 
Que vive assim descoberta 
     F                   G7 
Por dentro não tem mais nada 
            G/F   C      G7 
Por isso ficou deserta 
   C            Dm 
Morava Chico Mulato 
   G7            C 
O maió dos cantadô 
      F                 G7 
Mas quando Chico foi embora 
         G/F        C 
Na vila ninguém sambou 
   F            G7 
Morava Chico Mulato 
        G/F      C    G7 
O maió dos cantadô. 
 
   C               Dm 
A causa dessa tristeza 
   G7             C 
Sabida em todo lugar 
 F               G7 
Foi a cabocla Tereza 
            G/F      C    G7 
Com outro ela foi morar 
      C           Dm 
E o Chico acabrunhado 
    G7            C 
Largou até de cantar 
   F              G7 
Vivia triste e calado 
          G/F     C 
Querendo só se matar 
      F           G7 
E o Chico acabrunhado 
         G/F      C     G7 
Largou até de cantar. 
 
  C               Dm 
Emagrecendo o coitado 
    G7              C 
Foi indo até se acabar 
    F                G7 
Chorando tanto a saudade 
              G/F         C    G7 
De quem não quis mais voltar 
   C             Dm 
E todo mundo chorava 
   G7            C 
A morte do cantador 
     F 
Não tem batuque, 
     G7 
Nem samba 
         G/F      C 
Sertão inteiro chorou 
    F            G7 
E todo mundo cantava 
         G/F     C 
A morte do cantador. 

quarta-feira, 3 de maio de 2006

A moda da mula preta

Por alguns anos o disco que mais dividendos rendeu a Luiz Gonzaga foi "A Moda da Mula Preta", um autêntico recordista de vendagem. E o surpreendente é que esta moda-de-viola nem inédita era na ocasião, pois já havia sido lançada por Raul Torres e Florêncio em 1945.

Recolhida do folclore mineiro pelo próprio Torres, a peça conta em quatro partes a história de uma certa mula, ensinada e manhosa, que morre no verso final picada por uma cobra. Só que a história é contada com muita graça - e aí esta a razão do sucesso - sobre uma melodia repetitiva, fácil de memorizar. "A Moda da Mula Preta" foi na época um dos raros casos de música sertaneja a fazer sucesso em todo o país.

A moda da mula preta (moda de viola, 1948) - Raul Torres - Intérprete: Luiz Gonzaga

Disco 78 rpm / Título da música: Moda da mula preta / Raul Torres (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 16/02/1947 / Lançamento: 04/1948 / Nº do Álbum: 80-0580 / Nº da Matriz: S-078827-1 / Gênero musical: Moda de viola



A ----------------------------------------------------E7
Eu tenho uma mula preta tem sete palmos de altura
----------------------------------------------A---- E----- A
A mula é descanelada, tem uma linda figura
-----------------------------------------------E7
Tira fogo na calçada no rampão da ferradura
--------------------------------------------A---- E------ A
Com morena delicada, na garupa faz figura
-------D ----------E7 --------------------A ------E7 ------A
A mula fica enjoada, pisa só de andadura
------------------------------------------E7
Ensino na criação vejo quanto ela regula
-------------------------------------------------A----- E----- A
O defeito do mulão se eu contar ninguém calcula
-------------------------------------------------E7
Moça feia e marmanjão na garupa a mula pula
-----------------------------------------------A
Chega a fazer cerração todo pulo desta mula
------------D --------E7 -------------------A---- E------ A
Cara muda de feição, sendo preto fica fula
-------------------------------------------------E7
Eu fui passear na cidade só numa volta que dei
-----------------------------------------------A------ E--------- A
A mula deixou saudade no lugar onde passei
--------------------------------------------------E7
Pro mulão de qualidade, quatro milhões injeitei
--------------------------------------------A------ E -------A
Pra dizer a verdade, nem satisfação eu dei
----------D ---------E7---------------------- A------ E ------A
Fui dizendo boa tarde pra minha casa voltei
-------------------------------------------------E7
Soltei a mula no pasto veja o que me aconteceu
---------------------------------------------A----- E------- A
Uma cobra venenosa a minha mula mordeu
--------------------------------------------------E7
Com o veneno desta cobra a mula nem se mexeu
-----------------------------------------------------A----- E ------A
Só durou umas quatro horas depois a mula morreu
---------D --------------E7 ----------------------A------ E------- A
Acabou-se a mula preta que tanto gosto
me deu


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

domingo, 9 de abril de 2006

Raul Torres

Raul Montes Torres, cantor e compositor, nasceu em Botucatu SP (11/7/1906) e faleceu em São Paulo SP (12/7/1970). Filho de espanhóis, nasceu e foi criado na cidade paulista de Botucatu, onde participava de pagodes e quermesses com amigos, cantando modas-de-viola. 


Para ingressar profissionalmente na vida artística, foi para São Paulo, arranjando de início emprego de cocheiro, com ponto no Jardim da Luz, mas cantava sempre que surgisse oportunidade, em cabarés, circos, teatros e bares. Ouvindo os sucessos da época, como Augusto Calheiros, Turunas da Mauricéia e Jararaca e Ratinho, mudou o estilo de cantar, adotando o gênero nordestino, principalmente as emboladas, que faziam grande sucesso.

Em 1927 entrou para a Rádio Educadora Paulista (depois Gazeta), que pela primeira vez reunia um elenco popular, em que figuravam Paraguaçu, Pilé, o violonista Canhoto e Arnaldo Pescuma, entre outros. No ano seguinte, com a inauguração da Rádio Cruzeiro do Sul (depois Piratininga), foi convidado a atuar no seu elenco, ao lado de Paraguaçu e Arnaldo Pescuma.

Em 1927 gravou seu primeiro disco no selo Brasilphone, de São Paulo, com a embolada Segura o coco, Maria e o samba Verde e amarelo, ambos de sua autoria. Na Columbia lançou, de sua autoria, Olha o rojão, além de Mauricéia (A. Portela e Marabá), com o Regional do Canhoto, Belezas de minha terra (com José Val) e O que tem o cotia e A festa do sapo (ambas de sua autoria). Nessa gravadora, em 1930 e 1931, na série caipira de Cornélio Pires, gravou com o pseudônimo de Bico Doce, acompanhado de Sua Gente do Norte, Galo sem crista, de sua autoria, e mais três composições.

No mesmo período, gravou também na Parlophon, com o nome de Raul Torres e os Turunas Paulistas, no gênero moda-de-viola, várias de suas composições, entre as quais Rola rolinha (com Atílio Grany), Oi Juvená, Caipira no mercado (com Atílio Grany e Arnaldo Pescuma), e o grande sucesso Olhos de morena, com acompanhamento do conjunto Os Chorões. Além dessas, a consagrada embolada Jacaré no caminhão, Saudade de Rio Pardo, interpretada em dupla com Azulão (Artur Santana), também apresentada na cena cômica de Genésio Arruda Uma festa no arraial. Destacaram-se ainda interpretações suas como o cateretê Não zanga comigo não (Nair Mesquita), gravado em dupla com a autora, pela Columbia, que passou a Continental posteriormente.

Em 1933 gravou pela Odeon Sereno cai, toada, com coro de Francisco Alves, Castro Barbosa, Moreira da Silva, Jaime Vogeler e Jonjoca, e a embolada Pisei no rabo do tatu. Lançou ainda a embolada Sururu no galinheiro e o jongo A morte de um cantador (ambas de sua autoria), interpretadas em dueto com Nestor Amaral. No mesmo ano conheceu João Pacífico, com quem formou dupla vocal, gravando, na Odeon, acompanhado pelo seu conjunto Embaixada, a embolada Seu João Nogueira, de autoria da dupla. Com a Embaixada lançou ainda Balança os cacho, sinhá, embolada do compositor e caricaturista cearense Manuel Queirós, e o clássico da música sertaneja Mestre carreiro (de sua autoria). Depois, formou um duo com seu velho amigo, de Botucatu, Joaquim Vermelho, com quem gravou na Odeon as modas-de-viola A codorninha e Sistema americano, composições da nova dupla, e Caninha verde (com Luís Machado). Com Florêncio, lançou em disco Apelido dos jogadores (com Palmeira).

Em 1935 gravou na Columbia a marchinha Dona Boa (Adoniran Barbosa e J. Aimberê) e, na Odeon, sua composição A cuíca tá roncando, batucada, sucesso no Carnaval carioca desse ano e premiada em Portugal. Transferiu-se em 1937 para a Victor, na qual, em dupla com seu sobrinho Antenor Serra, o Serrinha, gravou Cigana, moda-de-viola de sua autoria, com João Pacífico, a toada Chico Mineiro (Tonico e Tinoco e Francisco Ribeiro) e a moda-de-viola Adeus campina da serra (com Cornélio Pires). Depois, novamente em dupla com Serrinha, lançou a moda-de-viola Boiada cuiabana (de sua autoria), que se transformou em grande sucesso da dupla Tonico e Tinoco. Gravou ainda a famosa valsa Saudades de Matão (com Jorge Galati e Antenógenes Silva), em que formou trio com Serrinha e Mariano.

Em 1938, em dupla com Serrinha, gravou sua composição Balanceiro da usina, embolada, sendo, no mesmo ano, contratado pela Rádio Record de São Paulo. No ano seguinte, a dupla lançou em disco as toadas Do lado que o vento vai e Meu cavalo zaino, (ambas de sua autoria).

Em 1940, com João Pacífico, gravou Cabocla Tereza, Minas Gerais, toada, e A mulher e o trem, moda-de-viola, todas de autoria da dupla, o cateretê de sua autoria Trem de ferro, e a marcha Tem boi na linha (com Rui Martins). No ano seguinte, com Serrinha, lançou sua composição Mingirinha, de grande sucesso, e, em 1942 na Odeon, suas composições Mourão de porteira (com João Pacífico), grande sucesso, Campo Grande, Mulambaia, Conceição (com Aparício Cerqueira), Sexta-feira 13 (com Capitão Furtado), O rei mandou me chamar (autoria da dupla), Cadê minha morena (com João Pacífico) e Vamos pra São Manuel, entre outras. No ano seguinte, foram feitas na Continental as últimas gravações da dupla Raul Torres e Serrinha, como A Copa do Mundo, Meus padecimentos, Moda do viaduto e Quero vê... quero oiá (todas de sua autoria).

Depois de separados, tio e sobrinho ainda vieram a gravar as composições de sua autoria Cheguei na casa da véia, Eu fui passiá em São Paulo e Quando eu cantei no rádio. Formou então nova dupla, com João Batista Pinto, o Florêncio (Barretos SP 1910-), com quem já havia gravado dez anos antes, lançando em disco, em 1944, Pingo d'água e depois A moda da mula preta, clássicos da música sertaneja (ambas com João Pacífico).

A partir de 1945 fez poucas gravações, como Feijão queimado (com José Rielli), arrasta-pé de grande sucesso, principalmente nas festas caipiras, e posteriormente Enquanto a estrela brilhar (com João Pacífico).

Deixou em 78 rotações cerca de 204 discos com 398 gravações. Passou a dedicar-se mais ao rádio e fez na Rádio Record, de São Paulo, o programa Os Três Batutas do Sertão, formando o trio de mesmo nome inicialmente com Florêncio e José Rielli, e a partir de 1947, com Florêncio e Rielli Filho (Emílio Rielli).

Sua consagrada composição Mestre carreiro foi interpretada no filme Sertão em festa (Osvaldo de Oliveira, 1970), por Tião Carreiro e Pardinho. Em 1970, gravou com Os Três Batutas do Sertão, pela gravadora Vitória, o LP O maior patrimônio da música sertaneja, vindo a falecer alguns dias depois.

Algumas músicas


Veja também:


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

terça-feira, 21 de março de 2006

Saudades de Matão

Raul Torres
Até 1920, quando Saudades de Matão já se tornara bem conhecida, pouco se sabia sobre sua autoria, sendo por alguns considerada tema popular. Então, através da revista A Lua, de São Paulo, Jorge Galati foi identificado como autor da composição (na foto: Raul Torres que fez a letra da valsa).

Nascido na província de Catanzaro (Itália) cm 1885, ele chegou ao Brasil cinco anos depois, quando a família transferiu-se da Europa para São Carlos do Pinhal (SP). Daí em diante, até sua morte em 1969, viveria em diversas cidades paulistas sempre levado por suas atividades musicais.

Assim, após estudar música em São José do Rio Pardo, já exercia com apenas 19 anos a função de mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Foi aí, em 1904, que compôs a celebre valsa, originalmente intitulada Francana e que depois, à sua revelia, passou a chamar-se Saudades de Matão. A troca do título aconteceu por volta de 1912, sendo responsável pela mudança Pedro Perches de Aguiar, na época músico em Taquaritinga.

Em 1949, quando Saudades de Matão transformada em sucesso nacional já rendia bons dividendos artísticos e pecuniários, o mesmo Perches resolveu reivindicar sua autoria, estabelecendo-se grande polêmica na imprensa e no rádio.

O assunto mereceu de Almirante rigorosa pesquisa, havendo em seu arquivo variada documentação a favor de Jorge Galati. Há, por exemplo, uma declaração, registrada em cartório, do Sr. Pio Corrêa de Almeida Morais, prefeito de Araraquara em 1904, que afirma ter ouvido muitas vezes naquele ano Galati interpretar a valsa Francana.

Mas, segundo Galati, apareceram ainda no decorrer do tempo outros pretendentes à autoria da valsa, como Antonio Carreri, José Carlos Piedade, Protásio Tomás de Carvalho, José Stabile e Antenógenes Silva, sendo que este último registrou um arranjo sobre o tema popularizada como peça instrumental, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres em 1938.

Saudades de Matão (valsa, 1904) - Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres - Interpretação: Carlos Galhardo

Disco 78 rpm / Título da música: Saudade de Matão / Jorge Galati (Compositor) / Raul Torres (Compositor) / Carlos Galhardo (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 34732-a / Nº da Matriz: 52127 / Gravação: 14/Fevereiro/1941 / Lançamento: Abril/1941 / Gênero musical: Valsa



-------------G--------------- D7--------------------------G
Neste mundo eu choro a dor / Por uma paixão sem fim
--------------------------D7------------------------------- G
Ninguém conhece a razão / Porque eu choro tanto assim
-------------------------D7-------------------- G
Quando lá no céu surgir / Uma peregrina flor
G7-------------------- C--------------------- D7---------------------- G
Pois todos devem saber / Que a sorte me tirou foi uma grande dor
---------D7--------- G---------- D7----------------------- G
Lá no céu junto a Deus / Em silêncio minh’alma descansa
--------D7------------- G
E na terra, todos cantam
---------C----------------- D7---------------------G ----- G7
Eu lamento minha desventura nesta grande dor
C---- G7------- C------------------------ G7
Ninguém me diz / Que sofreu tanto assim
------------------------------------------C------------------ C7
Esta dor que me consome / Não posso viver / Quero morrer
---------------------------------F
Vou partir prá bem longe daqui
------------------------C----- G7------- C
Já que a sorte não quis / Me fazer feliz.



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

quarta-feira, 15 de março de 2006

Antenógenes Silva


Antenógenes Silva (Antenógenes Honório da Silva), instrumentista e compositor nasceu em Uberaba MG, em 30/10/1906. Filho de serralheiro e respeitado sanfoneiro de oito baixos, fez os primeiros estudos em sua cidade natal, chegando apenas ao segundo ano do grupo escolar. Aprendeu a tocar os oito baixos e aos 14 anos compôs a primeira música, com o nome da namorada.


Em 1927 mudou-se para Ribeirão Preto SP, e iniciou carreira artística; em 1928 estava em São Paulo SP, onde começou a tocar no Bar Excelsior e na Rádio Educadora Paulista. Em 1929 gravou dois discos na Victor paulistana, com o choro Gostei de tua caída e a valsa Norma, ambas de sua autoria.

Em 1933 mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, assinando contrato com a Victor. Tornou-se nacionalmente conhecido e fez tournée em Buenos Aires, Argentina.

Em 1934 passou a gravar na Odeon. Como acordeonista, acompanhou vários artistas, nacionais e internacionais, e foi o primeiro a tocar música lírica no Teatro Municipal. Aprendeu harmonia, solfejo e orquestração, e teve aulas com Guerra Peixe. Prosseguiu os estudos interrompidos na infância e, em 1949, formou-se em química industrial.

Em 1957, na Alemanha, no festival de gaitas Honner, ganhou o primeiro prêmio tocando sanfona de oito baixos, sendo reconhecido como um dos melhores do mundo.

Entre seus maiores sucessos estão as valsas Saudades de Matão (Jorge Galati e Raul Torres, com seu arranjo), em 1938, e Ave Maria (Erothides de Campos), com voz de Augusto Calheiros, em 1939. E, entre suas composições, destacam-se Pisando corações (com Ernani Campos), gravada com Augusto Calheiros, em 1936; as valsas Uma grande dor não se esquece (com Ernani Campos) e Santa Teresinha, gravada com Gilberto Alves, em 1943; Mês de Maria, em 1947, gravada com Alcides Gerardi; e muitas outras.

Conhecido como O Mago do Acordeom, gravou, de 1929 a 1963, cerca de 162 discos em 78 rpm, com 324 músicas, e vários LPs. Manteve por muitos anos, no Rio de Janeiro, uma escola de acordeom para profissionais, com cursos de teoria, solfejo e harmonia.

Obras

Adeus mãezinha (com José Duduca de Morais), valsa, 1944; Bebê chorão (com Irani de Oliveira), marcha, 1941; O Carnaval é rei, s.d.; Uma grande dor não se esquece (com Ernâni Campos), valsa, 1940; Mês de Maria, valsa, 1947; Pisando corações (com Ernâni Campos), valsa, 1936; Santa Teresinha, valsa, 1944; Saudades de Matão (com Jorge Gallati e Raul Torres), valsa, 1937.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 1998, SP.

Jorge Galati

Jorge Galati, compositor, nasceu em 28/07/1885 na cidade de Catanzaro, Itália, e faleceu em 09/07/1968, em São Paulo. Veio para o Brasil em 1900 fixando residência em Araraquara, SP.


Fez seus estudos de música em São José do Rio Pardo (SP). Com 19 anos de idade era mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara (SP).

Em 1904, foi regente da banda de música ítalo-brasileira de Araraquara. Compôs nesse ano aquela que se tornaria uma das mais célebres valsas interioranas brasileiras, Saudades de Matão, batizando-a como Francana. Os habitantes de Matão, cidade vizinha de Araraquara, é que iriam dar o nome pelo qual a composição se tornaria conhecida.

Por volta de 1905, a música passou a ser tocada no Rio de Janeiro, sem indicação de autoria. Segundo Ary Vasconcelos, o acordeonista e compositor uberabense Antenógenes Silva diz ser o autor da melodia, o que parece não ter sido confirmado.

Em 1938, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres. Em 1940, a Odeon lançou disco do acordeonista Atílio Cizotto, em que executa duas valsas de sua autoria: A voz do coração e Laura.


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34