sábado, 29 de abril de 2006

Você já foi à Bahia?

Você já foi à Bahia? (samba, 1941) - Dorival Caymmi - Interpretação: Anjos do Inferno

Disco 78 rpm / Título: Você já foi à Bahia? / Dorival Caymmi, 1914-2008 (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Aluísio, Felipe, Alberto, Moacir, Harry, Léo (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 27/09/1941 / Lançamento: 10/1941 / Nº do Álbum: 55303 / Nº da Matriz: 453-4 / Gênero: Samba / Coleções de origem: IMS D, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi

Intro: Gm7 C7  F/C  Dm7  Gm7  C7  F  Dm7  Gm7  C7  F 
 
F
Você já foi à Bahia, nega?
C7
Não?
F
Então vá!
Dm                        C7
Quem vai ao "Bonfim", minha nega,
C7                 F6     Bb7+
Nunca mais quer voltar.
F        Dm7  G7    
Muita sorte teve,
             C7
Muita sorte tem,
            F7+   Am5-   
Muita sorte terá
D7                   Gm7    
Você já foi à Bahia, nega?
C7
Não?
       F
Então vá!
F7+        Gm7
Lá tem vatapá
C7      F/C
Então vá!
  Dm7       Gm7
Lá tem caruru,
C7       F
Então vá!
 
 Dm7        Gm7   
Lá tem munguzá,
C7       F
Então vá!
  Dm7           Db9
Se "quiser sambar"
C7      F
Então vá!
Am5-    D7            Gm7
Nas sacadas dos sobrados
   Gm7     Bbm6   C9    F7  
Da velha    São    Salvador
       Dm7            G7  
Há lembranças de donzelas,
Bb/C   C7          F
Do tempo do Imperador.
     Am5-  D7   Gm7
Tudo, tudo   na Bahia
          Bbm6   C7    F7+   
Faz a gente querer     bem
Dm                G7     
A Bahia tem um jeito,
     Bb      C7     F
Que nenhuma terra tem


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Três lágrimas

Sílvio Caldas
Três lágrimas (valsa, 1941) - Ary Barroso - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Três lágrimas / Ary Barroso (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Ary Barroso [Piano] (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 04/07/1941 / Lançamento: 09/1941 / Nº do Álbum: 34793 / Nº da Matriz: S-052260 / Gênero musical: Valsa

C D#º Dm G7
Eu chorei
 C          D#º             Dm G7
Pela primeira vez na minha vida
 C          D#º            Dm G7
Quando nossa vida se complicou
Gm       C7          F7+
Éramos então duas crianças
Bb7                     C
Cheias de vida e de esperança
              D#º              Dm    G7
Lembro-me bem do teu olhar espantado
C           D#º                 Dm    G7
Quando te roubei um beijo bem roubado
         C           D#º    Dm    G7
E uma lágrima dos olhos me rolou
C D#º Dm G7
Eu chorei
 C          D#º            Dm G7
Pela segunda vez na minha vida
 C        D#º             Dm G7
Quando minha vida desmoronou
Gm         C7           F7+
Tínhamos então mais vinte anos
Fm Bb7             C     F  Fm
Mágoas, saudades, desenganos
C                 D#º          Dm    G7
Lembro-me bem do teu olhar esquisito
C                D#º        Dm    G7
Quando te olhei surpreso e muito aflito
        C           D#º     Dm    G7
E uma lágrima dos olhos te rolou
C D#º Dm G7
Eu chorei
 C        D#ºvv             Dm G7
Pela terceira vez na minha vida
 C         D#º          Dm G7
Quando minha vida se acabou
Gm       C7        F7+
Ia pela rua amargurado
Bb7                     C
Quando ouvi bem o teu chamado
                     D#º         Dm    G7
Lembro-me só que já fugira a meiguice
C             D#º         Dm        G7
Do teu lindo olhar agora era a velhice
C               D#º      Dm    G7 C
E uma lágrima dos olhos nos rolou


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Seu Libório

Vassourinha
Seu Libório (samba composto em 1936 - 1941) - João de Barro e Alberto Ribeiro - Interpretação: Vassourinha

Disco 78 rpm / Título da música: Seu Libório / Alberto Ribeiro, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Vassourinha (Intérprete) / Benedito Lacerda, 1903-1958 (Acomp.) / Conjunto Regional de Benedito Lacerda (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 23/06/1941 / Lançamento: 08/1941 / Nº do Álbum: 55295 / Nº da Matriz: 441-2 / Gênero: Samba choro / Coleções de origem: Nirez, IMS D, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


----------G ----------------------------------E7---------- Am
Seu Libório tem três vizinhas / Manon, Margot e Frufru
------------------------D7---------------------------G
Saem todas as tardinhas / Carregando o seu Lulu,
-----------------------------------------G7--------------- C
Ninguém sabe o que elas fazem / Porém todo mundo diz:
--------------------------------G

Que o seu Libório é quem manda /
----D7-------------------- G
Ah!... Como o Libório é feliz

A Manon é mais lourinha / Que boneca de Paris
A Margot é queimadinha / Pelo sol do meu país
A Frufru tem um sinalzinho / Na pontinha do nariz
E o seu Libório é quem manda / Ah!... Como o Libório é feliz

Seu Libório tem três vizinhas ...

Usam todas um V-8 / Que lhes deu um coronel
Tem vestidos de alto preço / E perfumes a granel
Vive assim feliz e contente / Com o que o destino lhe deu
Pois seu Libório é quem manda / Ah! ... e o seu Libório sou eu !



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Requebre que eu dou um doce

Requebre que eu dou um doce (samba, 1941) - Dorival Caymmi - Interpretação: Anjos do Inferno

Disco 78 rpm / Título da música: Requebre que eu dou um doce / Dorival Caymmi, 1914-2008 (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Aluísio, Felipe, Alberto, Moacir, Harry, Léo (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 27/09/1941 / Lançamento: 10/1941 / Nº do Álbum: 55303 / Nº da Matriz: 454-4 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS D, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi

C                    Dm
Requebre que eu dou um doce 
  G7                 C
Requebre que eu quero vê
                            Dm
Requebre, meu bem, que eu trouxe 
   G7              C
Um chinelo pra você - ai...
               Dm
Pra você requebrar
                  G7
Moreninha da sandalia
                  C
do “pom-pom” “grenat”
                                Dm
Quando acabar com a sandalia de lá
       G7                     C
Venha buscar essa sandalia de cá
 A7              Dm
Pra não parar de “sambá”                BIS
  G7            C
Pra não parar de “sambá”
  Dm                 G7
Morena balance as “contas”
                   C
Não pare de “peneirar”
Dm                     G7
Eu vim pra lhe “vê” sambando
                        C
Eu vim pra lhe “vê” sambá
Dm             G7
À roda da sua saia
                 C
Da barra de “tafetá”
Dm                G7
Me põe a cabeça à roda
                                      C
Moreninha da sandália do “pom-pom” “grenat”


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Os quindins de Iaiá

Ciro Monteiro
Os quindins de Iaiá (samba, 1941) - Ary Barroso - Intérprete: Ciro Monteiro

Disco 78 rpm / Título da música: Os quindins de Iaiá / Ary Barroso (Compositor) / Ciro Monteiro (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Coro (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 04/12/1940 / Lançamento: 01/1941 / Nº do Álbum: 34703 / Nº da Matriz; 52070 / Gênero musical: Samba

Tom: E

Eb6
        Os quindins de Iaiá
Bb7 
        Comé, comé, comé
Eb6 
        Os quindins de Iaiá
Bb7 
        Comé, comé, comé
Eb6 
        Os quindins de Iaiá
Bb7          Bb                Eb6/G  F#°              Fm Fm(7M)Fm7 
        Comé,           comé que faz             chorar
        
                                              C7/E 
        Os olhinhos de Iaiá
                                          Fm7 
        Comé, comé, comé
                                                Gm7(b5) 
        Os olhinhos de Iaiá
                                    Fm7 
        Comé, comé,   comé
                C7/G                      Fm 
        Os olhinhos de Iaiá
                                    F7/A            Bb7 
        Comé, comé que faz penar
        
Bb                        Eb/G
        O jeitão de Iaiá
        Me dá, me dá
                        Gm 
        Uma dor       Me dá, me dá
                                    G° 
        Que eu não sei     se é, se é
                Fm7            C7/E          Fm7 
        Se é       ou não         amor
C7/G          Abm7                                    Abm6 
        Só sei         que Iaiá tem umas coisas
                      Eb/G      Db7/9          C7 C F7/A 
        Que as outras Iaiá não têm
                      Bb              Eb/G 
        Os quindins de Iaiá
F7/A            Bb              Eb/G 
        Os quindins de Iaiá
F7/A              Bb            Eb/G 
        Os quindins de Iaiá
F7/A             Bb              Eb/G
         Os quindins de Iaiá
         
                Cm7                      Gm 
        Tem tanta coisa de valor
                    Ab7                            G7
        Neste mundo de Nosso Senhor
                    Bb7/F              Bb7  Eb6
         Tem a           flor da meia-noite, tem
            Bb7/F    Bb7      Eb6 
        Escondida nos canteiros
                Bb7/F  Bb7      Eb6 
        Tem músi---ca e beleza
            Bb7/F      Bb7 Eb6 
        Na voz dos boiadei----ros
            Bb7/F      Bb7    Eb6 
        A prata da lua cheia
            Bb7/F  Bb7      Eb6 
        O leque   dos coqueiros
              Bb7/F  Bb7      Eb6 
        O sorriso das crianças
                Bb7/F  Bb7      Eb6 
        A toada       dos barqueiros
                Abm7                          Eb/G  G° 
        Mas juro por Virgem Maria
                          Fm7    F#°      Gm7  C 
        Que nada disso pode matar
F7/A            Bb              Eb/G 
        Os quindins de Iaiá
F7/A            Bb              Eb/G 
        Os quindins de Iaiá
F7/A            Bb              Eb/G 
        Os quindins de Iaiá
F7/A            Bb7                  Eb6 
        Os quindins de Iaiá...
Letra:

Os quindins de Iaiá / Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá / Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá / Cumé?

Cumé que faz chorar / Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé? / Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé? / Os zóinho de Iaiá
Cumé?


Cumé que faz penar / O jeitão de Iaiá
Me dá, me dá / Uma dor
Me dá, me dá / Que não sei
Se é, se é / Se é ou não amor
Só sei que Iaiá tem umas coisas
Que as outras mulher não tem
O que é?

Os quindins de Iaiá / Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá / Os quindins de Iaiá


Tem tanta coisa de valor / Nesse mundo de Nosso Senhor
Tem a flor da meia-noite / Escondida no terreiro
Tem música e beleza / Na voz do boiadeiro
A prata da lua cheia / No leque dos coqueiros
O sorriso das crianças / A toada dos vaqueiros
Mas juro por Virgem Maria / Que nada disso pode matar...
O quê? / Os quindins de Iaiá



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

O trem atrasou

Incluído por Roberto Paiva em seu disco de estreia na Victor, "O Trem Atrasou" foi o primeiro grande sucesso de sua carreira. Descoberto numa pilha de partituras rejeitadas pela gravadora, o samba chamou a atenção do cantor principalmente pelo tema da letra, que reproduzia uma situação vivida constantemente pelos trabalhadores cariocas: "Patrão o trem atrasou / por isso estou chegando agora / trago aqui o memorando da Central / o trem atrasou meia hora / o senhor não tem razão / pra me mandar embora".

O próprio Roberto, ao tempo de estudante, quando morava no subúrbio de Riachuelo, teve várias vezes que recorrer a memorandos da Central para justificar atrasos de chegada ao colégio. Além de se destacar no repertório carnavalesco, "O Trem Atrasou" é uma das mais antigas canções de protesto de nossa música, tendo sido regravada por uma especialista do gênero, a cantora Nara Leão, no elepê "Cinco na Bossa", em 1965.

O Trem Atrasou (samba/carnaval, 1941) - Paquito, Estanislau Silva e Artur Vilarinho - Intérprete: Roberto Paiva

Disco 78 rpm / Título da música: O trem atrasou / Artur Vilarinho (Compositor) / Estanislau Silva (Compositor) / Paquito (Compositor) / Roberto Paiva (Intérprete) / Gravadora: Victor / Gravação: 26/11/1940 / Lançamento: 01/1941 / Nº do Álbum: 34704 / Nº da Matriz: 52061 / Gênero musical: Samba

Tom: D  

(intro) D      E7       A7     D       E7       A7

    D      Em7  A7  D
Patrão, o trem atrasou
    D            B7      Em
Por isso estou chegando agora
          Em        A7          Em
Eu trago aqui um memorando da Central
   A7     Em7    A7   D
O trem atrasou, meia hora
                  D
O senhor não tem razão
          Em7  A7   D
Pra me mandar    embora !

               A7
Senhor tem paciência
                D
Precisa compreender
                A7
Sempre fui obediente
                  D
Reconheço o meu dever
                    B7
Um atraso é muito justo
                Em
Quando há explicação
         G         D
Sou um chefe de família
   Bm7  Em7 A7    D
Preciso ganhar o pão.


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

O Mar


O Mar (canção, 1941) - Dorival Caymmi - Intérprete: Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título da música: O mar (Parte I) / Dorival Caymmi, 1914-2008 (Compositor) / Dorival Caymmi (Intérprete) / Radamés Gnattali e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 07/11/1940 / Lançamento: 12/1940 / Nº do Álbum: 55247 / Nº da Matriz: 328-1 / Gênero musical: Canção / Coleções de origem: Nirez, Humberto Franceschi



Disco 78 rpm / Título da música: O mar (Parte II) / Dorival Caymmi, 1914-2008 (Compositor) / Dorival Caymmi (Intérprete) / Radamés Gnattali e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 07/11/1940 / Lançamento: 12/1940 / Nº do Álbum: 55247 / Nº da Matriz: 329-2 / Gênero musical: Canção / Coleções de origem: Nirez, Humberto Franceschi

E            B7          E
O mar quando quebra na praia
     B7        E      C7
É bonito, é bonito
   F           C7         F
O mar... pescador quando sai
       C7      F          C7      F
Nunca sabe se volta, nem sabe se fica
          C7       F          C7         F
Quanta gente perdeu seus maridos seus filhos
     C7       F      B7
Nas ondas do mar
    E          B7        E
O mar quando quebra na praia
     B7        E
É bonito, é bonito

Pedro vivia da pesca
Saia no barco
Seis horas da tarde 
                         F#m
Só vinha na hora do sol raiá
Todos gostavam de Pedro
E mais do que todas
Rosinha de Chica
A mais bonitinha
E mais bem feitinha
             B7               E
De todas as mocinha lá do arraiá

Pedro saiu no seu barco
Seis horas da tarde
Passou toda a noite
                          F#m
Não veio na hora do sol raiá
Deram com o corpo de Pedro
Jogado na praia
Roído de peixe
Sem barco sem nada
            B7               E
Num canto bem longe lá do arraiá

Pobre Rosinha de Chica
Que era bonita
Agora parece 
            F#m
Que endoideceu
Vive na beira da praia
Olhando pras ondas
Andando rondando
Dizendo baixinho
       B7      E       Em
Morreu, morreu, morreu, oh...
     E          B7        E
O mar quando quebra na praia
     B7        E
É bonito, é bonito


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

O Pião

Sílvio Caldas
O pião (valsa, 1941) - Custódio Mesquita e Sadi Cabral - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título: O pião / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Sadi Cabral (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 23/04/1941 / Lançamento: 06/1941 / Nº do Álbum: 34756 / Nº da Matriz: 52183 / Gênero: Valsa


Tempo alegre de menino
Cheio de sonho e ilusão
Acreditava na vida
Ria e jogava pião

Mas tu foste no meu destino
Um brinquedo multicor
A minha ilusão perdida
Um lindo sonho de amor


O pião corre assim na calçada
A rodar, a rodar, a rodar
Eu invejo a feliz garotada
A salvar, a cantar, a brincar

O destino puxou a fieira
Desse pobre romance de amor
Hoje eu fico tristonho a chorar
E tu segues na vida
A rodar, a rodar



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

O bonde de São Januário

Órgão importante da ditadura estadonovense, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) não só controlava a imprensa e as diversões como também procurava interferir na criatividade dos artistas, através de "conselhos" e "sugestões". Assim, no início dos anos 1940, achando que existia muito samba fazendo a apologia da malandragem, o DIP "aconselhou" os compositores a adotarem temas de exaltação ao trabalho e condenação à boemia.

A aceitação do conselho determinou o surgimento de uma série de sambas descrevendo personagens bem-comportados, alguns até ex-malandros convertidos em ordeiros operários, como é o caso de "O Bonde de São Januário": "Quem trabalha é que tem razão / eu digo e não tenho medo de errar / o bonde de São Januário / leva mais um operário / sou eu que vou trabalhar". Na segunda parte, o protagonista confessa que "antigamente não tinha juízo", mas "resolveu garantir o seu futuro" e agora "vive bem", terminando por afirmar que "a boemia não dá camisa a ninguém".

Com este samba a dupla Wilson Batista - Ataulfo Alves bisou no carnaval de 41 o êxito de "Ó Seu Oscar" no ano anterior, inclusive repetindo o intérprete, Ciro Monteiro. Localizado no bairro de São Januário, o estádio do Vasco da Gama acabou por inspirar uma paródia (talvez de autoria do próprio Wilson, flamenguista inveterado) que dizia: "O bonde de São Januário / leva um português otário / pra ver o Vasco apanhar,..".

O Bonde de São Januário (samba/carnaval, 1941) - - Wilson Batista e Ataulfo Alves - Intérprete: Ciro Monteiro

Disco 78 rpm / Título da música: O bonde de São Januário / Ataulfo Alves, 1909-1969 (Compositor) / Wilson Batista, 1913-1968 (Compositor) / Ciro Monteiro (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 18/10/1940 / Lançamento: 12/1940 / Nº do Álbum: 34691 / Nº da Matriz: 52022-1 / Gênero musical: Samba


Quem trabalha é que tem razão
Eu digo e não tenho medo de errar
O bonde São Januário
Leva mais um operário:
Sou eu que vou trabalhar

Antigamente eu não tinha juízo
Mas resolvi garantir meu futuro
Vejam vocês: Sou feliz, vivo muito bem
A boemia não dá camisa a ninguém
É, digo bem.



Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Nós queremos uma valsa

Nássara
Frazão propôs e Nássara aceitou fazerem os dois uma valsa para o carnaval. Assim nasceu "Nós Queremos Uma Valsa", novidade que agradou plenamente aos foliões de 1941. Na realidade, agradou mais ainda ao jornalista Morais Cardoso, o Rei Momo do Rio na ocasião. Além de muito gordo, como todo Rei Momo, Morais tinha problemas de saúde e vivia com os pés inchados. Para ele era um suplício cumprir as obrigações de rei do carnaval, que incluíam uns passos de samba ou de marcha nas dezenas de bailes a que tinha de comparecer.

Então, ao tomar conhecimento da valsa, adotou-a imediatamente como sua música oficial, que passou a ser executada nos lugares aonde ele ia. Naturalmente, tal resolução amenizou sua tarefa coreográfica, reduzindo-a a suaves passinhos de valsa. "O Morais nunca teve um carnaval tão tranqüilo", relembrava Nássara.

Lançada por Carlos Galhardo, "Nós Queremos Uma Valsa" tem melodia calcada na "Valsa dos Patinadores" (de Emil Waldteufel), enquanto a letra evoca os velhos tempos, quando "uma valsa de roda era o requinte da moda". Para caracterizar o clima carnavalesco, a introdução reproduz um tradicional toque de clarim.

Nós queremos uma valsa (valsa/carnaval, 1941) - Antônio Nássara e Eratóstenes Frazão - Intérprete: Carlos Galhardo

Disco 78 rpm / Título da música: Nós queremos uma valsa / Eratóstenes Frazão (Compositor) / Nássara, 1910-1996 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 21/12/1940 / Lançamento: 02/1941 / Nº do Álbum: 34708 / Nº da Matriz: 52089 / Gênero musical: Valsa carnavalesca



Antigamente, uma valsa de roda
Era de fato, o requinte da moda
Já não se dança uma valsa, hoje em dia
Com o mesmo gosto e com tanta alegria!

Mas se a valsa morrer,
Que saudade a gente vai ter,
Mas... se valsa morrer,
Que saudade que a gente vai ter!

Nós queremos uma valsa
Uma valsa para dançar.
Uma valsa que fale de amores,
Como aquela dos patinadores...

Vem, meu amor,
Vem, meu amor
Num passinho de valsa,
Que vem e que vai,
Mamãe quer dançar com papai!


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Morena Boca de Ouro

"Morena Boca de Ouro" é uma das melhores criações de Ary Barroso, peça obrigatória em qualquer antologia de samba que se possa imaginar. Nesta composição Ary tira o máximo proveito das potencialidades rítmicas do samba, através de uma sinuosa linha melódica, que se desenvolve entrecortada de síncopes do primeiro ao último compasso.

Justificando a agitação da melodia, a letra focaliza uma morena exuberante - "brasa viva, pronta pra queimar" -, que roda, ginga e samba como ninguém. "Morena Boca de Ouro" antecede em nossa música a exaltação de outras beldades sambistas como a mulata de "É luxo só", do próprio Ary.

Morena boca de ouro (samba, 1941) - Ary Barroso - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Morena boca de ouro / Ary Barroso (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 04/07/1941 / Lançamento: 09/1941 / Nº do Álbum: 34793 / Nº da Matriz: S-052259 / Gênero musical: Samba



-------G ------------------------D7-------- B7------- Em
Morena boca de ouro que me faz sofrer
------------------------------Am
O teu jeitinho é que me mata
D7
Roda morena, cai não cai
G
Ginga morena, vai não vai
------Gb7 ----------------B----- D7
Samba, morena, que desacata

-------G ----------------------------D7 ----------B7---- Em
Morena uma brasa viva pronta pra queimar
----------------------------------Am
Queimando a gente sem clemência
D7
Roda morena, cai não cai
G
Ginga morena, vai não vai
------Gb7----------------- B------- G7 ------C
Samba morena, com malemolência

--------------D7 -----------Bm7------- E7
Meu coração é um pandeiro
-----Am-------------------------- D7 -------G--- Ab0
Marcando o compasso de um samba feiticeiro
------Am--------------------- D7
Samba que mexe com a gente
G
Samba que zomba da gente
--------Gb7 ----------------B---- G7 ---C
O amor é um samba tão diferente

-------------D7 ----------Bm7 ------E7
Morena samba no terreiro
-----Am----------------- D7
Pisando sestrosa, vaidosa
-------------G ---G5+ --C------- Db0
Meu coração, morena, tem pena
--------Bm7------- E7 --------------A7
De mais um sofredor que se queimou
--------------D7---------- G ----Cm---- G
Na brasa viva do teu amor


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Leva meu samba (Mensageiro)

Leva meu samba (samba, 1941) - Ataulfo Alves - Intérprete: Ataulfo Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Leva meu samba... / Ataulfo Alves, 1909-1969 (Compositor) / Ataulfo Alves, 1909-1969 (Intérprete) / Escola de Samba da Cidade (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 06/12/1940 / Lançamento: 02/1941 / Nº do Álbum: 11955 / Nº da Matriz: 6548 / Gênero musical: Samba

G  D7    G      F# F       
Leva meu samba
E7         A7
Meu  mensageiro
B7      Em    A7
Este  recado
                       D7
Para  o  meu  amor  primeiro
G7                     C
Vai  dizer  que  ela  é 
     Cm               G     Em
A   razão  dos  meus  ais
Am    D7   G        D7
Não,  não  posso  mais
G         B7                        Em
Eu que pensava  que  podia  te  esquecer
            B7                         Em
Mas  qual  o que  aumentou  o  meu  sofrer
G7           C              C#°            G/D
Falou  mais  alto  no  meu  peito  uma  saudade
G            D7                         G       G7
E  para  o  caso  não  há  força  de  vontade
         C              C#°       G/D                E7
Aquele  samba  foi  pra ver  se  comovia  o teu  coração
          A7             D7             G
Onde  eu dizia   Vim  buscar  o  meu  perdão


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Helena, Helena

Anjos do Inferno

Depois de um predomínio da marchinha, iniciado em 1932 com o sucesso de "O teu cabelo não nega", o samba reagiu assumindo a hegemonia do repertório de carnaval nos anos quarenta. O primeiro grande samba carnavalesco da década é "Helena, Helena". Repetindo a temática de "Ò seu Oscar" - o homem que chega em casa e descobre ter sido abandonado pela mulher - "Helena, Helena" destaca-se pela melodia que, aliás, é bem valorizada pelos Anjos do Inferno na gravação inicial.

Sobre esta gravação, contava o radialista César de Alencar um fato curioso. Iniciando na época sua carreira, César procurava inovar a programação com reportagens diferentes. Foi então que, em sua busca de novidade, ele soube da gravação de "Helena, Helena" e, com uma boa conversa, convenceu o pessoal da Columbia a deixá-lo instalar um microfone de sua emissora no estúdio da gravação. Assim, no dia 07.11.40, os ouvintes da Rádio Clube do Brasil tiveram a oportunidade de conhecer "Helena, Helena" no momento exato em que estava sendo gravada.

Helena, Helena (samba, 1941) - Constantino Silva e Antônio Almeida - Interpretação: Anjos do Inferno

Disco 78 rpm / Título da música: Helena!... Helena!... / Antônio Almeida (Compositor) / Constantino Silva (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Gravação: 07/11/1940 / Lançamento: 12/1940 / Nº do Álbum: 55249 / Nº da Matriz: 332-1 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


D                B7     E7              A7
Ontem cheguei em casa, Helena / Te procurei
                      D
E não encontrei / Fiquei tristonho a chorar
       D7                     G
Passei o resto da noite a chamar
          D               E7 A7 D
Helena, Helena / Vem me consolar

                    A7
Mesmo depois de cansado / Teu nome falava baixinho
                                    D
Helena dos meus encantos / Vem me fazer um carinho
               D7                        G
E fiquei desesperado / Cadê Helena, meu bem
             D                   A7         D
O dia já vem raiando/ E a minha Helena não vem
          A7
( Porque será ? )


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Eu sonhei que tu estavas tão linda

O irreverente Lalá - Lamartine Babo, 1949, Coleção Jorge Murad, Acervo MIS.

Admirador da opereta, Lamartine Babo teria por certo se dedicado ao gênero se houvesse nascido na Europa no século XIX. Daí a presença, em sua obra, de composições como "Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda", que ele pretendia incluir numa opereta inacabada, intitulada "Viva o Amor". Compositor e letrista, como Lamartine, Francisco Matoso é o autor da bela melodia desta valsa.

Segundo Almirante, Matoso mostrou-a, ainda sem letra, a Lamartine, que se apaixonou pela canção. Convidado a concluí-la, modificou algumas notas, como era de seu feitio, e colocou uma letra tão adequada que a composição ficou parecendo ser de autoria de uma só pessoa. "Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda" foi lançada por Francisco Alves em outubro de 41. Na ocasião, Matoso se encontrava bastante enfermo (morreria em 14.12.41, aos 28 anos de idade), não chegando a conhecer o seu sucesso.

Eu sonhei que tu estavas tão linda - (valsa, 1941) - Lamartine Babo e Francisco Matoso - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Eu sonhei que tu estavas tão linda! / Francisco Matoso (Compositor) / Lamartine Babo, 1904-1963 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Fon-Fon, 1908-1951 (Acomp.) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 09/09/1941 / Lançamento: 10/1941 / Nº do Álbum: 12051 / Nº da Matriz: 6778 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez


D    Em             A7         D7+ D#°
Eu sonhei que tu estavas tão linda
Em       A7      D7+
Numa festa de raro esplendor
F#m       C#7          F#m
Teu vestido de baile lembro ainda
A             E7        A   A7
Era branco, todo branco, meu amor
D                       D
A orquestra tocou uma valsa dolente
Tomei-te aos braços
B7
Fomos dançando
Em   B5+/7
Ambos silentes
Em        B5+/7        Em
E os pares que rodeavam entre nós
D
Diziam coisas
Ab7
Trocavam juras
D/F# D
A meia voz
        D
Violinos enchiam o ar de emoções
B7          Em
De mil desejos uma centena de corações
G            Gm
Pra despertar teu ciúme
F#m7            Bm
Tentei flertar alguém
Em        A7        F#m5-/7 B7
Mas tu não flertaste ninguém
Em            Gm
Olhavas só para mim
F#m7             Bm
Vitória de amor cantei
Em            A7          D
Mas foi tudo um sonho... acordei!


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

É doce morrer no mar

Segundo Dorival Caymmi, "É Doce Morrer no Mar" nasceu durante uma reunião de amigos, em casa do coronel João Amado de Faria, pai de Jorge Amado. No calor da festa, o compositor criou a canção sobre um tema de "Mar Morto", romance de Jorge sobre os mestres de saveiros: "É doce morrer no mar / nas ondas verdes do mar".

Imediatamente, o romancista compôs mais alguns versos, completando a canção ("Nas ondas verdes do mar, meu bem / ele foi se afogar / fez sua cama de noivo / no colo de Iemanjá...").

"Chegou a haver um concursinho entre os presentes (Érico Veríssimo, Clóvis Amorim e outros), mas acabaram prevalecendo os versos de Jorge", relembra o compositor. "É Doce Morrer no Mar" foi gravado por Caymmi no mesmo disco que lançou "A Jangada Voltou Só", outra de suas obras-primas.

É doce morrer no mar (canção, 1941) - Dorival Caymmi e Jorge Amado - Intérprete: Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título da música: É doce morrer no mar / Dorival Caymmi, 1914-2008 (Compositor) / Jorge Amado, 1912-2001 (Compositor) / Dorival Caymmi, 1914-2008 (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 03/10/1941 / Lançamento: 10/1941 / Nº do Álbum: 55304 / Nº da Matriz: 461-2 / Gênero musical: Toada


Am    Am/G    Bm7.5-
É doce morrer no mar
E7              Am
Nas ondas verdes do mar

Dm7 Bm7.5-
Saveiro partiu de noite foi
E7          Am
Madrugada não voltou
F7M      Dm7     Am    F7M     Dm7   E7
O marinheiro bonito sereia do mar levou
Am Am/G        Am/F# Am/F
É doce morrer no mar
E7              Am C/A B/A Bb/A
Nas ondas verdes do mar
Am C/A B7/A A5+9 Am

Am                      Dm7 Bm7.5-
Nas ondas verdes do mar meu bem
E7        Am
Ele se foi afogar
F7M  Dm7      Am     F7M    Dm7  E7
Fez sua cama de novo no colo de Iemanjá
Am Am/G        Am/F# aM/F
É doce morrer no mar
Bm7.5-  E7               Am/C AAm/B Am C7 F7M
Nas ondas verdes do mar meu bem
Am/F#   F7M    Dm7
É doce morrer no mar
Bm7.5-  E7                Am
Nas ondas verdes do mar meu bem


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Canta Brasil

Dois anos após o lançamento de "Aquarela do Brasil", surgia um novo samba-exaltação, intitulado "Canta Brasil", que faria grande sucesso, consolidando o prestígio do gênero. Para isso, adotava como modelo o samba de Ari Barroso e até o citava nos versos: "Na Aquarela do Brasil' / eu cantei de Norte a Sul". "Canta Brasil" têm música de Alcir Pires Vermelho e letra de David Nasser.

Mineiro, pianista e compositor, como Ari, Alcir seguiu-lhe os passos para se tornar, também, um pródigo criador de sambas-exaltação. São de sua autoria, por exemplo, "Onde o Céu É Mais Azul" (com João de Barro e Alberto Ribeiro), "Brasil, Usina do Mundo" (com João de Barro), "Vale do Rio Doce" e "Onde Florescem os Cafezais" (com David Nasser). Isso, sem deixar de atuar com sucesso em outros gêneros.

Sobre "Canta Brasil", Alcir costumava dizer que fez sua melodia numa viagem de bonde, do Centro à Tijuca, depois de receber a letra de Nasser num encontro casual na Avenida Rio Branco. Cantor ideal para esses "sambas de bravura", Francisco Alves gravou "Canta Brasil" na Odeon, acompanhado pela orquestra da Rádio Nacional.

Canta Brasil (samba, 1941) - Alcir Pires Vermelho e David Nasser - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Canta Brasil (Primeira Parte) / Alcyr Pires Vermelho, 1906-1994 (Compositor) / David Nasser, 1917-1980 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Lírio Panicali (Acomp.) / Orquestra da Rádio Nacional (Acomp.) / Romeu Ghipsman [Direção] (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 20/05/1941 / Lançamento: 07/1941 / Nº do Álbum: 12003 / Nº da Matriz: 6663-2 / Gênero: Cena brasileira / Coleções de origem; IMS, Nirez

G         D7         G          D7
As selvas te deram nas noites seus ritmos 
  G
bárbaros...
   Em                   A7               D7
Os negros trouxeram de longe reservas de pranto...
    Am                 D7              Am
Os brancos falaram de amores em suas canções...
 A7                                     Am        D7
E dessa mistura de vozes nasceu o teu pranto...

G
Brasil
                 Bm
Minha voz enternecida
    D7               G      D7
Já dourou os teus brasões
                      G
Na expressão mais comovida
           E7         Am
Das mais ardentes canções...
    E7
Também,
               Am
A beleza deste céu
        E7         Am
Onde o azul é mais azul
                 D7
Na aquarela do Brasil    
                     G   D7  G
Eu cantei de Norte a Sul
     C             G
Mas agora o teu cantar,
                    G7
Meu Brasil quero escutar:

Nas preces da sertaneja,
                C
Nas ondas do rio-mar...

Cm
Oh!
                 Bm
Este rio – turbilhão,
                 Am
Entre selvas e rojão, 
      D7         G
Continente a caminhar!
   E7
No céu!

No mar!
     A7    D7
Na terra!
          G 
Canta, Brasil !!!  


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Brasil Pandeiro

Assis Valente
O samba "Brasil Pandeiro" foi composto por Assis Valente para Carmen Miranda, por ocasião da volta da cantora, após seu período inicial de atuação nos Estados Unidos. Mas Carmen não gostou da composição, que acabou sendo lançada pelos Anjos do Inferno.

De feitio diferente dos sambas ufanistas da época, "Brasil pandeiro" é, pode-se dizer, um samba-exaltação ao estilo de Assis Valente ( "Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar / o Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada /(...)/ Brasil, esquentai vossos pandeiros / iluminai os terreiros / que nós queremos sambar-ô-ô...").

Preferido dos maiores conjuntos vocais de seu tempo, Assis Valente reviveria a tradição mesmo depois de morto, quando em 1972 "Brasil Pandeiro" faria enorme sucesso nas vozes dos Novos Baianos.

Brasil Pandeiro (samba, 1941) - Assis Valente - Interpretação: Anjos do Inferno

Disco 78 rpm / Título da música: Brasil pandeiro / Assis Valente (Compositor) / Anjos do Inferno (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Gravação: 26/02/1941 / Lançamento: 04/1941 / Nº do Álbum: 55267 / Nº da Matriz: 376-1 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi

Int.: A7 D7+ A7 D7+ 
 
D7+                  D#°       Em       A7        D7+ 
Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor 
           D7                                G7+ 
Eu fui à Penha e pedi à padroeira para me ajudar 
          A7 
Salve o Morro do Vintém, pendura a saia que eu quero ver 
                                                     D7+  A7 
Eu quero ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar 

      D7+         D#°      Em            A7   D7+ 
O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada 
        D7                                        G7+ 
Anda dizendo que o molho da baiana melhorou seu prato 
      A7 
Vai entrar no cuscuz, acarajé e abará 
                                                D7+ 
Na Casa Branca já dançou a batucada de Ioiô e Iaiá  

    A7                         D7+        B7         Em 
Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros 
           A7       D7+  A7 D7+ 
Que nós queremos sambar  
A7                D7+              B7            Em 
Há quem cambe diferente, noutras terras, outra gente 
     A7         D7+ 
Um batuque de matar 

     A7                  D7+         B7          Em 
Batucada, reuni vossos valores, pastorinhas e cantores 
      A7                D7+                   A7 
Expressões que não tem par, oh meu Brasil, Brasil 
    A7                         D7+        B7         Em 
Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros 
           A7       D7+  A7 D7+ 
Que nós queremos sambar 


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Aurora


Na quarta-feira de cinzas de 1940, Roberto Roberti mostrou o estribilho de "Aurora" a Mário Lago, que completou a canção em seguida. Nasceu assim, com um ano de antecedência, um dos grandes sucessos do carnaval de 41.

O aspecto mais atraente desta marchinha - lançada por Joel e Gaúcho (foto acima) - está na segunda parte, em que novos valores são apresentados como símbolos de modernidade e status: "Um lindo apartamento / com porteiro e elevador / e ar refrigerado / para os dias de calor... ". Tudo isso e mais uma possibilidade de casamento ("madame antes do nome / você teria agora" ) é o que Aurora perde por não merecer o amor do protagonista.

Mesmo depois da morte de Gaúcho, Joel de Almeida, o magrinho elétrico, continuou cantando esta composição, uma das marcas registradas de seu repertório. Ainda em 1941, com letra em inglês de Harold Adamson, "Aurora" fez sucesso nos Estados Unidos e na Inglaterra, cantada pelas Andrew Sisters, sendo incluída no filme "Segure o Fantasma", de Abbott & Costello.

Aurora (marcha/carnaval) - 1941 - Mário Lago e Roberto Roberti - Interpretação: Joel e Gaúcho

Disco 78 rpm / Título da música: Aurora / Mário Lago, 1911-2001 (Compositor) / Roberto Roberti (Compositor) / Gaúcho (Intérprete) / Joel (Intérprete) / Orquestra Columbia (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 07/11/1940 / Lançamento: 12/1940 / Nº do Álbum: 55250 / Nº da Matriz: 330-1 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


C                                Dm
Se fosse sincera / Ô ô ô ô, Aurora
                     G7                 C
Veja só que bom que era / Ô ô ô ô , Aurora
            G7
Um lindo apartamento / Com porteiro e elevador
       C                                     Dm
E ar refrigerado / Para os dias de calor/ Madame
          C                 D7      G7       C
Antes do nome / Você teria agora/ Ôôôô  Aurora


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Amigo Urso

Moreira da Silva
Amigo urso (samba, 1941) - Henrique Gonçalez - Intérprete: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Amigo urso / Henrique Gonçalez (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Regional de Garoto (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 12/04/1941 / Lançamento: 06/1941 / Nº do Álbum: 34754 / Nº da Matriz: 52179 / Gênero musical: Samba

Intro: F Fm C Am Dm G7 C C7 F Fm C Am Dm G7 C

            C
Amigo urso, saudação polar,
              C#°       Dm7
Ao leres esta, hás de te lembrar,
 
Daquela grana que eu te emprestei,
                       G7               C
Quando estavas mal de vida, e nunca te cobrei.
 
Hoje estás bem, e eu me encontro em apuros,
          C7                  F
Espero receber, e pode ser sem juros.
           Fm                   C
Este é o motivo pelo qual te escrevi.
Am             Dm7               G7        C   E  E7
Agora quero que saibas, como me lembrei de ti:
 
      Am                     E7
Conjeturando sobre a minha sorte,
                        F             E7
Transportei-me em pensamentos ao pólo Norte.
        A7                     Dm
E lá chegando sobre aquelas regiões,
    B7                           E7
Vá vendo só quais as minhas condições…
      Am                     E7
Morto de fome, de frio e sem abrigo,
         F                        E7
Sem encontrar em meu caminho um só amigo.
         A7                         Dm
Eis que de repente, vi surgir na minha frente,
Bis                B7           E7
Um grande urso, apavorado me senti.
 Dm                           Am
E ao vê-lo caminhando sobre o gelo, 
           E7                          A7
Porque não dizê-lo, foi que me lembrei de ti.
       Dm                 Am
Espero que mandes, pelo portador,
 E7                                            Am   A7
O que não é nenhum favor, estou te cobrando o que é meu.
            Dm                      (Am)      Am
Sem mais, queiras aceitar um forte (amplexo) abraço
      E7              Am  
Deste que muito te favoreceu.
            
(Eu não sou filho de judeu, Dá cá o meu.)
 
F  Fm  C  Am   Dm7  G7  C


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Allah-la-ô

A história de "Alá-lá-ô" começou no carnaval de 1940, quando um bloco do bairro da Gávea cantou nas ruas a marcha "Caravana", de autoria de seu patrono Haroldo Lobo, que tinha apenas estes versos: "Chegou, chegou a nossa caravana / viemos do deserto / sem pão e sem banana pra comer / o sol estava de amargar / queimava a nossa cara / fazia a gente suar".

Meses depois, preparando o repertório para o carnaval de 41, Haroldo pediu a Antônio Nássara para completar a composição. Achando a idéia (a caravana, o deserto, o calor...) bem melhor do que os versos, ele logo faria esta segunda parte: "Viemos do Egito / e muitas vezes nós tivemos que rezar / Alá, Alá, Alá, meu bom Alá / mande água pra Ioiô / mande água pra Iaiá / Alá, meu bom Alá".

Conta Nássara - em depoimento realizado para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 1983 - que, quando Haroldo tomou conhecimento dos versos, com a palavra "Alá" repetida várias vezes, entusiasmou-se: "Mas que palavra você me arranjou, rapaz!". E ali, na hora, criou o refrão "Alá-lá-ô, ô-ô-ô ô-ô-ô / mas que calor, ô-ô-ô ô-ô-ô", ponto alto da composição.

Ainda no mesmo depoimento, Nássara ressalta a atuação de Pixinguinha, como arranjador, na gravação inicial: "Era a última sessão de gravação para o carnaval de 41. Se não fosse gravado naquela sessão, só sairia no ano seguinte. Então, corri à casa de Pixinguinha, na rua do Chichorro, no Catumbi. Era um sábado de verão e o maestro, cheio de serviço, estava trabalhando sem camisa, encharcado de suor. Mesmo assim, ele teve a boa vontade de dar prioridade à minha música, começando a fazer imediatamente o arranjo, que ficou uma beleza, com uns três ou quatro enxertos de sua autoria".

Além da criativa introdução, Pixinguinha soube vestir "Allah-lá-ô" com uma orquestração exemplar, em que mais uma vez utilizou o recurso da modulação na sessão instrumental, que começa e termina com duas brilhantes passagens, primeiro subindo a lá maior e depois retornando a sol maior, tonalidade do cantor. Em 1980, num artigo em Manchete, David Nasser declarou-se autor da letra de "Caravana", embrião de "Allah-la-ô".

Allah-la-ô (marcha/carnaval, 1941) - Haroldo Lobo e Nássara - Intérprete: Carlos Galhardo

Disco 78 rpm / Título da música: Alá-lá-ô / Haroldo Lobo (Compositor) / Nássara, 1910-1996 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 21/11/1940 / Lançamento: 01/1941 / Nº do Álbum: 34697 / Nº da Matriz: 52055 / Gênero musical: Marcha


Tom: D
     
          A7                 D
Allah-la-ô,  ô ô ô,  ô ô ô ô
          A7               D
Mas que calor, ô ô ô,  ô ô ô    (bis)
       A7                    D
Atravessamos o deserto do Sahara
              A7                      D
O sol estava quente, queimou a nossa cara  (ESTRIB.)

  D7        G                  A7                       D
Viemos do Egito    /  e muitas vezes nós tivemos que rezar
                             A7
Allah-Allah-Allah, meu bom Allah
 D               A7       D                
Mande água pra Ioiô    / Mande água pra Iaiá
  A7              D
Allah, meu bom Allah


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

A jangada voltou só

A jangada voltou só (canção, 1941) - Dorival Caymmi - Intérprete: Dorival Caymmi

Disco 78 rpm / Título: A jangada voltou só / Dorival Caymmi, 1914-2008 (Compositor) / Dorival Caymmi (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Gravação: 03/10/1941 / Lançamento: 10/1941 / Nº do Álbum: 55304 / Nº da Matriz: 460-1 / Gênero: Canção praieira / Coleções de origem: Nirez, Humberto Franceschi

Gm
A jangada saiu
      Cm
Com Chico Ferreira e Bento
     Eb           Gm
A jangada voltou só
                     Cm
Com certeza foi lá fora, algum pé de vento
      Eb          Gm
A jangada voltou só...
             D7     Gm
Chico era o boi do rancho
     D7         Gm
Nas festa de Natar
             D7     Gm
Chico era o boi do rancho
     D7         Gm
Nas festa de Natá
                   Fm
Não se ensaiava o rancho
         Gm          D7   Gm
Sem com Chico se contá
                     Cm
E agora que não tem Chico
                      Gm
Que graça é que pode ter
                   Cm
Se Chico foi na jangada...
       Eb           Gm
E a jangada voltou só... a jangada saiu
      Cm
Com Chico Ferreira e Bento
     Eb           Gm
A jangada voltou só
                     Cm
Com certeza foi lá fora, algum pé de vento
      Eb          Gm
A jangada voltou só...
        D7     Gm    | 
Bento cantando modas | 
 D7           Gm     | <- 2x
Muita figura fez     |
                   Fm           |
Bento tinha bom peito           | <- 2x
          Gm       D7      Gm   |
E pra cantar não tinha vez      |
 
                 Cm
As moça de Jaguaripe
                 Gm
Choraram de fazê dó
                    Cm
Seu Bento foi na jangada
            Eb      Gm
E a jangada voltou só

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Voltei pro morro

Voltei pro morro (samba) - 1940 - Vicente Paiva e Luiz Peixoto - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Voltei pro morro / Luiz Peixoto (Compositor) / Vicente Paiva, 1908-1964 (Compositor) / Carmen Miranda, 1909-1955 (Intérprete) / Vicente Paiva [Piano], Simon Bountman [Direção], Conjunto Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 02/09/1940 / Lançamento: 10/1940 / Nº do Álbum: 11902 / Nº da Matriz: 6457 / Gênero musical: Samba

G7+
Voltei pro morro
C7/9           G7+
Onde está o meu cachorro
C7/9        Bm
Meu cachorro viralata
Bb°         Am
Minha cuíca e meu ganzá
E7         Am
Voltei pro morro
E7          Am
Onde está o meu moreno
D7
Chamei ele pro sereno
G7+   E7   Am
Porque se eu não me esbaldar eu morro
D7        G7+
Voltei pro morro
C7/9          G7+
Onde estão minhas chinelas
C7/9             G7+
Eu quero sambar com elas
G7                  C
Vendo as luzes da cidade
C#°     G7+
Voltei, voltei, voltei
E7
Ai se eu não mato essa saudade eu morro
A7         D7     G7+
Voltei pro morro, voltei
G/B         Bb°       Am
Voltando ao berço do samba
E/G#           C/G
Que em outras terras cantei
D/F#         G7+
Pela luz que me alumia
E7   Am D7
Eu juro
G/B     Bb°      Am
Que sem a nossa melodia
E/G#        C/G
E o swing dos pandeiros
D/F#       G7+
Muitas vezes eu chorei, chorei
C7+                Bm
Eu também senti saudade
E7      Am
Quando esse morro deixei
D7                    G7+
É por isso que eu voltei, voltei


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Velho realejo

Velho realejo (valsa, 1940) - Custódio Mesquita e Sadi Cabral - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Velho realejo / Custódio Mesquita, 1910-1945 (Compositor) / Sadi Cabral (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravadora: 24/01/1940 / Lançamento: 03/1940 / Nº do Álbum: 34583 / Nº da Matriz: 33316-1 / Gênero musical: Valsa


Dm-------------------- E7 -------A7 ---------------Dm
Naquele bairro afasta - do / Onde em criança vivi - as
D7--------------- G7 --------C7 ----------F ---A7
A remoer melodias / De uma ternura sem par,
------Dm ------------E7 ---------A7 ----------Dm
Passava todas as tar - des / Um realejo risonho . . .
-------D7--------------- Gm ---Dm ----A7----- Dm
Passava como num sonho / O realejo a cantar . . .


------D ----G7 --------D---- G7 -----------D---------- D0------- A7
Depois ------tu partiste / ----- Ficou triste------- a rua deserta
------------Em------------ A7 --Em ---- ----A7 ----------------D
Na tarde------fria e calma / ---------Ouço ainda o realejo a tocar.


-----B7------- Em------------- Gm------- D
Ficou a saudade--------- comigo a morar
----------------------------A7
Tu cantas alegre e o realejo
------G---------- D ------A7----- D---- Gm---- D
Parece que chora com pena de ti.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Upa, upa (Meu trolinho)

Dircinha Batista
Upa, upa - Meu Trolinho (marcha/carnaval, 1940) - Ary Barroso - Intérprete: Dircinha Batista

Disco 78 rpm / Título da música: Upa upa! (Meu trolinho) / Ary Barroso (Compositor) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Orquestra Odeon sob Direção de Simon Bountman (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 08/11/1939 / Lançamento: 01/1940 / Nº do Álbum: 11812 / Nº da Matriz: 6249 / Gênero musical: Marcha


------------------C
Lá vai o meu trolinho / Vai rodando de mansinho
-----------C#º-- G7 -------------------------Dm
Pela estrada além / Vai levando pro seu ninho
--------------------------G7------------------------------- C
Meu amor, o meu carinho / Que eu não troco por ninguém


-------------------------------------G7
Upa! Upa! Upa! / Cavalinho alazão / Hê! Hê! Hê! Hê!
-----------------------------C ------------Bb7------ A7
Não erre esse caminho não / Vai assim
-------------------Dm --------------G7
Vai assim / ----------Sempre assim, pra minha sorte
-------------C
Não ter fim



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Última Inspiração

João P. de Barros
Última inspiração (valsa/canção, 1940) - Peterpan - Intérprete: João Petra de Barros

Disco 78 rpm / Título da música: Última inspiração / Peterpan, 1911-1983 (Compositor) / João Petra de Barros, 1915-1948 (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 16/04/1940 / Lançamento: 06/1940 / Nº do Álbum: 34615 / Nº da Matriz: 33382-1 / Gênero musical: Valsa


Eu sempre fui feliz, vivendo só sem ter amor,
Mas o destino quis roubar-me a paz de sonhador,
E pôs no sonho meu um olhar de ternura,
De alguém que, mesmo em sonho, roubou minha ventura.


Sonhei com este alguém noites e noites sem cessar,
Por fim, alucinado, fui pelo mundo a procurar,
Aquele olhar tristonho da cor do luar,
Mas tudo foi um sonho, pois não pude alcançar.


Mas na espinhosa estrada desta vida, sem querer, um dia,
Encontrei com este alguém que tanto eu queria
E este alguém que, mesmo em sonho,
eu amei com tanto ardor não compreendeu a minha dor.


Foi inspirado então na ingratidão de quem amava tanto
que fiz esta triste valsa, triste como o pranto
que me mata de aflição, bem sei que esta valsa será
a minha última inspiração.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Súplica

O cantor Deo
Homem de intensa atividade na imprensa e no rádio paulistanos dos anos trinta, Otávio Gabus Mendes (pai do telenovelista Cassiano Gabus Mendes) ainda arranjou tempo para uma vitoriosa incursão na música popular, compondo com José Marcílio e o cantor Deo a valsa "Súplica".

Sem demérito para os parceiros, o ponto alto desta valsa é a letra de Gabus Mendes, que, além de muito bem construída, não possui rimas, uma característica incomum nas canções da época: "Aço frio de um punhal / foi teu adeus pra mim/ não crendo na verdade / implorei, pedi / as súplicas morreram sem eco, em vão / batendo nas paredes frias do apartamento...".

O curioso é que esse detalhe não é percebido pela maioria dos ouvintes, graças, talvez, à integração perfeita entre letra e melodia. Composta em 1938, "Súplica" permanecia inédita em disco quase dois anos depois, quando foi descoberta e gravada por Orlando Silva.

Súplica (valsa, 1940) - Octávio Gabus Mendes, José Marcílio e Déo - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Súplica / Déo (Compositor) / José Marcílio (Compositor) / Otávio G Mendes (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 15/02/1940 / Lançamento: 04/1940 / Nº do Álbum: 34587 / Nº da Matriz: 33327-1 / Gênero: Valsa


Bm -----------------------------------Em
Aço frio de um punhal / Foi seu adeus para mim
-----------------------------------Bm--------- B7
Não crendo na verdade / Implorei, pedi
----------------------------------Em----- A7
As súplicas morreram / Sem eco, em vão
-----------------------D --------------Gb7
Batendo nas paredes frias do apartamento
Bm
Torpor tomou-me todo
------------------Em-------------- Gb7
E eu fiquei sem ser mais nada
---------------------Bm-------------- B7 ------Em
Envelhecido tenha / Talvez, quem sabe
------------------------Bm
Pela janela, aberta, a fria madrugada
-----------------------G7 ---------------Gb7---- Bm
Amortalhou-me a dor / Com o manto da garoa
----------Gb7------------------- Bm
Esperança morreste muito cedo
----------B7 -------------------Em
Saudade cedo demais chegaste
-----------------------------------------Bm
Uma quando chega / A outra sempre parte
-------Db7------------ G7--- Gb7
Chorar já lágrimas não tenho
-----------------------------Bm
Coração, porque é que tu não paras
---------B7-------------------- Em
As taças do meu sofrer findaste / É inútil prosseguir
-----------------------Bm
Se forças já não tenho
----------------------------------G7
Tu sabes bem que ela era minha vida
-----------------Gb7 -----Bm
Meu doce e grande amor.



Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Romance de uma Caveira

Romance de uma caveira (valsa humorística, 1940) - Alvarenga, Ranchinho e Chiquinho Sales - Interpretação: Alvarenga e Ranchinho

Disco 78 rpm / Título da música: Romance de uma caveira / Alvarenga (Compositor) / Ranchinho (Compositor) / Chiquinho Sales (Compositor) / Alvarenga e Ranchinho (Intérprete) / Rogério Guimarães e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 02/02/1940 / Lançamento: 03/1940 / Nº do Álbum: 11831 / Nº da Matriz: 6301 / Gênero: Valsa humorística / Coleção de origem: Nirez

Tom: C  

Intro: Em

Em            B7            Em
Eram duas caveiras que se amava
E7                     Am
E a meia-noite se encontrava
           B7             Em
Pelo cemitério os dois passeava
  F#7                      C   B7
E juras de amor então trocava.

Em               B7           Em
Sentado os dois em riba da lousa fria
     E7                      Am
A caveira apaixonada assim dizia
            B7              Em
Que pelo caveiro de amor morria
   F#7                    B7
E ele de amores por ela vivia.

 Em        B7          Em
Ao longe uma coruja cantava alegre
    E7                          Am
De ver os dois caveiro assim feliz
               B7             Em
E quando se beijavam em tom fúnebre
    F#7          B7          Em
A coruja batendo asas, pedia bis.
 
 D7               G
Mas um dia chegou de "pé junto"
     B7                  F   E7
Um cadáver novo de um defunto
      Am     Em               Em7
E a caveira p'ra ele se apaixonou
      F#7                 B7
E o caveiro antigo, abandonou.

 D7                    G
O caveiro tomou uma bebedeira
     B7                  F   E7
E matou-se de um modo romanesco
    Am             Em      Em7
Por causa dessa ingrata caveira
         F#7            B7     Em
Que trocou ele por um defunto fresco.


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Haroldo Lobo

Haroldo Lobo, compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 22/7/1910 e faleceu em 20/7/1965. Filho de Quirino Lobo, que tocava flauta e violão, e irmão de Osvaldo Lobo (Badu), compositor e baterista, fez seus primeiros estudos na escola da América Fabril, onde também estudou teoria e solfejo. Aos 13 anos já compunha samba para o Bloco do Urso.


Seu primeiro emprego foi como guarda na polícia de vigilância, passando depois a trabalhar na tecelagem da América Fabril. Conhecido como Clarineta nos cafés frequentados por artistas, por cantar num tom que só a clarineta podia alcançar, lançou com Aurora Miranda, em 1934, Metralhadora (com Donga e Luís Meneses), música alusiva à revolução constitucionalista, e sua primeira gravação; no mesmo ano compôs o samba De madrugada (com Vicente Paiva), gravado por Aurora Miranda na Odeon. Juro (com Mílton de Oliveira, seu parceiro mais constante de sambas), obteve sucesso e o prêmio da prefeitura do antigo Distrito Federal no Carnaval de 1938, gravada por J. B. de Carvalho.

Desde os tempos do Bloco do Urso, os animais foram uma constante em suas composições, destacando-se nesse seu gênero Passarinho do relógio (Cuco) e Passo do canguru (ambas com Mílton de Oliveira), que foram sucesso respectivamente nos Carnavais de 1940 e 1941, cantadas por Araci de Almeida, sendo que a segunda chegou a ser gravada nos E.U.A. com o título de Brazilian Willy, e também por Carmen Miranda em 1942.

Ainda em 1941 foi destaque com as músicas Allah-la-ô (com Nássara), gravada por Carlos Galhardo; O bonde do horário já passou (com Milton de Oliveira), gravada por Patrício Teixeira; e Essa vida não é sopa (com Wilson Batista), gravada por Patrício Teixeira. Lançou, no ano seguinte, Emília (com Wilson Batista), gravada por Vassourinha, e A mulher do leiteiro (com Milton de Oliveira), gravada por Araci de Almeida.

Muitas de suas composições alcançaram sucesso popular, por se referirem a fatos do cotidiano ou de repercussão nacional ou internacional, como Oito em pé, marcha de 1942, gravada por Araci de Almeida, que comentava a autorização pública para que oito passageiros viajassem em pé nos coletivos, por racionamento de gasolina; Tem galinha no bonde, marcha gravada por Araci de Almeida, também de 1942, sobre regulamentação do transporte de galinhas em bondes; Que passo é esse, Adolfo? (com Roberto Roberti) e As ruas do Japão (com Cristóvão de Alencar), gravada por Linda Batista, sátiras à Alemanha e ao Japão, respectivamente, de 1943 e 1944.

Nesse ano obteve o primeiro lugar no concurso de músicas de Carnaval da prefeitura do Distrito Federal, a marcha gravada por Francisco Alves e Dalva de Oliveira Verão do Havaí (com Benedito Lacerda), o mesmo parceiro em Coitado do Edgar (gravação de Linda Batista), um dos seus sucessos em 1945, ao lado do samba Rosalina (com Wilson Batista), gravado por Jorge Veiga.

Em 1946 venceu novamente o concurso de Carnaval com a marcha Espanhola (com Benedito Lacerda), gravada por Nelson Gonçalves, e lançou com destaque o samba Vou sambar em Madureira (com Milton de Oliveira), gravado por Jorge Veiga.

Duas músicas suas que alcançaram grande popularidade marcaram o ano de 1947: a marcha antes censurada Eu quero é rosetar (com Mílton de Oliveira), gravada por Jorge Veiga, e Odalisca (com Geraldo Gomes), lançada por Nelson Gonçalves.

Folião dos mais animados, não perdia um Carnaval e preparava suas músicas com um ano de antecedência, aproveitando a inspiração da folia. Dessa forma, conseguiu destacar-se praticamente a cada Carnaval, estando suas músicas quase sempre entre as mais tocadas e popularizadas.

Exemplos dos seus sucessos foram O passo da girafa (com Milton de Oliveira), de 1949, gravado por Araci de Almeida; Pra seu governo (com Milton de Oliveira), gravado por Gilberto Milfont, e Retrato do velho (com Marino Pinto), gravado por Francisco Alves, ambos de 1951; Eva (com Milton de Oliveira), gravado por Gilberto Milfont, e Acho-te uma graça (com Benedito Lacerda e Carvalhinho), de 1952; História da maçã (com Milton de Oliveira), gravado por Jorge Veiga, de 1954; Índio quer apito (com Mílton de Oliveira), gravado por Walter Levita, de 1961, uma das composições que mais renderam em direitos autorais, e Pistoleira (com Milton de Oliveira), gravado por Ari Cordovil, de 1964.

Seu último sucesso foi Tristeza, feito com Niltinho e lançado em 1965 por Jair Rodrigues, cujo sucesso no Carnaval de 1966 não chegaria a testemunhar.

Algumas músicas



Fontes: História do Samba - Editora Globo; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.