Mostrando postagens com marcador marcelo tupinamba. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador marcelo tupinamba. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Arlindo Leal

Arlindo Leal (1871 São Paulo, SP - ?? ), revistógrafo e letrista, usava também o pseudônimo de José Elói, autor das revistas Scenas da roça e Flor do Sertão, com partituras de Marcelo Tupinambá (Fernando Lobo).

Com Tupinambá musicou várias peças e revistas de sua autoria. Algumas dessas músicas, que exploravam o tema rural, tornaram-se grandes sucessos: Maricota, sai da chuva, gravado pelo grupo "Os Passos no Choro" em 1917 e Tristeza de caboclo, gravado pela dupla Os Geraldos.

Obra

Maricota, sai da chuva (c/ Marcelo Tupinambá);  Que sodade (c/ Marcelo Tupinambá); Tristeza de caboclo (c/ Marcelo Tupinambá); Viola cantadeira (c/ Marcelo Tupinambá).

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Que sodade

Que sodade (tanguinho, 1918) - Marcelo Tupinambá (música) e Arlindo Leal (adaptação)

Em “Que Sôdade!”, o humor da letra é melancólico, tratando da separação de um par de namorados (o homem despede-se, possivelmente para procurar trabalho em uma metrópole do sul). Mesmo assim a música é animada, como pode ter sido requisitado nos teatros de revista da época.

A música original foi gravada várias vezes em diferentes estilos. Abaixo temos duas versões instrumentais:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Que Sodade / Marcelo Tupinambá, 1889-1953 (Compositor) / Bloco dos Parafusos (Intérprete) / Nº do Álbum: 121448 / Lançamento: 1918 / Gênero: Samba / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Disco selo: Odeon R / Título da música: Que Sodade / Marcelo Tupinambá, 1889-1953 (Compositor) / Orquestra Odeon de São Paulo (Intérprete) / Nº do Álbum: 121498 / Lançamento: 1918 / Gênero: Maxixe / Coleção de Origem: IMS, Nirez


Gravações mais recentes foram feitas pela cantora/folclorista Ely Camargo (no álbum Canções da Minha Terra No. 4 da Chantecler, anos 60), pelo violonista paulista Poly em guitarra havaiana com cordas de aço (possivelmente nos anos 70) e por Oswaldo Sbarro com Conjunto Serenata (1974).

Que Sôdade!.. (Scena Sertaneja) - Arreglo de Arlindo Leal / Música de Marcello Tupynambá

ELLE:
Cada vez que aconsidero,
Que eu tenho de le deixá,
Me foge o sangue das veia
E o coração do lugá!

E fico chóra-chorando,
Oiando, triste, p'ro á.
No coração amargando
O meu pená!... [bis]
Ai!

ELLA:
Não óia tanto p'ro á,
Qui vae morrê de tristura,
Se aconsola, que, na vida,
Só se véve de amargura!...

Não fica chóra-chorando,
Oiando, triste, p'ro á.
Procura î disfarçando
O teu pená!... [bis]
Ai!

ELLE:
Adeus, adeus, vô m'imbora,
Vorto a sumana qui vem...
Quem não me cunhece chora,
Qui fará quem mi quér bem!...

P'ro isso chóro-chorando,
E óio, triste, p'ro á.
Prô que me tá tormentando
Este pená!... [bis]
Ai!

ELLA:
Adeus, adeus, vórta logo,
Sucéga, carma essa dô,
Qui tu vae, mas fica aqui
Te esperando meu amô!...

Não fica chóra-chorando,
Oiando, triste, p'ro á.
Meu coração vae levando
P'ra tu com elle sonhá!... [bis]
Ai!

ELLE:
Vou alegre, vou cantando,
Sem tristura e sem pená...
Teu coração alevando
P'ra podê com tu sonhá!...

ELLA:
Vae alegre, vae cantando,
Sem tristura, sem pená...
Meu coração alevando
P'ra tu com elle sonhá!...

JUNTOS:
ELLE: Vou alegre, vou cantando, etc.
ELLA: Vae alegre, vae cantando, etc.


Fontes: Instituto Moreira Salles; Discografia Brasileira.

Pierrô

Pierrô (tanguinho, 1918) - Marcelo Tupinambá - Intérprete: Mário Pinheiro

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pierrot / Marcello Tupynambá [Música] (Compositor) / Biograph [Versos] (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 121355 / Data de Lançamento 1917 / Gênero musical: tanguinho / Coleção de Origem: Nirez


Vem pierrot, sem ti não há
Festas; e nosso esplendor triste será
Abre tua voz esse dulçor
Que para nós é canção d'amor

Oh! Pierrot, mito ideal
Vem para as ruas; chegou - O Carnaval!
Vem nos cantar tua canção
Que ao luar, tem fascinação

Canta, pulsa, sonha vive!
Esquece Colombina, o bem de teu amor
Vamos, segue outra busca,
Um outro coração, que tenha mais ardor

Vem pierrot, sem ti não há
Festas; e nosso esplendor triste será
Abre tua voz. esse dulçor
Que para nós é canção d'amor

Quanto ardor há na luz de teu olhar...
Pierrot, doce é teu amor
Faz sonhar, tua graça, sem igual
Pierrot - Oh! Visão lirical.

sexta-feira, 24 de março de 2006

Viola cantadera

Marcelo Tupinambá (A Cena Muda, de 22/Outubro/1946)

Viola cantadera (canção sertaneja, 1917) - Da opereta sertaneja Scenas da Roça, original de Arlindo Leal e música de Marcelo Tupinambá

Disco selo: Odeon R / Título da música: Viola cantadêra / Marcello Tupynambá (Compositor) / Grupo "O Passos no Choro" (Intérprete) / Flauta, Cavaquinho e Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 121516 / Nº da Matriz: 145-b / Lançamento: 1919 / Gênero musical: Tanguinho / Coleção de Origem: IMS



Interpretação de Ely Camargo em 1964:

LP Canções De Minha Terra - Vol. 3 / Título da música: Viola Cantadeira / Marcelo Tupinambá (Compositor) / Ely Camargo (Intérprete) / Paulo Barreiros (Violão) (Acomp.) / Gravadora: Chantecler / Álbum: CMG 2256 / Ano: 1964 / Tracklist: A7 / Gênero musical: Canção



Temperada minha viola / Vou rasgando logo a toada... / E a minh'arma' se aconsola / Já não véve amargurada... / Minha viola é cantadera, / Vae chorando a minha dô... / E pôr ser bôa companhera / Nunca nunca me deixou / Ai!...

C'om a viola, no sertão, / Quando a noite é de luá... / Vou abrindo o coração, / Nunca deixo de cantá

Quando alembro, com sôdade, / Da muié que me enganô... / Eu renego a mocidade / Que não vorta e já passô!... / Quando eu canto, quando eu chóro, / A viola vae gemendo / E na serra adonde móro, / Minha vois se vae perdendo... / Ai!...

E sosinho, no sertão, / Quando a noite é de luá... / Vou abrindo o coração, / Aliviando o meu pená...

Quando eu canto, no terrêro, / Minha vois correndo, avôa... / Corre as matta, corre os sêrro / E bem longe ela resôa... / Quando eu canto, com tristura, / Minha viola, num gemido, / C'o meu canto se amistura. / Mais me deixa intrestecido!.. / Ai!...

C'om a viola, no sertão / Quando a noite é de luá... / Vou abrindo o coração, / Aliviando o meu pená / Aliviando o meu pená...


Fontes: Instituto Moreira Salles; Instituto Memória Musical Brasileira.

Tristeza de caboclo

Tristeza de Caboclo é um tanguinho, a primeira música que Marcelo Tupinambá compôs sob o contrato com Campassi & Camin, editores de São Paulo. Com letra de Arlindo Leal ela se tornou um sucesso instantâneo, vendendo o número fenomenal de 120.000 partituras para piano em um ano.

Tristeza de Caboclo (tanguinho, 1916) – Arlindo Leal e Marcelo Tupinambá

Interpretação de Os Geraldos em disco selo Gaúcho:

Disco selo: Gaúcho R / Título da música: Tristeza de Caboclo / Ainda sem compositor / Arlindo Leal (Letra) / Os Geraldos (Intérprete) / Nº do Álbum: 4043 / Nº da Matriz: Sem dados / Ano: 1913 (¹) / Lançamento: 1916 (²) / Gênero musical: Tanguinho



Interpretação de Roberto Fioravanti em 1968:

LP Mensagem De Saudade / Título da música: Tristeza de Caboclo / Marcelo Tupinambá (Compositor) / Arlindo Leal (Compositor) / Roberto Fioravanti (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Álbum: CMG 2425 / Ano: 1968 / Tracklist: B2 / Gênero musical: Tanguinho


Quando na roça anoitece / Fico sempre a meditá!.. / (Coro) Fica sempre a meditá!... (bis) / Meu coração, que padece, / Não me deixa sossegá!... / (Coro) Não o deixa sossegá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, / Quando ha lua / Chora o seu amo / E sem podê

se aconsolá / Garra logo a suspirá!... / (Coro) Quem ama, com fervô, etc.

Meu coração, com tristeza, / Quando surge o bom luá. / (Coro) Quando surge o bom luá... (bis) / Sabe, com muita firmeza, / Seus queixumes disfarçá!... / (Coro) Seus queixumes disfarçá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, etc.

Quem sabe amá, com ternura, / Nunca deixa de sonhá... / (Coro) Nunca deixa de sonhá! (bis) / Não sofre a negra amargura / Que me anda a acabrunhá! (Coro) Que o anda a acabrunhá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, etc.

Quando eu pego na viola, / Com vontade de cantá, / (Coro) Com vontade de cantá!... (bis) / Meu coração se aconsola, / Alliviando seus pená!.../ (Coro) Alliviando seus pená!... (bis)



(¹) O Instituto Memória Musical Brasileira data o disco como sendo de 1913; (²) Segundo o IMS/Discografia Brasileira foi lançado em 1916.

Maricota, sai da chuva

Marcello Tupynambá (Fernando Lobo) - 1889 - 1953

Maricota, sai da chuva (tanguinho, 1917) - Canção sertaneja da opereta sertaneja Scenas da Roça - original de Arlindo Leal e música de Marcelo Tupinambá

Disco selo: Odeon / Título da música: Maricóta sáe da chuva / Marcello Tupynambá (Compositor) / Grupo "O Passos no Chôro" (Intérprete) / Flauta, Cavaquinho e Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 121515 / Lançamento: 1919 / Gênero musical: Tanguinho / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação do Trio Madrigal junto com o Trio Melodia em 1952:

Disco 78 rpm / Título da música: Maricota sai da chuva / Marcelo Tupynambá (Compositor) / Trio Madrigal (Intérprete) / Trio Melodia (Intérprete) / Vero e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Continental / Nº do Álbum: 16600-a / Nº da Matriz: 2813 / Gravação: 19/Março/1952 / Lançamento: Julho/1952 / Gênero musical: Baião / Coleção de Origem: Nirez


Côro: Maricóta, sáe da chúva / Deixa, deixa de embromá / Maricóta, sáe da chúva / Que tu vaé te aconstipá / A chúva tá penêrano / Tá penêrano no á / Maricóta, sáe da chúva / Que tu vaé te aconstipá

Maricóta: Não tenho medo da chúva / Nem do ronco do trovão / Eu quero mêmo que chôva / Pra lavá meu coração

Penêra, chuva, penêra; / Não deixa de penêrá... / E prô sê triste rocêra / Como tu anda a chorá...

Côro: Maricóta, sáe da chúva, etc... / Maricóta: Não tenho medo da chúva, etc...

Lá no ceo tá fuzilano / Vejo as nuvens a se mexê, / Pode sê que seja engano / Se chovê logo se vê...

Côro: Maricóta, sáe da chúva, etc... / Maricóta: Não tenho medo da chúva, etc...

Óia o sór já pareceu... / Já, não chóve, nhô Vadô, / Óia o arco, lá no céu, / A trovada já passô...

Côro: Maricóta, sáe da chúva, etc... / Maricóta: Não tenho medo da chúva, etc...

Cala a bocca, nhô Vadô / Que essa chúva não me móia... / Vá s'imbora, minha gente, / Que moiada eu não estô...



Fonte: Instituto Moreira Salles.

São Paulo Futuro

Marcelo Tupinambá (Fernando Álvares Lobo - 29/5/1889 Tietê, SP - 4/7/1953 São Paulo, SP) musicou, em 1914, a revista musical "São Paulo Futuro", de Danton Vampré, que estreou no Teatro São José, em São Paulo. Em 1915 a canção "São Paulo futuro" foi gravada na Odeon pelo cantor Bahiano. Em 1917, musicou a revista "Cenas da roça", escrita por Arlindo Leal (José Eloy).

São Paulo Futuro (Maxixe Curtindo) (maxixe, 1914) - Marcelo Tupinambá - Intérprete: Bahiano

Disco selo: Odeon Record / Título da música: São Paulo Futuro (Revista) - Maxixe "Cortindo" / Marcelo Tupynambá (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 120986 / Nº da Matriz: R-16 / Lançamento: 1915 / Gênero musical: Maxixe / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação do cantor Roberto Fioravanti em 1968

LP Mensagem De Saudade (Vinyl) / Título da música: São Paulo Futuro / Marcelo Tupinanmbá (Compositor) / Roberto Fioravanti (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Álbum: CMG 2425 / Ano: 1968 / Gênero musical: Maxixe


Vem morena / pro teu furrié / tu não tens penado teu Mané.
Eu te espero / gemendo de dô / e desespero sem o teu amô

Ai, vem meu bem, / tu já deu teu coração...
Ai, tu não vem, / pois eu morro de paixão. (bis)

Vem marvada / este pranto secá / nas labaredas do teu olhar
Tu parece não ter coração / porque tu some, faz ingratidão.

Ai, vem meu bem...

Eu te imploro / pela última vez: /
Fica lá em casa / somente um mês, /
E depois que esse amô / tu prová /
Tu nunca mais há / de me abandoná.

Ai, vem meu bem...



Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB; Instituto Moreira Salles; Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB).

O matuto

A partir de meados dos anos dez, a música rural paulista saiu do âmbito regional, espalhando-se pelo país. Para isso foi decisivo o trabalho do compositor Marcelo Tupinambá, estilizador do gênero. Com toadas, cateretês e tanguinhos - preferia usar o diminutivo para diferenciar seus tangos dos de Ernesto Nazareth -, ele reinou no meio musical até o início da década de vinte.

Um de seus maiores sucessos é o cateretê O matuto, em que conta o desejo de um cearense desgarrado de voltar à sua terra: "Pro sertão do Ceará / tomara já vortá / tomara já vortá...". A escolha de um tema como este, ligado a outro estado, parece indicar uma aspiração do autor a se popularizar além das fronteiras paulistas.

Natural de Tietê, filho de uma família de músicos, Marcelo Tupinambá chamava-se realmente Fernando Lobo, tendo adotado o pseudônimo em razão dos preconceitos que existiam na época contra a música popular. A mudança de nome aconteceu por volta de 1915 em conseqüência do sucesso do maxixe São Paulo Futuro, de sua autoria. Ele contava que na ocasião, cursando a Escola Politécnica de São Paulo, onde se formou no ano seguinte, foi chamado ao gabinete do diretor Paula Souza, que o censurou: "Não permito que aluno meu ande fazendo maxixes. Quem vai confiar num engenheiro que faz maxixes?". Depois desta advertência, Fernando Lobo virou Marcelo Tupinambá.

O matuto (Canção Cearense) (cateretê, 1918) - versos de Cândido Costa e música de Marcelo Tupinambá

Interpretação pela dupla Os Geraldos em disco etiqueta "Gaúcho", lançado em 1916:

Disco selo: Gaúcho R / Título da música: O Matuto / Marcello Tupynambá (Compositor) / Cândido Costa (Compositor) / Os Geraldos (Intérprete) / Nº do Álbum: 4037 / Lançamento: 1916 / Gênero musical: Tango



Interpretação de Mário Pinheiro em disco Odeon lançado em 1917:

Disco selo: Odeon R / Título da música: O Matuto / Marcello Tupynambá (Compositor) / Claudino Costa (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 121354 / Lançamento: 1917 / Gênero musical: Cateretê / Coleção de Origem: Nirez



Quando foi da meia-noite para o dia, / que eu deixei com cortezia / minha terra, o Ceará / as foias véias já cabia pela estrada, / vim marchando na picada / só na seca a matutá:

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

No cemiterio os mortos se alevantaram / uns aos outros perguntaram / que qu'eu havéra de querê? / nas catacumba os defunto té gemia / no céo as coruja ria / Eu mesmo não sei porquê...

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

As santas fêmea, na igreja já chorava / os santos macho só me oiava / com cada ôio assim! / Até os gallo e as gallinha não sabia / de corrê p'ra onde havia / tudo com medo de mim!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá.... (bis)

Quando eu cheguei dessa viagem cá no Rio / foi qu'antão logo se viu / qu'é qu'eu vinha cá fazê: / eu fui chamado só p'ra sê o presidente / desta terra, desta gente / sê o rei de vosmucês

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

Logo o povo, muito amavo, foi dizendo / o dote qu'eu ia tendo: / o Pará, França, o Japão, / um iscalé com doze remo e vinte peça / mas abanei co'a cabeça / dizendo "Não quero, não!"

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomára eu já vortá... (bis)

Agora vorto p'r'o meu ceará querido / sinão fico home perdido / é mió eu i p'ra lá! / Quero i m'imbora e hei de i até a nado / sinão fico avaccaiado / como todo mundo está!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá... / Tomara eu já vortá...


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quinta-feira, 23 de março de 2006

O cigano

Nem só de música sertaneja se constitui a obra de Marcelo Tupinambá. Um bom exemplo de seu lado cosmopolita é "O Cigano", uma das primeiras composições brasileiras a receberem a designação de fox-canção. Seguindo a moda de músicas sobre motivos exóticos, que imperava na época, Tupinambá fez em estilo andaluz esta canção, que trata da transitoriedade do amor, através do canto de um misterioso cigano.

Com uma bela melodia (que lembra a composição Oriental, de Patápio Silva) vestindo esta fantasia de gosto duvidoso, O cigano fez sucesso em 1924, quando foi gravado por Vicente Celestino, e 22 anos depois, ao ser revivido por Francisco Alves. Até então, segundo Tupinambá, as edições impressas da canção já haviam vendido mais de cem mil exemplares, o dobro de O matuto, seu segundo maior sucesso. Gastão Barroso, que assina a letra com o pseudônimo de João do Sul, era um amigo de Tupinambá desde os tempos de mocidade.

O Cigano (fox-canção, 1924) - Marcelo Tupinambá e João do Sul

Intérpreteção de Vicente Celestino em disco Odeon lançado em 1924:

Disco selo: Odeon / Título da música: O cigano / Marcelo Tupinambá, 1889-1953 (Compositor) / João do Sul (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122748 / Lançamento: 1924 / Gênero musical: Fox Canção (no disco está impresso "Fox-Trot Sertanejo") / Coleções: IMS, Nirez



Interpretação de Francisco Alves em disco Odeon lançado em outubro de 1946:

Disco 78 rpm / Título da música: O cigano / Marcelo Tupinambá, 1889-1953 (Compositor) / João do Sul (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Fon-Fon e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 12727-b / Nº da Matriz: #8081 / Gravação: 14/agosto/1946 / Lançamento: Outubro/1946 / Gênero musical: Fox Canção / Coleções: IMS, Nirez



Um dia
eu em Andaluzia
ouvi um cigano cantar
Havia
no canto a nostalgia
de castanholas batidas ao luar
Mas era
a canção tão sincera
que eu a julguei para mim
E agora
que a minh'alma te chora
ouve bem a canção que era assim:

"O amor
tem a vida da flor
Não sonhe alguém
do seu sonho a colher
do seu sonho a colher
Pois bem
como acontece à flor
o lindo amor
principia a morrer
principia a morrer"

Cigano
que sabias o engano
por que me fizeste tão mal?
Não fôra
a canção traidora
e o meu sonho seria eternal
Quem há de
fugir à realidade
que vem desmentir a ilusão?



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Marcelo Tupinambá

Marcelo Tupinambá (Foto: A Cena Muda, de 22/Outubro/1946)

Marcelo Tupinambá (Fernando Lobo), compositor e instrumentista, nasceu em Tietê SP, em 29/5/1889 e faleceu em São Paulo SP, em 4/7/1953. Filho de Eduardo Lobo, regente da Banda Santíssima Trindade, em Tietê, e sobrinho do maestro Elias Lobo, desde criança revelou inclinação para a música, aprendendo piano de ouvido e, mais tarde, violino com Savino de Benedictis. Cursando o ginásio em Pouso Alegre MG, executava diversos instrumentos e chegou a dirigir a banda local.

Em 1907, com apenas 15 anos de idade, exibiu-se em várias cidades da interior paulista, acompanhando ao piano o célebre flautista Patápio Silva, que excursionava a caminho do Sul. Em 1914, estudante da Escola Politécnica de São Paulo, alcançou seus primeiros êxitos, escrevendo músicas para a revista paulista São Paulo Futuro, de Danton Vampré, encenada também no Rio de Janeiro RJ, pela Companhia Arruda, no Teatro São José. Nessa época adotou o pseudônimo de Marcelo Tupinambá, sob o qual publicou uma série de composições: os tangos Pierrô, Xodó (com J. Taful), Viola cantadera (com Arlindo Leal), o fox-canção O cigano (com João do Sul) e o cateretê O matuto (com C. Costa).

Firmando-se como autor de melodias de inspiração sertaneja, suas composições foram publicadas por editoras paulistas e divulgadas de início através do teatro musicado. As revistas Cenas da roça e Flor do sertão, ambas de Arlindo Leal, incluíram êxitos como Tristeza de caboclo (com Arlindo Leal) e Maricota, sai da chuva.

Tupinambá - 1925
Formado engenheiro civil em 1916, exerceu a profissão até 1923, quando uma doença dos olhos o obrigou a desistir da carreira. Dedicou-se então inteiramente à música, escrevendo inclusive peças de caráter erudito, como a suíte para cordas Estrada velha, a partitura da ópera Abraão e os bailados Garoa, Burantã e Juca Mulato. Musicou poemas de Vicente de Carvalho, Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira, Olegário Mariano, Coelho Neto e muitos outros, inclusive seu conterrâneo Ariovaldo Pires, o Capitão Furtado.

Suas músicas foram gravadas pelos mais conhecidos cantores da época: Francisco Alves lançou Ruana (com Arlindo Leal), Serenata d'amor (com Bento de Camargo) e Pião (com Fernando M. Almeida); Gastão Formenti estreou em disco Odeon interpretando o tango sertanejo Cabocla apaixonada (com G. Barroso), e mais tarde gravou a modinha Barbuleta, barbuleta (com José Elói) e a valsa Noite d'encanto (com Navis), na Brunswick. Além de Vicente Celestino e Patrício Teixeira, Abigail Maia divulgou muitas de suas obras no teatro musicado, e cantoras como Bidu Saião e Violeta Coelho Neto de Freitas interpretaram canções suas em salas de concerto.

Tornou-se conhecido inclusive no exterior, quando o barítono belga Armand Crabbé gravou em Paris o célebre Tristeza de caboclo. Em homenagem ao aviador paulista Ribeiro de Barros, fez a marcha Asas do Jaú, com letra de Otacílio Gomes.

Em 1928 assistiu em Porto Alegre a um festival de suas músicas com versos de poetas gaúchos. Para a Revolução de 1930 compôs o hino Redenção, com versos de Paulo Gonçalves. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, compôs outro hino marcial, O passo do soldado, com versos de Guilherme de Almeida. Como pianista atuou em diversas cidades do interior paulista, acompanhando os intérpretes de suas canções. Usou dos pseudônimos Biograph, Samuel de Maio, XYZ, Hélio Azevedo, L. Azevedo, Pedro Gil.

Algumas músicas










Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; The Boeuf Chronicles.