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sábado, 8 de setembro de 2007

Pesadelo


Pesadelo (1972) - Maurício Tapajós, Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte - Intérprete: MPB-4

LP MPB 4 - Cicatrizes / Título da música: Pesadelo / Maurício Tapajós (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Mauro Duarte (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1972 / Nº Álbum: 6349 056 / Lado B / Faixa 2.
Tom: G

D7/9
Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, 
olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando

Que medo você tem de nós, olha aí
O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã

  C7/9
O braço do Cristo, horizonte
                   Bb7/9  D7/9
Abraça o dia de amanhã, olha aí

Não demore


Não Demore (samba, 1976) - Eduardo Gudin, Roberto Riberti e Paulo César Pinheiro - Intérprete: MPB-4

LP MPB 4 - Canto Dos Homens / Título da música: Não Demore / Eduardo Gudin (Compositor) / Roberto Riberti (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1976 / Nº Álbum: 6349 311 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: samba.



Mas não demore pra voltar, oh não!
Há muito tempo que eu não sou feliz
Tire este peso do meu coração
Corte este mal pra não criar raiz
Eu tenho o peito cheio de perdão
Mas não demore pra voltar, oh não!

Acho que tudo que eu tinha que fazer, eu fiz
Volta que eu estou precisando de consolação
Do jeito que eu tenho andado demais infeliz
Eu posso até relevar a sua ingratidão
Mas oh! não demore pra voltar oh não!
Mas oh!não demore pra voltar oh não!

Mordaça


Mordaça (1974) - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - Intérprete: MPB-4

LP MPB 4 - Palhaços & Reis / Título da música: Mordaça / Eduardo Gudin (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1974 / Nº Álbum: 6349 125 / Lado A / Faixa 3.


Tom: G

(intro) Em

F#m5-/7              B7   Em7/9    Em/D
Tudo o que mais nos uniu separou
C7+             B7      Em7/9    Em/D
Tudo que tudo exigiu renegou
C#m5-/7                   F#7    Bm    Bm/A
Da mesma forma que quis recusou
       G7+             F#7           B4/7      B7
O que torna essa luta impossível e passiva
          Am/C               B7    Em7/9   Em/D
O mesmo alento que nos conduziu debandou
C7+              B7       Em7/9   Em/D
Tudo que tudo assumiu desandou
C#m5-/7         F#7      G
Tudo que se construiu desabou

               G6      F#7      B7/4   B7
O que faz invencível a ação negativa
   Dm7                          G7      C7/9+    C7
É provável que o tempo faça a ilusão recuar
Am5-/7           D7      G7+      G6
Pois tudo é instável e irregular
F#m5-/7          B7
E de repente o furor volta
Em         Em/D
O interior todo se revolta
C7+                    B7   Em
E faz nossa força se agi...gantar
                 F#m5-/7    B7        C7+
Mas só se a vida fluir         sem se opor
                 F#m5-/7    B7      Em/B   C7+  C#m5-/7   Em/D
Mas só se o tempo seguir     sem se impor
C#m5-/7            F#7     G7+
Mas só se for seja lá como for
     C#m5-/7                 F#7       B4/7     B7
O importante é que a nossa emoção sobreviva
       Dm7                   G7     C7+
E a felicidade amordace essa dor secular
    Am5-/7     D7        G7+          G6
Pois tudo no fundo é tão singular
F#m5-/7           B7
É resistir ao inexorável
Em               Em/D
O coração fica insuperável
  C7+              B7  Em7/9     Em/D
E pode em vida imortalizar
Am                      B7
E de repente o furor volta
Em7/9               Em7
     O interior todo se revolta
C7+             B7       Em7/9
E faz nossa força se agigantar

domingo, 29 de outubro de 2006

MPB-4


Rui Alexandre Faria, nascido em Cambuci, em 1938, Milton Lima dos Santos Filho, de Campos, 1944, Antônio José Waghabi Filho, de Itaocara, 1945, e Aquiles Rique Reis, de Niterói, 1949, todas cidades do Estado do Rio de Janeiro, formam o mais antigo conjunto de que se tenha notícia, no mundo, a manter, desde a criação, os mesmos integrantes.

Rui, Miltinho e Aquiles criaram o grupo em 1962, em Niterói, e a eles juntou-se, em seguida, Waghabi - que, pelo tipo físico, tinha o apelido de Magro, que mantém ainda hoje. No início, eram o Quarteto do CPC, pois apresentavam-se nos espetáculos promovidos pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes.

Foi Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, que os batizou de MPB-4 - e nascia, aí, a sigla MPB, para designar aquele tipo de música popular brasileira voltada para a história urbana da constituição da música popular.

O primeiro disco, um compacto - aqueles disquinhos com uma música de cada lado - saiu em 1964. No ano seguinte eles juntaram as quatro vozes com as das meninas baianas, descobertas por Aloísio de Oliveira, do Quarteto em Cy, num espetáculo montado em São Paulo por Chico de Assis.

Chico de Assis foi um dos incentivadores do jovem Chico Buarque de Hollanda e entra nessa história não só por haver aproximado o xará Buarque do MPB-4 quanto por haver dado o ultimato aos meninos fluminenses: ou vocês largam a faculdade e resolvem fazer música profissionalmente, em tempo integral, ou é melhor desistir. Eles largaram a faculdade, depois de uma reunião - que varou a noite - realizada ali no então célebre bar Redondo, na Av. Ipiranga, em São Paulo.

Começava uma das histórias mais bonitas e íntegras da canção brasileira. Com uma formação de extrema simplicidade - o violão de Miltinho, a tumbadora do Magro, um eventual chocalho de Aquiles e a voz de Rui (inicialmente era só isso), o grupo alcançou um grau de sofisticação que poucas vezes um quarteto vocal conseguiu.

O uníssono é perfeito, as vocalizações (quase sempre escritas por Magro) mudaram o conceito de arranjo vocal e ainda hoje constituem a fórmula em que se baseiam os arranjos vocais. Trabalharam - em shows, peças de teatro, comícios, ou que manifestação tenha sido importante para nossa história recente - com os maiores artistas de seu tempo (houve época em que Chico Buarque não entrava em palco sem eles) e o conjunto de seus discos memoráveis forma uma antologia do que melhor se produziu na MPB - afinal, eles são homônimos da sigla e de certa forma responsáveis por ela - nos últimos 40 anos.


Mauro Dias / MPB ESPECIAL / 4/6/1973

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Última forma


Última Forma (bolero, 1972) - Baden Powell e Paulo César Pinheiro - Interpretação: MPB-4

LP Cicatrizes / Título da música: Última Forma / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Baden Powell (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1972 / Nº Álbum: 6349 056 / Lado A / Faixa 6 / Gênero musical: Bolero.


Intro: F6/9 C7/9

F7+ F6      Bm5-/7 E7       Am7/9 Am7
É, como eu falei    não ia durar
            Cm7      C#7           G7/9
Eu bem que avisei, pois é, vai desmoronar
                          A#7+
Hoje ou amanhã um vai se curvar
           Am7            Am6
E graças a Deus, não vai ser eu quem vai mudar
      A5+/7
Você perdeu
Gm7 C7/9          Gm7   C7                  Am7  C7/9-
E sabendo com quem eu lidei não vou me prejudicar
     Cm          D7                     G7/9 Gm7/9
Nem sofrer, nem chorar, nem vou voltar atrás
              A#7+                          A7
Estou no meu lugar, não há razão pra se ter paz
            D5+/7               G7/9
Com quem só quis rasgar o meu cartaz
            C7             C5+/7 F7+
E agora pra mim você não é nada mais
          Bm5-/7 E7      Am7
E qualquer um pode se enganar
          D#º       D7              G7/9
Você foi comum, pois é, você foi vulgar
                    A#7+                      A7
O que é que eu fui fazer quando dispus te acompanhar
        D5+/7         G7/9
Porém pra mim você morreu
           C7                F7+
Você foi castigo que Deus me deu
      E7      Am7 Am6   F7+     E7     Am7  A7
Não saberei jamais    se você mereceu perdão
Cm7           D5+/7 Gm7 Gm6  D#7+    D5+/7    Gm7
Porque eu não sou capaz   de esquecer uma ingratidão
           C5+/7  F7+
E você foi uma a mais
          E7            Am7
E qualquer um pode se enganar
          D#º       D5+/7          G7/9 Gm7/9
Você foi comum, pois é, você foi vulgar
                    A#7+                     A7
O que é que eu fui fazer quando dispus te acompanhar
  D5+/7              G7/9
Porém pra mim você morreu
           C5+/7             F7+
Você foi castigo que Deus me deu
        E7      Cm     D5+/7          G7/9
E como sempre se faz, aquele abraço, adeus
C7           F7+
E até nunca mais

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Roda viva

Chico Buarque de Holanda e MPB4 - Interpretando "Roda Viva".

Ao mesmo tempo em que se classificava em terceiro lugar no FIC, com “Carolina”, Chico Buarque repetia a colocação no III Festival da TV Record com “Roda Viva”. Não seria, porém como música de festival e sim como tema de uma peça homônima que “Roda Viva” entraria para a história.

Escrita por Chico em 25 dias e montada por José Celso Martinez Corrêa, essa peça estrearia no Teatro Princesa Isabel, no Rio, em 15.1.68. Criticando a situação do artista, triturado pela mídia — o personagem principal, o cantor Ben Silver, é um ídolo inventado e imposto ao público pela publicidade —, o espetáculo teve uma encenação chocante, agressiva e provocadora, pela maneira livre e audaciosa como José Celso tratou o texto, com a aprovação total do autor. Aliás, Chico aproveitaria a oportunidade para se livrar da incômoda imagem de bom moço, que teimavam em lhe impingir.

Acontece que apresentada no agitado ano de 1968, quando a radicalização da ditadura caminhava para a edição do AI5, Roda Viva gerou uma intensa reação de grupos de direita ligados ao regime, que culminou com a agressão aos atores e a destruição dos cenários no Teatro Galpão, em Porto Alegre, em 17.7.68. Isso determinou o final das encenações, sendo os participantes da peça enfiados num ônibus e despachados para São Paulo, com a recomendação de não retornarem.

Mas, voltando à canção, “Roda Viva” é uma longa e muito bem elaborada composição, com uma melodia soturna que realça e complementa o pessimismo fatalista do poema (“Faz tempo que a gente cultiva/a mais linda roseira que há /mas eis que chega a roda viva/e carrega a roseira pra lá...”). A canção foi defendida no festival e gravada pelo próprio Chico, com o apoio do MPB 4, numa versão que pode ser considerada como definitiva (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Roda Viva (samba, 1967) - Chico Buarque - Interpretação: Chico Buarque e MPB-4

LP Chico Buarque De Hollanda Vol. 3 / Título da Música: Roda Viva / Chico Buarque (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: RGE / Ano: 1968 / Nº Álbum: XRLP 5320 / Lado A / Faixa 6 / Gênero musical: Samba / MPB.

Int.: Em7/9  A7  D7+ D6  C#7  F#7  G7+

Bm7                       G7 
Tem dias que a gente se sente
F#7
como quem partiu ou morreu
Em7/9 A7    D7+ 
A gente estancou de repente
C#7        F#7 
ou foi o mundo então que cresceu
B7       Em7               A7     D7+
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
C#7     F#7  Bm7 
Mas eis que chega a roda viva
G7                 F#7
e carrega o destino pra lá

       Bm7         Bm7/A        Em7          A7
Roda mundo, roda-gigante, roda moinho, roda pião
   Am7     D7/9 G7+             F#7/5+  F#7   Bm7
O tempo rodou num instante nas voltas do   meu  coração

                         G7                     F#7
A gente vai contra a corrente até não poder resistir
Em7      A7  D7+                 C#7     F#7
Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir
   B7        Em7 
Faz tempo que a gente cultiva
                A7       D7+
a mais linda roseira que há
   C#7     F#7  Bm7 
Mas eis que chega a roda viva
              G7       F#7
e carrega a roseira pra lá
...

Bm7                  G7   
A roda da saia, a mulata,
                            F#7
não quer mais rodar, não senhor
   Em7/9  A7  D7+           C#7     F#7
Não posso fazer    serenata, a roda de samba acabou
   B7           Em7            A7       D7+
A gente toma a iniciativa, viola na rua, a cantar
  C#7     F#7  Bm7               G7     F#7
Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola pra lá
...

Bm7                    G7                          F#7
O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou
          Em7/9    A7  D7+                 C#7    F#7
Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou
   B7       Em7                A7     D7+
No peito a saudade cativa faz força pro tempo parar
              F#7          Bm7
Mas eis que chega a roda viva
               G7        F#7
e carrega a saudade pra lá...

Partido alto

De bem com o público e de mal com a censura, Chico Buarque desenvolveu intensa atividade artística em 1972, que incluiu a participação como ator e autor da trilha sonora no filme “Quando o Carnaval Chegar”, a peça musical “Calabar” (que não chegou a ser encenada), versões para o espetáculo “O Homem de La Mancha” e, por fim, um show com Caetano Veloso, no Teatro Castro Alves, em Salvador.

Uma das músicas compostas para o filme foi o samba “Partido Alto”, que se tornou um sucesso, em gravação do MPB4. Imitando, sem rigorismo musicológico, essa forma primitiva de samba, ele criou uma espirituosa letra em que, entremeadas por um refrão, são cantadas quatro estrofes, procurando dar a impressão de que elas estão sendo improvisadas por partideiros. E sem prejuízo do humor, aproveitou para lançar mais algumas farpas contra a ditadura — “Deus me deu mão de veludo pra fazer carícia / Deus me deu muitas saudades e muita preguiça / Deus me deu pernas compridas e muita malícia / pra correr atrás de bola e fugir da polícia / um dia ainda sou notícia...”

Como era fácil de prever, a censura considerou o samba “uma ofensa ao povo brasileiro” e só consentiu sua liberação depois de vetar algumas palavras como “titica” (“Como é que pôs no mundo essa pouca titica”, que passou a “pobre coisica”) e “brasileiro” (“Na barriga da miséria eu nasci brasileiro”, substituído por “batuqueiro”). “Partido Alto” tem uma versão francesa com o curioso título de “Qui Ces’t Lui-lá?” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Partido Alto (samba, 1972) - Chico Buarque - Interpretação: MPB-4

LP Cicatrizes / Título da música: Partido Alto / Chico Buarque (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1972 / Nº Álbum: 6349 056 / Lado A / Faixa 7 / Gênero musical: Samba / Partido Alto / MPB.


E                     A                    E  
Diz que deu, diz que Deus, diz que Deus dará,   
       A           E          A 
        não vou duvidar, ô nega 
              E      A                G#7       C#m 
E se Deus não dá,    como é que vai ficar,   ô nega? 
                     E   A              E    A 
Diz que deu, diz que dá,  e se Deus  negar, ô nega 
            G#7       C#m            A         E 
Eu vou me indignar e chega,  Deus dará, Deus dará 
E 
Deus é um cara gozador, adora brincadeira 
                    Bm7             E7          A 
Pois prá me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro 
                    A#°               E 
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro 
      C#m       F#m         B 
Na barriga da miséria nasci brasileiro 
E                   A 
Eu sou do Rio de Janeiro 
E                    A                    E   
Diz que deu, diz que Deus, diz que Deus dará,   
      A             E       A 
       não vou duvidar, ô nega 
              E   A                  G#7           C#m 
E se Deus não dá,    como é que vai ficar,   ô nega? 
                     E   A              E       A 
Diz que deu, diz que dá,  e se Deus  negar, ô nega 
               G#7      C#m         A           E 
Eu vou me indignar e chega,  Deus dará, Deus dará 
E 
Jesus Cristo ainda me paga, um dia ainda me explica 
                  Bm7                 E7      A 
Como é que pôs no mundo essa pouca titica 
                     A#°               E 
Vou correr o mundo afora, dar uma canjica 
       C#m                 F#m                B 
Que prá ver se alguém me embala ao ronco da cuíca 
E                        A 
E aquele abraço prá quem fica 
E                    A                    E   
Diz que deu, diz que Deus, diz que Deus dará,   
      A             E       A 
      não vou duvidar, ô nega 
               E   A               G#7           C#m 
E se Deus não dá,    como é que vai ficar,   ô nega? 
                     E   A             E          A 
Diz que deu, diz que dá,  e se Deus  negar, ô nega 
               G#7     C#m        A             E 
Eu vou me indignar e chega,  Deus dará, Deus dará
E
Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio 
                   Bm7          E7       A 
Pele e osso simplesmente, quase sem recheio 
                                    A#°      E 
Mas se alguém me desafia e bota a mãe no meio 
       C#m             F#m             B 
Dou pernada a três por quatro e nem me despenteio 
E                      A 
Que eu já tô de saco cheio 
E                     A                   E   
Diz que deu, diz que Deus, diz que Deus dará,   
            A           E        A 
           não vou duvidar, ô nega 
               E    A               G#7           C#m 
E se Deus não dá,    como é que vai ficar,   ô nega? 
                    E   A             E         A 
Diz que deu, diz que dá,  e se Deus  negar, ô nega 
              G#7       C#m         A          E 
Eu vou me indignar e chega,  Deus dará, Deus dará 
E 
Deus me deu mão de veludo prá fazer carícia 
                   Bm7         E7      A 
Deus me deu muita saudade e muita preguiça 
                     A#°                E 
Deus me deu perna cumprida e muita malícia 
      C#m           F#m           B 
Prá correr atrás da bola e fugir da polícia 
E                 A 
Um dia ainda sou notícia 
E                   A                      E   
Diz que deu, diz que Deus, diz que Deus dará,   
         A           E         A 
         não vou duvidar, ô nega 
             E    A                G#7           C#m 
E se Deus não dá,    como é que vai ficar,   ô nega? 
                     E   A             E             A 
Diz que deu, diz que dá,  e se Deus  negar, ô nega 
               G#7       C#m         A         E 
Eu vou me indignar e chega,  Deus dará, Deus dará

domingo, 23 de julho de 2006

Benvinda


Benvinda (1968) - Chico Buarque - Intérprete: MPB-4

LP IV Festival Da Música Popular Brasileira - Vol. 1 / Título da música: Benvinda / Chico Buarque (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1968 / Nº Álbum: R 765.065 L / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: MPB / Festivais da MPB.


Tom: Dm7

Intro: Dm7 C#5+/7 Cm7 B7 A#7+ A#m7
Am7 G#º Gm7 C7 Em5-/7 A7/9-

Dm7        C#5+/7        Cm7
Dono do abandono e da tristeza
Am5-/7   D7       Gm7            D/F#           G/F
Comunico oficialmente que há um lugar na minha mesa
C/E          Cm/D#  
Pode ser que você venha por mero favor,
Gm/D             C#º E7
ou venha coberta de amor
A7
Seja lá como for, venha sorrindo
Dm7        A/C#      D/C
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Am5-/7           D7            Gm7
Que o luar está chamando, que os jardins estão florindo
A7
Que eu estou sozinho
Dm7     A/C#          D/C       Am5-/7    D7   Gm7
Cheio de anseio e de esperança, comunico a toda gente
D/F#           G/F
Que há lugar na minha dança
C/E             Cm/D#
Pode ser que você venha morar por aqui,
Gm/D           C#º   E7
ou venha pra se despedir
A7
Não faz mal pode vir até mentindo
Dm7       A/C#      D/C
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Am5-/7          D7              Gm7
Que o meu pinho está chorando, que o meu samba está pedindo
A7  
Que eu estou sozinho
Dm7    E7          A7     Am5-/7      F7               E7
Vem iluminar meu quarto escuro, vem entrando com o ar puro
A7       Dm  A7/9+
Todo novo da manhã
Dm7           E7    A7   C6         F7       E7
Oh vem a minha estrela madrugada, vem a minha namorada
Em5-/7       A7
Vem amada, vem urgente, vem irmã
Dm7        A/C#      D/C
Benvinda, benvinda, benvinda
Am5-/7          D7           Gm7
Que essa aurora está custando, que a cidade está dormindo
A7
Que eu estou sozinho
Dm7             A/C#      D/C     Am5-/7 D7   Gm7
Certo de estar perto da alegria, comunico finalmente
D/F#       G/F
Que há lugar na poesia
C/E                  Cm/D#
Pode ser que você tenha um carinho para dar,
Gm/D            C#º   E7
ou venha pra se consolar
A7
Mesmo assim pode entrar que é tempo ainda
Dm          A/C#      D/C
Ah, benvinda, benvinda, benvinda
Am5-/7                     D7              Gm7
Ah, que bom que você veio, e você chegou tão linda
A7
Eu não cantei em vão
D           A/C#      Cm7        F7       A#7
Benvinda, benvinda, benvinda. benvinda, benvinda
A7   Dm
No meu coração

sexta-feira, 21 de julho de 2006

No Cordão da Saideira


No Cordão da Saideira (frevo-canção, 1967) - Edu Lobo - Interpretação: MPB-4

LP MPB-4 / Título da música: No Cordão da Saideira / Edu Lobo (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Elenco / Ano: 1967 / Nº Álbum: ME-43 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Frevo-canção.



Hoje não tem dança
Não tem mais menina de trança
Nem cheiro de lança no ar
Hoje não tem frevo
Tem gente que passa com medo
E na praça ninguém pra cantar
Me lembro tanto
E é tão grande a saudade
Que até parece verdade
Que o tempo inda pode voltar

Tempo da praia de ponta de pedra
Das noites de lua
Do susto é carreira na caramboleira
Do bomba-meu-boi
Que tempo que foi
Agulha frita, munguzá, cravo e canela
Serenata eu fiz pra ela
Cada noite de luar

Tempo do corso,da Rua da Aurora
É moço no passo
Menino e senhora do bonde de Olinda
Pra baixo e pra cima
Do caramanchão
Esqueço mais não
E frevo ainda apesar da quarta-feira
No cordão da saideira
Vendo a vida se enfeitar

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Fantasia


Fantasia (1979) - Chico Buarque - Interpretação: MPB-4

LP Bons Tempos, Hein ?! / Título da música: Fantasia / Chico Buarque (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1979 / Nº Álbum: 6349 409 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Marcha-rancho.


Tom: D#

Cm7(9)         Db/Cb   Cm7(9)       G7/B
E     se, de repente a gente não sentisse 
   Ab6             Gm6     Fm7
A dor que a gente finge e sente
         C7/E    F/Eb        F7/C
Se, de repente a gente distraísse 
   G7         G7/4      Ab6          Gm6
O ferro do suplício ao som de uma canção
  Fm7           Bb7(9)     Eb7M  Ab7
Então, eu te convi____daria         
             Db7M  Dm7(b5)          G7/4  G7 G7(b13) G7
Pra uma fantasia          Do meu violão

Eb7M  G7/D              Cm7(9)  Bº 
Canta,    canta uma esperança      
 Bb7                 Eb7M  Am7  D7  G
Canta, canta uma alegria  can__ta  mais
Eb7(9)            Ab7M  C7
      Revirando a noite   
            Fm  G7(b13) G7   G7(b13) G7
Revelando o dia Noi_____te e di______a
G7(b13) G7   G7(b13) G7
Noi_____te e di______a

Eb7M  G7/D            Cm7(9)  Bº 
Canta     a canção do homem      
Bb7               Eb7M  Am7   D7  G
Canta a canção da vida  Can__ta  mais
Eb7(9)              Ab7M  C7
      Trabalhando a terra   
             Fm    G7(b13) G7  G7(b13) G7
Entornando o vinho Can_____ta, can_____ta
G7(b13) G7  G7(b13) G7
Can_____ta, can_____ta

Eb7M  G7/D             Cm7(9)  Bº 
Canta      a canção do gozo       
Bb7               Eb7M  Am7  D7  G
Canta a canção da graça Can__ta  mais
Eb7(9)             Ab7M  C7
      Preparando a tinta   
             Fm    G7(b13) G7  G7(b13) G7
Enfeitando a praça Can_____ta, can_____ta
G7(b13) G7  G7(b13) G7
Can_____ta, can_____ta

Eb7M  G7/D            Cm7(9)  Bº 
Canta     a canção de glória     
Bb7               Eb7M  Am7  D7  G
Canta a santa melodia   Can__ta  mais
Eb7(9)            Ab7M  C7
      Revirando a noite   
            Fm  G7(b13) G7   G7(b13) G7
Revelando o dia Noi_____te e di______a
G7(b13) G7   G7(b13) G7
Noi_____te e di______a   
G7(b13) G7   G7(b13) G7  G7(b13) G7   G7(b13) G7
Noi_____te e di_______a, noi_____te e di______a

Cm7(9)         Db/Cb   Cm7(9)       G7/B 
E     se, de repente a gente não sentisse 
   Ab6             Gm6     Fm7
A dor que a gente finge E sente
         C7/E    F/Eb        F7/C 
Se, de repente a gente distraísse 
   G7         Ab6       Gm6         Fm7
>O ferro do suplício Ao som de uma canção
  Fm7           Bb7(9)     Eb7M  Ab7
Então, eu te convi____daria         
             Db7M  G7          Cm7(9)
Pra uma fantasia     Do meu violão

Eb7M  G7/D              Cm7(9)  Bº
Canta,    canta uma esperança...

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Cravo e canela


Cravo e Canela (1971) - Milton Nascimento e Ronaldo Bastos - Interpretação: MPB-4

LP De Palavra... Em Palavra... / Título da música: Cravo E Canela / Milton Nascimento (Compositor) / Ronaldo Bastos (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Elenco / Ano: 1971 / Nº Álbum: ME-64 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: MPB.


Intro:  C G D  Dm7(9) Em7(9)

 C G D 
Ê morena quem temperou
Cigana quem temperou o cheiro do cravo
Cigana quem temperou
Morena quem temperou a cor de canela
F7M               Em7(9)
  A lua morena a dança do vento
            Dm7(9)           Em7(9)
O vento da noite o sol da manhã
F7M
  A chuva cigana
    Em7(9)
A dança dos rios
      Dm7(9)
O mel do cacau
           Em7(9)
E o sol da manhã

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Vira virou

Depois de um giro de dois meses pela Europa, encerrado em Portugal, Kleiton, o mais velho dos irmãos Ramil (sendo os demais Kledir e Vitor), compôs um fado, a pedido de uma cantora portuguesa. A composição, na concepção de Kleiton, era na verdade algo assim “que mais se aproximava de um fado”. Ou “um fado brasileiro”, como o classificou tempos depois o cantor luso Carlos do Carmo.

Criada a espinha dorsal da música, Kleiton procurou injetar na letra uma dose positiva da fraternidade que tanto o sensibilizara no contato com os portugueses. Prometia ainda, em retribuição a esse sentimento, levar a Portugal um pouco de terra do Brasil: “Vou voltar na primavera / e era tudo o que eu queria / levo terra nova daqui / quero ver o passaredo / pelos portos de Lisboa //! Voa, voa que eu chego já...”

Na melodia em compasso ternário, sintomático da origem gaúcha do autor, ele utiliza notas longas, harmonizadas com acordes diferentes: “Ah! Vira virou / meu coração navegado-o-o-or / Ah! Gira girou / essa gale-e-e-era...”

Em razão do processo de abertura, que começava a ser vivido no Brasil, esse refrão acabou ganhando uma conotação político-libertária, reforçada pela interpretação do MPB-4, o primeiro a gravá-lo. Além da canção e do disco, houve um show homônimo do quarteto, que incluiu a participação de Kleiton e Kledir. Assim, depois de “Vira Virou”, a dupla gaúcha foi ganhando espaço no meio musical, logrando vários sucessos como “Paixão”, “Deu pra Ti” e “Tô que Tô”, este na voz de Simone.

Nenhum porém mais expressivo do que “Vira Virou”, que é muito cantado no exterior, principalmente por corais, tendo gravações de Mercedes Sosa e Eugênia Mello e Castro, a cantora portuguesa que pedira um fado a Kleiton Ramil (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Vira Virou (fado, 1980) - Kleiton Ramil - Interpretação: MPB-4

LP Vira Virou / Título da música: Vira Virou / Kleiton Ramil (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Ariola / Ano: 1980 / Nº Álbum: 201.604 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Fado.



Interpretação de Kleiton, Kledir e Ivan Lins: LP Kleiton & Kledir / Gravadora: Ariola / Nº Álbum: 201.611 / Ano: 1980 / Kleiton & Kledir (Interpretação) / Ivan Lins (Interpretação) / Gênero musical: Fado.


Tom: G
(intro)  Em  C  D  G  B7  C  D  G  Em  C  B7  C7+  B7  C  D  G

Em                      C
     Vou voltar na primavera
 D                        G
     e  era tudo que eu queria
B7        C      D     G
     Levo  terra  nova daqui
Em                  C
     Quero ver o passaredo
D                      G
     pelos portos de Lisboa
B7       C          D          G
     Voa,  voa que   eu chego   já
Em                          C
     Ai, se alguém segura o  leme
B7                    Em
     Dessa  nave incandescente
B7/D#                    C
     Que incendeia a minha   vida
D                     G
     Que era viajante lenta
Em                    C
     Tão faminta da alegria
B7                     C7
     Hoje é porto de partida.
G        D       Em    Em/D   A/C#   C     D
     Ah!  Vira, virou   meu coração  navegador
C7    B7         Em  Em/D      D G
     Ah!  gira,  girou     essa  galera

terça-feira, 21 de março de 2006

Lamentos

Pixinguinha
Lamentos (choro, 1928) - Música de Pixinguinha e letra de Vinícius de Moraes - Interpretação: MPB-4

Primeira gravação com o título "Lamento" em 1928, ainda sem a letra de Vinícius de Moraes, em disco selo Parlophon:

Disco 78 rpm / Título da música: Lamento / Pixinguinha (Compositor) / Orquestra Típica Pixinguinha - Donga (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 12867-a / Nº da Matriz: 2046 / Gravação: Outubro/1928 / Lançamento: Novembro/1928 / Gênero musical: Choro / Coleção: José Ramos Tinhorão



MPB-4 interpretando "Lamentos" em 1977 (do programa "Arquivo N" da Globo News sobre Pixinguinha):



Introdução:G G7 C C#º G/D A7 D7 G D7

G--------------- Gº
Morena tem pena
--------G7+--------- G#º-- E7/9-
Mas ouve o meu lamen...to
Am7--------------F#m7/5- B7
Tento em vão
-------Em------------- C#m7/5- F#7
Te esquecer
--------B7+-------- G#m7 --C#m7 F#7


Mas olha, o meu tormento
----B7 ----------E7 --------Am7
É tanto, que eu vivo em pranto,
--------D7----- G7
Sou todo infeliz
Dm7------ G7--------- C ----Cm6---- G
Não há coisa mais triste, meu benzinho,
Em7--------- Am7----- D7---- G--- B7
Que este chorinho que eu te fiz


Em Em/D# Em/D Em/C# E7/9- Am Am/G# Am/G Am/F# B7 F#m7/5- B7 Em Em7 C7+ C7 F#m B7 Am7 C7 B7 Em/B Eb/Bb Am7/11 D7

G------------Gº
Sozinho, morena
-----G7+------------G#º E7/9-
Você nem tem mais pe...na
Am7-------------F#m7/5- B7
Ai, meu bem
-----Em-------C#m7/5- F#7
Fiquei tão só
-------B7+ -----G#m7 C#m7 F#7
Tem dó, tem dó de mim
------ B7--------E7------ Am7
Porque estou triste assim
------ D7-------- G7
Por amor de você
Dm7-------- G7 -------- C -------Cm6 G
Não há coisa mais linda neste mundo
Em7----------- Am7----- D7 -- G
Que o meu carinho por você
--------- G7 ------ C
Meu amor, tem dó
-------- C#º------ G/D A7 D7 G
Meu amor, tem dó