segunda-feira, 30 de julho de 2007

Sucessos de 1970


1859 1866 1880 1901 1902 1903 1904 1905 1906 1907 1908 1909 1910 1911 1912 1913 1914 1915 1916 1917 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928 1929 1930 1931 1932 1933 1934 1935 1936 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985
1970
Apesar de você (samba), Chico Buarque
Assim na terra como no céu, Roberto Menescal e Paulinho Tapajós
Azul da cor do mar, Tim Maia
Bandeira branca (marcha-rancho/carnaval), Max Nunes e Laércio Alves
BR-3, Tibério Gaspar e Antônio Adolfo
Cento e vinte, 150, 200 kms p/hora, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Coqueiro verde, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
É de lei, Baden Powell e Paulo César Pinheiro
Eu amo você, Cassiano e Sílvio Rochael
Eu te amo meu Brasil (marcha), Dom (Eustáquio Gomes de Farias)
Foi um rio que passou em minha vida (samba), Paulinho da Viola
Gente humilde, Garoto, Vinícius de Moraes e Chico Buarque
Hotel das estrelas, Jards Macalé e Duda Machado
Irmãos Coragem, Nonato Buzar e Paulinho Tapajós
Jesus Cristo, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
London, London, Caetano Veloso
Madalena, Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza
Menina, Paulinho Nogueira
Meu laia-raiá (samba), Martinho da Vila
Meu pequeno Cachoeiro, Raul Sampaio
O amor é o meu país, Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza
O Cabeção, Roberto Correia e Sílvio Son
Paixão de um homem, Waldick Soriano
Pra frente Brasil (hino/marcha), Miguel Gustavo
Pra você, Sílvio César
Primavera, Cassiano e Sílvio Rochael
Primeiro clarim (marcha–rancho), Klécius Caldas e Rutinaldo
Procurando tu, Antônio Barros e J. Luna
Quero voltar pra Bahia, Paulo Diniz
Se eu pudesse conversar com Deus, Nelson Ned
Teletema, Antônio Adolfo e Tibério Gaspar
Tudo se transformou, Paulinho da Viola
Universo do teu corpo, Taiguara
Vai ser assim, Martinha
Verão vermelho, Nonato Buzar
Vista a roupa meu bem, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Vou deitar e rolar, Baden Powell e Paulo César Pinheiro

Músicas estrangeiras de sucesso no Brasil:

A B C, Deke Richards, Berry Gordy Jr., Freddy Perren e Fonce Mizell
Airport Love Theme, Alfred Newman e Paul Francis Webster
The Boxer, Paul Simon
Bridge Over Troubled Water, Paul Simon
Everybody’s Talkin, Fred Neil
I Want You Back, Deke Richards, Berry Gordy Jr., Freddy Perren e Fonce Mizell
Je t’Aime Moi Non Plus, Serge Gainsbourg
Let It Be, John Lennon e Paul McCartney
Let It Bleed, Mick Jagger e Keith Richard
Marie Jolie, E. Papathanassiou e B. Bergman
Midnight Cowboy, John Berry
My Pledge of Love, Joseph Stafford Jr.
Picking up Pebbles (Adeus Solidão), Curtis
Raindrops Keep Failin’ on My Head, Burt Bacharach e Hal David
Something, George Harrison
Superstar, Leon Russell e Bonnie Bramlett
Ti voglio tanto bene, E. Curtis e D. Furnó
Venus, R. V. Leeuwen
Yellow River, Jeff Christie
Zambullite de Cabeza (Fumacê), C. A. Fernandez

Cronologia:

08.05: É lançado o último álbum dos Beatles (o elepê Let it be), que em seguida iniciam carreiras individuais.
21.06: O Brasil ganha na Cidade do México o IX Campeonato Mundial de Futebol, vencendo na final a Itália por 4 a 1.
11.07: Morre em Lisboa o cançonetista Geraldo Magalhães, muito popular no início do século como integrante da dupla Os Geraldos.
12.07: Morre em São Paulo (SP) o cantor/compositor Raul Torres.
18.09: Morre em Londres o guitarrista Jimi Hendrix.
24.09 a 05.10: Realiza-se o V Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo do Rio de Janeiro e vencido pela canção “Pedro Nadie”, de Piero, representante da Argentina. Na fase nacional, venceu “BR-3”, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar.
04.10: Morre em Hollywood (Califórnia, EUA) a cantora Janis Joplin.
09.10: É iniciada a construção da Rodovia Transamazônica.
06.11: Morre no México o compositor Agustín Lara
03.12: Morre em São Paulo (SP) o compositor Luiz Carlos Paraná.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Sucessos de 1969

1859 1866 1880 1901 1902 1903 1904 1905 1906 1907 1908 1909 1910 1911 1912 1913 1914 1915 1916 1917 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928 1929 1930 1931 1932 1933 1934 1935 1936 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985

1969

Ando meio desligado, Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias
Aquele abraço (samba), Gilberto Gil
As curvas da estrada de Santos, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
As flores do jardim da nossa casa, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Atrás do trio elétrico, Caetano Veloso
Avenida iluminada (marcha-rancho/carnaval), Newton Teixeira e Brasinha
Bahia de todos os deuses (samba-enredo/carnaval), Bala e Manoel Rosa
Bloco de Sujo (samba/carnaval), Luiz Reis e Luís Antônio
Cadê Teresa (samba), Jorge Ben
Cantiga por Luciana, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós
Casa de bamba (samba), Martinho da Vila
Casaco marrom (Bye, bye, Ceci), Renato Correia, Guarabira e Danilo Caymmi
Charles Anjo 45, Jorge Ben
Eu disse adeus, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Hoje, Taiguara
Iaiá do Cais Dourado (samba-enredo/carnaval), Martinho da Vila e Rodolfo de Souza
Irene, Caetano Veloso
Juliana, Antônio Adolfo e Tibério Gaspar
Levanta a cabeça (samba/carnaval), Osvaldo Nunes e Ivan Nascimento
Meia-volta (Ana Cristina), Antônio Adolfo e Tibério Gaspar
Mustang cor de sangue, Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle
Não identificado, Caetano Veloso
Não vou ficar, Tim Maia
O conde (samba), Evaldo Gouveia e Jair Amorim
O pequeno burguês (samba), Martinho da Vila
Oh! Meu imenso amor, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
País tropical, Jorge Ben
Pra que dinheiro (samba), Martinho da Vila
Que maravilha, Jorge Ben e Toquinho
Que pena, Jorge Ben
Sentado à beira do caminho, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Sentinela, Milton Nascimento e Fernando Brant
Será será, Nelson Ned
Sinal fechado, Paulinho da Viola
Socorro, nosso amor está morrendo, Fábio
Sua estupidez, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Tudo passará, Nelson Ned
Zazueira, Jorge Ben

Músicas estrangeiras de sucesso no Brasil:

Aquarius, James Rado, Galt MacDermot e Gerome Ragni
The Ballad of John and Yoko, John Lennon e Paul McCartney
Crimson and Clover, Peter Lucia e Tommy James
F... Comme Femme”, Adamo
For Once in My Life, Ronaid Miller e Orlando Murden
Get Back, John Lennon e Paul McCartney
Good-Morning Starshine, James Rado, Galt MacDermot e Gerome Ragni
Un Jour un Enfant, E. Stern e E. Mornay
Let the Sunshine In, James Rado, Gat MacDermot e Gerome Ragni
Light My Fire, Jim Morrison, John Densmore, Robert Krieger e Ray Manzarek
Love Is All, Les Reed e Barry Mason
Mrs. Robinson, Paul Simon
My Way (Comme d’Habitude), J. Revaux, C. François, G. Thibault e Paul Anka
Ob-la-di, Ob-la-da, John Lennon e Paul McCartney
Sugar, Sugar, Jeff Barry e Andy Kim
Those Were the Days, Gene Raskin
A Time for Us (Love theme from ‘Romeo and Juliet'), Rotta, Kosik e Snyder
To Sir With Love, Don Black, Marc London e R. Granier
Tomorrow, Tomorrow, Barry Gibb e Maurice Gibb
Zingara, Albertelli e Riccardi

Cronologia:

30.04: Morre no Rio de Janeiro (RJ) o compositor/cantor Ataulfo Alves.

20.07: O homem chega à lua. O feito pioneiro é realizado pelos astronautas americanos Neil Armstrong e Erwin Aldrin.

08.08: Morre no Rio de Janeiro (RJ) o compositor Hekel Tavares.

12.08: Morre no Rio de Janeiro (RJ) o flautista/compositor Dante Santoro.

13.08: Morre no Rio de Janeiro (RJ) o bandolinista/compositor Jacob do Bandolim (Jacob Pick Bittencourt).

16.08: Morre em São Paulo (SP) o compositor Denis Brean (Augusto Duarte Ribeiro).

15 a 17.08: Realiza-se o Festival de Woodstock (Nova York, EUA), assistido por cerca 400 mil pessoas, um marco na história do rock.

31.08: Vitimado por um derrame cerebral, Costa e Silva deixa a presidência da República, assumindo o poder uma junta constituída pelo general Lira Tavares, almirante Augusto Radmaker e o marechal-do-ar Márcio de Souza Melo. 183.341 pessoas assistem ao jogo Brasil x Paraguai, batendo o recorde de público no Estádio do Maracanã. Nesta partida a seleção brasileira classificou-se para a Copa do Mundo, vencendo por 1 x 0.

09: Realiza-se o IV Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo do Rio de Janeiro e vencido pela composição Cantiga por Luciana, de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós.

01.09: Estréia na TV Globo do Rio de Janeiro o “Jornal Nacional”.

01.10: Realiza-se o vôo inaugural do Concorde, o primeiro avião comercial capaz de atingir velocidade supersônica.

22.10: O Congresso Nacional é reaberto, após dez meses de recesso, a fim de eleger presidente da República o general Emilio Garrastazu Médici.

27.10: Morre em Niterói (RJ) o compositor Gadé (Osvaldo Chaves Ribeiro).

30.10: O general Médici toma posse na presidência da República.

11: Realiza-se o V Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record de São Paulo e vencido pelo samba Sinal fechado, de Paulinho da Viola.

19.11: Pelé marca no Maracanã, em partida Santos x Vasco da Gama, o milésimo gol de sua carreira.

08.12: Morre no Rio de Janeiro (RJ) o compositor/instrumentista Augusto Vasseur.

Soy loco por ti, América

Capinan
Numa reunião no Hotel Danúbio, em São Paulo, o produtor Manoel Barenbein e o arranjador Júlio Medaglia discutiam com Caetano Veloso a ordem de localização das músicas de seu primeiro elepê, praticamente concluído, quando ouviram no rádio a notícia da morte de Ernesto Che Guevara. Imediatamente, Caetano ligou para Capinan e pediu uma letra sobre o assunto. Horas depois estava pronta “Soy Loco por Ti América”, com melodia de Gilberto Gil.

Esta canção-homenagem ao revolucionário Che é um baião, enxertado de ritmos latino-americanos, com letra no mais castiço portunhol, onde palmeiras tropicais se misturam a trincheiras “del hombre muerto”: “Soy loco por ti America / soy loco por ti de amores / estou aqui de passagem / sei que adiante / um dia vou morrer / de susto, de bala ou vício.”

O arranjo rumbado e o piano percussivo remetem a uma ambientação sonora — estilo latin America — dos filmes de Carmen Miranda, um dos símbolos do tropicalismo, disfarçando com perspicácia a referência a Guevara e, por extensão, à revolução cubana. Assim, incluída no disco à última hora, “Soy Loco por Ti América” salientou-se, sobretudo, pelo contraste com as demais faixas, apesar de sua melodia trivial.

Foi, de certa forma, o primeiro sinal de futuras incursões realizadas por Caetano no universo da música hispano-americana, cultivada em discos e shows e acumulando um considerável repertório do gênero (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Soy Loco Por Ti, América (1968) - Gilberto Gil e Capinan - Intérprete: Caetano Veloso

LP Caetano Veloso / Título da música: Soy Loco Por Ti, América / Gilberto Gil (Compositor) / Capinan (Compositor) / Caetano Veloso (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1968 / Nº Álbum: R 765.026 L / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Rumba / Tropicalismo / MPB.

Tom: G
Introdução: D G D A (4x) Em Gm D

                   G/A                    D
Soy loco por ti, america yo voy traer una mujer playera
                   G/A                       D
Que su nombre sea marti, que su nombre sea marti
                     G/A                D
Soy loco por ti de amores tengo como colores la espuma
                G/A                         D
Blanca de latinoamerica y el cielo como bandeira
       Em  Gm      D
Y el cielo como bandeira
                    G/A                       D
Soy loco por ti, america soy loco por ti de amores
                   G/A                      D
Sorriso de quase nuvem, os rios cancoes, o medo
                    G/A                       D
O corpo cheio de estrelas o corpo cheio de estrelas
                  G/A                  D
Como se chama a amante desse pais sem nome

Esse tango, esse rancho
             G/A                        D
Esse povo dizei-me, arde o fogo de conhece-la
   Em  Gm      D
O fogo de conhece-la
                   G/A                        D
Soy loco por ti america soy loco por ti de amores

Solo: Bm Am Dm Cm Bm Am Cm D

                       G/A
El nombre del hombre muerto ya no se puede
   D
Decirlo, quien sabe
                     G/A                        D
Antes que o dia arrebente, antes que o dia arrebente
                       G/A
El nombre del hombre muerto
                   D                              G/A
Antes que a definitiva noite se espalhe em latinoamerica
                          D         Em        Gm        D
El nombre del hombre es pueblo,el nombre del hombre es pueblo
                  G/A                         D
Soy loco por ti america soy loco por ti de amores
                        G/A                        D
Espero que amanha que cante el nombre del hombre muerto
                    G/A
Nao seja palavras tristes
                      D
Soy loco por ti de amores
                 G/A                           D
Um poema ainda existe com palmeiras, com trincheiras
                             G/A
Cancoes de guerra quem sabe cancoes do mar, ai,
 F#m  Em     D       Em   Gm    D
Hasta te comover, ai hasta te comover
                   G/A                        D
Soy loco por ti america soy loco por ti de amores
                 G/A                            D
Estou aqui de passagem, sei que adiante um dia vou morrer
                    G/A                        D
De susto, de bala vicio, de susto, de bala ou vicio
                   G/A                    Bm
Num precipicio de luzes entre saudade, solucos,
           B7
Eu vou morrer de brucos
      Em                    A              D
Nos bracos, nos olhos, nos bracos de uma mulher
      Em      Gm     D
Nos bracos de uma mulher
                 G/A   Bb                    Bm
Mais apaixonado ainda dentro dos bracos da camponesa
       B7       Em                    A
Guerrilheira manequim, ai de mim, nos bracos
             D         Em   Gm           D
De quem me queira nos bracos de quem me queira
                  G/A                        D
Soy loco por ti america soy loco por ti de amores
Letra:

Soy loco por ti, América, yo voy traer una mujer playera
Que su nombre sea Marti, que su nombre sea Marti
Soy loco por ti de amores tenga como colores
la espuma blanca de Latinoamérica
Y el cielo como bandera, y el cielo como bandera
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores

Sorriso de quase nuvem, os rios, canções, o medo
O corpo cheio de estrelas, o corpo cheio de estrelas
Como se chama a amante desse país sem nome, esse tango, esse rancho,
Esse povo, dizei-me, arde o fogo de conhecê-la, o fogo de conhecê-la
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores

El nombre del hombre muerto ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente, antes que o dia arrebente
El nombre del hombre muerto antes que a definitiva noite
se espalhe em Latinoamérica
El nombre del hombre es pueblo, el nombre del hombre es pueblo
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores

Espero a manhã que cante, el nombre del hombre muerto
Não sejam palavras tristes, soy loco por ti de amores
Um poema ainda existe com palmeiras, com trincheiras, canções de guerra
Quem sabe canções do mar, ai, hasta te comover, ai, hasta te comover
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores

Estou aqui de passagem, sei que adiante um dia vou morrer
De susto, de bala ou vício, de susto, de bala ou vício
Num precipício de luzes entre saudades, soluços, eu vou morrer de bruços
Nos braços, nos olhos, nos braços de uma mulher, nos braços de uma mulher
Mais apaixonado ainda dentro dos braços da camponesa, guerrilheira
Manequim, ai de mim, nos braços de quem me queira,
nos braços de quem me queira
Soy loco por ti, América, soy loco por ti de amores

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Geléia geral

Torquato e Gil
A canção “Geleia Geral” representa uma síntese dos cânones do próprio movimento tropicalista, além de ser modelo de seu contorno poético. Seus versos contêm arremedos de ufanismo patriótico (“Formiplac e céu de anil / (...) / salve o lindo pendão dos seus olhos”) e citações, as mais diversas, explícitas ou implícitas, distribuídas por suas estrofes e o trecho declamado entre elas.

Há também alusões sarcásticas a passagens da literatura brasileira como o Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade (“Pindorama, país do futuro / (...) / com o roteiro do sexto sentido”), a “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias (“Minha terra é onde o sol é mais limpo”), ou a Memórias sentimentais de João Miramar, também de Oswald, conforme salienta o brasilianista Charles Perrone (em Masters of contemporary brazilian song).

No refrão são abordados, no mesmo estilo destrambelhado, do folclore brasileiro ao rock and roll: “Ê, bumba-yê-yê-boi / ano que vem, mês que foi / É, bumba-yê-yê-yê / é a mesma dança meu boi.”

No aspecto musical, vale mencionar que este refrão é construído sobre a repetição de seis compassos, divididos em ternários e binários, fazendo o arranjo de Rogério Duprat citações de O Guarany, de Carlos Gomes (sob o verso declamado sobre as “relíquias do Brasil”) e da canção “All the Way”, após o verso “um elepê de Sinatra”. Essas considerações mostram a relevância da extensa e discutida letra que Torquato Neto, o teórico do tropicalismo, fez para “Geléia Geral”, composição gravada por Gilberto Gil em Panis et circensis, o disco básico da relativamente escassa discografia do movimento.

A expressão “Geleia Geral”, que também seria título de uma coluna de Torquato no jornal carioca Última Hora, em 71/72, tem sua origem anterior à canção: Décio Pignatari havia escrito para revista de literatura Invenção um artigo sobre os princípios da linguagem concretista, que terminava afirmando que “na geleia geral brasileira alguém tem que fazer o papel de medula e de osso”, referindo-se à postura do grupo concretista.

A ligação de Décio e dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos com Caetano Veloso ensejou o aproveitamento da expressão (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Geleia Geral (1968) - Gilberto Gil e Torquato Neto - Intérprete: Gilberto Gil

LP Tropicália Ou Panis Et Circenses / Título da música: Geleia Geral / Torquato Neto (Compositor) / Gilberto Gil (Compositor) / Gilberto Gil (Intérprete) / Gravadora: Philips / Nº Álbum: R 765.040 L / Ano: 1968 / Lado A / Faixa 6 / Gênero musical: Tropicalismo / MPB.


Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia
Resplandente, cadente, fagueira num calor girassol com alegria
Na geléia geral brasileira que o Jornal do Brasil anuncia
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

A alegria é a prova dos nove e a tristeza é teu porto seguro
Minha terra é onde o sol é mais limpo e Mangueira é onde o samba é mais puro
Tumbadora na selva-selvagem, Pindorama, país do futuro
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

É a mesma dança na sala, no Canecão, na TV
E quem não dança não fala, assiste a tudo e se cala
Não vê no meio da sala as relíquias do Brasil:
Doce mulata malvada, um LP de Sinatra, maracujá, mês de abril
Santo barroco baiano, superpoder de paisano, formiplac e céu de anil
Três destaques da Portela, carne-seca na janela, alguém que chora por mim
Um carnaval de verdade, hospitaleira amizade, brutalidade jardim
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

Plurialva, contente e brejeira miss linda Brasil diz "bom dia"
E outra moça também, Carolina, da janela examina a folia
Salve o lindo pendão dos seus olhos e a saúde que o olhar irradia
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

Um poeta desfolha a bandeira e eu me sinto melhor colorido
Pego um jato, viajo, arrebento com o roteiro do sexto sentido
Voz do morro, pilão de concreto tropicália, bananas ao vento
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

Sucessos de 1968

1859 1866 1880 1901 1902 1903 1904 1905 1906 1907 1908 1909 1910 1911 1912 1913 1914 1915 1916 1917 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928 1929 1930 1931 1932 1933 1934 1935 1936 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985

1968

A pobreza , Renato Barros
A rã (The Frog), João Donato e Caetano Veloso
Alvorada (samba), Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho
Amor de carnaval (samba/carnaval), Zé Keti
Andança, Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulo Tapajós
As canções que você fez pra mim, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Até quarta-feira (marcha/carnaval), Paulo Sette e H. Silva
Baby, Caetano Veloso
Bom tempo (samba), Chico Buarque
Caminhando (Prá não dizer que não falei das flores), Geraldo Vandré
Ciúme de você, Luiz Ayrão
Coisas do mundo, minha nega, Paulinho da Viola
Dá nela, saudade (samba/carnaval), Carlos Imperial e Adilson Silva
Divino maravilhoso, Caetano Veloso e Gilberto Gil
Eu daria a minha vida, Martinha
Eu te amo, te amo, te amo, Roberto Carlos
Eu tenho um amor melhor que o seu, Roberto Carlos
Geléia geral, Gilberto Gil e Torquato Neto
Helena, Helena, Helena, Alberto Land
Januária (samba), Chico Buarque
Lapinha (samba), Baden Powell e Paulo César Pinheiro
Lindonéia, Caetano Veloso
Modinha, Sérgio Bittencourt
Mudando de conversa (samba), Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho
Nem vem que não tem, Carlos Imperial
Parabéns, querida, Roberto Correia e Sílvio Son
Perto dos olhos, longe do coração, Dori Edson e Marcos Roberto
Pra nunca mais chorar, Carlos Imperial e Eduardo Araújo
Pressentimento (samba), Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho
Quero lhe dizer cantando, Reinaldo Rayol e Renato Correia
Retrato em branco e preto (samba) Tom Jobim e Chico Buarque
Sá Marina, Antônio Adolfo e Tibério Gaspar
Sabiá , Tom Jobim e Chico Buarque
Samba do crioulo doido, Sérgio Porto
Se você pensa, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Se você voltar, Nenéo
Segura esse samba, ogunhê, Osvaldo Nunes
Sei lá, Mangueira (samba), Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho
Só o ôme, Edenor Rodriguez
Soy loco por ti, América, Gilberto Gil e Capinam
Superbacana, Caetano Veloso
Tempos idos (samba), Cartola e Carlos Cachaça
Tive sim (samba), Cartola
Tropicália, Caetano Veloso
Útima canção, Carlos Roberto
Vesti azul (Anjo azul), Nonato Buzar
Viola enluarada, Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle
Você passa, eu acho graça (samba), Ataulfo Alves e Carlos Imperial
Voltei (samba / carnaval) Osvaldo Nunes, Denis Lobo e Celso de Castro
Wave (Vou te contar), Tom Jobim

Músicas estrangeiras de sucesso no Brasil:

Aranjuez Mon Amour, Joaquin Rodrigo
The Good, the Bad and the Ugly, Enio Morricone
The Ballad of Bonnie and Clyde, Mitch Murray e Peter Callander
Le Bruit des Vagues, Pascal Seuran, Serge Lebrall e Romuald
Canzone per te, Bardotti e Sergio Endrigo
The Fool on the Hill, John Lennon e Paul McCartney
Free Again, Armand Canfora, Jess Baselli, Michel Jourdan e Robert Colby
Hello, Goodbye, John Lennon e Paul McCartney
Hey Jude, John Lennon e Paul McCartney
Honey, Bobby Russsell
Lady Madonna, John Lennon e Paul McCartney
The Last Waltz, Les Reed e Barry Mason
Love is Blue, Andre Popp e Pierre Cour
Pata Pata, Minam Makeba e Jerry Ragovoy
La Pretendida, Pepe Avila
Revolution, John Lennon e Paul McCartney
San Francisco, John Philips
Summer Rain, James Hendricks

Cronologia:

07.01: Vai ao ar pela última vez o programa “Jovem Guarda”, da TV Record.

13.01: Morre em São Paulo (SP) o cantor Arnaldo Pescuma.

15.01: Estréia no Teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, a peça “Roda Viva”, de Chico Buarque.

12.02: Morre no Rio de Janeiro (RJ) o instrumentista/arranjador Astor Silva.

19.02: Realiza-se no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, o histórico recital de Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, Zimbo Trio e Época de Ouro, produzido por Hermínio Bello de Carvalho e em benefício do Museu da Imagem e do Som.

28.03: O estudante Edson Luís de Lima Júnior é morto pela polícia, em conflito no restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro.

04.04: É assassinado numa varanda do Hotel Lorraine, em Memphis (Tennesee, EUA), o líder negro Martin Luther King.

05: Realiza-se a I Bienal do Samba, promovida pela TV Record de São Paulo e vencida pela composição Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, cantada por Elis Regina. Estudantes franceses apoiados por intelectuais, políticos e trabalhadores, revoltam- se em Paris contra o governo, provocando grave crise.

06.06: É assassinado em Los Angeles (Califórnia, EUA) o senador Robert Kennedy.

26.06: Realiza-se no Rio de Janeiro (RJ) a chamada Passeata dos Cem Mil contra a ditadura.

07.07: Morre no Rio de Janeiro (RJ) o compositor Wilson Batista.

07.08: É realizada no Dancing Avenida, no Rio de Janeiro, a festa de lançamento do elepê Tropicália ou panis et circencis. Cinco dias depois, a festa seria repetida no Avenida Danças, lançando o disco em São Paulo.

20.08: Tropas do Pacto de Varsóvia invadem a Tcheco-Eslováquia.

23.08: Morre em São Paulo o cantor/compositor Vicente Celestino.

09: Realiza-se o III Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo do Rio de Janeiro e vencido pela composição Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque.

29.09: Morre no Rio de Janeiro (RJ) o jornalista/compositor Sérgio Porto.

12 a 27.10: Realizam-se na Cidade do México os XIX Jogos Olímpicos da Era Moderna.

13.10: Morre no Rio de Janeiro (RJ) o poeta Manuel Bandeira.

28.10: Estréia na TV Tupi de São Paulo o programa tropicalista “Divino, Maravilhoso”, com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Os Mutantes.

01.11: Chega ao Rio de Janeiro a Rainha Elizabeth da Inglaterra em visita oficial ao Brasil.

04.11: Estréia na TV Tupi de São Paulo “Beto Rockfeller”, uma telenovela que reformulou a história do gênero.

11 e 12: Realiza-se o IV Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record de São Paulo e vencido pela composição “São São Paulo, Meu Amor”, de Tom Zé.

13.12: É promulgado cm Brasília (DF) o Ato Institucional n° 5, que fecha o Congresso, suspende as liberdades individuais, elimina o equilíbrio entre os Poderes e dá atribuições excepcionais ao presidente da República.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Sucessos de 1967

1859 1866 1880 1901 1902 1903 1904 1905 1906 1907 1908 1909 1910 1911 1912 1913 1914 1915 1916 1917 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928 1929 1930 1931 1932 1933 1934 1935 1936 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985

1967

Acorda Maria Bonita - Volta Seca (Antônio dos Santos)
A praça, Carlos Imperial
Alegria, alegria, Caetano Veloso
Carolina, Chico Buarque
Com açúcar e com afeto, Chico Buarque
Como é grande o meu amor por você, Roberto Carlos
Coração de papel, Sérgio Reis
Coração vagabundo, Caetano Veloso
Doce de coco, Cláudio Fontana e Wanderley Cardoso
Domingo no parque, Gilberto Gil
Eu e a brisa, Johnny Alf
Eu sou terrível, Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Eu te amo mesmo assim, Martinha
Linda mascarada (marcha-rancho), João Roberto Kelly e David Nasser
Lunik 9, Gilberto Gil
Mancada (samba), Gilberto Gil
Margarida, Gutemberg Guarabira
Maria, carnaval e cinzas, Luiz Carlos Paraná
Máscara negra (marcha-rancho/carnaval), Zé Keti e Hildebrando P. Matos
Meu grito, Roberto Carlos
Não presto mas eu te amo, Roberto Carlos
Noite dos mascarados (marcha), Chico Buarque
O bom rapaz, Geraldo Nunes
O caderninho, Olmir Stocker
Palmas no portão, Valter Dionísio e D’Acri Luís
Pára Pedro, João Mendes e José Portela Delavy
Ponteio, Edu Lobo e Capinam
Prova de fogo, Erasmo Carlos
Quando, Roberto Carlos
Quem te viu quem te vê (samba), Chico Buarque
Roda viva, Chico Buarque
Ronda (samba-canção), Paulo Vanzolini
Só vou gostar de quem gosta de mim, Rossini Pinto
Tijolinho, Wagner Benatti
Travessia, Milton Nascimento e Fernando Brant
Triste madrugada (samba), Jorge Costa
Vem quente que eu estou fervendo, Carlos Imperial e Eduardo Araújo

Músicas estrangeiras de sucesso no Brasil:

Alfie, Burt Bacharach e Hal David
All You Need Is Love, John Lennon e Paul McCartney
Black is Black (Quem Não Quer), Tony Hayes, Steve Wadey e M. Grainger
Born Free (Livre), John Barry e Don Black
C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones, Migliacci e Lusini
For Your Love (Vivo Só), Graham Gouldman
Guantanamera, José Marti e H. Angulo
Ho Capito che ti Amo, Luigi Tenco
Un Homme et une Femme, Francis Lai e Pierre Barouh
Lucy in the Sky With Diamonds, John Lennon e Paul McCartney
Music to Watch Girls By, Tony Velona e Sidney Ramin
No Milk Today, Graham Gouldman
Penny Lane, John Lennon e Paul McCartney
Run for Your Life (Dona do Meu Coração), John Lennon e Paul McCartney
See You in September, Sherman Edwards e Sid Wayne
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, John Lennon e Paul McCartney
Something Stupid (Coisinha estúpida), C. Carson Parks
Sunny, Bobby Hebb
There’s a Kind of Hush, Les Reed e Geoff Stevens
This Is My Song, Charles Chaplin
A Whiter Shade of Pale, Keith Reid e Gary Brooker
What Does It Take (Vivendo Sem Você), James Glaser
Winchester Cathedral, Geoff Stevens

Cronologia:

24.01: O Congresso Nacional promulga a nova Constituição.

11.02: Morre em São Paulo (SP) o maestro/compositor Alberto Marino.

15.03: Artur da Costa e Silva toma posse na presidência da República.

01.07: Nasce no Rio de Janeiro (RJ) a cantora Marisa Monte.

04.09: É constituída a chamada Frente Ampla, que reune políticos de diversas tendências como Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda.

10: Realiza-se o III Festival da Música Popular Brasileira, promovido pela TV Record de São Paulo e vencido por Ponteio, de Edu Lobo e Capinan. Realiza-se o II Festival Internacional da Canção, promovido pela TV Globo do Rio de Janeiro e vencido pela composição “Per una Donna”, de Marcello, Martino e Perreta, representante da Itália. Na fase nacional venceu “Margarida”, de Gutemberg Guarabira, interpretada pelo Grupo Manifesto.

09.10: Ernesto “Che” Guevara é morto na Bolívia.

03.12: O cirurgião Christian Barnard realiza na Cidade do Cabo (África do Sul) o primeiro transplante de coração humano.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Disparada

Geraldo Vandré
Em 1966, o compositor Geraldo Vandré participou vitoriosamente de três grandes festivais musicais promovidos pela televisão: em junho, foi 1° lugar na TV Excelsior, com “Porta Estandarte” (parceria de Fernando Lona); em outubro, tirou o 10º lugar na TV Record, com “Disparada” (parceria de Téo de Barros); e ainda em outubro, ficou em 2° lugar na TV Rio (1° Festival Internacional da Canção), com “O Cavaleiro” (parceria de Tuca).

Dessas três composições, a de maior repercussão seria inegavelmente “Disparada”, a mais vigorosa canção de protesto surgida até então, um verdadeiro cântico revolucionário. Musicado por Téo sobre uma versalhada que Vandré havia escrito durante uma viagem, “Disparada” é uma moda-de-viola com sotaque nordestino. “A intenção era compor uma moda-de-viola baseada no folclore da região Centro-Sul, porém nossas raízes se infiltraram no processo e resultou uma catira de chapéu de couro”, esclarece Téo na contracapa de seu primeiro elepê.

Para apresentar “Disparada”, os autores escolheram Jair Rodrigues, então no auge da popularidade, entregando o acompanhamento ao Trio Novo — Téo (viola), Heraldo do Monte (violão) e Airto Moreira (percussão) — reforçado pelo Trio Marayá. O Trio Novo atuou na eliminatória e na gravação de estúdio, mas não pôde participar da final (por já ter compromisso agendado para a data), sendo os seus músicos substituídos por Aires (viola), Gianulo (violão) e Manini (percussão).

Mas nas duas fases o resultado foi excelente, com a canção sendo ruidosamente aclamada pela facção mais politizada da platéia — principalmente em trechos como “Mas o mundo foi rodando / nas patas do meu cavalo / e já que um dia montei / agora sou cavaleiro / laço firme, braço forte / de um reino que não tem rei...” — que rivalizava em número e entusiasmo com os partidários de “A Banda”. Em vista disso, embora “A Banda” tenha ganho pelos votos dos jurados, a direção da Record resolveu considerar as duas concorrentes empatadas na primeira colocação, a fim de evitar um confronto entre os torcedores.

Uma nota pitoresca na apresentação de “Disparada” foi a utilização de uma queixada de burro como instrumento de percussão. A novidade, descoberta por Airto Moreira numa loja em Santo André, emprestou maior rusticidade ao acompanhamento, além de evocar uma visão forte da seca (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Disparada - (moda-de-viola, 1966), Geraldo Vandré e Theo de Barros - Interpretação: Jair Rodrigues.

LP O Sorriso do Jair / Título da música: Disparada / Geraldo Vandré (Compositor) / Theo de Barros (Compositor) / Jair Rodrigues (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1966 / Álbum: P-765.004-P / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Moda-de-viola.

    D             G          D                  G
Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
C           Bm        C     Am D    G
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
B7      Em      C      Am D      G
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar
D             G          D          G
Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
C               Bm       C    Am  D     G
E a morte, o destino tudo, a morte o destino tudo
B7      Em        C    Am    D   G
Estava fora de lugar, eu vivo pra consertar
G7          C          A7        D
Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
B7        Em     D                      G
Não por um motivo meu ou de com quem comigo houvesse
B7              Em         B7        C
Que qualquer querer tivesse porém por necessidade
Am      D   G C      Am     D   G
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu
D              G          D              G
Boiadeiro muito tempo, laço firme, braço forte
C          Bm    C     Am  D   G
Muito gado, muita gente pela vida segurei
B7       Em       C     Am   D      G
Seguia como num sonho que boiadeiro era um rei
D          G         D             G
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
C                G        Am   D       G
E nos sonhos que fui sonhando as visões se clareando
B7          Em      C         Am  D    G
As visões se clareando, até que um dia acordei
D            G        D               G
Então não pude seguir, valente em lugar tenente
C              G            Am      D      G
E o dono de gado e gente, porque gado a gente marca
B7      Em       C              Am D      G
Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente
D             G          D           G
Se você não concordar, não posso me desculpar
C         Bm          Am      D      G
Não canto pra enganar, vou pegar minha viola
B7            Em   C    Am       D     G
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar
G7          C        A7           D
Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
B7             Em         C      Am  D    G
Não por mim nem por ninguém que junto comigo houvesse
B7              C            B7               C
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
B7                C               Am    D   G
Por qualquer coisa de seu querer ir mais longe que eu
D          G         D              G
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
C               Bm      C            G
E já que um dia montei agora sou cavaleiro
B7            Em       C       Am      D   G
Laço firme, braço forte de um reino que não tem rei