sexta-feira, 28 de julho de 2006

Cifras de Carlos Lyra


Algumas músicas
 
Afro latino
Até parece
Auto de São Jorge Guerreiro
Barquinho de papel
Broto maroto
Broto triste
Canção do amor que chegou
Canção que morre no ar
Cara bonita
Cartão de visitas
Ciúme
Coisa mais linda
É tão triste dizer adeus
Gostar ou não gostar
Influência do jazz
Lobo bobo
Marcha da quarta-feira de cinzas
Maria do Maranhão
Maria Moita
Maria Ninguém
Minha desventura
Minha namorada
Mundo à parte
Nada como ter amor
O bem do amor
O negócio é amar
Pau de arara (Comedor de gilete)
Pobre menina rica
Pode ir
Primavera
Sabe você
Samba do carioca
Saudade fez um samba
Se é tarde, me perdoa
Se quiseres chorar
Só choro quando estou feliz
Você e eu

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Vinícius de Moraes

Nada como ter amor

Nada como ter amor - Carlos Lyra
A7M       A6    G#m7  C#7(b9)
Nada como ter cari....nho
F#m7               A7/4(9)  A7(b9)
Nada como estar perti.......nho
D6           G7/9        C#m7          F#m7
Ao se enternecer, bem baixinho assim dizer
           B7/13 B7(b13)   Bm7 E7(#5)
Só hei de amar           você

A7M       A6    G#m7   C#7(b9)
Nada como viver jun....to
F#m7                 A7/4(9) A7(b9)
Sempre a se querer e mui.....to
D6        G7/9   C#m7      F#m7
Nada como ter alegria de viver
        B7/9
E ver o sol aparecer
           Bb7M
Num sempre novo resplendor
          E7/4(9)     E7(b9)  A6
E não ter nada   como ter    amor 

Ciúme

Ciúme - Carlos Lyra
  D6/9         C#m7   F#7(b13)   Bm7
Tenho razão em proce..der      assim
          F#m7   B7(#9)  E7/9
De vez em quando recla...mando
        Em7/9  A7/13    D6/F# F° Em7 A7
De quem anda   com   você
   D6/9              C#m7  F#7(b13)
Há coisas que eu nem posso ver
     Bm7      F#m7  B7(#9)  E7/9
Como esse telefone azucri...nando
      Em7/9  A7/13   D6/9   G#m7/11 G7(#11)
Só chamando  por   você

F#7M  G°     G#m7       C#7/9
Esses seus parentes que lhe 
F#7M   G°      G#m7 C#7/9
Beijam tanto assim
  A7M   A#°   Bm7       E7/9  Em7          A7(#5)
E esses seus amigos que só    falam mal de mim

      D6/9        C#m7   F#7(b13)
Se eu zango, você pega a rir
  Bm7            F#m7      B7(#9)   E7/9
Argumentando que eu   já estou    ficando
      Em7/9  A7/13     D6/F# F° Em7 A7
Com ciúme    de     você
  D6/9       C#m7  F#7(b13)
Ciúme eu não tenho não  
      Bm7           F#m7
O que eu quero é respeito
B7(#9)   E7/9           Em7/9  A7/13    D6/9
Dá    um jeito senão eu paro   com    você

Cartão de visitas

Cartão de visitas - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes
B7(b9)                E7/13
Quem  quiser morar em mim
          A7/4(9)   A7/13      D6/9
Tem que morar    no que  o meu samba diz
B7(b9)                E7/13
Tem   que nada ter de seu
            A7/13         F#m7(b5)
Mas tem que ser  o rei do seu     país
        B7(b9)              Em7 
Tem que ser   um vidinha folgada
     Gm6           F#m7
Mas senhor do seu nariz
B7(b9)                    E7/13
Tem   que ser um "não faz nada"
      A7/4(9)        D6/9
mas saber    fazer alguém feliz
         Am7    D7/9  G7M   G6
Tem que viver devaga__rinho  
      Am7       D7/9   G7M  G6
Pra poder ver a vida passar
Bm7     E7/9   Bm7      E7/9  Bm7   E7/9 Bm7
Tem que ter um pouco de ca____rinho para dar
   B7(b9)  E7/13   F#7    Bm7
Precisa, enfim,  saber gastar
             E7/9    Bm7  E7/9
e ao receber uma esmolinha
       Bm7     E7/9    Bm7 E7/9 Dm7     G7     Dm7
Dar de troco o céu e o mar      Tem que ser um louco
G7     Dm7   G7    Dm7 G7     Em7/9        A7/9 D6/9
Mas um louco para amar    Vai ter  que ter tudo isso
  B7(b9)  Em7/9   A7/9   D6/9 B7(b9)
Tudo    is_____so pra contar       
     Em7/9        A7/9 D6/9
Vai ter  que ter tudo isso
  B7(b9)  Em7/9   A7/9   D6/9
Tudo    is_____so pra contar
          Am7    D7/9   G7M  G6
Tem que bater muita  calçada  
       Am7           D7/9   G7M G6
só cantando o que o povo pedir
     Bm7   E7/9   Bm7     E7/9 Bm7   E7/9  Bm7
E só vendo a    moçada prati___cando pra faquir
   B7(b9)  E7/13  F#7 Bm7   
Precisa, enfim, filo__sofar
                 E7/9    Bm7
Que ser alguém é não ser nada
  E7/9    Bm7    E7/9  Bm7  E7/9
e não ser nada é ser alguém
Dm7     G7    Dm7       G7  Dm7   G7    Dm7 G7
Tem que bater samba e bater samba muito bem
    Em7/9        A7/9 D6/9
Vai ter  que ter tudo isso
  B7(b9)  Em7/9       A7/9   D6/9
Tudo    is_____so e o céu também
B7(b9)    Em7/9        A7/9 D6/9
      Vai ter que ter tudo isso
   B7(b9)  Em7/9       A7/9   D6/9
Tudo     is_____so e o céu também

Cara bonita

Cara bonita - Carlos Lyra
          Cm7      F7/4      Cm7  F7/4
Eu não me canso de tanto te olhar
       Cm7 Dbm7         Cm7      F7/4
Onde você      foi arranjar essa cara
      Bbº Bb7M Bb6       Gm    Gm(7M) Gm7 Gm6
Tão boni__ta,      tão bonita?
        Cm7   F7/4  Cm7   F7/4
Eu fico sem assunto pra falar
        Cm7  Dbm7       Cm7      F7/4
E me pergunto    se haverá outra cara
      Bbº Bb7M Bb6       Gm     Gm(7M) Gm7 Gm6
Tão boni__ta       nesse mundo?
        Em7(b5)    A7          
Quem me dera   um poeta em mim
        Em7(b5)        A7          Dm7 G7
Só por um     segundo pra dizer enfim
                 Cm7   F7/4   Cm7    F7/4
Que as coisas já ditas quanto mais escritas
          Cm7  Dbm7         Cm7   F7/4
Não se comparam    com essa sua cara 
      Bbº Bb7M Bb6       Gm  Gm(7M) Gm7 Gm6
Tão boni__ta,      tão bonita
      Cm7  F7/4       Bb7M   Bb6
Tão bonita,     tão bonita...

Canção do amor que chegou

Canção do amor que chegou - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes
       C7M            F#m7 B7(b9)
Eu não sei, não sei dizer      
          C7M/G            Gm7        C7/9
Mas de repen___te essa alegria em mim
   F7M       Bb7/9       Am7       D7/9
Alegria de viver  Que alegria de viver
     Ab7M      Ab6         G7/4(9) G7(b9)
E de ver tanta luz, tanto azul!
       C6(9)/G          G7/4(9) G7(b9/13)
Quem jamais   poderia supor           
          C7M       C(#5)   F7M          Bb7/9
Que de um mundo que era tão triste e sem cor
     C/G      Am7     Dm7  G7(b9)
Brotaria essa flor inocente   
     C7M      C(#5)     F7M  Bm7 E7(b9)
Chegaria esse amor de repente
        Am    Am(7M)     Am7     D7/9
E o que era somente um vazio sem fim
        Ab7M   Ab6      G7/4(9) G7(b9)
Se encheria de flores assim
    C7M C6/9             F#m7 B7(b9)
Coração,     põe-te a cantar      
           C7M C6/9        Gm7     C7/9
Canta o poema     da primavera em flor
     F7M                Bb7/9          C6/9
É o amor, o amor que chegou   Chegou enfim

Canção que morre no ar

Canção que morre no ar - Carlos Lyra
Intr.:( D6 Em7 A7(b9) D6 Bm7 Fm7 
        Bb7/13 Eb7M Cm7 Bbm7 Eb7(b9) 
        Ab7/13 Ab7(b13) Abm7 Db7(b9) )

F#7M      F#6  Em7
Brinca no ar
   A7(b9)      D7M  F#m7/C# Bm7 A G#m7
Um resto de canção
   C#7(b9)      F#7M  F#6 Em7
Um rosto  tão sereno
    A7(b9)       D7M  Bm7 G#m7 C#7(b9)
Tão quieto de paixão

F#7M     F#6  Em7
Morre no ar
  A7(b9)        D7M   F#m7/C# Bm7 A G#m7
O sempre mesmo adeus
     C#7(b9)         F#7M   F#6
Meus olhos  são teus olhos

     G#m7 E7  A6  F#m7 Cm7
Para nós,     vem
   F7/13         Bb7M    Bb6
Um mundo sempre amor
                Gm   Gm(7M) Gm7
O pranto que desliza
   C7/4(9)        F7M  F6
No seio    de uma flor
      Em7   A7      D7M  F#m7/C# Bm7
Terra-luz,     anjo só
A     C#m7   F#7(b13)      Bm7   E7
Mil carícias          você tras
      Em7    A7/4(9)       D7M
Beijo manso,         luz e paz

Broto triste

Broto triste - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes
Tom: C

C6            Dm7  G7/9            C6
  Menininha bonita,     cheia de mania
    C7M          Gm7       C7/9      F7M
  Que  faz tanta fita e se acha a maior
F6              E7(b9)         Am7/9
  E diz que não topa quem lê poesia
             D7/9             G7/9    G7(b9)
  Que tudo na Europa é muito Mas muito melhor
    F#m7     B7/13   E7M/9 C#m7
Menininha, cabeça de vento   
             F#m7  B7(#9)           E7M
Sem um pensamento,       senão namorar

   Gº     Dm7     G7/9   Em7  A7(b9)
Cuidado menina, namora direito   
             Dm7           G7/9     Em7(b5)  A7(b13)
Senão não dá jeito Não está    nada fácil  casar
      Dm7        D#º    Am7/E
Seu biquini tão "biquinininho"
        A7(b9)            D7/13
Não dá chance, pois quem quer
                        G7/9
Não tem mais nada para achar

                 Dm7 G7(b9)           C6  C7M
Menininha, eu te juro      Você me dá pena
           Gm7  C7/9           F7M
Você tão pequena    querendo voar
F6      F#m7(b5)   B7      Em7(b5)
  Broto triste que vive de "twist"
   A7(#5)          D7/9           G7(b9)        C6
Se você pensa que existe Vai ter muito o que pensar

               Dm7 D#º    Am7/E
Menininha, vem cá     Pra que?
   A7(b13)     D7/9 G7/9   C7M
Menininha, olhe lá        Você
    A7(b13)    F#m7(b5) B7     Em7(b5)
Menininha, vem cá          Pra que?
    A7(b13)     D7/9 G7/9   C6
Menininha, olhe lá       Você

Barquinho de papel

Barquinho de papel - Carlos Lyra
  A7M   F#m7  Bm7
O vento sopra   
C°        C#m7   C7/13 F7M E7(#5)
e a chuva cai de mansi__nho
A7M  F#m7           
E na aldeia,     aos poucos,
Bm7 E7/4              C#7/G# G° D7M/F# E7(#5)
a rua      de rios se encheu
A7M         F#m7         Bm7
Sem rumo vai navegando 
C°       C#m7  C7/13 F7M E7(#5)
um pobre barqui___nho
A7M  F#m7                Bm7  E7/4
Que com certeza      foi de algum menino    
A7M
que dele esqueceu
A7/4(9) A7(b9) D7M D#°          C#m7   F#m7
Pobre barquinho    
Bm7    E7/4      C#7/G# G°
Velho amiguinho,     de papel
D7M/F#      C#7    F#m7                B7/9 E7/4
Vai, vai barquinho Triste e sem rumo    
A7M F#m7 Bm7 E7(b9/b13)
como eu
A7M        F#m7 
O vento passa
Bm7   C°          C#m7 C7/13 F7M E7(#5)
e a chuva    já foi embora
A7M  F#m7            Bm7   E7
E na aldeia,     os rios de chuva  
C#7/G# G° D7M/F# E7(#5)
o sol já secou
A7M  F#m7            Bm7 
Vagando só pela estrada
C°       C#m7 C7/13 F7M E7(#5)
Eu vejo agora
A7M                  F#m7   Bm7
Tudo o que resta de um pobre barquinho   
E7/4      A7M
Que há pouco afundou
A7/4(9) A7(b9) D7M D#°      C#m7   F#m7
Pobre barquinho    
Bm7    E7/4      C#7/G# G°
Velho amiguinho,     de papel
D7M/F#  C#7      F#m7                B7/9 E7/4 A7M  A6/9
Adeus, barquinho Triste e sem vida como eu

Auto de São Jorge Guerreiro

P. C. Pinheiro
Auto de São Jorge Guerreiro - Carlos Lyra e Paulo César Pinheiro
Intr.: D D4  A D  D D4  A E  
       D D4  A D  D D4  A E

A7M/9          A6/9              F#m7      C#m7
Acende a candeia    Que o fogo da lua apagou
A7/4(9) A7(b9) D7M E7/4(9)       A6
E a boca da noite   fechou     toda   a aldei__a
A7M/9         A6/9           F#m7        C#m7
Rebenta a cadeia    À ponta de faca e facão
A7/4(9) A7(b9)  D7M E7/4(9)       A6
Não deixa sentar     capitão     Na     tua cei__a

B/A                         E/G#
Dilata essa vei___a, entoa a canção marcial
F#m7    B7   E  A        D      E
Alguém tem que dar o si__nal   Pra quem guerreia

D D4  A D  D D4  A E  D D4  A D  D D4  A E

A7M/9         A6/9               F#m7         C#m7
A coisa está fei____a Aumenta na aldeia a legião
A7/4(9)          D7M E7/4(9)          A
Afora os guerreiros que estão     em     terra alheia
A/G            D6/F#                   F#/E           Bm7
Desmancha essa tei_____a Que há tempos ninguém quer bolir
G#m7      C#7  F#m7 B7 Em7 A7 D    E    A  
Lidera a mudan____ça que   se               desencadeia!

D D4  A D  D D4  A E  D D4  A D  D D4  A E

Broto maroto

Broto maroto - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes
G7M      G6        
Olha que graça de moça 
     Am7          D7/9
Vê que balanço ela tem
            Am7         D7/9  
E aqui, que ninguém nos ouça,
            G7M        G6
  se eu insistir ela vem
            G7M       G6              F#m6     B7/9
Se não me engano esse broto quer se mudar numa flor
            F#m6    B7/9         Em7         G7/13
Isso é um negócio maroto Broto requer muito amor
              C7M     C6             Cm6         F7/9
Embora eu lhe tenha carinho E ela só cuide de mim
            G6            G7M        Bm7(b5)             E7(b13)
Eu já tenho muito brotinho   plantado       no meu jardim
                  A7/9
Por isso é que eu fico cabreiro
           Cm7     D7(b9)            G6
É muito brotinho demais  pra um brasileiro

Amarga vinha

Carlos Lyra
Bm           Bm/A       E/G#      Em/G
Não fora o fardo do meu fado Amada minha, ai!
Bm/F#              G     A     F#7
Não fora a terra e a gente A minha sina
B7M           B7(b9)        E7M       Em7
Não fora amarga a minha vinha Amada mi___nha, ai!
Bm7             C#m7(b5)  F#7       Bm7      C#m7(b5)   F#7
Eu sei que te amari________a muito mais   Amada minha,  ai!


Bm7                   A7/4(9)       A7(b9/13)
A minha ter___ra, ai! A minha gen_______te, ai!
D7M       B7(b9)       Em7       A7(b9/13)
A minha si___na, ai!      Amarga vinha, ai!
D7M        G            C      F#7
A minha terra, ai!   A minha gente, ai!
Bm7  B7(b9)        Em7       A7(b9/13)
Amargo fado        Amarga vinha, ai!
D7M        G            C      F#7
A minha terra, ai!   A minha gente, ai!
Bm7
Amargo fado

Bm                Bm/A        E/G#      Em/G
Não fora a dor que há de ser mágoa Amada minha, ai!
Bm/F#          G   A    F#7
Não fora essa saudade adormecida
B7M         B7(b9)          E7M      Em7
Não fora vã essa esperança Em mim perdida, ai!
Bm7             C#m7(b5)  F#7       Bm7      C#m7(b5)   F#7
Eu sei que te amari________a muito mais   Amada minha,  ai!

Bm7                   A7/4(9)       A7(b9/13)
A minha má___goa, ai! Essa saúda_______de, ai!
D7M       B7(b9)       Em7       A7(b9/13)
Adormeci___da, ai!      Amarga vinha, ai!
D7M        G             C      F#7
Essa esperança, ai!   Em mim perdida, ai!
Bm7  B7(b9)        Em7       A7(b9/13)
Amargo fado        Amarga vinha, ai!
D7M        G             C      F#7
Essa esperança, ai!   Em mim perdida, ai!

Bm7
Amargo fado

Afro latino

Afro latino - Carlos Lyra
Tom: G  

G  G7M  Gm7                Gm6 Gm(b6) Em7
É,          parece que vai mas não    vai
Bm7 Em7/11              Dm7/11 Dm7 G7  C7M
           Parece que o trem   vai le__var
Em7/B Am7            D7/4 D7  D7/9 G
          Começa que sai  mas não  sai
G7M  Gm7               Gm6 Gm(b6) Em7
         Parece que dá mas não    tem
Bm7 Em7/11              Dm7/11 Dm7 G7  C7M
           Já deu o que ti_____nha que dar
Em7/B Am7             D7/4 D7  D7/9 G
          Tropeça que cai  mas não  cai

G7M  G6                    G7/4(9)
        Até a subida da ser_______ra
                           E6/9
Que espera a virada dos ventos do mar
C#m7 Dm7                G7/9        B7M
        Que espera a chegada das chu___vas na terra
G#m7 Am7            D7/4 D7  D7/9 G
        Da onda que vem  mas não  traz

G7M  Gm7                  Gm6 Gm(b6) Em7
         Da força que tem mas não    faz
Bm7 Em7/11           Dm7/11 Dm7 G7 C7M
           A roda do mun____do  gi_rar

Em7/B Am7            D7/4 D7  D7/9
          Começa que sai  mas não...
G6             D7/4 D7  D7/9
   Tropeça que cai  mas não...
G6            D7/4 D7  D7/9   G6
   Parece que vai  mas não... vai!

Só choro quando estou feliz

Só choro quando estou feliz - Carlos Lyra

Vai, vai, vai e me deixa chorar
Só tenho esse adeus pra te dar
E essa lágrima triste cai
Cai, cai dos meus olhos
Mas ninguém diz que eu fico em paz
Eu só choro quando estou feliz
Só sei sorrir longe da felicidade
Estando triste eu estou mais à vontade
Eu sei fingir uma dor que não existe
Mas o amor que é de verdade
Eu não sei se sou capaz
Porque ele traz
Traz, traz a tristeza e aí quem diz
Que eu choro mais
Eu só choro quando estou feliz

Minha desventura

Minha desventura - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Ah, doce sentimento lindo e desesperador
Ah, meu tormento infindo que me vai matar de dor
Onde estão teus olhos
Cheios de ternura
Tua face pura
Cheia de esperança
a minha desventura é ter perdido o teu amor
Ah, se eu pudesse nunca ter magoado o teu amor

Teu amor tão mais que o meu
Teu amor tão só pra mim
Meu amor tem dó de mim
Minh'alma te jura
A minha desventura é ter perdido o teu amor

Ah, doloroso instante de adeus e de dor
Oh, fere piedadeAmor dilacerante
E mata-me também de amor
Ah,se ela não voltar eu sei que vou morrer de amor

Se quiseres chorar

Se quiseres chorar - Carlos Lyra e Dolores Duran


Esse ar abandonado
Essa incerteza no teu olhar
mas quem foi que te ensinou
As tristezas do amor
Que eu menti
Que é pra não te fazer chorar
Onde está o olhar que eu amava
E essa mágoa de onde é que ela vem?
Eu daria uma vida inteirinha
Pra não ver a tristeza infinita
No lugar desse olhar tão bonito
de amor e de paz
Mas se quiseres chorar agora
Não vá embora
Aqui estou eu meu amor
o meu amor ainda é só teu

Samba do carioca

Samba do carioca - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes

Vamos carioca, sai do teu sono devagar
O dia já vem vindo e o sol já vai raiar
São Jorge teu padrinho, te dê cana pra tomar
Xangô, teu pai, te dê muitas mulheres para amar

Vai, o teu caminho é tanto carinho para dar
Cuidando teu benzinho que também vai te cuidar
Mas sempre morandinho quem não tem onde morar
Na base do sozinho não dá pé, nunca vai dar

Vamos, minha gente, é hora da gente trabalhar
O dia já vem vindo aí e o sol já vai raiar
A vida está contente de poder continuar
E o tempo vai passando sem vontade de passar

Ê vida tão boa, é só coisa boa pra pensar
Sem ter que pagar nada, céu e terra, sol e mar
E ainda ter mulher e ter o samba pra cantar
O samba que é o balanço da mulher que sabe amar

Pode ir

Pode ir - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes
Tom: D  

     D6
Pode ir
                  E7/9
Pode fazer o que melhor entender
   Em7                      F#7/13 F#7/13- B7/9 E7/13 A7/13
Porque amor, cada um sabe de si
    D6                                F#7M
Mas se você  quiser brincar com nosso amor
               G#m7        C#7/9-
Não vem que alguém provavelmente
F#m7       B7/9-          Em7
Vai amargurar   a grande dor
        A7/9-            D6
De ver alguém também querer partir
         Bm7          Am7          D7/9-
Porque partir é  repartir, meu bem
  G7M        Gm6           D6/F#
É se perder nesse mar, por aí
Bb7       F#m7         Bm7         E7/9
Mas você quer brincar, quer fingir,
       Em7         A4/7(9)     D6
Pode ir   e depois         chorar
      
     D6
Pode ir
                  E7/9
Pode fazer o que melhor entender
   Em7                      F#7/13 F#7/13- B7/9 E7/13 A7/13
Porque amor, cada um sabe de si
    D6                                F#7M
Mas se você  quiser brincar com nosso amor
               G#m7        C#7/9-
Não vem que alguém provavelmente
F#m7       B7/9-          Em7
Vai amargurar   a grande dor
        A7/9-            D6
De ver alguém também querer partir
         Bm7          Am7          D7/9-
Porque partir é  repartir, meu bem
  G7M        Gm6           D6/F#
É se perder nesse mar, por aí
Bb7       F#m7         Bm7         E7/9
Mas você quer brincar, quer fingir,
       Em7         A4/7(9)     D6
Pode ir   e depois         chorar

Maria Moita

Maria Moita - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes
  Am6      G#5+/6 Gm6
Nasci lá na Bahia
F#5+/6 F7+   E7   Am6
  De Mucama com feitor
        G#5+/6     Gm6
Meu pai dormia em cama
  F#5+/6  F7+   E7 Am6
Minha mãe no pisador
                  D7/9
Meu pai só dizia assim, venha
  Am6       D7/9
Minha mãe dizia sim, sem falar
 Am6      G#5+/6 Am6    F#5+/6    F7+ E7 Am6
Mulher que fala muito perde logo seu    amor
            G#5+/6   Gm6
Deus fez primeiro o homem
A#5+/6 F7+ E7      Am6
A mulher nasceu depois
          G#5+/6   Gm6
Por isso é que a mulher
  F#5+/6   F7+   E7   Am6
Trabalha sempre pelos dois
                 D7/9
Homem acaba de chegar, tá com fome
    Am6           D7/9
A mulher tem que olhar pelo homem
Am6  G#5+/6    Gm6  F#5+/6 F7+    E7      Am6
E é deitada, em pé, mulher tem é que trabalhar
   Am6 G#5+/6  Gm6  F#5+/6 F7+ E7 Am6
O rico acorda tarde, já começa resmungar
  Am6   G#5+/6  Gm6  F#5+/6    F7+ E7 Am6
O pobre acorda cedo, já começa trabalhar
             Gm6
Vou pedir ao meu Babalorixá
     Am6         D7/9
Pra fazer uma oração pra Xangô
    Am6      G#5+/6   Gm6 F#5+/6 F7+ E7    Am6
Pra por pra wabalhar, gente que nunca trabalhou

Até parece

Até parece - Carlos Lyra
      Em7          A7/9   D6  
Até parece que ela vai de samba
  Fº           Em7      A7/9     D6  B7(b9)
Parece que ela vai no balanço do mar
      Em7          A7/9   D6  
Até parece que ela vai de samba
          B7(b9)   Em7   A7/9   F#m7(b5) B7(b9)
e que ela não   se cansa de  sambar
      Em7          A7/9   D6  
Até parece que ela vai de samba
  Fº           Em7      A7/9     D6  B7(b9)
Parece que ela vai no balanço do mar
      Em7          A7/9   D6  
Até parece que ela vai de samba
          B7(b9)   Em7   A7/9   D6
e que ela não   se cansa de  sambar

             G6          F#º           E7/13 E7(b13)
Ela tem um balanço Que balanço que ela tem
E7               G#m7/11           G7(#11)
  Um balanço que vem    Que quando vai  
          F#7/13 F#7(b13) F#7 B7(b9)
eu vou também

      Em7          A7/9   D6 
Até parece que ela vai de samba
  Fº           Em7      A7/9     D6  B7(b9)
Parece que ela vai no balanço do mar
      Em7          A7/9   D6  
Até parece que ela vai de samba
          B7(b9)   Em7   A7/9   F#m7(b5) B7(b9)
e que ela não   se cansa de  sambar
      Em7          A7/9   D6  
Até parece que ela vai de samba
  Fº           Em7      A7/9     D6  B7(b9)
Parece que ela vai no balanço do mar
      Em7          A7/9   D6  
Até parece que ela vai de samba
          B7(b9)   Em7   A7/9   D6
e que ela não   se cansa de  sambar

O negócio é amar

O negócio é amar - Carlos Lyra e Dolores Duran
Tom: D  

Int : D6 A5+/7
               D6               A5+/7
Tem gente que ama, que vive brigando
             Am7/9         D7/13
E depois que briga acaba voltando
               E7/G#              Gm6
Tem gente que canta porque está amando
              F#m7        B7(b9)   Em7
Quem não tem amor leva a vida esperando
     A7(b9)    D6                   A5+/7
Uns amam pra frente, e nunca se esquecem
               Am7/9               D7/13
Mas são tão pouquinhos que nem aparecem
                  E7/G#              Gm6
Tem uns que são fracos, que dão pra beber
               D6      Gm6     D6
Outros fazem samba e adoram sofrer
        C/D               D7(b9)
Tem apaixonado que faz serenata
             G6/9           C7/9
Tem amor de raça e amor vira-lata
            F#7/13  F#5+/7      F#m7
Amor com champagne, amor com cachaça
 B7       E7/13      E5+/7      Em7
Amor nos iates, nos bancos de praça
     A7(b9)    Am7/9         D7(b9)
Tem homem que briga pela bem-amada
             G6/9             C#m7(b5)
Tem mulher maluca que atura porrada
      F#7(b9)  Bm7              E7/13
Tem quem ama tanto que até enlouquece
               G/A                A7(b9)
Tem quem dê a vida por quem não merece
          D6               A5+/7
Amores à vista, amores à prazo
        Am7/9               D7/13
Amor ciumento que só cria caso
               E7/G#              Gm6
Tem gente que jura que não volta mais
           F#m7       B7(b9) Em7
Mas jura sabendo que não é capaz
     A7(b9)      D6         A5+/7
Tem gente que escreve até poesia
         Am7/9          D7/13
E rima saudade com hipocrisia
                E7/G#           Gm6
Tem assunto à bessa pra gente falar
             D6       Gm6       D6
Mas não interessa o negócio é amar...

Primavera


Primavera (canção, 1965) - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes - Interpretação: Carlos Lyra e Dulce Nunes

LP Pobre Menina Rica - Trilha Sonora Original - Carlos Lyra e Dulce Nunes / Título da música: Primavera / Vinicius de Moraes (Compositor) / Carlos Lyra (Compositor) / Carlos Lyra (Intérprete) / Dulce Neves (Intérprete) / Gravadora: CBS / Ano: 1964 / Álbum: 37360 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Canção.


G7+      Bb0 Am7   D7 
O meu amor sozinho     
         Bm7                Bb0
É assim como um jardim 
       Am7  D7  
Sem flor          
    Dm7         G7          C7+  B7/-9
Só queria poder ir dizer à ela
              Em7                Cm7  D7 
Como é triste se sentir saudade
     G7+            Bb0    Am7  D7             Bm7
É que eu gosto tanto dela   /       Que é capaz
 Bb0      Am7 D7         Dm7                 G7
Dela gostar de mim   /    E acontece que eu estou
  C7+ B7/-9          Em7    Em/D   Cm7 D7
Mais longe dela    / Que da estrela a reluzir na tarde
G7+    Bb0       Am7 D7           Dm7 G7          C7+ Cm7
Estrela, eu lhe diria   / Desce à terra  o amor existe
         Bm7  Cm7    Bm7  Am7           D7         Dm7 E7/-9
E a poesia só espera ver  /       Nascer a primavera
        A7/13   D7  G7+
Para    não   morrer
G7+       Bb0   Am7  D7       Bm7       Bb0  Am7   D7
Não há amor sozinho / É juntinho que ele fica bom
            Dm7     G7                         C7+    B7/-9
E eu queria é dar-lhe todo o meu carinho
         Em7          Cm7 D7
Eu queria ter felicidade
      G7+         Bb0    Am7 D7               Bm7
É que o meu amor é tanto /     É um encanto
      Bb0       Am7  D7            Dm7           G7
Que não tem mais fim  /      E no entanto nem sabe
         C7+ B7/-9       Em7      Em/D    Cm7 D7 
Que isso existe /    E é tão triste se sentir   saudade
G7+   Bb0       Am7  D7                      Dm7   G7
Amor eu lhe direi    /   Amor que eu tanto
        C7+  Cm7                   Bm7  Cm7            Bm7 Am7        
Procurei    /   Ai, quem me dera    eu    pudesse ser
           D7   Dm7 E7/-9     A7       D7  G7+ Cm G7+
A tua primavera    e      depois       morrer

Sabe você

Sabe você - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes
C7M                         Gm6 Gº 
   Você é muito mais que eu sou        
F7M               F6               Gm6 Gº
   Está bem mais rico do que eu estou
Dm7                          Bb7(9)
   Mas o que eu sei você não sabe   
                          C7M
   E antes que o seu poder acabe
          Fm6           Em7 
Eu vou contar como e porquê  
   A7(b9)   D7(9)      G7(b9)   C6(9)
Eu sei,  eu sei   mais que    você
                     F#m7     B7(b9)        C7M
Sabe você o que é o amor? Não sa-----be, eu sei
       C6(9)          Am7      D7(b9)    Gm7
Sabe o que  é um trovador? Não sabe,  eu sei
       Gm/F        Em7(b5)             A7(b13)     Dm7
Sabe andar de madruga------da Tendo a amada   pela mão?
        Bbm6           Dm7   Am6   Fm6/Ab
Sabe gostar? Qual sabe nada! Sabe? Não
     G7(b9)            F#m7(11)     B7(b9)    C7M
Você sabe  o que é uma flor?    Não sabe,  eu sei
                  Gm7       C7(b9)    F7M
Você já chorou de dor? Pois eu     chorei
                     Fm6       Bb7(9)          C6(9)
Já chorei de mal de amor Já chorei    de compaixão
           Fm6         Em7   A7(b9)   Am6      G7(b9)     C6(9)
Quanto a você, meu camarada  Qual   o que, não sa-----be, não
                        F#m7   B7(b9)   C7M
E é por isso que eu lhe digo E com    razão
         C6(9)       Am7  D7(b9)   Gm7
Que mais vale ser mendigo Que    ladrão
           Gm/F          Em7(b5)      A7(b13)     Dm7
Sei que um dia  há de chegar     Isso seja   como for
         Bbm6          Dm7    Am6    Fm6/Ab
Em que você   pra mendigar Só mesmo amor
  G7(b9)           F#m7(11)  
Você    pode ser ladrão     
    B7(b9)    C7M                     Gm7    C7(b9)   F7M
Quanto     quiser Mas não rouba o coração De uma    mulher
                Fm6        Bb7(9)        C6(9)
Você não tem alegria Nunca fez    uma canção
           Fm6      Em7     A7(b9)   Am6    G7(b9)     C6(9)
Por isso a minha poesia Ha! Ha!    Você não rou----ba, não!
    A7(b9)   Am6    G7(b9)     C6(9)
Ha! Ha!    Você não rou----ba, não!

Pobre menina rica

Pobre menina rica - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes
C7M/9    C6/9              Db6/Ab   Db7M
      Eu acho que quem me vê,       crê
C7M                      Gm7/9      C7/9 C7(b9)
    Que eu sou feliz, feliz   só porque
F7M                    Bb7(9 #11)   G7(b9)
    Tenho tudo quanto exis.......te
        Em7  Eb7     Ab7M  Db7M
Pra não ser      infeliz

C7M/9   C6/9            Db6/Ab  Db7M
      Pobre menina tão ri.......ca
C7M                 Gm7/9      C7/9 C7(b9)
    Que triste você fi...ca se vê
F7M                       Bb7(9 #11)   G7(b9)
    Um passarinho em liberda........de
       Em7        Am7      Gm7/9  C7/9 C7(b9)
Indo e vindo à vontade, na tar....de

F7M                      Bb7/9
    Você tem mais do que eu
     Ab7M              Db7M
Passarinho, do que a menina
          Dm7    G7(#5)       C7M
Que é tão rica e nada  tem de seu

Pau-de-arara (Comedor de gilete)

Carlos Lyra
Carlos Lyra ainda vivia sua fase de maior criatividade — que coincidiu com o melhor período do contemporâneo Tom Jobim — quando começou a sua parceria com Vinícius de Moraes. Então, certo dia, ao entregar ao poeta uma fita com várias melodias para serem letradas, dele recebeu a sugestão de transformarem aquele repertório num musical.

Assim surgiu “Pobre Menina Rica”, com Vinícius criando-lhe as letras, o enredo e os personagens numa estada em Petrópolis, onde também criara os versos de “Garota de Ipanema”. Com o papel título destinado a Nara Leão, a peça narrava a historinha de uma solitária menina rica, que se apaixonava por um mendigo, integrante de uma inacreditável comunidade de desvalidos, estabelecida ao lado de sua casa.

Com tal enredo servindo de pretexto para a apresentação de uma série de belas canções, como “Primavera”, “Maria Moita”, “Sabe Você” e “Samba do Carioca”, a peça foi inicialmente exibida no Teatro Maison de France, sendo depois levada para o Teatro de Bolso, quando vários atores seriam substituídos. Entre estes estava o paulista de Bauru, Ary Toledo, que pediu a Lyra para gravar “Pau de Arara”, a música que cantava no palco.

Essa composição era inspirada num tipo real, um pobre nordestino que sobrevivia dançando xaxado na praia de Copacabana e que, de repente, teve a ideia de melhorar seus rendimentos.., comendo gilete.

Em três longas estrofes, entremeadas por trechos recitados, a canção desfia espirituosamente as desventuras do personagem, que no final promete um sensato retorno às origens: “Vou-me embora pro meu Ceará / porque lá tenho um nome / e aqui não sou nada, sou um Zé-com-Fome.”

Depois de uma gravação realizada em estúdio e lançada num compacto, Ary Toledo voltou a gravar “Pau de Arara”, desta vez ao vivo, no Teatro Record, durante o programa “O Fino da Bossa”, versão que ganhou gargalhadas estrepitosas da plateia e de Elis Regina, o que acabou enriquecendo em alegria e espontaneidade a performance do intérprete.

O sucesso do disco foi tamanho, que fez muita gente pensar que Ary Toledo era realmente “um mísero cearense”, autor de “O Comedor de Gilete”, nome pelo qual a composição ficou conhecida.

Relembrando “Pobre Menina Rica”, Carlinhos Lyra conta que, ao tomar conhecimento do enredo da peça (na qual o mendigo seresteiro), ponderou com o parceiro: “Mas, Vinícius, você não acha assim meio artificial esse negócio de uma menina rica e bonitona se apaixonar por um mendigo?” Ao que o poeta respondeu: “Acontece que esse é um mendiguinho muito simpático, incrementado, arrumadinho”, e, reforçando a argumentação, fulminou: “Além do mais era primavera parceirinho, primavera, entendeu?” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Pau-de-arara (canção, 1965) - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes - Interpretação: Ary Toledo.

LP Ary Toledo No Fino Da Bossa (Gravado ao vivo no Teatro Record - São Paulo, no programa "Fino da Bossa" - Apresentação de Elis Regina) / Título da música: Pau-de-arara / Vinicius de Moraes (Compositor) / Carlos Lyra (Compositor) / Ary Toledo (Intérprete) / Gravadora: Fermata / Ano: 1966 / Álbum: FB 124 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Canção.

Tom: A

A
Eu um dia cansado que eu tava
Da fome que eu tinha
que eu num tinha nada
que fome que eu tinha
          E7             A
que seca danada no meu Ceará
Eu peguei
e juntei os restinhos de coisas que eu tinha
duas calça velha e uma violinha
            E7                A
e num pau-de-arara toquei para cá

   D
E de noite eu ficava na praia de Copacabana
                           B7
Zanzando na praia de Copacabana
                            E7
Dançando o xaxado pra moças oià

   A
Virge Santa que a fome era tanta
Que nem voz eu tinha
Meu Deus quanta moça
Que fome que eu tinha
           E7            A
Que seca danada no meu Ceará

( E7   A )
Foi aí que eu resolvi comer gilete. Tinha um compadre meu
lá de Quixeramobim, que ganhou um dinheirão
comendo gilete na praia de Copacabana.
De dia ele ia de casa em casa pedindo gilete velha
e de noite ele comia aquilo tudinho pro pessoal ver.
Eu num sei não Elis, mas eu acho que ele
comeu tanto, que quando eu cheguei lá na praia,
aquele pessoal já tava até com indigestão,
de tanto ver o camarada comer gilete.

Uma vez, eu tava com tanta fome que falei assim
prum moço que ia passando:

--Decente, deixa eu cume uma giletezinha, pra vosmecê vê?

Então ele me respondeu assim:

-- Sai prá lá pau-de-arara. Tú não te manca não?

-- Oh! Distinto, só uma, que eu num comi nadinha inda hoje.

-- Tú enche, hein, pau-de-arara?

Aquilo me deixou tão aperriado, que
se num fosse o amor que eu tinha na minha violinha,
eu tinha arrebentado ela na cabeça daquele pai-d'égua.

A
Puxa vida não tinha uma vida
pior do que a minha
Que vida danada, que fome que eu tinha
             E7                A
Zanzando na praia pra lá e pra cá.
Quando eu via toda aquela gente
num come que come, eu juro que tinha
                                  E7
saudade da fome, da fome que eu tinha
         A
No meu Ceará
    D
E daí eu pegava e cantava
e dançava o xaxado
                          B7
E só conseguia porque no xaxado
                               E7
A gente só pode é mesmo se arrastá

A
Virge Santa
Que a fome era tanta
que até parecia que mesmo xaxando
                             E7
meu corpo subia igual se tivesse
          A
querendo voar

( E7  A  )
Às veiz a fome era tanta, que vorta e meia a
gente rumava uma briguinha pra ir comer a bóia no xadrez.
Êta quentinho bom na barriga! Mas, com perdão da palavra,
a gente devorvia tudo dispois, porque a bóia
já vinha estragada... Mas enquanto ela ficava
ali dentro da barriga, quietinha... Que felicidade!
Não, mas agora as coisas estão miorando.
Tem uma senhora muito bondosa lá no Leblon,
que gosta muito de ver eu comer é caco de vrido.
Isso é que é bondade da boa! Com isto
eu já juntei uns 500 mil réis.
Quando eu tiver mais um pouquinho,
vou simbora, vorto pro meu Ceará.

A
Vou simbora pro meu Ceará
Porque lá tenho um nome
Aqui num sou nada, sou só Zé com fome
               E7                  A
Sou só pau-de-arara, nem sei mais cantá.
Vou picar minha mula, vou antes que tudo arrebente
porque to achando que o tempo tá quente,
            E7          A  D  A
Pior do que anda num pode ficar.

Influência do jazz

Carlinhos Lyra
Em setembro de 1961, Carlos Lyra fundou, juntamente com Oduvaldo Viana Filho, Ferreira Gullar e outros companheiros, o CPC (Centro Popular de Cultura) da União Nacional dos Estudantes. Na ocasião, o compositor começava a considerar a bossa nova apenas uma forma musical moderninha de repetir as mesmas coisas românticas de sempre.

Isso refletiu-se em sua produção que, sem afastar-se de todo do romantismo, passou a tomar contornos nacionalistas, a partir de composições como “Mister Golden”, “Canção do Subdesenvolvido” e este surpreendente “Influência do Jazz”, que questionava tendências observadas em sambas da época (“Pobre samba meu / foi se misturando, se modernizando / e se perdeu...”). Bem sincopado, o samba mesclava tradição e modernidade, lembrando sua melodia, propositalmente, canções americanas como “Indian Love Call”, da opereta “Rose-Marie” e “You Were Meant for Me”, do filme “Cantando na Chuva”.

“Influência do Jazz” foi lançado pelo Tamba Trio (Luís Eça, Hélcio Milito e Bebeto) num programa de Zé Trindade, transmitido aos domingos pela TV Rio. O motivo da presença do Tamba no programa cômico era que seus componentes estavam iniciando carreira e o pessoal da televisão arranjara aquela brecha no horário nobre para apresentá-los, embora o conjunto e a música nada tivessem a ver com o humor do Zé. Em seguida, “Influência do Jazz” tornou se sucesso, sendo até executado duas vezes no famoso show de bossa nova no Carnegie Hall, por Lira e o Quarteto de Oscar Castro Neves (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Influência do Jazz (samba, 1962) - Carlos Lyra

LP Depois do Carnaval - O Sambalanço de Carlos Lyra / Título da música: Influência do jazz / Carlos Lyra (Compositor) / Carlos Lyra (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1962 / Álbum: P 630.492 L / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.


Em7   A7(b9) D7M  B7(b9)
Pobre samba  meu
            Em7             A7/9           D7M  D6/9
Foi se misturando se modernizando, e se perdeu
        Am7                 D7(b9)
E o rebolado cadê?, não tem mais
              G#m7(b5)               Gm6
Cadê o tal gingado    que mexe com a gente
                D6/F#   F°       Em7
Coitado do meu samba  mudou de repente 
     A7/13    D6/9    B7(b9)
Influência do jazz

Em7      A7(b9)     D7M    B7(b9)
   Quase que      morreu
           Em7                  A7/9            D7M
E acaba morrendo, está quase morrendo, não percebeu
D6/9               Am7                  D7(b9)
     Que o samba balança de um lado pro outro
             G#m7(b5)                Gm6
O jazz é diferente,   pra frente pra trás
               D6/F#   F°       Em7
E o samba meio morto ficou meio torto 
     A7/13    D6/9
Influência do jazz

G#m7/11  G7(#11)    F#m7   B7/9  F#m7      B7/9
                 No afro-cubano, vai complicando
F#m7     B7/9  F#m7  B7/9
Vai pelo cano, vai
G#m7     C#7/9  G#m7       C#7/9
Vai entortando, vai sem descanso
F#m7  Fm7   Em7         A7(b9)
Vai,  sai,  cai... no balanço!

Em7   A7(b9) D7M  B7(b9)
Pobre samba  meu
             Em7            A7/9          D7M  D6/9
Volta lá pro morro e pede socorro onde nasceu
               Am7               D7(b9)
Pra não ser um samba com notas demais
                 G#m7(b5)               Gm6
Não ser um samba torto   pra frente pra trás
                  D6/F#       F°       Em7 
Vai ter que se virar    pra poder se livrar
        A7/13    D6/9
Da influência do jazz

Minha namorada (Vinícius e Lyra)

Maria Creuza
Ao comporem “Minha Namorada”, pouco antes de escrever a peça “Pobre Menina Rica”, seus autores não faziam muita fé no sucesso desta canção de amor. Mas, a realidade é que a letra de “Minha Namorada” — classificada por Elis Regina como “a maior cantada da música brasileira” — é de arrasar as resistências dos mais empedernidos corações femininos: “E se mais do que minha namorada / você quer ser minha amada / minha amada, mas amada pra valer / você tem que vir comigo em meu caminho / e talvez o meu caminho seja triste pra você / (...) / e você tem que ser estrela derradeira / minha amiga e companheira / no infinito de nós dois...”

Isso é Vinícius de Moraes em momento de lirismo supremo, só alcançado em alguns poemas ou canções como “Eu Sei que Vou te Amar”. Na melodia de Carlinhos, o acorde menor de si bemol, com a sétima sobre a sílaba “mi”, em “ser mi-nha até morrer” e o arremate final às frases seqüenciais são deta lhes que situam “Minha Namorada” como um primoroso exemplo de equilíbrio na conjunção letra e música.

Uma das melhores versões desta canção é a do conjunto Os Cariocas — na ocasião, em sua formação mais duradoura, com o falecido Luís Roberto como solista. Outra boa versão é a de Maria Creuza, Vinicius e Toquinho, gravada em 72, na qual foi restaurado o recitativo original “Meu poeta, eu hoje estou contente, / todo mundo de repente ficou lindo, / ficou lindo de morrer, / eu hoje estou me rindo, / nem eu mesmo sei de quê...” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Minha namorada (bossa nova, 1965) - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes - Interpretação: Maria Creuza, Toquinho e Vinícius de Moraes.

LP/CD Vinicius de Moraes en "La Fusa" - Con Maria Creuza y Toquinho / Título da música: Minha namorada / Carlos Lyra (Compositor) / Vinicius de Moraes (Compositor) / Vinicius de Moraes, Maria Creuza e Toquinho (Intérpretes) / Gravadora: Trova (Argentina) / Ano: 1970 / Álbum: XT 80002 / Faixa 14 / Gênero musical: Bossa Nova.

Tom: A  

A7M              Bm7       C#m7
Se você quer ser minha namorada
        F#7(b9)     Bm7(9)
Ah, que linda   namorada
     C7(9)   B7(9)
Você poderia ser
          Fº(b13)     A7M
Se quiser ser somente minha
     Bm7           C#m7        Cº(b13)    C#m7(b5)
Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha
       F#7(b13)       G#m7(11)
Que ninguém mais pode ser
     F#m7         F7M        A
Você tem que me fazer um juramento
      A/G         D/F#
De só ter um pensamento
       F7           E74    E7(b9)
Ser só minha até morrer
     D#m7(b5)      E/D         C#m7
E também de não perder esse jeitinho
     A7(9)  A7(b9) D7M 
De falar  devaga____rinho
         E7(#5)      C#7(13)   A7(9)
Essas histórias de você
       D#m7(b5)   E/D         C#7(13)  C#7(b13)
E de repente me fazer muito carinho
     C#m7  F#7(b9)     B7(9)
E chorar   bem   de mansinho
       Bb7M          E74    E7(#5)
Sem ninguém saber porque
A7M                Bm7       C#m7 
E   se mais do que minha namorada
     F#7(b9)            Bm7(9)
Você quer    ser minha amada
       C7(9)      B7(9)      Fº(b13)
Minha amada, mas amada pra valer
        A7M        Bm7         C#m7
Aquela amada pelo amor predestinada
      Cº(b13)       C#m7(b5)
Sem a qual a vida é nada
      F#7(b13)        G#m7(11)  G7(#11)
Sem a qual se quer morrer
     F#m7          F7M           A
Você tem que vir comigo em meu caminho
     A/G         D/F#
E talvez o meu caminho
     F7           E74   E7(b9)
Seja triste pra você
        D#m7(b5)             E/D             C#m7
Os seus o_______lhos tem que ser só dos meus o____lhos
        A7(9)  A7(b9)  D7M        E7(#5)      C#7(13)  A7(9)
Os seus braços o   meu ninho no silêncio de depois
       B#m7(b5)        E/D        C#7(13)  C#7(b13)
E você tem que ser a estrela derradei______ra
       C#m7  F#7(b9)    B7(9)
Minha amiga  e     companheira
       Bb7M        A7M 
No infinito de nós dois

Você e eu

Carlos Lyra
Você eu (samba bossa, 1961) - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes - Intérprete: João Gilberto

LP João Gilberto / Título da música: Você e eu / Moraes, Vinícius de Moraes (Compositor) / Lyra, Carlos (Compositor) / Gilberto, João (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1961 / Álbum MOFB 3202 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.


Tom: D7+
Intro: D6/9 Gm7 F7+

D7+                   Dm7
Podem me chamar e me pedir e me rogar
          D7+
E podem mesmo falar mal
        F#m5-/7          B5+/7
Ficar de mal que não faz mal
 G7+                        Gm7        C7/9
Podem preparar milhões de festas ao luar
               D7+              Ab°
Que eu não vou ir, melhor nem pedir
           G/A
Eu não vou ir, não quero ir
          D7+         Bm7
E também podem me entregar
      C#7/9+
Até sorrir, até chorar
         D7+       Bm7                      B5+/7
E podem mesmo imaginar o que melhor lhes parecer
 G7+                          C7/9
Podem espalhar que eu estou cansado de viver
             F#m7      B5+/7       E7/9
E que é uma pena para quem me conheceu
D7+    B5+/7  E7/9 A7/6 D7+
Eu sou mais você e eu

Cifras de Carlos Nobre

Algumas músicas:
 
Amor em serenata
Até quando
Canção da rua
Cartas de amor na areia
Ciclone
Maria das Graças
Nos braços da saudade
Serenata da chuva

Veja também:

Adelino Moreira
Ary Barroso
Adoniran Barbosa
Demônios da Garoa
Dolores Duran
Dorival Caymmi
Evaldo Gouveia
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Jair Amorim
Lamartine Babo
Lupicínio Rodrigues
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Orlando Silva
Vicente Celestino

Cartas de amor na areia

Carlos Nobre
Cartas de amor na areia (fox-canção) - Nick, Charles Kenny e J. Fred Coots - Versão de Alberto Ribeiro - Interpretação de Carlos Nobre



Onda vai, onda vem,
Coração tem também,
A indecisão do mar,
Sonho vai, sonho vem,
Vai-e-vem que contém,
O bem e o mal de amar.

Foi aqui, junto ao mar,
Que eu li a sonhar,
Lindas frases de amor no chão,
Porém veio a maré,
O mar ciumento e apagou,
Tudo, tudo enfim...


Escrito estava assim,
É teu meu amor !
Frase que perdeu todo seu valor,
Onda vai, onda vem,
E eu vejo em sonho alguém,
A escrever, frases de amor...

Amor em serenata

Carlos Nobre
Amor em serenata (samba-canção, 1962) - Raul Sampaio e Ivo Santos - Interpretação de Carlos Nobre



Desce o luar por sobre o mar, por sobre a rua,
A lua cheia rasga o céu com seu clarão,
Quero que saibas meu amor, nem vejo a lua,
Porque teus olhos são a minha obsessão.

Outras mulheres me oferecem seus carinhos,
Mas outros beijos eu não quero desfrutar,
Porque não vivo de ilusão e acho impossível,
Viver com outra com vontade de te amar.

Tenho receio de que fujas mais ainda,
Se eu me abrigar no coração de outras mulheres,
E fujo delas, aumentando o sofrimento,
Que sinto n’alma por saber que não me queres.

Desce o luar por sobre o mar, por sobre a rua,
Onde eu caminho sempre só, quase a chorar,
Há outras tantas, meu amor, mas eu não posso não,
Viver com outra com vontade de te amar.

Outras mulheres me oferecem seus carinhos,
Mas outros beijos eu não quero desfrutar,
Porque não vivo de ilusão e acho impossível,
Viver com outra com vontade de te amar.

Tenho receio de que fujas mais ainda,
Se eu me abrigar no coração de outras mulheres,
E fujo delas, aumentando o sofrimento,
Que sinto n’alma por saber que não me queres.

Desce o luar por sobre o mar, por sobre a rua,
Onde eu caminho sempre só, quase a chorar,
Há outras tantas, meu amor, mas eu não posso não,
Viver com outra com vontade de te amar.

Serenata da chuva


Serenata da chuva (seresta, 1964) - Evaldo Gouveia e Jair Amorim - Interpretação: Altemar Dutra

Compacto Simples / Título: Serenata da chuva / Evaldo Gouveia (Compositor) / Evaldo Gouveia (Compositor) / Altemar Dutra (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1963 / Álbum: 7B-031 / Lado A / Gênero musical: Seresta.


Am            E    
só lá fora a chuva que cai, 
 Bb°          Dm
só eu pego o meu violão 
 G7          C
ai tanjo o bordão 
           F   Dm        E 
e esta canção tão triste sai 

Am            E  
sou, um seresteiro à sonhar, 
Bb°            Dm
só sem ter ninguém sem luar 
                  G7                  
canto e a chuva fria cai, 
    C          F           Dm 
canto nesta noite assim, chove  
     E            Am  E 
solidão dentro de mim... 

A        E          F#m 
onde andará neste momento 
   C#m  A7   D          C#m7 
o meu amor, em que pensará  
         Bm            E 
longe de mim sem meu calor, 
Dm           G7                     
tão sozinho agora estou, 
  C                      F
canto e a chuva não tem fim,  
Dm            E           Am 
chove esta saudade sobre mim

Nos braços da saudade

Carlos Nobre
Nos braços da saudade (1963) - Raul Sampaio e Benil Santos - Interpretação de Carlos Nobre
   Fm
Dormi nos braços da
      Bbm
Saudade
    C+7             Fm
Quase cheguei ao desatino
       Bbm
Passei as noites te esperando
       C+7
Sofri calado o meu
    Fm
Destino
Não batas mais à minha
    Bbm   C+7
Porta
Do nosso amor, eis a
     Fm
Sentença
      C#+
No seu lugar, no mesmo
  C+7
Leito, enfim dorme comigo a
         F+
Indiferença


Dormi nos braços da
      Gm
Saudade
        C+7      F+
Mas a saudade teve fim
       Bbm
Do nosso amor somente
    C#+
Restam

As dores que arranjei pra
   C+7
Mim
   D+7              G+
O que fizeste nesse tempo
                   F+
Em que guardei o teu lugar
    Bbm        Fm
Pra esquecer-te levei tempo
            G+7
Mas não chegaste a tempo
   C+7          Fm
De eu te perdoar

Maria das Graças

Carlos Nobre
Maria das Graças (1963) - Carlos Nobre e René Bittencourt - Interpretação de Carlos Nobre
  Bb+
Maria das Graças
        F+7        Bb+7
Dá me a graça do teu beijo
            Cm
Maria das Graças
 F+7
Dá-me a graça de um
   B+
Olhar


Eu fico te olhando
       Gm
Te adorando
       G+7
Quando tu passas
            F+7
E falo sozinho


Baixinho
              Bb+
Maria das Graças


Há, lá no céu
                Bb+
Nossa Senhora das Graças
               Eb+
A quem sempre peço
   F+7
Proteção, quando tu
     B+
Passas
                G+7
Se um dia me olhas


Se um dia tu paras
             C+7
Se um dia me abraças
             F+7
Que bom para mim, Maria
           B+
Maria das Graças

Canção da rua

Canção da rua (1963) - Raul Sampaio e Benil Santos - Interpretação: Carlos Nobre
         Gm
É noite de luar
A lua vem brilhar
            Cm
Na minha rua
             D+7
Com todo esse esplendor
Eu sou um sofredor
               Gm
E a culpa é tua


Um trovador também
Soluça por alguém
          D+7
Em serenata
           E+7
E no meu peito então
            A+7 
Aumenta a solidão
          D+7
Que me maltrata


                  Gm
Enquanto o pranto cai
Meu pensamento vai
        Gm
Trazer saudade
            D+7
Perder-te foi demais
   
Não tive nunca mais
         Gm
Felicidade


Nos raios do luar
            G+7
Pareço ver no ar
       Cm
A imagem tua
           Gm
Cruel recordação
           A+7   D+7 
Me traz esta canção
    Gm
Da rua

Até quando

Carlos Nobre
Até quando (1963) - Haroldo Barbosa e Luiz Reis - Interpretação de Carlos Nobre
Tom: D

    D+            D+
Estou brincando de esquecer
        B Dim
E vou adormecer
           Em
Na minha realidade
         A+7
Faço dormir meu pensamento
              A+7
E no meu sono lento
               D+          
Acorda uma saudade
          D+7
Estou fugindo a uma
         G+
Lembrança
                Gm
Que hoje não se vai
                B+7
Porque foi tão sincera
      Em           A+7 
Renasce nela, um frescor
       D+            B+7
Revive nela, a flor do amor
         E+7
Desponta nela
          A+7
Uma eterna primavera
    D+
Porém, meu sol vai
Declinando
     B Dim
E eu vou adormecendo
            Em
Você vai se apagando
                       G+
Estou brincando de esquecer
     B+7  
Porém imaginando
       Em         Gm
Até quando... até quando
         D+
Até quando...

Cifras e letras de Cartola


Algumas músicas e letras

A canção de saudade
A cor da esperança
A mesma estória
Acontece
Alvorada
Ao amanhecer
As rosas não falam
Assim não dá
Autonomia
Basta de clamares inocência
Beijos
Cadeira vazia
Catedral do inferno
Chega de demanda
Como é que eu posso
Cordas de aço
Corra e olhe o céu
Disfarça e chora
Dois bicudos
E fiz por você o que pude
Ensaboa mulata
Estudei demais
Festa da Penha
Festa da Vinda
Fim de estrada
Fita os meus olhos
Grande Deus
Inverno do meu tempo
Labaredas
Minha
Não faz, amor
Não quero mais amar a ninguém
O mundo é um moinho
O sol nascerá
Peito vazio
Preciso me encontrar
Qual foi o mal que eu te fiz
Sala de recepção
Silêncio de um cipreste
Tempos idos
Tive sim

Veja também:

Adelino Moreira
Ary Barroso
Adoniran Barbosa
Carlos Cachaça
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Dolores Duran
Dorival Caymmi
Evaldo Gouveia
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Herivelto Martins
Jair Amorim
Lamartine Babo
Lupicínio Rodrigues
Nelson Gonçalves
Noel Rosa
Orlando Silva
Vicente Celestino
Zé da Zilda

Labaredas

Labaredas - Cartola e Hermínio Bello de Carvalho

Vou me desacorvardar dizendo não
A um coração que fez só desagasalhar
Quem o abrigou
Profanou, sem se importar
E destruiu, sem mais pensar,
O essencial de mim
Me atiçando um fogo em mim...

Mas pode um incêndio alastrar-se ao coração
Que as labaredas nem vão sequer provocar
um só perdão
Quantas pedras não terá para atirar de novo
em mim?
Me subestimar, prá quê?
Não vou!

E quando o remorso invadir seu sono, então,
Meu coração não vai nem sequer se vergar
à sua dor
Debelar o incêndio vai ser impossível só porque
Quem brincou com o fogo foi
Você

Grande Deus

Grande Deus - Cartola

Deus,
Grande Deus
Meu destino bem sei
Foi traçado pelos dedos teus
Grande Deus
De joelhos aqui eu voltei para te implorar
Perdoai-me
Sei que errei um dia
Oh! Perdoai-me pelo nome de Maria
Que nunca mais direi o que não devia
Eu errei, grande Deus
Mas quem é que não erra
Quando vê seu castelo cair sobre
a terra
Julguei Senhor, daquele sonho
Eu jamais despertaria
Se errei, perdoai-me
Pelo amor de Maria


Fita os meus olhos

Fita os meus olhos - Cartola e Osvaldo Vasques

Tom: D  

Introdução:  G   G#º  D7M  B7  E7(9)  A7  A7(#5)

D7M           B7          E7(9)               
Fita os meus olhos vê como eles falam
     Bbº(b13) A7(b13)  D7M      Em7  A7
Vê como reparam o seu proceder
D7M E7(9) A     F#7       Bm7     E7(9)  
Não é preciso dizer deve compreender
        A         A7          D7M
E até mesmo notar só no meu olhar 
Am7    B7         Em7         Em7/D   C#m7(b5)
Não abuses por eu te confessar
      F#7     Bm7                Am7  D7(9)
Que nascestes só para eu te amar
G      G#º         D/A      B7 
Gosto tanto, tanto de você
E7(9)                   A7         A7(#5)
Que os meus olhos falam o que não vê 


D7M          B7            E7(9)
Fita os meus olhos vê como eles falam
    Bbº(b13) A7(b13)   D7M     Em7  A7
Vê como reparam o seu proceder
D7M E7(9) A     F#7       Bm7    E7(9)  
Não é preciso dizer deve compreender
       A          A7          D7M
E até mesmo notar só no meu olhar 
Am7   B7        Em7      Em7/D   C#m7(b5)
Ainda há de chegar o dia
       F#7         Bm7          Am7  D7(9)
Que eu hei de ter grande alegria
G        G#º        D/A     B7
Quando você souber compreender
E7(9)               A7        A7(#5)
Num olhar o que eu quero dizer

Fim de estrada

Fim de estrada - Cartola

Infelizmente
Não iremos ao fim da estrada
Eu bem sei que estás cansada
E eu também cansei
Só peço que respeites
O nome que te dei
E pelo amor de Deus
Não negues que te amei
Já me convenço
Bem melhor não ter partido
Veja agora o resultado
Nós somos dois perdidos
Faz o que te digo, amor
Vá, voltes daqui
Eu quero te ver contente
Te ver alegre
Sempre a sorrir


Festa da Vinda

Festa da Vinda - Cartola e Nuno Veloso

Tom: C  

C        Am7
Eu e meu violão
        Dm7           E7
Vamos rogando em vão
         Am7
O seu regresso
                    F
Se soubesses como choro
G7      C     Am7
E como peço
                  Dm7     E7
Para que nosso fracasso
                      Am7
Se transforme em progresso
               F
Apesar de todo erro
G7      C     Am7
Espero ainda
                 Dm7   E7
Que a festa do adeus
                 Am7
Seja a festa da vinda
                  Dm7
Já perdi tantos amores
       E7      Am7
Não notei diferença
                     F
Pensei que passavam séculos
G7            C
Sem a sua presença
Am7                 Dm7        E7
Misturada entre as pedras preciosas
    Am7
do mundo
                Dm7
Com um simples olhar
    E7        Am7
A você não confundo

Festa da Penha

Festa da Penha - Cartola e Asobert - Interpretação de Ary Cordovil



Uma camisa e um terno usado
Alguém me empresta
Hoje é domingo
E, eu preciso ir à festa
Não brincarei
Quero fazer uma oração
Pedir à santa padroeira proteção
Entre os amigos
Encontrarei algum que tenha
Hoje é domingo
E, eu preciso ir à Penha

Levarei dinheiro pra comprar
Velas de cera
Quero levar flores
Para a santa padroeira
Só não subirei
A escadaria ajoelhado
Pra não estragar
O terno que foi emprestado