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terça-feira, 25 de julho de 2006

Morena dos olhos d'água


Morena dos olhos d'água (1966) - Chico Buarque - Interpretação: Nara Leão

LP Manhã de Liberdade / Título da música: Morena dos olhos d'água / Chico Buarque de Hollanda (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1966 / Álbum: P 765.003 P / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.


C                   D7
Morena dos olhos d'água
 D#                   G# Dm
Tira os seus olhos do mar
G7   C                    D7
Vem ver que a vida ainda vale
                  Fm   G7
O sorriso que eu tenho
         C  G7
Pra lhe dar

   C                    Fm
Descansa um meu pobre peito
      D7               G7
Que jamais enfrenta o mar
        Cm            Cm5+
Mas que tem abraço estreito, morena
      Cº           G7
Com jeito de lhe agradar
      C              Fm
Vem ouvir lindas histórias
     D7            G7
Que por seu amor sonhei
     Cm              Cm5+
Vem saber quantas vitórias, morena
      Cº             G7
Por mares que só eu sei

   C                 Fm
O seu homem foi-se embora
    D7             G7
Prometendo voltar já
          Cm            Cm5+
Mas as ondas não têm hora, morena
     Cº           G7
De partir ou de voltar
         C             Fm
Passa a vela e vai-se embora
         D7            G7
Passa o tempo e vai também
         Cm               Cm5+
Mas meu canto ainda lhe implora, morena
 Cº             G7
Agora, morena, vem

domingo, 23 de julho de 2006

Dueto

Dueto (1980) - Chico Buarque - Interpretação: Nara Leão - Participação: Chico Buarque

LP Com Açúcar, Com Afeto / Título da música: Dueto / Chico Buarque (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Chico Buarque (Partic.) / Gravadora: Philips / Ano: 1980 / Nº Álbum: 6349 444 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: MPB.


[Intro:] F6 G7(b13) C7(9)(11) C7(b9)
F6/A     E7/G#         F6/A       E7/G#  F6
Consta nos astros, nos signos, nos búzios
F#°        Gm6     G#º
Eu li num anúncio, eu vi no espelho,
Am7(b5)  D7(b9)/F# Em7(b5)       A7(b13)
Tá lá no evangelho, garantem os orixás
Dm7       G7(9) C7(9)(11)    C7(b9)
Serás o meu amor, serás a minha paz
F6/A     E7/G#       F6/A       E7/G#  F6
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
F#°      Gm6       G#º
Eu fiz uma tese, eu li num tratado,
Am7(b5) D7(b9)/F# Em7(b5)   A7(b13)
Está computado nos dados oficiais
Dm7       G7(9)   Cm7      F7(9)(11) F7(9)
Serás o meu amor, serás a minha paz
Bb7M      Bb6     Bm7(b5)    E7(b9) Am6
Mas se a ciência provar o contrário,
Am7M       Am6    Am7M
E se o calendário nos contrariar
G7(9)    G7(9)(11)   G7(9) G7(b9)        C7(9)(11) C7(b9)
Mas se o destino insistir        em nos separar
F6/A      E7/G#                  F6/A    
Danem-se os astros, os autos, os signos,
E7/G#
os dogmas, búzios, as bulas,
F6                  F#°                 Gm6   
Anúncios, tratados, ciganas, projetos, profetas,
G#º
sinopses, espelhos, conselhos
Am7(b5)  D7(b9)/F# Em7(b5)     A7(b13)
Se dane o evangelho e todos os orixás
Dm7     G7(9)(11) G7(9) C7(9)(11)       C7(b9) F6/A
Serás o meu amor,          serás amor a minha paz


segunda-feira, 5 de junho de 2006

Penas do tiê

Hekel Tavares
Você - Hekel Tavares e Nair Mesquita - Interpretação: Fagner - Participação: Nara Leão

LP Manera Frufru, Manera / Título da música: Penas do Tiê (*) / Hekel Tavares (Compositor) / Nair Mesquita (Compositora) / Fagner (Intérprete) / Nara Leão (Partic.) / Gravadora: Philips / Ano: 1973 / Nº Álbum: 6349 066 / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: Canção / Observação: No disco o título da música está "Penas do Tiê", atribuída erroneamente ao Folclore. A mesma foi composta em 1928.


Intro: (G/B Bbº Am7 D7) 2x

         G/B         Bbº        Am7  D7
Vocês já viram lá na mata a cantoria
       G/B           Bbº     Am7  D7
Da passarada quando vai anoitecer
        G             C#m5-/7 F#7 Bm   Bm/A
E já ouviram o canto triste da araponga
  E4/7             E7         D#   D7
Anunciando que na terra vai chover
         G/B          Bbº         Am7  D7
Já experimentaram guabiroba bem madura
              G/B          Bbº     Am7  D7
Já viram as tardes quando vai anoitecer
        G           C#m5-/7 F#7  Bm   Bm/A
E já sentiram das planícies orvalhadas
          E4/7      E7       D#   D7
O cheiro doce da frutinha muçambê
         C#m5-/7        Cm            G/B Bbº
Pois meu amor tem um pouquinho disso tudo
          Am7            D7      G
E tem na boca a cor das penas do tié
           E4/7        E7              Am7
Quando ele canta os passarinhos ficam mudos
         D4/7     D7           G   G#º
Sabe quem é o meu amor, ele é você
Am A#º G/B A#º Am7 D7 (int.)
Você, você, você

*Fagner é acusado de "maquiar" canção (Jotabê Medeiros - Agência Estado, julho de 1999): O filho do compositor Hekel Tavares afirma que a música "Penas do Tiê", do disco "Manera Frufru Manera" (de 1973), é uma regravação de uma canção de seu pai, editada em 1928.

O disco Manera Frufru Manera, do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner, corre o risco de entrar para o livro dos recordes como o mais problemático da música popular brasileira. Depois de ter sido comprovado, em 1981, que Fagner gravou duas canções que eram plágio de poemas de Cecília Meireles ("Canteiros", também de Manera Frufru, e "Motivo", de um disco chamado Fagner, de 1979), um novo imbróglio se criou em torno de um dos seus sucessos mais conhecidos, "Penas do Tiê". Fagner alegou, quando do lançamento do disco, que "Penas do Tiê" era uma adaptação sua do folclore, de uma canção recolhida do domínio público.

Na verdade, "Penas do Tiê" nada mais é do que uma regravação, ipsis litteris, de "Você", uma composição de Hekel Tavares (1886-1969) e Nair Mesquita, editada em 1928 e dedicada à cantora lírica Gabriella Besansoni Lage. O "deslize" de Fagner, apontado inicialmente pelo jornalista Tárik de Souza, do Jornal do Brasil, demorou 26 anos para ser descoberto (de 1973 até hoje). E só o foi porque o filho do compositor Hekel Tavares, Alberto Hekel Tavares, ouviu uma gravação recente da Orquestra Pró-Música do Rio de Janeiro, tendo como solista a cantora Ithamara Koorax, e pôde comparar com as gravações anteriores de Fagner.

"É inacreditável: tratava-se da mesma canção", diz Alberto Hekel Tavares. Segundo ele, Fagner só mudou duas palavras. "Ele chama a fruta gabiroba de guabiraba, coisa que não existe", diz Tavares. Desde sua gravação inicial, em 1973, "Penas do Tiê" (ou "Você") teve diversas regravações. Joanna a gravou no CD Vidamor, pela BMG. A Philips a relançou duas vezes. Nana Caymmi a canta em dueto com Fagner no CD Amigos e Canções, também da BMG.

A gravadora Warner Chapell, com quem Fagner assinou contrato para a gravação original de Manera Frufru Manera, admite o equívoco do crédito e está em contato com os advogados dos herdeiros de Hekel Tavares. Fagner, também contatado, reconhece que houve um problema, mas acha muito alta a quantia pedida como indenização: R$ 400 mil. "A canção não só não era do folclore como era bastante conhecida e de um dos grandes compositores brasileiros", diz Alberto Hekel Tavares. "Nós queremos indenização financeira e também moral, porque a obra do meu pai foi usurpada", afirma. Caso não haja um acordo, Tavares pretende processar Fagner.

Hekel Tavares foi um compositor de grande sucesso na primeira metade do século. Compunha música popular e também música sinfônica. Nos anos 50, seu "Concerto em Formas Brasileiras" foi apresentado nos Estados Unidos tendo como solista a pianista Guiomar Novaes e sob a regência do maestro Karl Kruger.

O cantador

O Cantador (1967) - Dori Caymmi e Nelson Motta - Interpretação: Elis Regina

LP III Festival Da Música Popular Brasileira - Vol. 2 / Título da música: O Cantador / Dori Caymmi (Compositor) / Nelson Motta (Compositor) / Elis Regina (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1967 / Nº Álbum: R 765.015 L / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Canção / Festivais.


Tom: F  


Bb7+            Eb/F
   Amanhece, preciso ir
Bb7+                 C/Bb           Am7
   Meu caminho é sem volta e sem ninguém
   Dm7     G7/13    C7+
Eu vou pra onde a estrada levar
     F7             Eb7+
Cantador, só sei cantar
Eb/F F/Eb       Dm7          Gm7      Cm7/9  F7/13    Eb7+
Ah!  Eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor
   Eb/F   F/Eb       Dm7          Gm7      Cm7/9  F7/13    Bb7+
Ah!       Eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor
                              C/Bb
Cantador não escolhe o seu cantar
                  Am7
Canta o mundo que vê
                Dm7            Em7/5-
E pro mundo que vi meu canto é dor
      A7/5+                Dm7/9
Mas é forte pra espantar a morte
           Gm7                 Cm7/9
Pra todos ouvirem a minha voz
      F7/13
Mesmo longe
Bb7+                  Eb/F
   De que servem meu canto e eu
Bb7+                      C/Bb           Am7
   Se em meu peito há um amor que não morreu
Dm7    G7/13          C7+
Ah! Se eu soubesse ao menos chorar
     F7             Eb7+
Cantador, só sei cantar
Eb/F F/Eb       Dm7        Gm7     Cm7/9 F7/13 Eb7+
Ah!  Eu canto a dor de uma vida perdida  sem  amor
   Eb/F   F/Eb       Dm7        Gm7     Cm7/9 F7/13 Bb7+
Ah!       Eu canto a dor de uma vida perdida  sem  amor

Trevo de quatro folhas

Trevo de Quatro Folhas (I'm Looking Over A Four Leaf Clover) (1927) - Harry Woods e Mort Dixon - Versão: Nilo Sérgio - Intérprete: Nara Leão

LP Meu Primeiro Amor / Título da música: Trevo de Quatro Folhas (I'm Looking Over A Four Leaf Clover) / Mort Dixon (Compositor) / Harry Woods (Compositor) / Nilo Sérgio (Versão) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1975 / Nº Álbum: 6349 052 / Lado A / Faixa 6.


Tom: A7+

A7+
Vivo esperando e procurando
B7/13           B7/5+
Um trevo no meu jardim
E7/9                A7+      F#m7
Quatro folhinhas nascidas ao léu
B7/13  B7/5+   E7/9     E7/9-
Me levariam pertinho do céu
A7+
Feliz eu seria e o trevo faria
B7/13            B7/5+
Que ela voltasse pra mim
E7/9             A7+  F#m7
Vivo esperando e procurando
B7/13 B7/5+ E7/9 E7/9- A7+
Um trevo    no meu  jar...dim

João e Maria

João e Maria (1977) - Sivuca e Chico Buarque - Interpretação: Nara Leão e Chico Buarque

LP Os Meus Amigos São Um Barato / Título da música: João e Maria / Chico Buarque (Compositor) / Sivuca (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Chico Buarque (Partic.) / Gravadora: Philips / Ano: 1977 / Nº Álbum: 6349 338 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Valsa.


Tom: Em

Intro: Em7/9 D Em7/9 C7+/9/11+
 
Em7/9            Am7/9
Agora eu era o herói
         D/F#               G7+
E o meu cavalo só falava inglês
 Em7/9      Am7/9      D7+                  G7+
A noiva do cowboy era você além das outras três
                     F#7                        Bm7
Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões
                  G7+                C7+             B4/7
Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês
 Em7/9          Am7/9
Agora eu era o rei
       D/F#               G7+
Era o bedel e era também juiz
Em7/9         Am7/9             D/F#          Dm/F
E pela minha lei a gente era obrigada a ser feliz
E7 Am7           D7                G7+
E você era a princesa que eu fiz coroar
  C7+                     F7+
E era tão linda de se admirar
            B7            Em7/9
Que andava nua pelo meu país

Em             B/D#
Não, não fuja não
           E/D                  Am/C
Finja que agora eu era o seu brinquedo
 D/F#         G7+     F           B7/F#
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
 Em          B7/F#          E/G#              Am7
Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
 D/F#          G7+                   Am/C B7      Em7/9
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
           Am7/9       D/F#                    G7+
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Em7/9          Am7/9          D/F#                  DmF
Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim
E7    Am7          D/f#            G7+
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
            C7+                F7+
E agora eu era um louco a perguntar
               B7                Em7/9
O que é que a vida vai fazer de mim

De onde vens


De Onde Vens - Dory Caymmi e Nelson Motta - Interpretação: Nara Leão - Participação: Edu Lobo

LP Nara / Título da música: De Onde Vens / Dory Caymmi (Compositor) / Nelson Motta (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Edu Lobo (Partic.) / Gravadora: Philips / Ano: 1967 / Nº Álbum: R 765.023 L / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.


Tom: A  

Intro: F#m5-/7 B7/9-

Em          Em5+              Em6 Em7
Ah, quanta dor vejo em teus olhos
                       Em7+ Em7
Tanto pranto em teu sorriso
                    Am7
Tão vazias as tuas mãos
         Gm7         F#m5-/7
De onde vens assim cansada
                       B6/7
De que dor, de qual distância
                     Em7 A7/9
De que terras,de que mar
D/E                   E7/9-
Só quem partiu pode voltar
                     Am7
E eu voltei prá te contar
                   Cm5-/7
Dos caminhos onde andei
        F#7/9-       Bm5-/7
Fiz do riso amargo pranto
    E5+/7              Am7
No olhar sempre teus olhos
          B7/9-       Em7  Em5+
No peito aberto uma canção
                   Em6   Em7               Em7+ Em7
Se eu pudesse de repente te mostrar meu coração
               Am7          Gm7            F#m5-/7
Saberias num momento quanta dor há dentro dele
             B6/7
Dor de amor quando não passa
                     (Em7 A7/9)s
É porque o amor valeu

Amor nas estrelas


Amor nas Estrelas (1981) - Roberto de Carvalho e Fausto Nilo - Interpretação: Nara Leão

LP Romance Popular / Título da música: Amor Nas Estrelas / Roberto de Carvalho (Compositor) / Fausto Nilo (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Polygram / Ano: 1981 / Nº Álbum: 6328 316 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Canção.


Intro: C7+ Fm C7+ Fm7 C7+ Fm7 Bm4/7 E7

    A7+    Dm/A  A7+  A6 
No alto de uma montanha 
   G#m4/7   C#7  F#m7 Em7 A7
 existe um lago azul
  D7+      D#°      A/E  G6/7 F#6/7
É lá que a lua se banha
 B4/7          B7               Bm4/7 E7
Até amanhã de manhã me banha de luz
A7+  Dm/A       A7+         G#m4/7  C#7 F#m7 Em7 A7
A solidão é um Saara que o firmamento seduz
     D7+       D#º    A/E   G6/7 F#6/7
E o céu brilha na Guanabara
  B4/7         B7
E sonha só fascinação
             D/E E7
Teu olhar me diz
        Em7            G/A                D7+  B4/7 B7
Vejo a lua dizendo pro sol: eu sou tua namorada
        G/A                                       D6  D7+
Em meu quarto crescente é você quem brilha e me reluz
       F#m7             B7                E7+  C#7
Se você vai iluminar o Japão eu fico abandonada
      A/B                                    D/E Bb5-/7
Num pedaço qualquer de canção na voz dessa mulher
    A7+    Dm/A       A7+    G#m4/7 C#7     F#m7 Em7 A7
E o sol derrama um desejo do céu nessa cama azul
    D7+        D#º           A/E G6/7 F#6/7
Um mel na tua boca e eu te beijo
 B4/7          B7                 D/E E7
Até amanhã de manhã, me banha de luz

Opinião

João do Vale, Nara Leão e Zé Keti no Show Opinião.
Além do título de uma peça que, como foi dito, reuniu no palco Nara Leão, Zé Kéti e João do Vale, o samba “Opinião” inspirou os nomes de um jornal, de um teatro, do grupo que encenou a peça e do segundo elepê de Nara, lançado no final de 64.

Simbolizando uma resistência ao processo de remoção de favelas, que então executava o governo do Estado da Guanabara, “Opinião” é uma canção de protesto explícito (“Podem me prender / podem me bater / podem até deixar-me sem comer / que eu não mudo de opinião / daqui do morro eu não saio não...”), que, cantada numa época de forte repressão, funcionou como desafio à ditadura vigente.

Daí a razão do sucesso da composição e do musical, que instituiu um esquema de contestação ao regime, logo adotado por diversos grupos. Ano de prestígio máximo de Zé Keti 1965 foi marcado ainda pelos sucessos de seus sambas “Malvadeza Durão”, “Nega Dina” e “Acender as Velas” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Opinião (samba, 1965) - Zé Keti

LP/CD Show Opinião - Nara Leão, Zé Keti e João Do Vale / Título da música: Opinião / Zé Keti (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Zé Keti (Intérprete) / João Do Vale (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1965 / Catálogo: P-632.775-L / Faixa 19 / Gênero musical: Samba.


Tom: Em 
 
Em 
Podem me prender 
Am                Em 
Podem me bater 
Em       Am                  B7       Em 
Podem até deixar-me sem comer 
Em       Am                  B7       Em 
Que eu não mudo de opinião 
 
Em       Am                  B7       Em 
Daqui do morro eu não saio não 
Em       Am                  B7       Em 
Daqui do morro eu não saio não 
 
Em              Am               Em 
Se nao tem agua eu furo um poço 
               Am         Em       D7                  
Se nao tem carne  compro um osso 
                   B7 
E ponho na sopa  
                Em 
E deixo andar 
    B7          Em 
E deixo andar 
B7          Em 
E deixo andar 
 
B7                       D7 
Fale de mim quem quizer falar 
B7                      Em 
Aqui eu nao pago aluguel 
B7                       D7 
Se eu morrer amanha seu doutor 
B7                      Em 
Estou pertinho do céu 

Chegança

Chegança (samba, 1964) - Edu Lobo e Oduvaldo Viana Filho - Interpretação: Nara Leão

LP Opinião De Nara / Título da música: Chegança / Oduvaldo Viana Filho (Compositor) / Edu Lobo (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1964 / Nº Álbum: P 632.732 L / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Samba.


Tom: A/G

A/G           B/A             A/G
   Estamos chegando daqui e dali
            B/A                   A/G
E de todo lugar que se tem pra partir
A/G           B/A             A/G
   Estamos chegando daqui e dali
            B/A                   A/G
E de todo lugar que se tem pra partir
   D#m7/5- G#7/5+ C#m7/5-
Trazendo   na  chegança
F#7/5+ Bm7/9  E7/13  A6
Foice  velha, mulher nova
      B/A           A/G
E uma quadra de esperança
      B/A           A/G
E uma quadra de esperança
A7/9/4   A7/9/13      G#m7   C#7/9-
Ah, se viver fosse chegar

F#m7+   F#m7      F#m/E        D#m7/5- D7+ E7/9-/13 E7/9- A6/9
Ah,          se viver fosse chegar
             Em7/11           A6/9
Chegar sem parar, parar pra casar
           Em7/11     A6/9
Casar e os filhos espalhar
                 Em7/11   A6/9
Por um mundo num tal de rodar
                 B/A      A/G
Por um mundo num tal de rodar
                 B/A      A/G
Por um mundo num tal de rodar

O sol nascerá

Cartola
A carreira de Cartola divide-se em duas fases: a “fase pobre”, dos anos trinta aos cinquenta, em que teve somente quatorze composições gravadas, e a “fase rica”, de 1964 a 1980, quando, redescoberto e consagrado, lançou a maior e melhor parte de sua obra. Pode-se dizer que essa segunda fase começa com o lançamento de “O Sol Nascerá”, que tem também especial significação para o co-autor Elton Medeiros, pois é o seu primeiro sucesso.

Embora gravado em 1964 — no já citado disco de Nara Leão —, “O Sol Nascerá” foi composto dois anos antes, em casa de Cartola, na época muito frequentada por Elton, Zé Kéti, Nelson Cavaquinho e outros sambistas. E foi feito de improviso, de forma até pitoresca, conforme relembra o próprio Elton: “Tínhamos acabado de fazer um samba chamado ‘Castelo de Pedrarias’, quando chegou o amigo Renato Agostini com a mulher. Então, mostramos-lhe o samba e ele nos desafiou a fazer outro, ali na hora, em sua presença. Topamos o desafio e pouco depois estava pronto ‘O Sol Voltará’, que o Renato adorou.

Na gravação, atendendo a um pedido de Aloysio de Oliveira, mudamos o título para ‘O Sol Nascerá’, que ficou até melhor.” Curto, como convém a uma composição feita de improviso, “O Sol Nascerá” é um samba que procura passar esperança e otimismo (“A sorrir / eu pretendo levar a vida...”) e tem a participação de Cartola e Elton tanto na letra como na melodia. Já o “Castelo de Pedrarias”, perdeu-se para sempre nas brumas do esquecimento... (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

O sol nascerá (samba, 1964) - Elton Medeiros e Cartola - Intérprete: Nara Leão

LP Nara / Título da música: O Sol Nascerá / Cartola (Compositor) / Elton Medeiros (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Elenco / Ano: 1964 / Álbum: ME-10 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.

Tom: C
[Intro:] D D/C G/B A E7(9) Gm6 D A7

D D/C   G/B
A sor...rir
      A/G        E7(9) A7(13)
Eu pretendo levar a vida
D    D/C   G/B
Pois cho...rando
    A/G      E7(9) A7(13)  D     A7
Eu vi a mocidade       perdida
D D/C   G/B
A sor...rir
     A/G       E7(9) A7(13)
Eu pretendo levar a vida
D    D/C   G/B
Pois cho...rando
   A/G       E7(9) A7(13)  D     D7
Eu vi a mocidade       perdida

G7M           Gm7
Finda a tempestade
D          D/C
O sol nascerá
E7
Finda esta saudade
       A7          Bm7        A/C#
Hei de ter outro alguém para amar

D D/C   G/B
A sor...rir
    A/G       E7(9) A7(13)
Eu pretendo levar a vida
D    D/C   G/B
Pois cho...rando
   B7       E7   A7 D
Eu vi a mocidade perdida

Consolação

Baden Powell
Consolação (samba, 1964) - Baden Powell e Vinícius de Moraes - Interpretação: Nara Leão

LP Nara / Título da música: Consolação / Baden Powell (Compositor) / Vinícius de Moraes (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Elenco / Ano: 1964 / Álbum: ME-10 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.


Dm7       Am7    Dm7 
 Se não tivesse o amor  
           Am7        Dm7 
 Se não tivesse essa dor 
            Am7       Dm7     
 E se não tivesse o sofrer   
           Am7       Dm7
 E se não tivesse o chorar 
             Am7      Dm7   
 Melhor era tudo se acabar 
            Am7      Dm7 
 Melhor era tudo se acabar 

Am7 Dm7  Gm7   A7  Dm7                  C7  
 Eu      amei,     amei demais  O que sofri por causa  
   Bb7M           Am7  Dm7  Gm7    A7     Dm7 
do amor  Niguem sofre  Eu  chorei,     perdi   a paz 
              F                           Am7 
Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais  
             Dm7 
Mais do que eu

Diz que eu fui por aí

Em seu elepê de estréia, Nara Leão surpreendeu o produtor Aloysio de Oliveira ao reunir os bossanovistas Baden Powell, Vinícius de Moraes e Carlos Lyra aos sambistas Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti, na época ignorados pelas gravadoras.

Mas apesar da desaprovação de alguns puristas, o disco deu certo, com a musa da bossa nova cantando a seu modo sambas como “O Sol Nascerá”, “Luz Negra” e este “Diz que Fui por Ai”, que trata da errante de um boêmio, com seu violão debaixo do braço, que pára em qualquer esquina, entra em qualquer botequim e, despreocupado, recomenda: “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí.”

Complementando a ótima interpretação de Nara, esta faixa tem uma participação primorosa do violonista Geraldo Vespar (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Diz que eu fui por aí (samba, 1964) - Zé Keti e Hortêncio Rocha - Intérprete: Nara Leão

LP Nara / Título da música: Diz que eu fui por aí / Zé Keti (Compositor) / Hortêncio Rocha (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Elenco / Ano: 1964 / Álbum: ME-10 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.

A7+               A#º  Bm7  
Se alguém perguntar por mim  
                 E7/9    F#m7  
Diz que fui por aí  
              F#m7/E              Em7  A7/9  
Levando um violão /  Debaixo do braço  
D7+             Ebº     C#m7  
Em qualquer esquina eu paro  
                 F#7      Bm7  
Em qualquer botequim eu entro  
               E7  
E se houver motivo  
Gº                     F#7(b9)   Bm7  
É mais um samba que eu faço  
               E7          A7+           F#7  
Se quiserem saber / Se volto diga que sim  
  
         Bm7            E7         C#m7    F#7  
Mas só depois que a saudade se afastar de mim  
          Bm7           E7          A7+        A#º   Bm7  
Mas só depois que a saudade se afastar de mim  
  
             E7  
Tenho um violão  
               C#m7  
Pra me acompanhar  
               F#7  
Tenho muitos amigos  
            Bm7  
Eu sou popular  
              E7  
Tenho a madrugada  
          C#m7     F#7         Bm7  
Como companhei. . .ra  
              E7  
A saudade me dói  
                 C#m7  
Em meu peito me rói  
               F#7  
Eu estou na cidade  
               Bm7  
Eu estou na favela  
             E7  
Eu estou por aí  
                 A6  
Sempre pensando nela

Marcha da quarta-feira de cinzas

Composta antes de 1964, a “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas” é assim uma espécie de protesto premonitório contra a realidade imposta pela ditadura militar. Pertence àquela fase inicial do CPC em que Carlos Lyra, como já foi dito, incorpora à sua obra uma temática político-nacionalista, tendo sido feita no mesmo dia em que ele e Vinícius haviam concluído o “Hino da UNE” (“De pé a jovem guarda / a classe estudantil / sempre na vanguarda / trabalha pelo Brasil...”).

Mas, com sua mensagem disfarçada no lirismo melancólico de uma marcha-rancho, a composição pode ser considerada um belo exemplar do gênero música de protesto: “Acabou nosso carnaval / ninguém ouve cantar canções / ninguém passa mais brincando feliz / e nos corações / saudades e cinzas foi o que restou...” A passagem com o acorde de sétima maior de dó antecedendo a frase “e no entanto é preciso cantar”, após a pungente primeira parte, cria um momento mágico, na medida em que envolve a platéia inteira e a faz cantar suavemente embalada por um simples violão.

Um clássico de seu tempo, a “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas” é uma daquelas raras canções capazes de encerrar com elevada dose de emoção um espetáculo musical. Embora consagrada pela voz de Nara Leão, teve sua gravação inicial por Jorge Goulart em fevereiro de 63 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Marcha de quarta-feira de cinzas (marcha-rancho, 1963) - Carlos Lyra e Vinícius de Moraes - Interpretação: Nara Leão.

LP Nara / Título da música: Marcha da quarta-feira de cinzas / Carlos Lyra (Compositor) / Vinícius de Moraes (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Elenco / Ano: 1964 / Álbum: ME-10 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Marcha-rancho.

INTROD: Gm  D#5-/6  D7  Gm  D#5-/6  D7  

Gm7            D#5-/6  D7
Acabou nosso carnaval 
        Gm7          D#5-/6   
Ninguém ouve cantar canções
  D7          Bm7             Bm5-/7
Ninguém passa mais brincando feliz
E7       A7/13
E nos corações 
           Am7(b5) D7(b9)         Gm7  Am4/7 D7(#9)
Saudades e cinzas  foi   o que restou

      Gm7           D#5-/6
Pelas ruas o que se vê
 D7     Gm7             D#5-/6
É uma gente que nem se vê
 D7          Bm7                Bm5-/7
Que nem se sorri, se beija e se abraça
 E7      A7/13
E sai caminhando
              Am7(b5) D7(b9)       Gm7  Dm7 G#°(b13)
Dançando e cantando   cantigas de amor

C7M                   Cm6
    E no entanto é preciso cantar
G/B                   A7        Em7
    Mais que nunca é preciso cantar
A7/13      A7(#5)      A7                Am7(b5)  D#5-/6   D7
      É preci....so cantar e alegrar a cida.......de

      Gm7              D#5-/6
A tristeza que a gente tem
         Gm7           D#5-/6
Qualquer dia vai se acabar
  D7       Bm7                Bm5-/7
Todos vão sorrir, voltou a esperança
 E7            A7/13
É o povo que dança
            Am7(b5)  D7(b9)      Gm7  Dm7 G#°(b13)
Contente da vida,    feliz  a cantar

C7M                   Cm6
    Porque são tantas coisas azuis
G/B                     Em7
    E há tão grandes promessas de luz
A7/13       A7(#5)      A7
      Tanto amor  para amar
                  Am7(b5)  D7
De que agente nem sa.......be

        Gm7           D#5-/6 D7  
Quem me dera viver pra ver
      Gm7             D#5-/6
E brincar outros carnavais
 D7          Bm7          Bm5-/7
Com a beleza dos velhos carnavais
       E7        A7/13
Que marchas tão lindas
            Am7(b5)     D7(b9)    Gm7
E o povo cantando   seu canto  de paz
Am7(b5)     D7(b9)   Gm7
        Seu canto de paz

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Cuitelinho


Cuitelinho (toada, 1974) - Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó - Intérprete: Nara Leão

LP Anuário Marcus Pereira / Título da música: Cuitelinho / Tradicional / Paulo Vanzolini (Pesquisador) / Antônio Xandó (Pesquisador) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Álbum: 403.5026 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo.


A
Cheguei na beira do porto
                    E
Onde as ondas se espáia
    A
As garça dá meia volta
                     E
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
                     A               A E D E A
Que o botão de rosa caia, ai, ai, ai
             A
Aí quando eu vim de minha terra
                 E
Despedi da parentaia
      A
Eu entrei no Mato Grosso
                    E
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
                   A              A E D E A
Enfrentei fortes bataia, ai, ai, ai
     A
(*)A tua saudade corta
              E
Como aço de navaia
      A
O coração fica aflito
                   E
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
                       A                A E D E A (bis) (*)
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Meu ego


Meu ego (1977) - Roberto Carlos e Erasmo Carlos - Interpretação: Erasmo Carlos e Nara Leão

LP Nara Leão - Os Meus Amigos São Um Barato / Título da música: Meu ego / Roberto Carlos (Compositor) / Erasmo Carlos (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Erasmo Carlos (Participação) / Gravadora: Philips / Ano: 1977 / Álbum: 6349 338 / Lado A / Faixa 3.


Tom :A
Intro: A D G C A

      A       D
Por favor meu ego
 G        C
Não dê força ao prego
 A             D
Que nos põe contra a parede
 G          C
Pra nos afogar de sede
 A      D   A       D
Chove chuva na sua boca
 A         D   A  D
Você não bebe
 A     D       A      D
Há palavras, existem letras
 C#           F#
Mas você não forma
            B           E        A   A E A 
As frases loucas que cultiva por aí

terça-feira, 18 de abril de 2006

João e Maria

O jeito ingênuo da melodia, composta por Sivuca em 1947, época em que Chico Buarque vivia sua infância, deu-lhe, ao ouvi-la trinta anos depois, a ideia de fazer-lhe uma letra evocativa na qual são recordadas brincadeiras de criança: “Agora eu era o herói / e o meu cavalo só falava inglês / a noiva do cowboy / era você além de outras três...”

Assim nasceu a valsinha “João e Maria”, nome também de um conto infantil, gravada por Nara Leão e Chico no elepê Meus amigos são um barato e popularizada pela telenovela “Dancin’ Days”. No auge do sucesso de “João e Maria”, que muita gente pensava ser apenas de Chico, Sivuca aproveitou uma série de shows que realizava no Rio para corrigir o equívoco: a letra era do Chico, mas a música era dele há muito tempo... (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

João e Maria (1978) - Chico Buarque e Sivuca - Interpretação: Chico Buarque e Nara Leão.

LP Nara Leão - Os Meus Amigos São Um Barato / Título da música: João e Maria / Sivuca (Compositor) / Chico Buarque de Hollanda (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Chico Buarque (Partic.) / Gravadora: Philips / Número Álbum: 6349 338 / Ano: 1977 / Lado: B / Faixa: 2 / Gênero musical: Valsa.


Em7/9                  Am7/9
      Agora eu era o herói
         D/F#             G7+
E o meu cavalo só falava inglês
Em7/9              Am7/9       D/F#
A noiva do cowboy   era você
                G7+
além das outras três
                 F#7
Eu enfrentava os batalhões
             Bm7
Os alemães e seus canhões
                 G7+                C7+
Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock
            B7/4
para as matinês
Em7/9                Am7/9
Agora eu era o rei
        D/F#               G7+
Era o bedel e era também juiz
Em7/9                Am7/9
E pela  minha lei
            D/F#             Dm/F
A gente era obrigada a ser feliz
E7     Am7          D7                  G7+
E você era a princesa que eu fiz coroar
          C7+             F7+
E era tão linda de se admirar
           B7             Em7/9
Que andava nua pelo meu país

Em            B/D#
Não, não fuja não
           E/D                   Am/C
Finja que agora eu era o seu brinquedo
D/F#               G7+
Eu era o seu pião
F7+                B7/F#
O   seu bicho preferido
Em           B7/F#
Vem, me dê a mão
         E/G#              Am7
A gente agora já não tinha medo
D/F#                G7+
No tempo da maldade acho que a gente
Am/C B7       Em7/9
nem  tinha nascido

            Am7/9
Agora era fatal
             D/F#               G7+
Que o faz-de-conta terminasse assim
Em7/9                   Am7/9
Pra lá desse quintal
        D/F#                   Dm/F
Era uma noite que não tem mais fim
E7        Am7          D/F#            G7+
Pois você  sumiu no mundo sem me avisar
           C7+                  F7+
E agora eu era um louco a perguntar
              B7                Em7/9
O que é que a vida vai fazer de mim

segunda-feira, 17 de abril de 2006

A banda

A passagem de uma banda desperta alegria e prazer em um grupo de pessoas, mergulhadas na monotonia de suas vidas insignificantes (“A minha gente sofrida / despediu-se da dor / pra ver a banda passar / cantando coisas de amor”).

Mas o encantamento tem apenas o tamanho de uma canção, voltando tudo à rotina anterior no momento em que a música deixa de ser ouvida (“Mas para o meu desencanto / o que era doce acabou / tudo tomou seu lugar / depois que a banda passou”).

Espantando a dor, a desesperança, a imobilidade, a banda simboliza a importância da música para a vida. Na visão do poeta, a música é amor, emoção, movimento; o silêncio: tristeza, sofrimento, solidão. Uma composição típica da fase inicial de Chico Buarque, com seu estilo lírico-narrativo, “A Banda” dividiu com “Disparada” o primeiro lugar no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record.

Seu sucesso foi fulminante, tendo o compacto de lançamento, gravado por Nara Leão, vendido 55 mil cópias em quatro dias. Porém, sua maior façanha foi entrar para os repertórios de bandas do mundo inteiro, mesmo sem ser música militar (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

A banda (marcha, 1966) - Chico Buarque - Intérprete: Nara Leão

Compacto simples / Título da música: A banda / Chico Buarque de Hollanda (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1966 / Álbum: 365.200 / Lado A / Gênero musical: Marcha.


D6/9                  A7
    Estava à toa na vi__da O meu amor me chamou
F#m7          B7          E7(9)         A7
    Pra ver a banda passar     Cantando coisas de amor
D6/9                   A7
    A minha gente sofri__da Despediu-se da dor
F#m7          B7          E7(9)         A7            D6/9
    Pra ver a banda passar     Cantando coisas de amor

        D7M                     A7
O homem sério que contava dinhei__ro parou
      Am6/C        B7        Em7         Em/D
O faroleiro que contava vanta___gem parou
      C#m7        F#7(9)        F#m7      B7
A namorada que contava  as estre____las parou
        E7(9)                 Em7(9)    A7
Para ver,    ouvir e dar passa______gem
       D7M                  A7
A moça triste que vivia cala__da sorriu
       Am6/C        B7       Em7           Em/D
A rosa triste que vivia fecha___da se abriu
        C#m7      F#7(9)
E a meninada toda se    asanhou
F#m7          B7          E7(9)         A7
    Pra ver a banda passar     Cantando coisas de amor

D6/9                  A7
    Estava à toa na vi__da O meu amor me chamou
F#m7          B7          E7(9)         A7
    Pra ver a banda passar     Cantando coisas de amor
D6/9                   A7
    A minha gente sofri__da Despediu-se da dor
F#m7          B7          E7(9)         A7            D6/9
    Pra ver a banda passar     Cantando coisas de amor

        D7M                       A7
O velho fraco se esqueceu do cansa__ço e pensou
              Am6/C    B7           Em7           Em/D
Que ainda era moço pra sair no terra___ço e dançou
       C#m7      F#7(9)       F#m7
A moça feia debruçou   na jane____la
   B7             E7(9)               Em7(9)   A7
Pensando que a ban_____da tocava pra e______la
          D7M                       A7
A marcha alegre se espalhou na aveni__da e insistiu
      Am6/C       B7         Em7         Em/D
A lua cheia que vivia escondi___da surgiu
        C#m7      F#7(9)
Minha cidade toda se    enfeitou
F#m7          B7          E7(9)         A7
    Pra ver a banda passar     Cantando coisas de amor

D6/9                     A7
    Mas para meu desencan__to O que era doce acabou
F#m7       B7           E7(9)             A7
    Tudo tomou seu lugar     Depois que a banda passou
D6/9                      A7
    E cada qual no seu can__to Em cada canto uma dor
F#m7          B7          E7(9)         A7
    Depois da banda passar     Cantando coisas de amor
D6/9          B7          E7(9)         A7
    Depois da banda passar     Cantando coisas de amor
D6/9          B7          E7(9)         A7            D6/9
    Depois da banda passar     Cantando coisas de amor

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Nara Leão


Nara Leão (Nara Lofego Leão), cantora, nasceu em Vitória ES, em 19/1/1942 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 7/6/1989. Com um ano de idade foi com a família para o Rio de Janeiro RJ. Em 1954, começou a aprender violão com o violinista e cantor Patrício Teixeira, passando em seguida a estudar com Roberto Menescal.


Ainda como amadora, participou de 1957 a 1959 de shows universitários com os integrantes do movimento bossa nova, que então se iniciava, ao mesmo tempo que trabalhava como repórter do jornal Última Hora. Sua casa passou a ser ponto de encontro de compositores e cantores, mas só em 1963 realizaria sua estréia como profissional, trabalhando ao lado de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia musical Pobre menina rica, de autoria desses dois compositores, apresentada na boate carioca Au Bon Gourmet.

Ainda nesse ano fez suas primeiras gravações: participou da trilha sonora do filme Ganga Zumba, rei dos Palmares (dirigido por Carlos Diegues), em que cantou Naná (Moacir Santos); e também gravou duas faixas no LP de Carlos Lyra Depois do Carnaval, lançado pela Philips: a marcha-rancho Marcha da quarta-feira de cinzas (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes) e o sambalanço Promessas de você (Carlos Lyra e Nelson Lins e Barros).

Ainda em 1963 excursionou pelo Japão e pela França com Sérgio Mendes. Em 1964 gravou seu primeiro LP, Nara, pela Elenco, lançando várias músicas que se tornariam importantes, como Diz que eu fui por aí (Zé Kéti e H. Rocha), Consolação (Baden Powell e Vinícius de Moraes), O morro (Feio não é bonito) (Carlos Lira e Gianfrancesco Guarnieri), e O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros). Esse disco provocou grande polêmica, pois a Musa da Bossa Nova, como era apelidada, havia escolhido um repertório frontalmente contrário ao que vinha interpretando. Ainda em 1964, gravou seu segundo LP Opinião de Nara, na Philips, cantando Chegança (Edu Lobo e Oduvaldo Viana Filho) e Opinião (Zé Kéti).

Em dezembro de 1964, ao lado de Zé Kéti e João do Vale, apresentou-se com muito sucesso no show Opinião, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, dirigido por este último, no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro.

Em 1965 lançou Chico Buarque, interpretando as músicas Pedro pedreiro e Olê, olá e participou do show Liberdade, liberdade (Flávio Rangel e Millor Fernandes), dirigido por Flávio Rangel, no Teatro Opinião. No ano seguinte gravou o LP Manhã de liberdade, na Philips.

Também em 1966, no auge da carreira, interpretou A banda, com seu autor, Chico Buarque, no II FMPB, da TV Record, de São Paulo SP, classificando-a em primeiro lugar, ao lado de Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros).

Defendeu, em 1967, no III FMPB, A estrada e o violeiro, ao lado do autor Sidney Miller, que ganharia o prêmio de melhor letra. Nos anos de 1966 e 1967, teve um programa semanal - Pra ver a banda passar - com Chico Buarque, na TV Record, e nesse último ano gravou o LP Canto livre de Nara.

Aderiu, em 1968, ao movimento tropicalista, participando do LP Tropicália ou Panis et circensis, ao lado de Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso. No mesmo ano, fez as gravações de seu LP Nara Leão, que incluía, entre outras, o choro Odeon (Ernesto Nazareth), com letra escrita especialmente para a cantora por Vinícius de Moraes. No ano seguinte, mudou-se para Paris, França, onde gravou novo LP no qual interpretou o choro Apanhei-te, cavaquinho (Ernesto Nazareth), para o qual escreveu uma letra.

Ainda em Paris, gravou, em 1971, o LP Polydor Dez anos depois, álbum retrospectivo da bossa nova. Voltou ao Brasil nesse ano e em 1972 trabalhou, ao lado de Maria Bethânia e Chico Buarque, no filme Quando o Carnaval chegar, de Carlos Diegues, seu marido. Nos anos seguintes, afastou-se aos poucos da carreira, limitando-se a realizar algumas gravações e raras apresentações, tendo ainda ingressado em curso de psicologia, da Universidade Católica do Rio de Janeiro. Participou de gravações de LPs de outros artistas, como Fagner, de discos em parceria, como Quando o Carnaval chegar, cantando ao lado de Chico Buarque e Maria Bethânia, e lançando compactos, como Grândola Vila Morena (José Afonso).

Em fins da década de 1970 saíram os LPs Meus amigos são um barato (Philips, 1977), com participação de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Edu Lobo, Chico Buarque, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Tom Jobim, e outros; Que tudo mais vá pro inferno (1978) e Nara Leão canta em castelhano (1979).

Entre 1980 e 1988 foram lançados nove LPs: em 1980, Com açúcar e com afeto; 1981, Romance popular; 1982, Os grandes sucessos de Nara Leão; 1983, Meu samba encabulado; 1984, Luz da manhã; 1985, Um cantinho, um violão (com Roberto Menescal), gravado no Japão; 1986, Garota de Ipanema; 1987, Meus sonhos dourados; e em 1988, Série personalidade - Nara, todos pela Polygram.

Com vários LPs gravados, participou durante a carreira de todos os movimentos musicais, tendo lançado inúmeros compositores novos e relançado outros tantos antigos, numa sempre louvada capacidade de escolha de seu repertório.

Algumas músicas:


Veja também:



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.