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quinta-feira, 20 de julho de 2006

Meu benzinho

Agostinho dos Santos
Meu Benzinho (My Little One) (1956) - George Howe e David Gussin- Versão: Cauby de Brito - Interpretação: Agostinho dos Santos

Disco 78 rpm / Título da música: Meu Benzinho (My Little One) / George Howe (Compositor) / David Gussin (Compositor) / Cauby de Brito (Versão) / Agostinho dos Santos (Intérprete) / Gravadora: Polydor / Ano: 1956 / Nº Álbum: 161 / Lado A / Gênero musical: Valsa lenta.


Em
Luz dos meus olhos
        B7
Desejos em flor
                    B7/5+       Em
Que mal conhece o que é o amor
E7                   Am
A noite cálida vai deixar
Gb7                B7/5+              Em
A    a n s i e d a d e   em seu lugar

Em                      B7         
Se amanhã outro amor disser
               B7/5+      Em
Que te reclama, deseja e quer
E7                          Am     Am6
Eu mesmo assim estarei a esperar
                     Em
Que um desengano te faça
  B7/5+         Em
Voltar    a    mim

(Meu amor eu te quero tanto, tanto, tanto
Que nada  neste mundo, nada mais senão
Tua presença me envolve e me acalma
Conhecer-te foi a maior felicidade 
que encontrei nesta vida
A eternidade não vale um só dos teus carinhos
Bendigo aos céus que cruzaram os nossos caminhos) 

domingo, 11 de junho de 2006

Tudo ou nada

Tudo ou nada (samba-canção, 1958) - Fernando César / Interpretação: Ellen de Lima

Disco 78 rpm / Título da música: Tudo ou nada / César, Fernando (Compositor) / Lima, Ellen de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1958 / Nº Álbum CB-11085 / Lado A / Gênero musical: Samba-canção.


F                  Bb7        F7+
Cansei de pela vida andar a procurar
Bb7              Am7   C7
Alguém que enfim ocupe o seu lugar
D7        Gm   Am7  D7
Não há ninguém não há nem pode haver
Gm                           Gm7
Cansei de procurar em outro coração
C7
Amor à luz difusa da razão
Gm7      C7            F   D7  G7  C7
Não há ninguém não há nem pode haver
F           Bb                       F7+
Cansei agora eu sei o amor não se procura
Bb7                   Am7
É o criador e a própria criatura
D7               Gm   Am7  D7
Só é amor o amor pelo amor
Gm           Bbm7
Eu sei da minha vida
Am7
A rota está traçada
Dm7                    Gm
Terá de ser assim, ou tudo ou nada
C7              F     Db7  F
Ou seu amor ou mais ninguém

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Balada triste

Dalton Vogeler
Ângela Maria fazia uma temporada em Buenos Aires quando conheceu a canção “Balada Triste” por intermédio de seu acompanhador, o violonista Manoel da Conceição. Decidida a gravá-la o quanto antes, apressou-se em obter a permissão do autor, Dalton Vogeler, baixista do conjunto de Valdir Calmon, por coincidência, na ocasião, também em temporada na capital argentina. Daí resultou o duplo lançamento da composição — que já havia sido entregue a Agostinho dos Santos —, alcançando ambas as gravações o maior sucesso.

Bem de acordo com o título, “Balada Triste” é uma pungente canção de amor com versos e melodia impregnados de tristeza. Sem ser plágio, reproduz o clima da “Serenata” (Stãndchen) de Schubert, citada, aliás, no prólogo das gravações iniciais. (A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Balada triste (samba-canção, 1958) - Dalton Vogeler e Esdras Silva - Interpretação: Agostinho dos Santos

Disco 78 rpm / Título da música: Balada triste / Vogeler, Dalton (Compositor) / Silva, Esdras (Compositor) / Santos, Agostinho dos (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1956-1958 / Nº Álbum 10138 / Gênero musical: Samba canção.


Tom: Em
Intro:  (Em  Am  C  B7)

Em                     Am
Balada triste / Que me faz
     F#m     B7              Em
Lembrar alguém  / Alguém que existe
          C
E que outrora
        B7     (C7  C#7  D7)
Foi meu bem 
G           F#          Bm
Balada triste / Melodia do meu drama
      E               Am
Esse alguém já não me ama
     C          B7       B7
Esqueceu você também 
Em                           Am
Não há mais nada /  Foi um sonho
F#m     B7
Que passou
          Em
Triste balada
       C         B7      (C7   C#7  D7)
Só você me acompanhou 
G
Fica comigo !
         F#         Bm
Velha amiga, companheira
         E                 Am
Quero cantar-te a vida inteira
          C         B7         (Em  Am)
Prá lembrar o que passou...
(Em  Am  C  B7)

terça-feira, 23 de maio de 2006

A felicidade

Feita para o filme de Marcel Camus “Orfeu do Carnaval”, “A Felicidade” consagrou internacionalmente Agostinho dos Santos (foto), a voz de Orfeu (cantando) no filme. Lamentando o caráter passageiro da felicidade (“Tristeza não tem fim / felicidade sim”), sua letra ostenta alguns dos mais belo versos da música popular brasileira: “A felicidade é como a gota / de orvalho numa pétala de flor / brilha tranqüila / depois de leve oscila / e cai como uma lágrima de amor...”.

E como o poema, a melodia é também de alta qualidade. Estimulada pela expectativa de sucesso do filme — que afinal aconteceu, com a premiação da Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em Hollywood —, nossa indústria do disco lançou em 1959 nada menos do que 25 gravações de “A Felicidade” (uma a mais do que “Eu Sei que Vou te Amar”), incluindo-se nessa leva inicial de intérpretes Maysa, Sylvia Telles, João Gilberto, Agostinho dos Santos (que a gravaria cinco vezes em sua carreira), além de instrumentistas como José Menezes, Chiquinho do Acordeom e Moacir Silva.

Detalhe pitoresco é que “A Felicidade” foi praticamente composta numa sucessão de telefonemas, com Jobim no Rio de Janeiro e Vinicius em Montevidéu, onde servia na embaixada brasileira.

A felicidade (samba, 1959) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Intérprete: Agostinho dos Santos

Disco 78 rpm / Título da música: A felicidade / Jobim, Tom, 1927-1994 (Compositor) / Moraes, Vinicius de, 1913-1980 (Compositor) / Santos, Agostinho dos (Intérprete) / Orquestra RGE (Acompanhante) / Simonetti (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RGE, Indefinida / Nº Álbum 10173 / Gênero musical: Samba.

Am7             Em7     Am7       D7/9 Em7
Tristeza não tem fim  /      Felicidade sim
 Am7             Em7     Am7       D7/9 Em7
Tristeza não tem fim  /      Felicidade sim

C7+    Bm7/5-           E7/9-    Am7      Am6         Gm7  C7        
A   felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar
F7+     Fm6 Am7             D7/9
Voa tão leve mas tem a vida breve
   Am7           D7/9      Am7
Precisa que haja vento sem parar

C7+                       Gm7         C7/9      F7+
A felicidade do pobre parece / A grande ilusão do carnaval
 Dm7       G7      C7+
A gente trabalha o ano inteiro
Gbm7/5-         B7/9-     Em7
Por um momento de sonho pra fazer
            Am7                    D7/9
A fantasia de rei ou de pirata ou jardineira
  Am7         D7/9       Am7
Pra tudo se acabar na quarta feira

C7+    Bm7/5-           E7/9-   Am7      Am6    Gm7     C7
A   felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor
F7+         Fm6        Am7            D7/9
Brilha tranquila  /  Depois de leve oscila
  Am7           D7/9      Am7
E cai com uma lágrima de amor

C7+
A minha felicidade está sonhando
Gm7       C7/9        F7+
Nos olhos da minha namorada
Dm7          G7/13   C7+
É como esta noite passando, passando
Gbm7/5-        B7/9-     Em7         
Em busca da madrugada / Falem baixo, por favor
       Am7                    D7/9
Pra que ela acorde alegre como o dia
Am7        D7/9       Am7   D7/9     Am7    G7/13       C7+/9
Oferecendo beijos de amor /         Tristeza    não tem  fim


A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Agostinho dos Santos


Um dos pontos mais altos no espetáculo de Bossa Nova no Carnegie Hall, em 21 de novembro de 1962, foi a apresentação de Luiz Bonfá ao violão e Agostinho dos Santos cantando Manhã de Carnaval. Bonfá lembra que Agostinho, muito nervoso, abordou-o pouco antes do show começar e pediu para cantar junto. Bonfá, muito sem jeito, disse que não, já o que estava combinado era que ele faria apenas um solo com o violão. Agostinho não desistiu: "Não tem importância, você modula que depois eu entro ...". Depois de muita insistência, Bonfá cedeu: combinaram que ele faria primeiro uma introdução instrumental e depois anunciaria Agostinho. Mas quando o violonista começou a tocar, os aplausos abafaram o som.


Agostinho, achando que já era sua hora, entrou. E acabou cantando desde o início, exatamente como queria. O Carnegie Hall aplaudiu de pé, e cravos vermelhos foram atirados ao palco. Era de uma voz limpa, extensa e afinada. Notável participação de um cantor de São Paulo na Bossa Nova.

Agostinho dos Santos, cantor e compositor, nasceu em São Paulo, SP, em 25 de abril de 1932 e faleceu em Paris, França, no dia 12 de julho de 1973. Criado no bairro do Bexiga, começou a carreira artística como crooner da orquestra de Osmar Milani, que atuava no Avenida Danças, em São Paulo. Participava também de programas de calouros. Graças ao trompetista José Luís, em 1951 conseguiu um contrato com a Rádio América, de São Paulo.

Em 1955, foi contratado pela Rádio Nacional, de São Paulo. Nesse ano, apresentou-se na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, ao lado de Ângela Maria e Sylvia Telles, com acompanhamento da Orquestra Tabajara. Ainda em 1955, gravou, na Polydor, Meu benzinho (versão de My Little One, de Frankie Lane), seu primeiro sucesso, que lhe valeu os troféus Roquete Pinto e Disco de Ouro.

No ano seguinte, lançou pela Polydor o LP Uma voz e seus sucessos, com musicas de Tom Jobim e Dolores Duran, destacando-se o samba-canção Estrada do sol, um dos seus maiores êxitos. O sucesso desse LP fez que Tom Jobim e Vinícius de Moraes o convidassem para ser o intérprete da trilha sonora do filme Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, na qual foi acompanhado por João Gilberto, alcançando grande êxito Manhã de Carnaval (Vinícius de Morais e Luís Bonfá) e A felicidade (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Recebeu ainda o troféu Disco de Ouro nos anos de 1956, 1957, 1958 e 1959.

Em 1958, compôs o samba-canção Forças ocultas (com Antônio Bruno) e Sozinho com você (com Dirce Morais e Heitor Canilo). Nesse mesmo ano, lançou, pela RGE, o LP Agostinho espetacular, que incluiu sucessos como Balada triste (Dalton Vogeler e Esdras Silva) e Até o nome é Maria (Billy Blanco).

Em 1959, também pela RGE, gravou o LP O inimitável Agostinho com Hino ao sol (Billy Blanco e Tom Jobim), Eu sei que vou te amar (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), Fim de caso (Dolores Duran), e outras.

Em 1960 fez os sambas Chuva para molhar o sol (com Edison Borges) e Podem falar (com Renato Gama Duarte). Nesse ano, lançou, pela RGE, o LP Agostinho, sempre Agostinho, que, entre outros, incluía os sucessos Céu e mar (Johnny Alf) e O amor em paz (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Em 1961, compôs o samba-canção Distância é saudade.

Em 1962, participou do Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em New York, E.U.A., cantando com acompanhamento do conjunto de Oscar Castro Neves. Em suas diversas excursões ao exterior, apresentou-se no Chile, Uruguai, Argentina, Venezuela, México, Itália, Portugal, Republica Federal da Alemanha, África e E.U.A. No Brasíl e nos E.U.A., cantou ao lado de Johnny Mathis, na Itália apresentou-se com Caterina Valente.

Em 1967, compôs o samba-canção Quem levou Maria e gravou, na RGE, o LP Os grandes sucessos de Agostinho dos Santos. Em 1968 participou do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, interpretando Visão (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar). Em outubro desse ano, foi à Europa, onde se apresentou na televisão de Portugal, Inglaterra, Bélgica e França. Compôs, ainda, Balada do homem sem Deus (com Fernando César), Sambossa e Ave do amor (com Chico Feitosa), O amor está no ar (com Miguel Gustavo), Vai sofrendo, Remorso e Prece ao sol, entre outras.

Uma de suas últimas gravações foi Avião (Maurício Einhorn, Durval Ferreira e Hélio Mateus), pela Odeon. Faleceu num acidente aéreo, nas imediações do aeroporto de Orly, em Paris, França.

Algumas músicas

Veja também:



Fontes: História da Bossa Nova - Revista Caras - Edição Especial de Julho de 1996; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.