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segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Valsa do amor

Nelson Gonçalves

Valsa do amor (valsa, 1946) - Orestes Barbosa e Roberto Martins - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Valsa do amor / Orestes Barbosa (Compositor) / Roberto Martins (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 800444-a / Nº da Matriz: S-078545-1 / Gravação: 17/06/1946 / Lançamento: Setembro/1946 / Gênero musical: Valsa



Amor é ânsia incontida
É sonho, é sol, é luar
É o claro-escuro da vida
É borboleta a voar
É beija-flor que não sabe
Quantas traições tem a flor
E beija-flor da saudade
Pensando que beija o amor

Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim

Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim

Amor as vezes parece
Que esquece seu bem-querer
Parece, mas não esquece
Porque não pode esquecer
Amor não vê os defeitos
Amor não sabe o que diz
Na luta dos preconceitos
O coração é o juíz

Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim

Amor, amor, amor
Amor que me fez triste assim
Amor que me fez colorida esta vida
E agora não gosta de mim

quinta-feira, 6 de março de 2008

Dona da minha vontade

Francisco Alves
Dona da minha vontade (valsa, 1933) - Francisco Alves e Orestes Barbosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Dona da minha vontade / Francisco Alves (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 24/07/1933 / Lançamento: 08/1933 / Nº do Álbum: 11043 / Nº da Matriz: 4700 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez


Saudade
De quando em quando
Passarinhos segredando
Voam tontos, rente ao chão
Felizes na primavera
Na busca da paz sincera

Do ninho do coração.

Ela, distante, sorrindo
Talvez esteja me ouvindo
Mas me ouvindo sem saber
Que o canto que eu solto, há medo
É o nostálgico segredo
Do que eu não posso dizer.

Coração

Ninho de penas
No arminho de almas serenas
Tem perfume, tem calor
Pobre de mim, ave tonta
A lua, triste, desponta
E eu vou ficar sem amor.

Dona da minha vontade
Escravo da ansiedade
Serei o que ela quiser
Coração, porque preferes
Amar todas as mulheres
No amor de uma só mulher...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

A mulher que ficou na taça

A Mulher Que Ficou na Taça (valsa, 1934) - Francisco Alves e Orestes Barbosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: A Mulher Que Ficou na Taça / Francisco Alves, 1898-1952 (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 12/04/1934 / Lançamento: 08/1934 / Nº do Álbum: 33809 / Nº da Matriz: 79602-1 / Gênero musical: Valsa



Fugindo da nostalgia
Vou procurar alegria
Na ilusão dos cabarés
Sinto beijos no meu rosto
E bebo por meu desgosto
Relembrando o que tu és


E quando bebendo espio
Uma taça que esvazio
Vejo uma visão qualquer
Não distingo bem o vulto
Mas deve ser do meu culto
O vulto dessa mulher...

Quanto mais ponho bebida
Mais a sombra colorida
Aparece em meu olhar
Aumentando o sofrimento
No cristal em que, sedento
Quero a paixão sufocar

E no anseio da desgraça
Encho mais a minha taça
Para afogar a visão
Quanto mais bebida eu ponho
Mais cresce a mulher no sonho
Na taça, e no coração.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Meu erro

Sílvio Caldas
Meu Erro (valsa, 1936) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Meu Erro / Caldas, Sílvio (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11378 / Gênero musical: Valsa.



Fiz mal, confesso o meu erro
Chorando no meu desterro
A alma não sabe o que quer

E a dor é que me suplanta
A voz de amor na garganta
Por causa desta mulher

Eu tento dizer no canto
A mágoa que fulge tanto
Que a minha vida mudou

E a frase mais linda e louca
Cortada fica na boca
Porque o soluço cortou

Tu tens no peito um castigo
Que eu tão triste imagino
As noites do teu fulgor

No meio das luzes loucas
Servindo de boca em boca
O vinho do teu amor

E ao ver a tua alegria
No cambio da hipocrisia
Mercadejando ilusão

Fico a pensar no que disse
Fico a pensar na tolice
Da gente ter coração

O nome dela não digo

Sílvio Caldas
O Nome Dela Não Digo (valsa, 1936) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: O Nome Dela Não Digo / Caldas, Sílvio (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11397 / Gênero musical: Valsa.



A mágoa não me abandona
Uma mulher telefona
Há de ser para indagar

Que grande paixão é esta
Que fez de um viver de festa
Esta tragédia sem par

A culpa foi do ciúme
A causa foi um perfume
Um beijo frio e depois

As discussões repetidas
Um drama de duas vidas
A culpa foi de nos dois

O nome dela eu não digo
O nome eu guardo comigo
Na urna do coração

Meu coração um bandido
Que até a mim tem traído
Na febre desta ilusão
E agora vivo mentindo

Como quem cresça não acha
Como que passa a borracha
Num lindo trecho que errou

Vestido de lágrimas

Floriano Belham
Vestido de lágrimas (valsa, 1935) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas - Intérprete: Floriano Belham

Disco 78 rpm / Título da música: O Vestido das Lágrimas / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Sílvio (Compositor) / Floriano Belham (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1935 / Nº Álbum 33964 / Gênero musical: Valsa / Seresta.



Vou me mudar soluçante
Do apartamento elegante
Que tem, do antigo fulgor
Lindos Biombos ornados
De Crisântemos doirados
Cenário do nosso amor

A nossa vida era calma
Más eu sentia em minh'alma
Um medo não sei de que
E um dia quanta tristeza
Achei a lâmpada acesa
E não achei mais você

Fechei a luz com vergonha
Da minha face tristonha
Para a mim mesmo enganar
Para não ver nos espelhos
Meus olhos muito vermelhos
De tanto e tanto chorar


E solucei, vou ser franco
Só o luar cisne branco
Ouviu o meu soluçar
Um soluçar comovido
Com que eu molhava o vestido
Que você deixou ficar

Soluços


Soluços (valsa, 1935) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas - Intérprete: Onéssimo Gomes

LP Onéssimo Gomes - Serestas Do Brasil Nº 3 / Título da música: Soluços / Sílvio Caldas (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Onéssimo Gomes (Intérprete) / Gravadora: Rádio / Ano: 1958 / Nº Álbum: 0070-GV / Lado B / Faixa 3 / Gênero musical: Valsa.



Amei tantas mulheres loucamente
Tantas bocas beijei no meu desejo
Sem pensar que deixava, ingenuamente,
Um pouco de mim mesmo em cada beijo.

Bem fez o meu soluço
É de saudade
A mágoa em meu sentir
Tudo suplanta
Este canto por ti, diz a verdade
Cortando as minhas frases na garganta
Lua - lâmpada acesa da tristeza
Magnólia do céu, que aqui ouvís
Ilumina com a tua singeleza
A casa da mulher que não me quis.

Quisera na amargura deste canto
Cristalizar as lágrimas de dor
E ver lá no cristal deste meu pranto,
Sorrindo, o funeral do meu amor !

Torturante ironia

Sílvio Caldas
Torturante ironia (valsa, 1935) - Orestes Barbosa e Sílvio Caldas - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Torturante ironia / Sílvio Caldas (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 15/06/1935 / Lançamento: 07/1935 / Nº do Álbum: 11241 / Nº da Matriz: 5071 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez


Que mágoa neste abandono
Que ânsia perdi o sono
Vivo em tristonho cantar

Porque a canção mais aflita

É a forma que há mais bonita
Da gente poder chorar

Sobes este barranco
Sujando o vestido branco
Pisando as pedras do chão

Mas sem saber na verdade
Que desde lá da cidade
Tu pisas meu coração

Por ser do morro e moreno
É que eu soluço, é que eu peno
Bebendo meu amargor

Por que me negam querida
Esta alegria da vida
De possuir teu amor

Que torturante ironia
O amor com categoria
Eu amo e não posso amar

Porque a mulher que eu adoro
Não mora aqui onde eu moro
Deixa então soluçar



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Araruta

Araruta (samba, 1932) - Orestes Barbosa e Noel Rosa - Intérprete: Conjunto Coisas Nossas

LP Noel Rosa - Inédito e Desconhecido / Título: Araruta / Barbosa, Orestes (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Conjunto Coisas Nossas (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Estudio Eldorado, 1983 / Nº Álbum: LP 79.83.0408 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.


Intr.: Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B 
G7 A7 Bb7 A7 / Ab / / C / A7 A/G D7/F# 
D/C G7/B G7 C G7 C

C     C/E G7 C                A7  Bb7
Tu pedes     mandando, "faça o favor" 
A7         Dm  A7
a tua boca nunca diz
Dm      G7
Tu cedes negando,
com esses olhos que pra mim são dois fuzis
C    C/E G7 C  
Sou mole,    ma_nhoso
A7     Bb7  A7          Dm
Teus impropérios retribuo com brandura
C7 F    Fm/Ab      C/G  A7 
Pois       água mole 
D7         G7           C    G7 C
na pedra dura tanto bate até que fura!

Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 A7 Bb7 A7 /
Ab / / C / A7 A/G D7/F# D/C G7/B G7 C G7 C

C/E G7 C            A7   Bb7
Tu beijas     mentindo, a tua boca  
A7           Dm  A7
beija e mente sem sentir
Dm       G7
Desejas sorrindo que o teu perdão humildemente eu vá pedir
C    C/E G7 C          A7     Bb7   A7           Dm
Não peço,    es_pero ainda ver-te entre lágrimas bem mal
C7 F   Fm/Ab   C/G  A7 
Meu bem, escuta: 
D7           G7        C
A araruta tem seu dia de mingau!

Positivismo

Positivismo (samba, 1933) - Noel Rosa e Orestes Barbosa - Intérprete: Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Positivismo / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Pixinguinha (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, Setembro/1933 / Nº Álbum 22240 / Lado A / Gênero musical: Samba.


D           A7        D      D7
A verdade meu amor mora num poço
G           D7               G
É Pilatos, lá na Bíblia, quem nos diz
Gm                D      C
E também faleceu por ter pescoço
B      E7        
O (infeliz) autor
A7         D      G    D
da guilhotina de Paris
 D7
Vai orgulhosa, querida
G
Mais aceita esta lição
Gm                    D B7
No câmbio incerto da vida
E7         A7      D    G    D
A libra sempre é o coração

  D                A7                 D      D7
O amor vem por princípio, a ordem por base.
G                D7          G
Bis       O progresso é que deve vir por fim
Gm                        D   C  B
Desprezastes esta lei de Augusto Conté
E7          A7         D      G    D
E fostes ser feliz longe de mim

 D7
Vai coração que não vibra
  G
Com teu juro exorbitante
Gm                      D B7
Transformar mais outra libra
E7    A7     D    G    D
Em dívida flutuante

   D                A7       D           D7
A intriga nasce num café pequeno
G            D7                      G
Bis       Que se toma para ver quem vai pagar
Gm                             D C B
Para não sentir mais o teu veneno
E7             A7          D        G    D
Foi que eu já resolvi me envenenar

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Suburbana

Sílvio Caldas
Suburbana (valsa-canção, 1939) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Suburbana / Sílvio Caldas (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Garoto, 1915-1955 (Acomp.) / Garoto e Seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 1938 / Lançamento: 12/1938 / Nº do Álbum: 55002 / Nº da Matriz: 3715-1 / Gênero musical: Valsa canção / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


-------Dm----------------- Gm
Olhando o céu me demoro
---------A7------------------- Dm
Num verso triste é que choro
-------------Bb7----------- A7--- D7-- Gm-- Gm6--------- Dm
Ninguém vê o pranto meu /------- Há muita lágrima triste
----------------------------E7-------------- A7 --------D7 -----Gm
Que em seu sorriso consiste / Como o poeta escreveu

-----------Gm6-------- Dm--------------------- E7

Minha linda suburbana / Por trás da veneziana
-------------A7 ----------D7--- Gm----- Gm6-------- Dm
Vem sorrir nesta canção / Com teus lábios de doçuras
---------------------------E7-------- A7 ----------Dm----- D7
Que são tâmaras maduras / Da flora do coração

----Gm--- Gm6----- Dm----------------------- A7
Zona norte da cidade / Residência da saudade
---------------------------Dm--- D7-- Gm -----Gm6------- Dm
Onde nasceu o teu cantor / -------No teu cantor comovido
----------------------------Bb7 ------------------------A7-------- D7
Que sonha com teu vestido / Que morre por teu amor

-----Gm----- Gm6 ------Dm ---------------------------A7
Olho as estrelas cansadas / Que são lágrimas doiradas
----------------------Dm--- D7 ----Gm ---Gm6----- Dm
No lenço azul do céu /--------- Estrelas são reticências
----------------------E7
Estrelas são confidências
---------------A7 ---------Dm
Do meu romance e do teu



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Chão de Estrelas

Numa visita ao poeta Guilherme de Almeida, em 1935, Sílvio Caldas (foto) mostrou-lhe uma canção inédita, intitulada "Foste a Sonoridade Que Acabou". Terminada a apresentação, a canção recebeu um novo nome: "Chão de Estrelas". Aconteceu a mudança por sugestão de Guilherme, tomado de súbito entusiasmo pelos versos, que eram de Orestes Barbosa.

Sobre o fato, ele escreveria trinta anos depois (em crônica incluída no livro Chão de Estrelas, de Orestes): "Nem de nome eu conhecia o autor. Mas o que então dele pensei e disse, hoje o repito: uma só dessas duas imagens - o varal das roupas coloridas e as estrelas no chão (... ) - é quanto basta para que ainda haja um poeta sobre a terra".

Mas não pára em Guilherme de Almeida o fascínio despertado por "Chão de Estrelas" entre nossos poetas. Em 1956, numa crônica em louvor a Orestes, Manuel Bandeira terminava assim: "Se se fizesse aqui um concurso (...) para apurar qual o verso mais bonito de nossa língua, talvez eu votasse naquele de Orestes: ‘tu pisavas os astros distraída..."'.

Composto por Sílvio Caldas sobre um poema em decassílabos - que Orestes relutou em consentir que fosse musicado -, "Chão de Estrelas" é a obra-prima da dupla, que produziu um total de quinze canções, a maioria de muito boa qualidade ("Quase Que Eu Disse", "Suburbana", "Torturante Ironia" etc.). Essas composições cantam amores perdidos ou impossíveis, tratados do ponto de vista masculino e quase sempre localizados em cenários urbanos arranha-céus, apartamentos, cinemas... Embora tenha se destacado no seu lançamento em 1937, "Chão de Estrelas" só se tornaria um sucesso nacional na década de 1950, quando Sílvio Caldas a gravou pela segunda vez.

Chão de Estrelas (canção, 1937) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Chão de estrelas / Sílvio Caldas (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e Seu Conjunto Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 18/03/1937 / Lançamento: 06/1937 / Nº do Álbum: 11475 / Nº da Matriz: 5546 / Gênero: Canção

Tom: Am

   Am            E7           Am
minha vida   era um palco iluminado
     E7               Gm6
eu vivia vestido de dourado
    A7                   Dm   A7
palhaço das perdidas ilusões
  Dm                E7           Am
cheio   dos guisos falsos da alegria 
                            B7
andei cantando a minha fantasia
                                E7
entre as palmas febris dos corações

    Am          E7             Am
meu barracão   no morro do salgueiro
   E7                         Gm6
tinha o cantar alegre de um viveiro
  A7                        Dm  A7
foste a sonoridade que acabou
Dm               Dm6          Am
e hoje,  quando do sol,  a claridade
  C7                              A#7
forra o meu barracão,  sinto saudade
      E7                  Am  E7
da mulher pomba-rola que voou
F#m                         C#m
nossas roupas comuns dependuradas
                              D
na janela qual bandeiras agitadas
        D7            C#7
pareciam um estranho festival
F#7                         B7
festa dos nossos trapos coloridos
                                E7
a mostrar que nos morros mal vestidos
                       A    C#7
é sempre feriado nacional
F#m                     C#m
a porta do barraco era sem trinco
                      D
mas a lua furando nosso zinco
          D7           C#7
salpicava de estrelas nosso chão
  F#7                        B7
tu pisavas nos astros distraída
                               E7
sem saber que a ventura desta vida
                             A
é a cabrocha, o luar e o violão


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Arranha-céu

Sílvio Caldas

Arranha-céu (valsa, 1937) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Arranha-céu / Sílvio Caldas(Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 19/03/1937 / Lançamento: 06/1937 / Nº do Álbum: 11475 / Nº da Matriz: 5547 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez



A----- E7----------------- A
Cansei de esperar por ela,
Gb7 ------------------B7 ----E7-------------- A---- E7/5+
Toda a noite na janela / Vendo a cidade luzir
----A------ Gbm -----Dbm
Nestes delírios nervosos
------------------------Ab7----------------------- Dbm----- E7
Que os anúncios luminosos / São a cidade a mentir.

A----------- E7 --------A

E toda a vez que descia
------Gb7------------ B7 ----D7 -------------Db7 -----A7
O elevador não trazia / Essa mulher-maldição
D -----------Eb0------ A
E quando lento gemia
-------Gb7 -----------B7 ----E7 --------------A----- E7
O elevador que descia / Subia o meu coração.

Am------------------------- G7
Cansei de olhar os reclames
---------------------------F7
E disse ao peito não ames
----------------------------E7---- (E7)
Que o teu amor não te quer
-----G7------------------ C-------- C7-------------- F7
Descansa fecha a vidraça / Esquece aquela desgraça
-----------------------E7
Esquece aquela mulher.

-----Am------------------ G7
Deitei, então, sobre o peito
-------------------------------F7
Vieste, em sonho, ao meu leito
----------------------E7------- A7
E acordei. Que aflição !
--------Dm-------------- Am------------------- B7
Pensando que te abraçava / Alucinado apertava
---------E7------------- Am----- (Am)
Eu mesmo, meu coração



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Serenata

Uma das primeiras composições da dupla Sílvio Caldas (foto) - Orestes Barbosa, "Serenata" foi adotada por Sílvio como marca musical de suas audições para o resto da carreira.

Pela beleza de sua letra, carregada de romantismo - "Dorme, fecha este olhar entardecente / não me escutes nostálgico a cantar / pois não sei se feliz ou infelizmente / não me é dado, beijando, te acordar" -, muito bem musicada por Sílvio, "Serenata" é exemplo de modinha do século XX, indispensável em qualquer seresta de bom gosto. Seu sucesso, em 1935, abriu a grande safra de canções de amor que imperaria nos anos seguintes.

Serenata (canção, 1935) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Serenata / Sílvio Caldas (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Dois Violões e Bandolim (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 12/10/1934 / Lançamento: 03/1935 / Nº do Álbum: 33911 / Nº da Matriz: 79729-1 / Gênero musical: Valsa canção


Am------------------------- F
Lá, rá, rá, rá, rá, rá,
----------------------------Am
Lá, rá, rá, rá, rá, rá
---------------------E7
Lá, rá, rá, rá, rá, ri
-------------Am -------E7
La, ri, ri, ri

---Am---------------- E7 ---------Am----- F7
Dorme fecha este olhar entardecente
----------------------------------Am------ F7
Não me escutes nostálgico a cantar
----------------------------------Am
Pois não sei se feliz ou infelizmente
B7 ---------------------------------E7
Não me é dado beijando te acordar
-----A7------------------------- Bb7 ------A7
Dorme deixa o meu canto delirante
---------------------------------------Dm
Dorme que eu olho o céu a contemplar
----------------Eb°-------- Am ---------F7
A lua que procura diamante
---------------------E7 -----------Am------ E7
Para o teu lindo sonho ornamentar
----------Am---------------------- G7
Na serpente de seda dos teus braços
---------------------------------F7
Alguém dorme ditoso sem saber
----------------------E7 ----------A7
Que eu vivo a padecer
Dm -------------Am---------------------- F7
E o meu coração feito em pedaços
Vai sorrindo ao teu amor
--------E7
Mascarado desta dor
Am----------------------------- G7
No teu quarto de sonho e perfume
--------------------------------F7
Onde vive a sorrir teu coração
----------------------E7------ A7
Que é teatro da ilusão
------Dm-------------- Am
Dorme junto a teus pés
--------------------F7
O meu ciúme
Enjeitado e faminto
--------------Am
Como um cão.



Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Quase que eu disse


Quase que eu disse (valsa, 1935) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Quase que eu disse / Sílvio Caldas (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 15/06/1935 / Lançamento: 10/1935 / Nº do Álbum: 11271 / Nº da Matriz: 5073 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez


A --------------------- A-------------- E7-------- A
Na febre dos meus desejos / Fui à procura de beijos
---------Gb7--------- Bm --Gb7 --Bm----------------- E7
Em bocas tão desiguais / -------E agora de beijos farto
---Gb7 -------------------B7-------------------------- E7
Tristonho volto pro quarto / Quero chorar nada mais

A ------------------------ A------------ E7---------- A
Sabiam quanto eu te amava/ Sabiam porque eu falava
------Gb7 -----------Bm-- Gb7 --Bm ----------Dm ---------A
A todos do meu amor / ------------E logo a vespa da intriga
------Gb7--------- B7 -----Dm -----------E7--------- A ----E7
Originou esta briga /---- Oh! Minha amiga, que horror

Am-------- C7 ----------B7
Um coração sem carinho
E7
---------É como um galho que perde o ninho
------------------------A7 -------------Dm---- Dm6 ----Am
Na fúria de um vendaval / ------E é triste o ninho rolando
----------------------B7------------------------------ E7
Um passarinho cantando em busca de um canto igual

G7 ------------------------C------------------------ E7
Oh! Quanta desgraça junta / Toda a cidade pergunta
------------------------A7-------- Dm-------------- Am
E vai dizendo o que quer / Na mágoa que me devora
-------------------------B7 -------E7------------ Am
Quase que eu disse agora / O nome desta mulher



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 23 de abril de 2006

Por teu amor

Francisco Alves
Por Teu Amor (valsa, 1934) - Francisco Alves e Orestes Barbosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Por teu amor / Francisco Alves (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Gravadora: Victor / Gravação: 13/03/1934 / Lançamento: 04/1934 / Nº do Álbum: 33766 / Nº da Matriz: 65954-1 / Gênero musical: Valsa


Ordena, fala, insinua
Diz o que queres de mim
Jardineiro da amargura
Eu tenho um triste jardim
As rosas nascem na mágoa

Só estas posso colher
Banhadas sempre na água
Do pranto do meu viver

Outras mulheres no meu cantar
Pensam que é delas a minha dor
Mas se tu queres manda calar
Tudo o que eu canto por teu amor
Só nesta valsa eu te diria
Como é tão falsa minha alegria
Como é mentira o meu cantar
Quando o teu nome vivo a ocultar



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Há uma forte corrente contra você

Francisco Alves
Há uma forte corrente contra você (marcha/carnaval, 1934) - Francisco Alves e Orestes Barbosa - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Há uma forte corrente contra você / Francisco Alves (Compositor) / Orestes Barbosa (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 13/11/1933 / Lançamento: 12/1933 / Nº do Álbum: 11080 / Nº da Matriz: 4749 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: IMS, Nirez

Tom: C
Intr.: F E Am C° C Am7 Dm7 G7 C G5+/7

                C
Há uma forte corrente contra você
 C#°     G   C#° G
Toma cuidado
                      G7
Que o seu vizinho do lado
                                     C
Já anda desconfiado e você sabe o porquê
  Dm7      D#° C      Am7          Dm7
Se você continuar a viver dessa maneira
          G7          C
Vai dar muito o que falar
      Dm7  D#°    C
Todo mundo já murmura
      Am7             Dm7
Que a corrente deste caso
    G7       C
É aquela criatura
                 C
Há uma forte corrente contra você
 C#°     G   C#° G
Toma cuidado
                      G7
Que o seu vizinho do lado
                                     C
Já anda desconfiado e você sabe o porquê
        Dm7  D#°    C
Não te faças de inocente
          Am7        Dm7
Pois eu leio nos teus olhos
       G7         C
Muito medo da corrente
       Dm7     D#°  C
Pois assim eu nunca vi
         Am7      Dm7
Qualquer dia distraído
      G7            C
Vais falar mesmo de ti
                 C
Há uma forte corrente contra você
 C#°     G   C#° G
Toma cuidado
                      G7
Que o seu vizinho do lado
                                     C
Já anda desconfiado e você sabe o porquê


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Orestes Barbosa

Orestes Barbosa , compositor, escritor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 7/5/1893 e faleceu em 15/8/1966. Filho do major Caetano Lourenço da Silva Barbosa e de Maria Angélica Bragança Dias Barbosa, nasceu em Aldeia Campista, bairro perto de Vila Isabel. A família morou na ilha de Paquetá e, quando ele tinha sete anos, foi para o bairro da Gávea.


Aprendeu a ler, nos jornais e letreiros de bonde, com Clodoaldo Pereira de Moraes, pai de Vinícius de Moraes. Nessa época começou a se interessar por violão e com dez anos já sabia tocar. Durante a infância, a família viveu em dificuldades financeiras e somente aos doze anos entrou numa escola, o Liceu de Artes e Ofícios, onde aprendeu o ofício de revisor.

Em 1907 o menino, que já fazia alguns versos, conseguiu seu primeiro emprego como revisor no jornal O Século, dirigido por Rui Barbosa. Depois de algum tempo, deu início a uma longa militância jornalística, que se estenderia ao Diário de Notícias, O Imparcial, A Folha, A Crítica, A Manhã, A Gazeta e A Notícia. Estreou como poeta em 1917 com o livro de versos Penumbra sagrada.

Em 1920 foi a Portugal, onde entrevistou Teófilo Braga, estando também com Guerra Junqueiro pouco antes da morte deste. Como jornalista, incluía-se entre os que criticavam os acontecimentos e as autoridades da época, com destemor e ironia. Seus artigos levaram-no várias vezes à prisão, sendo que a primeira ocorreu em 1921, por haver denunciado o Grêmio Euclides da Cunha como aproveitador dos direitos autorais do patrono. Nesse mesmo ano publicou seu primeiro livro de crônicas-reportagens, Na prisão, que contava histórias de dentro do cárcere. Ainda em 1921 apareceu Água-marinha, seu segundo livro de poesias.

Mais ou menos em 1925, quando ainda existiam só três rádios no Rio de Janeiro - rádios Sociedade, Clube do Brasil e Mayrink Veiga -, foi um dos primeiros a manter uma coluna radiofônica no jornal A Manhã. Durante a presidência Artur Bernardes (1922-1926), esteve novamente preso, mas escrevendo sempre: Bam-bam-bam, 1923; Portugal de perto!, 1923; O português no Brasil, 1925; O pato preto, 1927; todos em prosa.

Estreou como letrista em 1930, com a música Bangalô (com Osvaldo Santiago), gravada por Alvinho, na Odeon, 1931. Nesse mesmo ano, duas músicas suas, em parceria com J. Tomás, foram gravadas na Victor: o fox Flor do asfalto e o samba Carioca, por Castro Barbosa. Ainda em 1931, cantou pela primeira vez em disco, Nega, meu bem (Heitor dos Prazeres), na Parlophon, e em 1933 sua marchinha As lavadeiras (com Nássara), na Columbia.

Por essa época, com a colaboração de Nássara, fundou A Jornada, jornal que durou seis meses e que tinha como epígrafe "Não quero saber quem descobriu o Brasil; quero saber quem é que bota água no leite". As pautas mais constantes eram da língua brasileira e campanhas contra a Light. Foi influenciado por suas críticas que Noel Rosa compôs o samba Não tem tradução (1933), em que faz referência às particularidades próprias do idioma falado no Brasil.

Em 1933, com Noel Rosa, fez o samba Positivismo, gravado pelo próprio Noel na Columbia; com Nássara fez Caixa Econômica, samba, gravado por João Petra de Barros e Luís Barbosa, na Victor. Ainda nesse ano a Livraria Educadora, do Rio de Janeiro, editou Samba, livro de crônicas que, em estilo telegráfico, registra a ascensão do samba urbano. Assíduo freqüentador do Café Nice, foi parceiro de grandes compositores, como Custódio Mesquita, Nonô, Noel Rosa, Francisco Alves, Wilson Batista e, seu parceiro mais constante, Sílvio Caldas, com quem compôs valsas e canções que marcaram época na música popular e firmaram a fama de seresteiro do cantor.

Francisco Alves gravou em 1934, na Odeon, a marcha Há uma forte corrente contra você, e na Victor a valsa-canção A mulher que ficou na taça, a valsa Romance e a canção Adeus (todas em parceria com Francisco Alves). Nesse mesmo ano, compôs com Nonô a canção Olga, gravada por Castro Barbosa na Odeon. Ainda em 1934, Sílvio Caldas gravou na Victor Serenata e, no ano seguinte, na Odeon, a valsa-canção Quase que eu disse (ambas com o cantor). De 1934 é Santa dos meus amores, valsa registrada na Victor por Sílvio Caldas, que no ano seguinte gravou na Odeon Torturante ironia.

Em 1937 gravou, também na Odeon, Arranha-céu e a canção Chão de estrelas, hoje antológica. Em 1938 Sílvio Caldas gravou pela Columbia a valsa-canção Suburbana, outra grande criação da dupla. Ainda nesse ano compuseram A única rima, gravada mais tarde por Sílvio Caldas. Além das letras para valsas e canções, ponto forte de sua obra, fez ainda letras para sambas de outros parceiros: com Ataulfo Alves fez O negro e o café, que o próprio Ataulfo gravou na Victor em 1945; com Custódio Mesquita, o samba-choro Flauta, cavaquinho e violão, gravado por Araci de Almeida na Odeon em 1946; com Wilson Batista, Cabelo branco, gravado por Carlos Galhardo na Victor em 1946, e Abigail, gravado por Orlando Silva na Odeon em 1947; com Valzinho compôs Óculos escuros, gravado em 1955 por Zezé Gonzaga.

Na década de 1970 foi relembrado por Paulinho da Viola, que, no LP Paulinho da Viola, gravado na Odeon em 1971, regravou Óculos escuros. Em 1974 Macalé gravou Imagens (com Valzinho), em seu LP Aprender a nadar, pela Philips.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.