segunda-feira, 3 de abril de 2006

Passarinho do Má

Foi só o presidente Artur Bernardes, que governou o país sob estado de sítio de 1922 a 1926, deixar o Palácio do Catete para receber o troco. O "passarinho do mal", responsável por todos os males do mundo, não era outro senão o "Rolinha", apelido maldoso dado pelo povo a Bernardes. Ao final, registra-se a letra de três estrofes - bem mais pesadas - que não foram gravadas por Francisco Alves.

Passarinho do Má (samba, 1927) - Antonio Lopes do Amorim Diniz (Duque)

Disco 78 rpm / Título: Passarinho do má / Autoria: Duque (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Álbum 10001


Passarinho do má tava cá
Não havia maneira de enxotá (Bis)
Meu roçado de mio, secô
Meu cavalo de sela, mancô.
Meu cachorro de caça, danô
Minha sogra de longe, vortô.

Passarinho do má tava cá
Não havia maneira de enxotá (Bis)

A corrente de prata, partiu
O relógio na pedra, caiu.
O dinheiro no borso, sumiu
A muié que eu gostava, fugiu.

Passarinho do má tava cá / Não havia maneira de enxotá (Bis)
Água suja do monte, desceu / O riacho num instante, cresceu.
O porquinho que tinha, morreu / A muié a vergonha, perdeu.


As três estrofes que Francisco Alves não gravou são as seguintes:

A geada os legume secô / O alambique do monte, quebrô.
Vento sul deu nas cana, estragô / A cachaça na roça, acabô.

Estou vendo daqui toda gente / Com um sorriso feliz e contente.
Pois chegou ao Brasil finalmente / O Jahú(1), que é a glória da gente.

Passarinho do má já vuô / Ninguém sabe onde pousô
Passarinho do má se vortá / Espingarda taí pra matá.


(1) Nome do avião que, em 1927, realizou o primeiro vôo de travessia do Atlântico Sul pilotado por brasileiros .

Fonte: Franklin Martins - Site Oficial
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