quarta-feira, 26 de abril de 2006

Camisa listrada

Foi pensando em Carmen Miranda, e seu estilo brejeiro e malicioso, que Assis Valente criou o melhor segmento de sua obra: os 25 sambas e marchinhas que a cantora gravou no período 1933-1940. Figuram nesse repertório alguns de seus maiores sucessos como "Camisa Listrada", um dos sambas preferidos pelos foliões de 1938.

Num flagrante da vida cotidiana, a composição descreve a aventura de um sujeito que aproveita o carnaval para, comportando-se de forma irreverente, libertar-se de suas preocupações.

O tal sujeito improvisa uma vestimenta feminina - com uma camisa listrada e um pedaço de cortina servindo de saia - e de "canivete no cinto e pandeiro na mão", sai pelas ruas cantando "Mamãe Eu Quero Mamar".

O curioso é que Assis, muito mais letrista do que compositor, veste esta alegre crônica carnavalesca com uma melodia triste, toda ela no modo menor. Rejeitado pela Victor (que chegou a registrá-lo em disco não lançado, com as Irmãs Pagãs) "Camisa Listrada" permanecia inédito já havia algum tempo, quando Carmen Miranda resolveu gravá-lo, por insistência do compositor, o único que acreditava em seu sucesso.

Em 1938, Carmen Miranda vivia o auge da popularidade, cantando sucessos como "Camisa Listada", "Na Baixa do Sapateiro" e "Boneca de Piche". Parece que ninguém nas editoras e gravadoras da época conhecia a grafia correta da palavra "listrada", pois nas primeiras edições deste samba o título aparece como "Camisa Listada", estendendo-se o erro à própria Carmen, na gravação.

Camisa listrada (samba, 1938) - Assis Valente - Intérprete: Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título da música: Camisa listada / Autoria: Valente, Assis (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 / (Intérprete) / Grupo Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1937 / Nº Álbum 11530 / Gênero musical: Samba


Am          Dm       E7       Am 
Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí 
    A7                                    Dm 
Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati 
                    Eb0                     Am 
Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão 
                      Dm              E7            Am  
E sorria quando o povo dizia: sossega leão, sossega leão 
                 Dm          E7             Am                   
Tirou o anel de doutor para não dar o que falar 
       A7 
E saiu dizendo eu quero mamar    
       Dm 
Mamãe eu quero mamar, mamãe eu quero mamar 
          Eb0                             Am 
Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão 
                      Dm               E7           Am 
E sorria quando o povo dizia: sossega leão, sossega leão 
  
  
   Am                     E7              Am 
Levou meu saco de água quente pra fazer chupeta 
   A7                                          Dm       
Rompeu minha cortina de veludo pra fazer uma saia 
                                           Am 
Abriu o guarda-roupa e arrancou minha combinação 
                  Dm                   E7 
E até do cabo de vassoura ele fez um estandarte 
           Am 
Para seu cordão 
          E7                          Am             A7   
Agora a batucada já vai começando não deixo e não consinto 
                         Dm 
O meu querido debochar de mim 
                                              Am 
Porque ele pega as minhas coisas vai dar o que falar 
                 Dm                           E7 
Se fantasia de Antonieta e vai dançar no Bola Preta 
            Am 
Até o sol raiar 
 

Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
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