terça-feira, 5 de setembro de 2006

Homem com H

Antônio Barros
Em 1973, ao assistir a um capítulo da novela “O Bem Amado”, que consagrou os personagens Zeca Diabo, um cangaceiro, e Odorico Paraguaçu, um político corrupto, interpretados, respectivamente, por Lima Duarte e Paulo Gracindo, Antônio Barros gostou de uma frase de Odorico para o seu secretário Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz): “Que nada seu Dirceu! Eu nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem...”

Com a frase na cabeça, ele pegou o violão e começou a compor um xote, acrescentando-lhe de saída os versos: “Se correr o bicho pega / se ficar o bicho come.” Quando a composição ficou pronta, achando que ela tinha a cara do cantor Ney Matogrosso, então no Secos e Molhados, Barros comentou com sua mulher Cecéu: “já imaginou aquele cara, magrinho, peludo, cantando ‘eu sô é home?”

Sem saber como se aproximar do grupo, que nada tinha a ver com a música nordestina, mostrou a composição a Adiel Macedo de Carvalho, diretor da gravadora Copacabana, que se dispôs a criar um conjunto, o Hidra, nos moldes do Secos e Molhados, que era da Continental, para gravar “Homem com H”. E assim o fez, gravando-a em um compacto, chegando até a acertar uma apresentação da música no “Fantástico”, na TV Globo, fato que acabou não acontecendo porque a Copacabana temeu uma reação da Continental.

Então, frustrado, Antônio Barros entregou “Homem com H” ao seu conhecido Trio Nordestino, que a lançou com sucesso relativo apenas no Nordeste. Anos depois, quando preparava o seu elepê de estréia na Ariola, Ney Matogrosso aceitou sem maior entusiasmo, apenas para agradar o amigo Fausto Nilo, sua sugestão para gravar aquele xote, estranho ao seu estilo. A “faixa de trabalho” era a canção “Amor Objeto”, mas, para surpresa geral, quando o disco chegou às lojas foi “Homem com H” que puxou a vendagem, com o tal refrão que Barros desejara havia tanto tempo ouvir na voz de Ney: “Porque eu sô é home / porque eu sô é home / menino eu sô é home / menino eu sô é home...”

Em 1982, satisfeito com o seu sucesso nordestino, o cantor gravaria outra peça do gênero, “Por Debaixo dos Panos”, de Cecéu (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Homem com H (1981) - Antônio Barros - Interpretação: Ney Matogrosso

Tom: Bm

Intr.: Em A7 D G C#m5-/7 F#7

Bm Em A7 D C#7 F#7 Bm

                    Bm
Nunca vi rastro de cobra
                  Em
Nem couro de lobisomem
Se correr o bicho pega
                  Bm
Se ficar o bicho come
                 Bm/A
Porque eu sou é home
                 Abº
Porque eu sou é home
                 F#7
Menino eu sou é home
                 Bm
Menino eu sou é home

       A7                D F#7
Quando eu estava pra nascer
                      Bm  Em
De vez em quando eu ouvia
                Bm Em
Eu ouvia mãe dizer
                       Bm  Em
Ai meu Deus como eu queria
                       Bm  Em
Que essa cabra fosse home
                  Bm
Cabra macho pra danar
Em     A7         D
Ah! Mamãe aqui estou eu
   G            C#m5-/7
Mamãe aqui estou eu
      F#7     Bm
Sou homem com H
        F#7
E como sou


Estribilho

       A7        D F#7
Eu sou homem com H
                  Bm  Em
E com H sou muito home
                 Bm  Em
Se você quer duvidar
                    Bm  Em
Olhe bem pelo meu nome
                Bm    Em
Já tô quase namorando
                Bm
Namorando pra casar
Em     A7             D
Ah! Maria diz que eu sou
  G               C#m5-7
Maria diz que eu sou
      F#7     B
Sou homem com H

E como sou


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