quinta-feira, 11 de maio de 2006

Tiradentes

Mano Décio da Viola
"Tiradentes" foi o primeiro samba-enredo a ultrapassar os limites das escolas de samba e alcançar a consagração popular. Já houvera outros anteriormente, mais ou menos conhecidos, porém nenhum deles possuía, como "Tiradentes", características de samba-enredo só fixadas nos anos cinqüenta.

Cantado pela Império Serrano no carnaval de 1949, "Tiradentes" esperou seis anos para chegar ao disco e só o conseguiu quando o cantor Roberto Silva, conhecendo-o através de Mano Décio da Viola, resolveu gravá-lo.

E é Mano Décio que, em depoimento a Sérgio Cabral (para a coleção "História das Escolas de Samba"), conta como fez o samba: "Logo no meu primeiro ano (na Império Serrano), eu e o Silas de Oliveira fizemos um samba para o enredo "Tiradentes", que não foi aceito. Fizemos três sambas e nenhum foi aceito. Aí, num domingo, sonhei que estava cantando uma música...".

Esta música viria a ser a primeira parte de "Tiradentes", à qual, no dia seguinte, Mano Décio acrescentou uma segunda com a ajuda do compadre Penteado. "Ele tinha um samba com a primeira parte fraca" - conclui o compositor - "mas uma segunda muito boa que aproveitamos". "Tiradentes" tem seu ponto alto na primeira parte, em que ressalta por duas vezes a presença do acorde de subdominante menor, dando à composição um certo tom de dramaticidade.

Tiradentes (samba-enredo, 1955) - Mano Décio da Viola, Estanislau Silva e Penteado - Interpretação: Roberto Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Tiradentes / Décio Carlos (Compositor) / Silva, Estanislau (Compositor) / Penteado (Compositor) / Silva, Roberto (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Copacabana, Indefinida / Nº Álbum 5355 / Gênero musical: Samba.


Tom: D  

D            Gm7  C7/9   Em7           A7  D    G7+   D
   Joaquim José               da Silva Xavier
         B7      Em7
Morreu a vinte e um de abril
E7                 Em7        A7
Pela independência do Brasil
       D   D7+          Bb7/13      Bb7   Em7
Foi traído     e não traiu jamais
         A7        D             G7
A Inconfidência de Minas Gerais
       D   D7+          Bb7/13      Bb7   Em7
Foi traído     e não traiu jamais
         A7        D
A Inconfidência de Minas Gerais
Em7       B7/9- Em7       A7
Joaquim José da Silva Xavier
      D       G7  D      A7/13
Era o nome de Tiradentes
D   Bm7       Em7  A7 Em7  A6/9       F#m7   Em7
Foi    sacrifica...do pela nossa liberda.....de
D7+  F#m7     Em7
Este grande herói
    G7           Em7 A7 D7+
Pra sempre há de ser lembrado


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Tem nego bebo aí

Tem nego bebo aí (marcha/carnaval, 1955) - Mirabeau e Aírton Amorim - Intérprete: Carmen Costa

Disco 78 rpm / Título da música: Tem nêgo bêbo aí / Amorin, Airton (Compositor) / Mirabeau, 1924-1991 (Compositor) / Costa, Carmen, 1920-2007 (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Copacabana, 1953-1954 / Nº Álbum 5363 / Gênero musical: Marcha.


Dm 
Foi numa casca de banana que pisei, pisei 
            D7        Gm 
Escorreguei,  quase caí 
                           Dm 
Mas a turma lá de trás gritou, chi ... 
               A7                Dm 
Tem nêgo bêbo aí, tem nêgo bêbo aí. 

          Dm 
Foi numa casca de banana que pisei, pisei 
            D7        Gm 
Escorreguei,  quase caí 
                           Dm 
Mas a turma lá de trás gritou, chi ... 
               A7                Dm 
Tem nêgo bêbo aí, tem nêgo bêbo aí. 

      A7 
Se a gente está no bonde 
    Dm 
Ou mesmo no lotação 
   D7 
Falando um pouco alto 
   Gm 
É falta de educação 

Se entra no boteco 
                Dm 
Para tomar um parati, chi ... 
               A7                Dm 
Tem nêgo bêbo aí, tem nêgo bêbo aí .... 

Saudosa maloca

O cunho descritivo e a reprodução perfeita dos linguajares caipira e paulistano italianado, próprios dos ambientes em que viveu Adoniran Barbosa, são as características básicas do estilo que o tornou o compositor mais popular da cidade de São Paulo. Sem dúvida, essas características já aparecem em seu primeiro sucesso nacional, o samba "Saudosa Maloca", que narra o episódio da demolição de uma "casa véia", refúgio de um grupo de desvalidos, para a construção de um "arto" edifício.

Espontâneo, espirituoso, personagem ele mesmo de alguns de seus sambas, Adoniran (que foi grande comediante de rádio, destacando-se como o personagem Charutinho, no programa "História das Malocas") é um dos melhores intérpretes de sua obra, só igualado, talvez, pelos Demônios da Garoa, que popularizaram "Saudosa Maloca". Aliás, esta composição já havia sido gravada por Adoniran, com o título de "Saudade da Maloca", quando o pessoal do conjunto a conheceu nos sets de filmagem de "O Cangaceiro". Na ocasião, Adoniran fazia uma ponta no filme, enquanto os Demônios formavam o coro dos cangaceiros.

Saudosa maloca (samba, 1955) - Adoniran Barbosa - Intérprete: Demônios da Garoa

Disco 78 rpm / Título da música: Saudosa maloca / Barbosa, Adoniran, 1910-1982 (Compositor) / Demônios da Garoa (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1955 / Nº Álbum 13855 / Gênero musical: Samba.


(intro) Dm Am B7 E7 A7 Dm Am B7 E7 Am E7
                     Am
Se o sinhô não tá lembrado
    Bm7(b5) E7(b9)  Am7(9)
Dá licença de contá
 Em7(b5)
Que aqui onde agora está
 Em7(b5)        A7
Esse edifício arto
              Em7(b5)
Era uma casa véia
    A7             Dm
Um palacete assobradado
Foi aqui seu moço,que eu
                Am
Mato Grosso eo Joca
       B7           E7
Construímos nossa maloca
        Em7(b5)
Mais um dia
          A7          Dm
Nóis nem pode se alembrá
                          Am
Veio os homes com as ferramentas
         E7       Am
O dono mandô derruba
   Bm7(b5) E7(b9)      Am
Peguemo todas nossas coisas
                    A7
E fumos pro meio da rua
               Dm
Preciá a demolição
                           Am
Que tristeza que nois sentia
                  B7
Cada tábua que caía
             E7
Duia no coração
                    Dm
Mato grosso quis gritá
    Bm5-/7         Am
Mas em cima eu falei
                 A7
Os home tá coa razão
                      Dm
Nois arranjá outro lugá
                 Bm5-/7
Só se conformemos
                 Am
Quando o Jocá falou
          B7                   E7
Deus dá o frio conforme o cobertô
                    Dm                    Am
E hoje nois peça a páia nas gramas do jardim
           B7         E7       Am
E pra esquecê nois cantemos assim

(refrão 3x)
          Dm               Am
Saudosa Maloca, maloca querida
                    B7               E7          Am
Di de donde nóis passemos os dias feliz da nossa vida

(intro)

Joque as casca pra lá...
Jogue as casca pra lá...


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Samba fantástico

Jorge Goulart
Samba fantástico (samba, 1955) - José Toledo, Jean Manzon e Leônidas Autuori - Intérprete: Jorge Goulart

Disco 78 rpm / Título da música: Samba fantástico / Manzon, Jean, 1915-1990 (Compositor) / Toledo, José (Compositor) / Autuori, Leonidas (Compositor) / Campos, Paulo Mendes, 1922-1991 (Compositor) / Goulart, Jorge (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 30/07/1955 / Nº Álbum 17141 / Gênero musical: Samba.



Ninguém só a seu coração / Sua canção pode contar
Que tem o que dizer / Não cala a sua voz
Em solidão

Por que o mundo fala / Um poema de ninguém também?
De quem? / Ouvir uma canção que diz feliz
Feliz quem tem, quem viu?

Quem viu / Um barco sobre o mar
Mar a quebrar / Peito a gemer?
Quem viu / A chuva sobre a serra
Abençoando a plantação?

Enfim / Quem viu da terra
Uma renda fraternal subir / Ouviu no ar esta canção
Um coral que vai sonhar / Quem viu?