sexta-feira, 21 de abril de 2006

Fita Amarela

Noel Rosa compôs "Fita Amarela" a partir de uma batucada, conhecida nas rodas de samba, atribuída a Mano Edgar (Edgar Marcelino dos Passos), um bamba do Estácio. A batucada era assim: "Quando eu morrer / não quero choro nem nada / eu quero ouvir um samba / ao romper da madrugada".

Na mesma época (fins de 1932), Donga e Aldo Taranto usavam o tema para compor o samba "Quando Você Morrer", gravado por Carmen Miranda. A diferença era que enquanto Noel aproveitava apenas a ideia, Donga e Taranto copiavam também a melodia, segundo Almirante, que registrou o fato em sua coluna "Cantinho das Canções" (O Dia, 11.02.73).

O curioso é que, com o sucesso de "Fita amarela", Donga protestou nos jornais, acusando Noel de plagiar seu samba. Já Mano Edgar não tinha como se manifestar. Havia sido assassinado num jogo de ronda em 24.12.31. De qualquer maneira, "Fita Amarela" é um ótimo samba em que ressalta mais uma vez o lado espirituoso de Noel. Marca ainda, juntamente com "Até amanhã", sua presença no carnaval de 33, ano pródigo em que teve mais de trinta composições gravadas.

Fita amarela (samba, 1933) - Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título da música: Fita amarela / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1932 / Nº Álbum 10961 / Gênero musical: Samba /
Tom: A
  Intr.: B7   Em Em/D C7 Em/B F#7   B7 C7

B7            Em             F#m7(b5)
   Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)       B7        Em
   Quero uma fita    amarela   gravada com o nome dela
                            F#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)        B7         Em
   Quero uma fita    amarela     gravada com o nome dela

                                   F#m7(b5)
Se existe alma, se há outra encarnação
                  B7                       Em
Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão

                            F#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)       B7        Em
   Quero uma fita    amarela   gravada com o nome dela
                            F#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)        B7         Em
   Quero uma fita    amarela     gravada com o nome dela

                                  F#m7(b5)
Não quero flores, nem coroa com espinho
                  B7                     Em
Só quero choro de flauta com violão e cavaquinho

                            F#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)       B7        Em
   Quero uma fita    amarela   gravada com o nome dela
                            F#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)        B7         Em
   Quero uma fita    amarela     gravada com o nome dela

                                F#m7(b5)
Estou contente, consolado por saber
                      B7                        Em
Que as morenas tão formosas a terra um dia vai comer

                            F#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)       B7        Em
   Quero uma fita    amarela   gravada com o nome dela
                            F#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)        B7         Em
   Quero uma fita    amarela     gravada com o nome dela

                                         F#m7(b5)
Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
                  B7                            Em
Eu vivi devendo a todos mas não paguei nada a ninguém

                            F#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)       B7        Em
   Quero uma fita    amarela   gravada com o nome dela
                            F#m7(b5)
Quando eu morrer, não quero choro,  nem vela
B7          F#m7(b5)        B7         Em
   Quero uma fita    amarela     gravada com o nome dela

                                    F#m7(b5)
Meus inimigos que hoje falam mal de mim
                    B7                       Em
Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

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