terça-feira, 23 de maio de 2006

O vira



A exótica e aguda voz de Ney Matogrosso, os rostos ocultos pela pinta purpurina os trejeitos rebolantes e uma forte dose de androginia, um tanto exagerada para a época, foram os elementos que detonaram a carreira meteórica do Secos e Molhados, grupo intérprete de “O Vira”, um rockinho vulgar sobre a dança portuguesa.

Além desta composição, o elepê de estréia do conjunto cuja capa também fez furor, continha mais dois hits: “Rosa de Hiroshima” sobre um poema de Vinícius de Moraes, e “Sangue Latino” a faixa musicalmente mais interessante.

Apoiado nesses trunfos, o Secos e Molhados conseguiu a façanha de vender oitocentos mil exemplares desse disco inicial, além de atrair grandes platéias para os seus shows, como o que realizou no Maracanãzinho em fevereiro de 1974.

Em julho, entretanto, depois de lançar o segundo elepê, o conjunto foi extinto, para surpresa de seu público, formado em grande parte por adolescentes. Dessa passagem vertiginosa pela música brasileira restaria do Secos e Molhados a figura do cantor Ney Matogrosso, estrela do grupo e que se tornaria um dos mais dedicados intérpretes de nossas canções (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jaime Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

O vira (1973) - João Ricardo e Luli


C              F
O gato preto cruzou a estrada
   C                    G
Passou por debaixo da escada
          C7                       F
E lá no fundo azul na noite da floresta
           G
A lua iluminou
                      C
A dança, a roda e a festa
Vira, vira, vira
                   G
Vira, vira, vira homem, vira, vira
                C
Vira, vira lobisomem, vira, vira
C                  F
Bailam corujas e pirilampos 
   C                  G
Entre os sacis e as fadas
          C7                       F
E lá no fundo azul na noite da floresta
           G
A lua iluminou
                      C
A dança, a roda e a festa
                   G
Vira, vira, vira homem, vira, vira
                C
Vira, vira lobisomem, vira, vira

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