segunda-feira, 5 de junho de 2006

Penas do tiê

Hekel Tavares
Penas do tiê - Hekel Tavares, Fagner ou domínio público (*)
Intro: (G/B Bbº Am7 D7) 2x

         G/B         Bbº        Am7  D7
Vocês já viram lá na mata a cantoria
       G/B           Bbº     Am7  D7
Da passarada quando vai anoitecer
        G             C#m5-/7 F#7 Bm   Bm/A
E já ouviram o canto triste da araponga
  E4/7             E7         D#   D7
Anunciando que na terra vai chover
         G/B          Bbº         Am7  D7
Já experimentaram guabiroba bem madura
              G/B          Bbº     Am7  D7
Já viram as tardes quando vai anoitecer
        G           C#m5-/7 F#7  Bm   Bm/A
E já sentiram das planícies orvalhadas
          E4/7      E7       D#   D7
O cheiro doce da frutinha muçambê
         C#m5-/7        Cm            G/B Bbº
Pois meu amor tem um pouquinho disso tudo
          Am7            D7      G
E tem na boca a cor das penas do tié
           E4/7        E7              Am7
Quando ele canta os passarinhos ficam mudos
         D4/7     D7           G   G#º
Sabe quem é o meu amor, ele é você
Am A#º G/B A#º Am7 D7 (int.)
Você, você, você

*Fagner é acusado de "maquiar" canção (Jotabê Medeiros - Agência Estado, julho de 1999): O filho do compositor Hekel Tavares afirma que a música "Penas do Tiê", do disco "Manera Frufru Manera" (de 1973), é uma regravação de uma canção de seu pai, editada em 1928.

O disco Manera Frufru Manera, do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner, corre o risco de entrar para o livro dos recordes como o mais problemático da música popular brasileira. Depois de ter sido comprovado, em 1981, que Fagner gravou duas canções que eram plágio de poemas de Cecília Meireles ("Canteiros", também de Manera Frufru, e "Motivo", de um disco chamado Fagner, de 1979), um novo imbróglio se criou em torno de um dos seus sucessos mais conhecidos, "Penas do Tiê". Fagner alegou, quando do lançamento do disco, que "Penas do Tiê" era uma adaptação sua do folclore, de uma canção recolhida do domínio público.

Na verdade, "Penas do Tiê" nada mais é do que uma regravação, ipsis litteris, de "Você", uma composição de Hekel Tavares (1886-1969) e Nair Mesquita, editada em 1928 e dedicada à cantora lírica Gabriella Besansoni Lage. O "deslize" de Fagner, apontado inicialmente pelo jornalista Tárik de Souza, do Jornal do Brasil, demorou 26 anos para ser descoberto (de 1973 até hoje). E só o foi porque o filho do compositor Hekel Tavares, Alberto Hekel Tavares, ouviu uma gravação recente da Orquestra Pró-Música do Rio de Janeiro, tendo como solista a cantora Ithamara Koorax, e pôde comparar com as gravações anteriores de Fagner.

"É inacreditável: tratava-se da mesma canção", diz Alberto Hekel Tavares. Segundo ele, Fagner só mudou duas palavras. "Ele chama a fruta gabiroba de guabiraba, coisa que não existe", diz Tavares. Desde sua gravação inicial, em 1973, "Penas do Tiê" (ou "Você") teve diversas regravações. Joanna a gravou no CD Vidamor, pela BMG. A Philips a relançou duas vezes. Nana Caymmi a canta em dueto com Fagner no CD Amigos e Canções, também da BMG.

A gravadora Warner Chapell, com quem Fagner assinou contrato para a gravação original de Manera Frufru Manera, admite o equívoco do crédito e está em contato com os advogados dos herdeiros de Hekel Tavares. Fagner, também contatado, reconhece que houve um problema, mas acha muito alta a quantia pedida como indenização: R$ 400 mil. "A canção não só não era do folclore como era bastante conhecida e de um dos grandes compositores brasileiros", diz Alberto Hekel Tavares. "Nós queremos indenização financeira e também moral, porque a obra do meu pai foi usurpada", afirma. Caso não haja um acordo, Tavares pretende processar Fagner.

Hekel Tavares foi um compositor de grande sucesso na primeira metade do século. Compunha música popular e também música sinfônica. Nos anos 50, seu "Concerto em Formas Brasileiras" foi apresentado nos Estados Unidos tendo como solista a pianista Guiomar Novaes e sob a regência do maestro Karl Kruger.
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