segunda-feira, 19 de junho de 2006

Tarde em Itapoã



A parceria Toquinho & Vinicius iniciou-se com a canção “Como Dizia o Poeta”, apresentada pela primeira vez em setembro de 1970, durante uma temporada dos dois no Teatro Castro Alves, em Salvador. Na época foi realizada uma gravação improvisada para execução exclusiva na Rádio Difusora de São Paulo, tendo a música alcançado uma animadora repercussão entre os ouvintes.

Depois de fazerem mais duas composições, Toquinho conseguiu convencer Vinícius, com a ajuda de Gesse, mulher do poeta, a entregar-lhe uma letra que ele pretendia que fosse musicada por Dorival Caymmi. Então o compositor trabalhou dois meses para considerar pronta “Tarde em Itapoã”. “Quando ele ouviu, a princípio ficou meio indeciso. Achou boa, com uma certa dúvida. Começamos a cantá-la e as pessoas se apaixonavam pela música. Foi aí que ganhei Vinicius”, revela Toquinho no livro Vinicius sem ponto final, de seu irmão João Carlos Pecci.

Na verdade, a melodia do violonista caiu como uma luva na letra de Vinicius: “Um velho calção de banho / o dia pra vadiar / um mar que não tem tamanho / e um arco-íris no ar / depois, na Praça Caymmi / sentir preguiça no corpo / e numa esteira de vime / beber uma água de coco.” “Tarde em Itapoã” abriu o elepê Como dizia o poeta... música nova, que revelou o primeiro lote de canções interpretadas pelos dois e a cantora Marília Medalha.

Com a inclusão do Trio Mocotó foi criado o respectivo espetáculo, que depois da estréia em São Paulo, projetou pelo país o repertório da dupla, mantida em atividade até a morte do poeta em 1980.

Autor de extensa obra, Vinicius de Moraes adorava compor com figuras ilustres da MPB, tendo sido Toquinho o seu último parceiro fixo. Em que pese a existência de ótimas canções assinadas pelos dois — como “Regra Três”, “Testamento” e o grande sucesso “Tarde em Itapoã” —, é evidente uma queda de qualidade na produção de Vinícius nos anos setenta. Principalmente se comparada com a do esplendoroso período por ele vivido nas duas décadas anteriores (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Tarde em Itapoã (1971) - Toquinho e Vinícius de Moraes
Introdução:

   Am7  D7/9                    Am7  D7/9
                

|--5-7-8-7-5-8-8-7-8 ---|---5-7-8-7-5-8-7-8-7-5--|
|-7---------------------|-7----------------------|
|-----------------------|------------------------|
|-----------------------|------------------------|
|-----------------------|------------------------|
|-----------------------|------------------------|
  

Am7                 D7/9      Am7   Am7/G F#m7(5b)  B7
Um velho calção de banho /   o   dia prá vadiar
  Em                  A7         Dm7  Bm7(5b)  E7
um mar que não tem tamanho / um arco-íris no ar.
Am7               D7/9   Am7     Am7/G     F#m7(5b)   B7
Depois da praça Caymi / sentir preguiça no corpo
  Em               A7     Dm7             Bm7(5b)   E7
e numa esteira de vime / beber uma água de côco.
(**Refrão**)

           A7M        Bm7      C#m7               Bm7     C7M
É bom... passar uma tarde em Itapoã / ao sol que arde em Itapoã
        C6/9      Bm7              E7       Am7  D7/9
ouvir o mar de Itapoã / falar de amor em Itapoã. 
 
Am7                       D7/9   Am7         Am7/G   F#7/5b  B7
Enquanto o mar inaugura / um verde novinho em folha
Em                        A7       Dm             Bm7(5b) E7
argumentar com doçura / com uma cachaça de rolha.
Am7                      D7/9   Am7  Am7/G          F#7/5b  B7
E com o olhar esquecido / no encontro de céu e mar
Em                      A7     Dm        Bm7(5b)  E7
bem devagar e sentindo / a terra toda rodar.
(**Refrão**)

Am7               D7/9       Am7      Am7/G    F#m7(5b)   B7
Depois sentir o arrepio / do vento que a noite traz
Em                A7         Dm7        Bm7(5b)   E7
e o diz-que-diz macio / que brota dos coqueirais.
Am7             D7/9          Am7  Am7/G  F#m7(5b)  B7
E nos espaços serenos / sem ontem nem amanhã
Em                 A7     Dm7      Bm7(5b)  E7
dormir nos braços morenos / da lua de Itapoã.
(**Refrão**)
 
 
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