quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Curupira

O Curupira é um ser de forma humana, pequeno, esverdeado, com os cabelos cor de laranja, que tem os pés virados para trás e vaga pela mata zelando pelas árvores e animais. Volta-se contra qualquer um que queira caçar apenas por prazer, ou desmatar a floresta sem propósito. Por outro lado, é amigo dos que vivem na mata sem agredi-la, caçando apenas para alimentar-se e respeitando a flora. Para atrapalhar os que não agem com boas intenções, o curupira tem muitas artimanhas. Pode assombrá-los com seus gritos agudos, açoitá-los, tornar-se invisível e aparecer em vários lugares, até fazer com que aqueles que tentam contra a vida na floresta percam o rumo.

A letra, também de Waldemar Henrique, narra as dificuldades de um caçador que teve a má sorte de encontrar o curupira no seu caminho. Este ser mitológico não pode ser atingido por armas, nem pela prece mais poderosa do cabôco, o Padre-Nosso. Sendo assim, só restou ao caçador o pedido do verso 18 – "Deixa o cabôclo passar". O uso dos versos junto à melodia é totalmente silábico e o texto possui uma mudança de foco narrativo no verso 13. Aqui, o narrador deixa de falar das suas dificuldades para si mesmo, como num desabafo, e passa a dirigir-se diretamente à entidade mágica que o persegue. Não temos palavras de uso regional (Fonte: Uma visão sobre a interpretação das canções amazônicas de Waldemar Henrique - Márcia Jorge Aliverti).

Curupira (canção, 1936) - Waldemar Henrique

Já andei três dias e três noites pelo mato
Sem parar
E no meu caminho não encontrei nenhuma
Caça pra matar
Só escuto pela frente pelo lado o Curupira
Me chamar
Ora aqui, ora ali, se escondendo sem
Parar num só lugar
Por esse danado muitas vezes me perdi
Na caminhada
E nem padre nosso me livrou desse
Danado da estrada
Curupira feiticeiro
Sai de trás do castanheiro
Pula pra frente
Defronta com a gente
Negrinho covarde matreiro
Deixa o caboclo passar
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