domingo, 7 de maio de 2006

Nega maluca

Evaldo Rui
Fernando Lobo e Evaldo Rui eram amigos de todos os dias, ou melhor, de todas as noites. Uma ocasião, no final dos anos quarenta, Rui descreveu para Fernando uma cena curiosa que presenciara num bar, entre um jogador de sinuca e uma crioula, com uma criança nos braços: a mulher insistia desesperadamente em entregar a criança ao sujeito, aos berros de "Toma que o filho é seu", enquanto ele se limitava a dizer que a mulher estava maluca, pois o filho não podia ser dele...

Daí nasceu um baião, com a primeira parte do Rui ("Tava jogando sinuca / uma nega maluca me apareceu / vinha com um filho no colo / e dizia pro povo que o filho era meu / não senhor! / toma que o filho e seu / não senhor! / guarde o que Deus lhe deu") e a segunda de Rui e Fernando. Então, os dois procuraram Luiz Gonzaga que não se interessou em gravá-lo.

Tempos depois, na boate Casablanca, mostraram a música a Francisco Alves. O cantor achou o baião divertido, mas fora de seu estilo. Colaborou, porém, com uma preciosa sugestão: "Por que vocês não transformam esse baião num samba de carnaval?". Naquela mesma noite Fernando e Rui estariam mostrando o samba "Nega Maluca" para a cantora Linda Batista, que prometeu gravá-lo no dia seguinte.

Sucesso total no carnaval de 1950, premiado pela prefeitura e o jornal A Noite, "Nega Maluca" ainda rendeu um dinheiro extra para os autores: a loja A Exposição propôs-lhe a exploração de uma fantasia de "nega maluca" e Fernando, lembrando-se da personagem Topsy de A Cabana do Pai Tomás, desenhou o modelo que se tornaria um recordista de venda - um espalhafatoso vestido vermelho, com bolas brancas, que poderia ser completado com uma carapinha de tranças e o rosto da usuária pintado de preto, se necessário.

Nega maluca (samba/carnaval, 1950) - Evaldo Rui e Fernando Lobo - Intérprete: Linda Batista

Disco 78 rpm / Título: Nega maluca / Evaldo Rui, 1913-1954 (Compositor) / Fernando Lobo, 1915-1996 (Compositor) / Linda Batista, 1919-1988 (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 20/10/1949 / Lançamento: 01/1950 / Nº do álbum: 80-0631 / Nº da matriz: S-078958 / Gênero: Samba



Tava jogando sinuca
Uma nega maluca me apareceu
Vinha com um filho no colo
E dizia pro povo
que o filho era meu (bis)

Toma que o filho é seu
Não senhor ....
Guarda o que Deus lhe deu
Não senhor ......


Há tanta gente no mundo
Mas meu azar é profundo
Veja você, meu irmão,
A bomba estourou na minha mão
Tudo acontece comigo
Eu que nem sou do amor
Até parece castigo
Ou então é influência da cor (bis)

Tava jogando sinuca ....
Não senhor ...


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Meu brotinho

Francisco Carlos
Meu brotinho (marcha/carnaval, 1950) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérprete: Francisco Carlos

Disco 78 rpm / Título da música: Meu brotinho / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Compositor) / Francisco Carlos (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 08/10/1949 / Lançamento: 01/1950 / Nº do álbum: 80-0627 / Nº da matriz: S-078941 / Gênero musical: Marcha


--------------A
Ai, ai, brotinho / Não cresça meu brotinho
-------------------------E7
E nem murche como a flor / Ai, ai, brotinho
---------------------------------------------A
Eu sou um galho velho mas, / Quero seu amor.
Meu brotinho, por favor, não cresça
--------------------------------------------Bm
Por favor, não cresça / Já é grande o cipoal
---------------------------E7 -----------------------------------A
Ta sobrando galharia seca / Ta pegando fogo no meu carnaval.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Maria Rosa

Alcides Gonçalves
Maria Rosa (samba, 1950) - Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título: Maria Rosa / Alcides Gonçalves (Compositor) / Lupicínio Rodrigues, 1914-1974 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 02/12/1949 / Lançamento: 05/1950 / Nº do álbum: 13001 / Nº da matriz: 8605 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão

D                 Fo
Vocês estão vendo aquela mulher 
                              Em
                  de cabelos brancos
            B7                 Em
Vestindo farrapos calçando tamancos
              A7               D
Pedindo nas portas pedaços de pão ?
 F#m                          C#7        F#m
A conheci quando moça era um anjo de formosa
     E7           A    E7              A7
Seu nome: Maria Rosa, seu sobrenome: Paixão
   D                Fo         Em       B7
Os trapos de suas vestes não é só necessidade
               Em                    F#7
Cada um, para ela, representa uma saudade
G                     Gm     D                    B7
Ou de um vestido de baile, ou de um presente , talvez
      Em                 A7          D     A7
Que algum dos seus apaixonados lhe fez
 D                             F#m
Quis certo dia Maria por a fantasia de tempos passados
 B7                      Em
Por em sua galeria uns novos apaixonados
                   F#7
Esta mulher que outrora a tanta gente encantou
  C#7                      F#m              A7
Nenhum olhar teve agora, nenhum sorriso encontrou
   D                                     F#m
E então dos velhos vestidos que foram outrora sua predileção
  B7                    Em            D7
Mandou fazer essa capa de recordação
  G                 A7   D               B7
Vocês Marias de agora, amem somente uma vez
 Em                      A7                 D    Gm D7
Prá que mais tarde esta capa não sirva em vocês.  (bis)


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Marcha do gago

Oscarito
Marcha do gago (marcha/carnaval, 1950) - Armando Cavalcanti e Klécius Caldas - Intérprete: Oscarito

Disco 78 rpm / Título da música: Marcha do gago / Armando Cavalcanti, 1914-1964 (Compositor) / Klecius Caldas, 1919-2002 (Compositor) / Oscarito (Intérprete) / Sílvio César e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Star / Lançamento: 12/1949 / Nº do álbum: 177 / Nº da matriz: S-177-A / Gênero musical: Marcha


Tá, tá, tá, tá, tá, na hora,
Va, va, va, vale tudo agora,
Sou mo-mole, pra fa-falar,
Mas um Pintacuda pra beijar.

(bis)

Eu fico ga, ga, ga, ga, gago,
Dentro do salão,
E até pa, pa, pa, pa, pago,
Pra não ver canhão,
Mas se, se, se, se, a dona é boa,
A minha língua, se destrava atoa.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.