quarta-feira, 14 de junho de 2006

Bola de meia, bola de gude

Bola De Meia, Bola De Gude - Milton Nascimento e Fernando Brant - Intérprete: 14 Bis

LP 14 Bis II / Título da música: Bola De Meia, Bola De Gude / Milton Nascimento (Compositor) / Fernando Brant (Compositor) / 14 Bis (Intérprete) / Gravadora: EMI-Odeon / Ano: 1980 / Nº Álbum: 064 422870 / Lado A / Faixa 1.


Tom: G/D

G/D F/D A#/D F/D
Há um menino, há um moleque, 
morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
 ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente, 
     o sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra 
     o menino me dá a mão

     C/E              Fm7(9)
Ele fala de coisas bonitas 
              D7(4)     D7        G
    que eu acredito que não deixarão de existir
   C/E               Cm/Eb                                
Amizade, palavra, respeito, 
                                D7(4) D7
    caráter, bondade, alegria e amor
      C/E            Fm7(9)
Pois não posso, não devo, 
              D7(4)               D7               G
  não quero viver como toda essa gente insiste em viver
 C/E                   Cm/Eb                                  
Não posso aceitar sossegado 
                                      D7(4)
      qualquer sacanagem ser coisa normal

G/D F/D A#/D F/D
Bola de meia, bola de gude, o solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão

Nos bailes da vida

Os “causos” vividos por Milton Nascimento na época em que foi crooner e contrabaixista dos conjuntos W’s Boys, Tempo Trio, Berimbau de Ouro, Evolussamba e Quarteto Sambacana, ao lado de músicos como Wagner Tiso, Helvius Vilela, Pascoal Meireles e outros, sempre estiveram entre os assuntos preferidos de suas conversas com Fernando Brant.

São peripécias, as mais diversas, um manacial de histórias de músicos do interior e das boates das capitais. Animados pela verve peculiar da classe, esses papos aconteciam na Avenida Afonso Pena, ponto em que os músicos se reuniam em Belo Horizonte, onde, tal como na Praça Tiradentes, no Rio, e Praça da Sé, em São Paulo, eram contratados os “bicos”.

Um dia, ao receber uma fita de Milton para letrar nova composição, Brant achou que “seria uma boa” transformar o assunto em música, criando os primorosos versos de “Nos Bailes da Vida”: “Foi nos bailes da vida / ou num bar em troca de pão / que muita gente boa pôs o pé na profissão / de tocar um instrumento e de cantar / não importando se quem pagou quis ouvir / (...) / todo artista tem de ir / aonde o povo está / se foi assim, assim será / cantando me desfaço / e não me canso de viver / nem de cantar...”

Com algumas modificações, a música foi destinada a Ney Matogrosso, que não a gravou. Mas, ao tomar conhecimento da letra, vários artistas interessaram-se pela canção, cabendo à cantora Joanna lançá-la no elepê Chama, em julho de 81, quase ao mesmo tempo que o grupo 14 Bis (disco Espelho das águas). Então, Milton Nascimento, coadjuvado pelo Roupa Nova, deu-lhe versão definitiva em seu LP Caçador de mim, em setembro de 81.

Nesta gravação ele faz uma confissão emocionada do seu início de carreira, valorizando as pausas (em “foi assim...”, “era assim...” e “nem de cantar...”) e transformando a composição numa espécie de hino aos músicos (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Nos Bailes da Vida (1981) - Milton Nascimento e Fernando Brant - Intérprete: Milton Nascimento

LP Caçador De Mim / Título da música: Nos Bailes da Vida / Milton Nascimento (Compositor) / Fernando Brant (Compositor) / Milton Nascimento (Intérprete) / Roupa Nova (Partic.) / Gravadora: Ariola / Ano: 1981 / Nº Álbum: 201.632 / Lado B / Faixa 3 / Gênero musical: Canção.


Tom: D

Intro: (D D9 D4 D D9)

(D  D9)
Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão
C/D                              C
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
                          Em
De tocar um instrumento e de cantar
A4/7           A7                     D
Não importando se quem pagou quis ouvir

Foi assim

D                               D7+
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol
D6          Am9
Tenho comigo as lembranças do que eu era 
C7+                         Em
Para cantar nada era longe, tudo tão bom
A4/7             A7         G/D
'Té a estrada de terra na boléia de caminhão
D           D G/D D
Era assim

D      D7+
Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão
Am9          C7+
Todo artista tem de ir aonde o povo está
   Em           A4/7      A7
Se foi assim, assim será
Em             A7              G/D
Cantando me desfaço e não me canso de viver
D  D G/D D D9 D
Nem de cantar

solo: F F7+ Eb D Gm
      Bb Bb/C A4/7 A7

D                               D7+
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol
D6          Am9
Tenho comigo as lembranças do que eu era 
C7+                         Em
Para cantar nada era longe, tudo tão bom
A4/7             A7         G/D
'Té a estrada de terra na boléia de caminhão
D           D G/D D
Era assim

D      D7+
Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão
Am9          C7+
Todo artista tem de ir aonde o povo está
   Em           A4/7      A7
Se foi assim, assim será
Em             A7              G/D
Cantando me desfaço e não me canso de viver
D  D G/D D F
Nem de cantar..

Canção da América

Em 1979, numa chuvosa temporada em Los Angeles, Milton Nascimento gravaria o elepê Journey to dawn, dirigido ao público americano. Na ocasião, permanecendo na cidade com o parceiro Fernando Brant durante 45 dias, o compositor tentou em vão entrar em contato com um baterista inglês, que lhe havia mostrado, tempos antes, uma composição cuja letra falava de músicos que partilhavam amizades, quase sempre interrompidas no momento em que terminavam suas gravações ou temporadas.

Frustrado ao constatar que o tal baterista não se encontrava mais em Los Angeles, Milton fez então com Brant uma nova canção, em inglês, abordando o assunto, ou seja, o desencontro de amigos, e deu-lhe como título uma palavra inventada pelos dois: “Unencounter”. Quando chegou a vez de gravá-la, perguntou aos americanos se entendiam o seu significado e, diante da resposta afirmativa, manteve o título, sendo a música incluída no citado disco.

Meses depois, no Brasil, o grupo mineiro 14 Bis (Flávio Venturini, Vermelho, Sérgio Magrão, Reli Rodrigues e Cláudio Venturini) desejou gravar a composição, tendo Fernando Brant feito uma letra em português, na qual o sentido da idéia original era estendido à amizade: “Amigo é coisa pra se guardar / debaixo de sete chaves / dentro do coração / assim falava a canção / que na América ouvi / mas quem cantava chorou / ao ver seu amigo partir...”

Renasceu assim a música em português, com um novo título, “Canção da América”, que Milton Nascimento gravou no álbum Sentinela, em 1980, coadjuvado pelo quarteto Boca Livre. Com o tempo, a canção acabaria sendo cantada em cerimônias — como por ocasião da morte de Ayrton Senna — ganhando caráter de hino à fraternidade. Uma curiosidade: ao cantar “Canção da América” no show e no disco Saudade do Brasil, Elis Regina trocou o verso “assim falava a canção” por “a se falar na canção” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Canção da América (1980) - Milton Nascimento e Fernando Brant - Intérprete: 14 Bis

LP 14 Bis / Título da música: Canção da América / Milton Nascimento (Compositor) / Fernando Brant (Compositor) / 14 Bis (Intérprete) / Gravadora: EMI-Odeon / Ano: 1979 / Nº Álbum: 064 422850 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Canção.

(intro)  D  C/D  D7  D6  C/D  D

E |--10--10----10----10--11--12--10--10---8---8--8---8--
B |--10--10----10----10--10--10--10--10---8---8--8---8--
G |--11--11----11----11--11--11---9--9----9---9--9---9--
D |---------------------0--------------------------0----

E |-8--8--8--7--7--7---5--5--5--5--5--5--5------|
B |-8--8--8--7--7--7---5--5--7--7--7--7--7------|
G |-9--9--9--7--7--7---3--3--7--7--7--7--7------|
D |-0----------------0--------------------------|

E |--10--10----10----10--11--12--10--10---8---8--8---8--
B |--10--10----10----10--10--10--10--10---8---8--8---8--
G |--11--11----11----11--11--11---9--9----9---9--9---9--
D |---------------------0-------------------------------

E |-8--8--8--8--8--7--7--7---5--5--5--5--5--5--5------|
B |-8--8--8--8--8--7--7--7---5--5--7--7--7--7--7------|
G |-9--9--9--9--9--7--7--7---3--3--7--7--7--7--7------|
D |------------------------0--------------------------|

 C/E               D7
Amigo é coisa prá se guardar
G       Em7     D/F#     D    D/F#
Debaixo de sete chaves
C/E    D7         G    Am7               D
Dentro do cora...ção, assim falava a canção
D/C    D/A        D/F#    G   Am7  G
Que na Amé....ri...ca   ouvi
           Em7
Mas quem cantava chorou
   G/A        A7      C/E    D7   D7/4  D7
Ao ver o seu amigo partir

            D   D/C  D/A      D7  C/E      D7
Mas quem ficou            no pensamento voou
         G         C/E         D7    D7/4   D7
Com seu canto que o outro lembrou
          D    D/C  D/A     D7   C/E    D7
E quem voou              no pensamento ficou
          G          C/E        D7
Com a lembrança que o outro cantou

C/E     D7
Amigo é coisa prá se guardar
G         Em7       D/F#   D   D/F#
No lado esquerdo do peito
Am7                  G  D/F#   C/E  D  C   G/B   Am7   C/E  Am7
Mesmo que o tempo e  a distân  cia     di  gam   não
D      D/C   D/A         D/F#    G   Am7   G
Mesmo esque  cen...do a  can....ção
          Em7
E o que importa é ouvir
 G/A          A7      C/E    D7   D7/4   D7
A voz que vem do coração

    C/E          D7    C/E            G
Pois seja o que vier,   venha o que vier
G            D/F#  C/E      D/F#   C/E           G    D/F#
Qualquer dia, a    migo, eu volto   a   te encontrar
Em7                   G/A    A7           C/E    D7  D7/4   D7
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

(intro)

   C/E          D7    C/E            G
Pois seja o que vier,   venha o que vier
G            D/F#  C/E      D/F#   C/E           G    D/F#
Qualquer dia, a    migo, eu volto   a   te encontrar
Em7                   G/A    A7           C/E    D7  D7/4   D7
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

Morro Velho

Morro Velho - Milton Nascimento - Intérprete: Milton Nascimento

LP Milton Nascimento / Título da música: Morro Velho / Milton Nascimento (Compositor) / Milton Nascimento (Intérprete) / Gravadora: Ritmos / Codil / Ano: 1967 / Nº Álbum: CDL 13004 / Lado B / Faixa 1.


C                    A#/C
No sertão da minha terra
  C7+                        A#C
Fazenda é o camarada que ao chão se deu
A7+                  G/A
Fez a obrigação com força
                A7+              D7+
Parece até que tudo aquilo ali é seu
D#m5-/7             G6/7                A7+   
Só poder sentar no morro e ver tudo verdinho,
 G/A
lindo a crescer
     A7+        G/A       A              A4
Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada
A                   G/A      
Filho do branco e do preto
A7+                     G/A
Correndo pela estrada atrás de passarinho
A7+              G/A                     A7+
Pela plantação adentro, crescendo os dois meninos
D7+
Sempre pequeninos
D#m5-/7             G6/7                A7+   
Peixe bom dá no riacho de água tão limpinha,
 G/A
dá pro fundo ver
     A7+         G/A       A              A4
Orgulhoso camarada, contra histórias prá moçada
F#m         Am        F#m
Filho do senhor vai embora,
 Am         F#m        Em    F#m    Em
tempo de estudos na cidade grande
F#m    Am            F#m
Parte, tem os olhos tristes,
 Am                F#m          Em     F#m
deixando o companheiro na estação distante
A      G#m7            G7     F#m       E7
Não esqueça, amigo, eu vou voltar
A     G#m7               G7      Bm7
Some longe o trenzinho ao deus-dará
A 
Quando volta já é outro
             G/A                 B/A
Trouxe até sinhá mocinha prá apresentar
A                   G/A    
Linda como a luz da lua
  B/A
que em lugar nenhum rebrilha como lá
A                          G/A   
Já tem nome de doutor, e agora
   B/A
na fazenda é quem vai mandar
A              G/A                          B/A
E seu velho camarada, já não brinca mais, trabalha