segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Geraldo Magalhães

Geraldo Magalhães (Rio Grande do Sul, 31/05/1878 — Lisboa, Portugal 11/7/1970), dançarino e cançonetista, lançou-se artisticamente no Rio de Janeiro em fins do séc. XIX, apresentando- se no Salon Paris, da Rua do Ouvidor.

A partir de 1900 passou a exibir-se em casas de chope e cafés- canta ntes do bairro carioca da Lapa e da área teatral da Praça Tiradentes — no Moulin Rouge e na Maison Moderne — sempre acompanhado da “castelhana” Margarita, com quem formava a dupla Os Geraldos.

Por volta de 1905 estabeleceu nova dupla com a gaúcha Nina Teixeira, exibindo-se em cançonetas picantes e dançando maxixes, inclusive no pequeno palco do Passeio Público. Ocasionalmente apresentavam-se fora do Rio de Janeiro, como em 1902, quando foram contratados para a inauguração de um café-concerto em Santos SP.

Em fins de 1908 a dupla viajou para o México e de lá para a Europa, lançando no início de 1909, em Paris, França, o tango-chula Vem cá mulata, que eles mesmos haviam gravado três anos antes em disco da Casa Edison, do Rio de Janeiro. 

Voltando ao Brasil ainda em 1909, trouxe como partenaire a portuguesa Alda Soares, com quem lançou a novidade do onestep com a canção norte-americana Caraboo (Sam Marshall). Com letra em português de Alfredo de Albuquerque, essa canção seria um dos grandes sucessos do Carnaval carioca de 1916. 

A dupla Os Geraldos retornou à Europa, provavelmente nos primeiros anos da década de 1920, atuando no teatro musicado de Lisboa até 1926, quando ele se retirou da vida artística. 

Vendedor de uma companhia de vinhos a partir de 1937, ainda voltou ao palco eventualmente, ao lado de Alda, com quem viveu em Lisboa até a morte aos 92 anos. Sobrevivendo ao companheiro apenas alguns meses, Alda Soares morreu em princípios de 1971. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

Sidney Magal


Sidney Magal (Sidney Magalhães), cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 19/6/1953. Um dos maiores nomes da chamada “música brega” da década de 1970, com interpretações exageradamente emocionadas, próximas da caricatura.

Tornou-se sucesso nacional, interpretando com voz e performances corporais canções que se tornaram verdadeiros clássicos de nossa música. Sempre cantando sem deixar seu lado ator, iniciou a carreira em 1976, quando foi levado pelo ex-cantor e produtor Roberto Livi para a Polydor, onde permaneceu até 1985.

Foi justamente nesse período que obteve os seus maiores êxitos, tais como Meu sangue ferve por você, Se te agarro com outro te mato (1976), Amante latino (Rabito e Antônio Carlos, 1977) e Sandra Rosa Madalena (Roberto Livi e Miguel Cidrás, 1979). 

Fazendo o tipo "latin lover", com interpretações propositalmente exageradas, quase beirando o caricatural, é considerado um dos nomes mais importantes do que se convencionou chamar de "música brega". Nos anos 1990, fez sucesso com a música Me leva que eu vou, da trilha sonora da novela Rainha da sucata da TV Globo.

Em 1994, a PolyGram lançou a coletânea Minha história, que incluía os seus maiores sucessos. Ainda em atividade, apresenta-se em shows pelo Brasil. Em 2003, integrou o elenco da peça Eu te amo, você é perfeita, agora muda!, apresentada no Teatro dos Grandes Atores. No mesmo ano, gravou o CD Extremos. No mesmo ano, atuou no filme Caminho das nuvens e teve uma música incluída na trilha sonora da novela Kubanacan, da Tv Globo. Gravou ainda no mesmo ano seu 19º disco. 

Em 2005, atuou como ator e cantor na novela América, apresentada pela TV Globo. Já no início de 2006, interpretou o personagem Zorrô, na novela Bangue bangue, também levada ao ar pela TV Globo. Nesse ano, fez diversos shows e apresentou-se em vários programas de rádio e TV. Nesse ano, lançou o CD e DVD Ao vivo, interpetando hits consagrados de sua carreira como Eu te amo e Sandra Rosa Madalena, entre canções de Ivan Lins, como Ai, ai, a" e Advinha o quê, de Lulu Santos. 

Procurado por jornais e revistas, o cantor afirmou que o tratamento a ele dado pela mídia tornou-se muito menos peconceituoso nos anos 2000, do que no auge de sua carreira e que grande parte de seu público no terceiro milênio passou a ser de jovens.
Site oficial : Sidney Magal - Site Oficial

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha; Dicionário Cravo Albin da Música Pupular Brasileira.

Catulo de Paula


Catulo de Paula (Ermenegildo Evangelista de Souza), cantor e compositor, nasceu em São Benedito CE (13/8/1923) e faleceu em Fortaleza CE (10/12/1984). Seu pai era cego desde os seis meses de idade e sustentava a família, composta de mulher e oito filhos, tocando violino, saxofone e clarineta em festas de sua cidade no interior cearense.

Com oito anos, começou a tocar violão, ganhando os primeiros trocados para ajudar no sustento da família. Por volta dos 10 anos de idade, passou a fazer parte do grupo Vocalistas Tropicais, com os quais foi fazer uma excursão a Fortaleza. Acabou saindo do grupo por causa de um dos integrantes e teve que se virar por conta própria para sobreviver, passando a fazer biscates de diversos tipos.

Em 1944, foi convidado para fazer parte do grupo Os Boêmios da Noite. Na mesma época, mudou-se para o Recife, em Pernambuco, onde adotou o nome artístico de Catulo de Paula.

Em 1948, resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro, a fim de dar continuidade ao seu trabalho artístico. Em 1949, tornou-se acompanhante do cantor Vicente Celestino, com quem trabalhou durante longo tempo tocando violão.

No início dos anos de 1950, ao apresentar-se no clube "Brasil danças", foi assistido por Fernando Lobo que apadrinhou sua primeira gravação. Em 1953, lançou pela Continental, disco onde interpretava dois baiões, Vai comendo Raimundo, de sua autoria e Amado Régis, e O pau comeu, de Marçal Araújo. No mesmo ano, Aldair Sopares gravou na Columbia de sua autoria e Jorge de Castro a toada baião Saudade de Maceió

Destacou-se pelas composições satíricas, sendo uma das mais conhecidas, o baião Bep-bop do Ceará, gravada pela Continental, em 1955. No mesmo ano, gravou de sua autoria o coco Zabumbô, zabumbá. Em 1956, gravou o baião Rosamélia, de Humberto Teixeira

Em 1957, gravou de Zé Dantas o baião Nós num have. Em 1961, gravou de Luiz Gonzaga o baião Na cabana do rei, parceria com Jaime Florence. Em 1962, gravou aquele que foi seu maior sucesso, o baião Como tem Zé na Paraíba, parceria com Manezinho Araújo, gravado também naquele ano e com grande sucesso, por Jackson do Pandeiro

O tom nordestino de sua música lhe valeu convites de diversos diretores de cinema que nos anos de 1950, exploraram a temática do "Cangaceiro". Participou das trilhas sonoras dos filmes Lampião, o rei do Cangaço, Entre o amor e o cangaço, Os três cabras de Lampião, Nordeste sangrento e O filho do cangaceiro

Participou, ainda, de alguns trabalhos para o teatro, tendo participado da trilha sonora das peças A invasão dos beatos, de Dias Gomes e A torre em concurso, de Joaquim Manuel de Macedo. Ainda em 1962, participou como cantor da trilha sonora do filme Sol sobre lama, de Alex Viany, quando interpretou canções da parceria Vinícius de Moraes/ Pixinguinha.

Em 1963 lançou pela Odeon o LP A simplicidade de Catulo de Paula, no qual interpretou, entre outras, Lua-lua, Zé Piedade, Minha fulô e Vida ruim, todas de sua autoria. 

Em 1970 lançou LP que leva seu nome, interpretando Canção da tristeza, Forró do Barnabé, De Maria só o nome e Razão pra não chorar, todas de sua autoria. Nos anos de 1970, foi convidado para interpretar um cego cantador de feira na novela Roque Santeiro, na Tv Globo, tendo ele preparado um ABC, no qual narrava a novela em versos começando cada estrofe com uma letra do albabeto. A novela entretanto acabou não indo ao ar pois foi vetada pela censura na época da ditadura militar. Anos depois a novela foi ao ar, desta vez com Arnoud Rodrigues no papel do cego. 

Em 1976 a Tapecar lançou o LP Geremias do Roque Santeiro, que trazia entre outras, Roque Santeiro, ABC do Roque Santeiro e Alegria dolorida", de sua autoria, além de Prefiro ficar com Maria, de Paulo Gesta e Luiz de França.

Em 1995, sua composição Caubói do Ceará foi gravada pelo cantor brega Falcão no disco A besteira é a base da sabedoria

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

Jararaca

Jararaca (José Luís Rodrigues Calazans) nasceu em Maceió, Alagoas em 29/9/1896. Fez dupla com Severino Rangel de Carvalho, o Ratinho, nascido em Itabaiana, Pernambuco, em 13/4/1896 e falecido em Duque de Caxias, Rio de Janeiro em 8/9/1972.

Em 1918, o grupo carnavalesco de Recife chamado "Os Boêmios", excursionava pelas cidades circunvizinhas com seus instrumentos de corda e sopro tocando polcas, emboladas, frevos e outros ritmos e entre seus integrantes encontravam-se Jararaca e Ratinho.

Esse grupo transformou-se, mais tarde, em "Os Turunas Pernambucanos". Cada componente adotou o nome de um bicho como nome artístico. Em janeiro de 1937, foi lançada a marcha Mamãe eu quero, de Jararaca e  Vicente Paiva, pela Odeon, que se tornaria um dos maiores sucessos do carvanal carioca em todos os tempos.

A estréia de Jararaca e Ratinho nas ondas radiofônicas se deu em 1939 na Rádio Mayrink Veiga. Logo o crescente público da mídia desfrutou de uma nova forma de fazer humor, com trocadilhos espirituosos, adivinhações e vasto anedotário.

"Interpretavam" tipos de caipiras recém chegados à cidade grande, e assim contribuíram para o registro do código de costumes daquela época. Intercalados executavam rojões e polcas.

Jararaca, além de bom violonista, era um emérito letrista, recorrendo aos motivos e refrões do Nordeste para a construção de números como o rojão Catirina - regravada por Jackson do Pandeiro no LP "Sina de Cigarra" , de 73.

Em 1972, a dupla foi homenageada com o prêmio "Imortais do carnaval". Jararaca ainda veria um último sucesso seu após o sumiço de Ratinho: Do Pilar, que Tom Jobim transformou em Bôto , sucesso de seu álbum "Urubu", de 1976.

Neste mesmo ano foi chamado para participar do programa Chico City para o papel do Coronel Sucuri. Veio a falecer no Rio de Janeiro em 11/10/1977.

Fonte: Revivendo Músicas