quinta-feira, 11 de maio de 2006

Bom dia tristeza


Bom dia tristeza (samba-canção, 1957) - Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes - Intérprete: Maysa (LP "Convite Para Ouvir Maysa nº 2", 1958)


Dm7
Bom dia tristeza
Em5-/7  A7     Dm7
Que tarde tristeza
                  Em5-/7
Você veio hoje me ver
     A7    Em5-/7  A7       Em5-/7 A7
Já estava ficando até meio triste
          Em5-/7      A7       Dm7 D7
De estar tanto tempo longe de você
            Gm7
Se chegue tristeza
C7        F7
Se sente comigo
Bb7          A7     Am5-/7
Aqui nesta mesa de bar
D7           Gm7
Beba do meu copo
A7           Dm7
Me dê o seu ombro
E7             A7
Que é para eu chorar
             Em5-/7
Chorar de tristeza
 A7         Dm7
Tristeza de amar

A volta do boêmio


Português de nascimento, mas criado no subúrbio carioca de Campo Grande, Adelino Moreira de Castro interessou-se desde cedo pela música chegando a gravar como cantor vários discos de fado nos anos quarenta. Entretanto, a partir de 1952, como autor de sambas e sambas-canção, ele conheceu o sucesso, tornando-se o principal abastecedor do repertório de Nelson Gonçalves.

O êxito dessa sociedade chegou ao auge em 1957 quando "A Volta do Boêmio" (que permanecera inédito por quatro anos) atingiu a marca de um milhão de discos vendidos. Num estilo, que mais tarde seria chamado de brega-romântico, este samba-canção trata de um personagem que tendo abandonado a boemia pelo amor a uma mulher, pede agora "inscrição" para voltar à vida antiga: "Boemia / aqui me tens de regresso / e suplicante te peço / a minha nova inscrição / voltei pra rever os amigos que um dia / eu deixei a chorar de alegria / me acompanha o meu violão...".

E a composição prossegue com o ex-boêmio declarando que seu retorno tem a aprovação da amada, que, resignadamente, o encorajou na despedida: "Vá embora/ pois me resta o consolo e alegria / de saber que depois da boemia / é de mim que você gosta mais".

Um clássico da música sentimental popular, "A Volta do Boêmio" é um dos grandes sucessos de Nelson Gonçalves, o cantor que tem o maior número de gravações na discografia brasileira.

A volta do boêmio (samba-canção, 1957) - Adelino Moreira - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: A volta do boêmio / Moreira, Adelino (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1956 / Nº Álbum 801751 / Gênero musical: Samba canção.


Am                        Dm
Boemia, aqui me tens de regresso
                 E7 Dm                   Am       E7
E suplicante te peço a minha nova inscrição
  Am                               G
Voltei pra rever os amigos que um dia
                           F                         E     E7
Eu deixei a chorar de alegria, me acompanha o meu violão
   Am                         Dm
Boemia, sabendo que andei distante
                     E7    Dm            Am
Sei que essa gente falante vai agora ironizar
A7     D7                        Am
Ele voltou, o boêmio voltou novamente
                     Dm       E7                 Am    E7
Partiu daqui tão contente por que razão quer voltar?
     Am                                 G
Acontece que a mulher que floriu meu caminho
                          F                              E   E7
De ternura, meiguice e carinho, sendo a vida do meu coração
    Am                                 G
Compreendeu e abraçou-me dizendo a sorrir
                        F                        E    E7
Meu amor, você pode partir, não esqueça o seu violão
   Am                                 G
Vai rever os seus rios, seus montes, cascatas
                      F                            E    E7
Vá sonhar em novas serenatas e abraçar seus amigos leais
A7     Dm                                Am
Vai embora, pois me resta o consolo e alegria
                          Dm
De saber que depois da boemia
      E7                 Am
É de mim que você gosta mais


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

A flor e o espinho

Guilherme de Brito
Sérgio Porto considerava os versos iniciais de "A Flor e o Espinho" uma das mais belas imagens de nosso cancioneiro: "Tire o seu sorriso do caminho / que eu quero passar com a minha dor". Na verdade, estes versos que são de Guilherme de Brito - ficaram tão famosos, que se tornaram uma espécie de marca registrada da obra de Nelson Cavaquinho, que é autor somente da melodia. Aliás, em todas as composições da dupla, Nelson fez sempre as melodias e Guilherme as letras.

Formada em 1955, essa parceria, fundamental para a própria história do samba, criou, além de "A Flor e o Espinho", outras obras-primas como "Degraus da Vida", "Folhas Secas", "Pranto de Poeta", "Quando Eu Me Chamar Saudade", "O Bem e o Mal" etc.

Mas, voltando ao samba "A Flor e o Espinho", pode-se dizer que esta composição(feita durante um encontro na Praça Tiradentes, no Rio) sintetiza o estilo poético/musical da dupla, marcado por um lirismo angustiado, pessimista, em que ressalta uma constante preocupação com a morte e as tragédias da vida. Isso, de certa forma, contrasta com a personalidade de Nelson, por toda a vida um boêmio irreverente, inveterado trovador de botequim.

Lançada por Raul Moreno em disco Todamérica, em 1957, "A Flor e o Espinho" só ganharia sua principal gravação, oito anos depois, quando Elizeth Cardoso a incluiu no elepê "Elizeth sobe o morro".

A flor e o espinho (samba, 1957) - A. Caminha, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito - Interpretação: Elizeth Cardoso



(intro) Bm7(b5) E7 Am Am7/G F E7 Am E7 
Am            Am7/G      F
Tire o seu sorriso do  caminho
Bm7(b5)              E7               Am
  Que eu quero passar com a minha dor
A7                       D7
  Hoje pra você eu sou espinho
G7                      C     E7
  Espinho não machuca a flor
Bm7(b5)        E7           Am               Am7/G
   Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
  F              E7           Am  E7
O sol não pode viver perto da lua

Am            Am7/G      F
Tire o seu sorriso do  caminho
Bm7(b5)              E7               Am
  Que eu quero passar com a minha dor
A7                       D7
  Hoje pra você eu sou espinho
G7                      C     E7
  Espinho não machuca a flor
Bm7(b5)        E7           Am               Am7/G
   Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
  F              E7           Am  G#7
O sol não pode viver perto da lua

G7                    Am
  É no espelho que eu vejo a minha mágoa
A7                       Dm
  E minha dor e os meus olhos rasos d'água
Bm7(b5)         E7
  Eu na sua vida
Am            Am7/G
  já  fui uma flor
F                          E7
  Hoje sou espinho em seu amor

Am            Am7/G      F
Tire o seu sorriso do  caminho
Bm7(b5)              E7               Am
  Que eu quero passar com a minha dor
A7                       D7
  Hoje pra você eu sou espinho
G7                      C     E7
  Espinho não machuca a flor
Bm7(b5)        E7           Am               Am7/G
   Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
  F              E7           Am  Am7/G
O sol não pode viver perto da lua
  F              E7           Am  Am7/G
O sol não pode viver perto da lua
  F              E7
O sol não pode viver
         Am   Am
Perto da lua


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Vermelho 27

Vermelho Vinte e Sete (tango, 1956) - Herivelto Martins e David Nasser - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Vermelho 27 / Nasser, David, 1917-1980 (Compositor) / Martins, Herivelto (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1956 / Nº Álbum 801614 / Gênero musical: Tango.

LP O Tango Na Voz De Nelson Gonçalves (reedição) / Título da música: Vermelho 27 / David Nasser, 1917-1980 (Compositor) / Herivelto Martins (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº Álbum: BBL-1154 / Gravação: 1961 / Lado: B / Faixa: 2 / Gênero musical: Tango.



“Jogo no pano... jogo... feito! Vermelho 27!”

Esse homem que hoje passa maltrapilho
Fracassado no seu traje furta-cor
Um dia já foi homem, teve amigos
Teve amores, mas nunca teve amor
Soberano da roleta e da campista
Foi sua majestade o jogador!

Vermelho vinte e sete
Seu dinheiro mil mulheres conquistou
Vermelho vinte e sete
Seu dinheiro tanta gente alimentou
Um rio de champagne sorrindo derramou
E sua mocidade em fichas transformou

“Jogo no pano...jogo...feito! ... Vermelho 27!”

Vermelho vinte e sete
Quando a sorte caprichosa o abandonou
Vermelho vinte e sete
Cada amigo num estranho se tornou
Os ossos do banquete aos cães ele atirou
A vida honra tudo
Num lance ele arriscou...

“Jogo...jogo...feito! Preto 17!”

Deu preto dezessete
Nem um cão entre os amigos encontrou!