domingo, 12 de março de 2006

Cupertino de Menezes


Cupertino de Menezes, compositor, maestro, flautista e violinista nasceu em 18/9/1868 e faleceu em 18/10/1950 na cidade do Rio de Janeiro RJ. Filho de Capitulina Maria da Conceição e Juvêncio Acto de Menezes, nasceu em Porto Alegre, quando lá se detiveram os pais, que atuavam como enfermeiros, ajudando a transportar soldados feridos na guerra do Paraguai. Seu nome foi dado em homenagem ao santo do dia, São José de Cupertino. Quando a guerra terminou, em 1870, a família transferiu-se para o Rio de Janeiro.

Aos 14 anos de idade, ingressou como artífice na Marinha, no Arsenal da Ilha das Cobras. Ali aprendeu inicialmente a tocar trompete, abandonando depois esse instrumento para dedicar-se à flauta. Quando deixou o Arsenal, estudou harmonia e orquestração.

Dirigiu bandas importantes como a da Brigada Policial, a da Casa Faulhaber e a da Casa Edison. Escreveu o chótis Tardes amenas, que se tornou a canção Manhãs de abril ao receber letra do poeta Hermes Fontes. Esta composição foi gravada por vários artistas dentre os quais a atriz Abgail Maia que a incluiu em seu repertório. Posteriormente Catulo da Paixão Cearense também colocou letra em Tardes amenas, chamando-a Fascinação por teus olhos, omitindo o nome de Cupertino quando a inseriu na "Lira dos salões".

Em 1914, Alvarenga Fonseca e Armando Oliveira fizeram uma paródia de Tardes amenas - Lua cheia - para o ator Bernardino Machado, que a cantou na revista "Chuá", imitando um bêbado. Em 1923, fundou a Estudantina Euterpe, onde teve diversos alunos entre os quais o compositor Jaime Ovale.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora

Cupertino

"Grande maestro, flauta fluente e sonoroso "primus interpares" entre seus componentes pelo gosto e modo de exprimir com sentimento as suas produções, e também as de Callado, Rangel, Viriato e de outros tantos por mim descritos. Agora já se acha velho e retirado dos choros, tendo se dedicado ao violino tornando-se um admirador de Paganini. Formou até uma sociedade de aprendizagem de músicos onde tem se aproveitado grande quantidade de moças e moços que já se acham diplomados pelo Instituto de Música. Tem de sua lavra grande quantidade de choros. Apesar de não vê-lo há muito tempo, acho que ainda vive para a felicidade dos seus inúmeros alunos e de seus amigos, que no rol deles se encontra o escritor".

A bela vivenda de Manoel Vianna

"Fui convidado pelo grande Professor Cupertino, para assistir um conjunto de chorões lá para as bandas de Água Santa. Tomando um trem de subúrbios, saltei no Engenho de Dentro, onde esperei um ônibus para aquelas bandas. Depois de muito esperar, enfim, chegou o tal ônibus, onde me foi impossível embarcar, tal o assalto da grande população que ali também esperava. Enfim, pacientemente esperei outro, porque no primeiro fui completamente barrado, pisado, e com a roupa toda amassada. Na chegada do segundo, tomei coragem, e consegui entrar, não sem grande custo. E lá fui no tal veículo que cai daqui, cai para acolá, lá cheguei com os órgãos internos todos soltos de seu competente lugar. Já um pouco distante, já eu ouvia o mavioso som da maravilhosa flauta do Professor Cupertino.

Em passos cadenciados, cheguei à casa, que era um verdadeiro paraíso, onde habitaram nossos primeiros pais. Ao chegar à porteira da casa, visto por Vianna e Cupertino, foi um delírio! Vianna todo sorridente veio me receber à porteira dando-me um abraço que ainda sinto o seu contato. Cupertino recebeu-me sorridente e agradecendo o meu comparecimento ao seu convite. Estavam todos tocando em um belo terraço que tem a sua casa. Sentando-me em uma das cadeiras depois de ter cumprimentado a todos, agarrei de unhas e dentes um mavioso violão, que pousava em cima de uma cadeira, e assim fui fazendo um Mi menor com seus acordes, agradando a todos os componentes do conjunto. Faltava ali um cavaquinho, e tocando eu também este instrumento, Vianna trouxe-me um e entregou-me, eu então o afinando comecei manhosamente a dedilhar contentando mais ou menos a todos.

- Então Cupertino disse: Vamos a um choro? E colocando a sua maviosa flauta aos lábios tocou uma belíssima polca de Callado, que eu felizmente, apesar dos anos passados, ainda me lembrava. Pois todos os chorões sabem que o cavaquinho é um instrumento que nestes choros é de uma necessidade de grande valor. E então o Professor Cupertino, desfiou o rosário, tocando Callado, Viriato, Silveira, Luizinho e outros grandes flautas antigos e modernos, que era uma delícia."

O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - Rio de Janeiro, 1936 (Alexandre Gonçalves Pinto)
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