quarta-feira, 24 de maio de 2006

Como dois e dois




Um rock-balada especial, pois assinado por Caetano Veloso, “Como Dois e Dois” tem seu intérprete ideal em Roberto Carlos, embora possua ainda uma boa gravação de Gal Costa. Na realidade, a composição nasceu de uma visita feita por Roberto a Caetano em seu exílio londrino. De volta ao Brasil, Caetano comporia “Como Dois e Dois”, que representaria uma retribuição à homenagem que recebera de Roberto e Erasmo em “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”.

Mas “Como Dois e Dois” é também uma canção de protesto, deixando transparecer em seus versos ambíguos referências à ditadura (“Tudo certo como dois e dois são cinco”) e ao drama do exílio (“Tudo é igual quando eu canto e sou mudo / (...) / quando você me ouvir chorar / tente, não cante, não conte comigo / falo, não calo, não falo, deixo sangrar / algumas lágrimas bastam pra consolar...”).

“Como Dois e Dois” foi incluída no elepê lançado por Roberto Carlos no final de 71, um dos melhores de sua discografia e que apresentava ainda sucessos como “Detalhes” e a já mencionada “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”. A propósito, o bom relacionamento de Caetano com o rock começou em 1967, quando Maria Bethânia chamou-lhe a atenção para o trabalho de Roberto Carlos, enquanto Gilberto Gil o aproximava dos Beatles.

Numa entrevista publicada no Songbook Caetano Veloso, ele relembrou que por essa época (em 17.7.67) experimentou uma sensação de desencanto ao assistir, ao lado de Nara Leão, em São Paulo, a passagem de uma quixotesca passeata de artistas e estudantes contra “o iê-iê-iê internacionalizante” (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Como dois e dois (1971) - Caetano Veloso
50 52 53 54 C#7
Quando você                 me ouvir cantar,
F#m                              C#7
Venha, não creia, eu não corro perigo.
D          E7             A        F#m
Digo, não digo, não ligo, deixo no ar,
B7                             E7
Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar.
A             C#7
Tudo vai mal, tudo.
F#m                                 C#7
Tudo é igual quando eu canto e sou mudo
D           E7
Mas eu não minto, não minto,
A             F#m   B7
Estou longe, perto, sinto alegria,
             E7
tristezas e brinco.
A         D                                 A
Meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo,
D                                 E7
Tudo certo como dois e dois são cinco.
A          50 52 53 54 C#7
Quando você                 me ouvir chorar
F#m                           C#7
Tente, não cante, não conte comigo.
 D         E7             A       F#m
Falo, não calo, não falo, deixo sangrar
B7                             E7
Algumas lágrimas bastam pra consolar
A             C#7
Tudo vai mal, tudo.
F#m                          C#7
Tudo mudou, não me iludo e contudo
D         E7
A mesma porta sem trinco, 
A                F#m
O mesmo teto, o mesmo teto,
B7                           E7
E a mesma lua a furar nosso zinco.


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