quarta-feira, 24 de maio de 2006

Força estranha

Além de “Como Dois e Dois”, Caetano Veloso ainda compôs mais duas músicas para Roberto Carlos: “Muito Romântico”, uma das melhores faixas de seu elepê de 77 e, no disco seguinte, “Força Estranha”, uma homenagem à figura do cantor, descrevendo os motivos que o fazem cantar, juntamente com alusões à sua vida.

Ao receber a música, Roberto pediu a Caetano permissão para fazer uma alteração, o acréscimo das palavras “no ar”, cobrindo a pausa após o verso “por isso essa força estranha”, alteração que aconteceu na gravação, mas não consta da partitura. Porém, toda vez que Caetano canta a música em shows a platéia se encarrega de acrescentar o tal “no ar”...

A estrutura clássica da balada, A-A-B, com 24 compassos, é repetida duas vezes em função da letra que tem o momento culminante no refrão: “Por isso uma força / me leva a cantar / por isso essa força estranha / por isso é que eu canto / não posso parar / por isso essa voz tamanha.”

A partir deste elepê, os discos de Roberto Carlos passaram a ter as capas dominadas pela cor azul, mantendo-se a praxe do título com apenas o seu nome, o que obriga a uma leitura do repertório para a sua identificação (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Força estranha (1978) - Caetano Veloso
(intro) C  Em  A7  Dm  G7

C
 Eu vi um menino correndo
Em             A7
 Eu vi o tempo  brincando ao redor
                 Dm
Do caminho daquele menino

 E pus os meus pés no riacho
Am
 E acho que nunca os tirei
F
 O sol ainda brilha na estrada
        G7
E eu nunca passei

C                         Em
 Eu vi a mulher preparando outra pessoa
A7                                 Dm
 O tempo parou prá eu olhar para aquela barriga

 A vida é amiga da arte
Am
 É a parte que o sol me ensinou
F
 O sol que atravessa essa estrada
        G7
Que nunca passou

C                     E7
 Por isso uma força       me leva a cantar
Am                      Gm       C7
 Por isso essa força estranha no ar
F                   F#º
 Por isso é que eu canto
C/G           Am
 Não posso parar
D7                   G7
 Por isso essa voz tamanha

C                              Em
 Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
A7                                Dm
 O tempo não para e no entanto ele nunca envelhece

 Aquele que conhece o jogo
Am
 O fogo das coisas que são
F                                    G7
 É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé é a mão

C                            Em
 Eu vi muitos homens brigando ouvi seus grito
A7                       Dm
 Estive no fundo de cada vontade encoberta

 E a coisa mais certa de todas as coisas
Am
 Não vale um caminho sob o sol
F                                           G7
 E o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada é o sol

C                    E7
 Por isso uma força    me leva a cantar
Am                      Gm       C7
 Por isso essa força estranha no ar
F                   F#º
 Por isso é que eu canto
C/G           Am
 Não posso parar
D7               G7
 Por isso essa voz tamanha

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