segunda-feira, 8 de maio de 2006

Vingança

Lupicínio Rodrigues
Realmente não poderia faltar na polêmica Dalva/Herivelto uma composição de Lupicínio Rodrigues, especialista no gênero. Só que esta composição, o samba "Vingança", não seria inspirada pelo caso em questão e sim por mais um episódio da vida sentimental do autor.

Lupicínio vivia havia alguns anos com uma moça chamada Mercedes, mais conhecida por Carioca, quando ela tentou traí-lo com um rapazola, seu empregado. Denunciada pelo garoto, Carioca foi abandonada pelo compositor que, tempos depois, ao saber de seu desespero, "Chorando e bebendo na mesa de um bar", fez o samba amaldiçoando em versos candentes o destino da traidora.

Em 1963, numa crônica para o jornal gaúcho Última Hora, Lupicínio justificou a veemência dos versos: "Nunca se está livre de ter, num momento de rancor, algum desejo de vingança". O primeiro cantor a tomar conhecimento de "Vingança" foi Jorge Goulart, que chegou a interpretá-la na noite do Rio. No entanto Goulart, artista da Continental, não pôde gravá-la por estar Lupicínio na ocasião com um contrato de exclusividade com a RCA. Em vista disso, o autor ofereceu a canção a Herivelto Martins, que a lançou com o Trio de Ouro, embora achando que a música não se adaptava ao estilo do conjunto.

Foi então que Linda Batista, entusiasmada ao ouvi-la na voz de Goulart, gravou "Vingança" que se tornaria o maior sucesso de sua carreira. Aliás, gravou-a duas vezes: a primeira com o conjunto do violinista Fafá Lemos, que foi a gravação consagrada e a segunda, com uma orquestra de cordas, um fonograma pouco conhecido, que só saiu em elepê.

Vingança (samba-canção, 1951) - Lupicínio Rodrigues

Disco 78 rpm / Título: Vingança / Autoria: Rodrigues, Lupicínio, 1914-1974 (Compositor) / Batista, Linda, 1919-1988 (Intérprete) / Conjunto (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 29/05/1951 / Nº Álbum 800802 / Lado A / Lançamento: 08/1951 / Gênero: Samba canção


F                D#º                 Gm
Eu gostei tanto, tanto quando me contaram
                                  C7/9     C7/9-      F
Que lhe encontraram chorando e bebendo na mesa de um bar
        Am                  G#m                Gm
E que quando os amigos do peito por mim perguntaram
    G#      F#        Gm   C7/9     G#     C#  Gm C
Um soluço cortou sua voz, não lhe deixou falar
                    F
Ah, mas eu gostei tanto,
D#º                  D7/9
Tanto quando me contaram
          G6        G5+ Gm    C7/9
Que tive mesmo que fazer esforço
               F      A7 
Pra ninguém notar
     Dm           A7                      Gm
O remorso talvez seja a causa do seu desespero
                        C7        G#    C#     Gm  C
Você deve estar bem consciente do que praticou
     A#7+                F#                Gm   C
Me fazer passar essa vergonha com um companheiro
       Gm                 C7
E a vergonha é a herança maior
                  Am   G#   C#
Que meu pai me deixou
Gm   C7/9     F                      F#5+
    Mas enquanto houver força em meu peito
                   A#
Eu não quero mais nada
      Gm                  C7          G#      C#   Gm  C
Só vingança, vingança, vingança aos santos clamar
      A#                   F
Você há de rolar como as pedras
F#   Gm         C7/9
Que rolam na estrada
          Gm                 C7/9
Sem ter nunca um cantinho de seu
              F
Pra poder descansar

Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
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