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quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Elisa Coelho

Elisa Coelho - 1930
Elisa Coelho (Elisa de Carvalho Coelho), cantora, nasceu em Uruguaiana/RS em 1/3/1909. Seu pai foi tenente do Exército e sua mãe, Acy Carvalho, escritora e jornalista, responsável pela seção feminina de O Jornal, do Rio de Janeiro/RJ.

Elisinha, como era conhecida, costumava cantar acompanhando-se ao piano em reuniões na casa da família, no Rio de Janeiro. Em 1929, um coronel amigo de seu pai e diretor da Rádio Clube do Brasil (hoje Mundial) convidou-a para cantar na emissora.

Em 1930, levada por Josué de Barros, gravou seu primeiro disco na Victor, com A minha viola é de primeira e Capelinha de melão, sambas de Tia Amélia. Seu segundo disco continha os sambas Escrita errada (Joubert de Carvalho) e Iaiazinha (Plinio Brito). Em fins de 1930, convidada por Hekel Tavares, interpretou canções do compositor numa série de recitais na Bahia e outros Estados do Nordeste.

Em 1931, Ary Barroso convidou-a para gravar seu samba-canção No Rancho Fundo. Essa gravação, realizada nos estúdios da RCA Victor com o próprio Ary Barroso ao piano e Rogério Guimarães no violão, projetou nacionalmente a intérprete. Gravou mais músicas de Ary Barroso: em 1931, Terra de iaiá e Batuque, em dueto com Sílvio Caldas, e Tenho saudade e É bamba; em 1932, a canção Primeiro amor e o samba-canção Palmeira triste, entre outras.

Atuando em diversas emissoras, para o Carnaval de 1933 gravou as marchas Coração de picolé (Paulo Neto de Freitas) e Fon-fon (Heitor dos Prazeres). Em 1934 fez suas últimas gravações, com destaque para um disco na RCA Victor em que, acompanhada dos Irmãos Tapajós. interpretou Dança negra (Hekel Tavares e Sodré Viana) e, do outro lado, Humaitá, folclore recolhido por Hekel Tavares, e Biá-tá-tá (Hekel Tavares e Jaime D’Altavilla), e para outro clássico: o samba-canção Caco velho (Ary Barroso), seu único disco na Odeon.

Sua discografia compõe-se de 15 discos com 30 músicas, sendo 11 de autoria de Ary Barroso. Em 1935 e 1936, apresentou-se no Uruguai e na Argentina. Em 1938 foi atriz e cantora na peça Malibu, de Henrique Pongetti, encenada pela Companhia de Raul Roulien.

Apresentou-se no Cassino da Urca, onde também fez duetos com astros internacionais como Pedro Vargas e Jean Sablon e onde, em 1939, ensinou Josephine Baker a cantar em português o samba O que é que a baiana tem? (Dorival Caymmi). Logo depois, deixou a carreira artística.

Em 1989, a gravadora Revivendo lançou o LP No rancho fundo, com interpretações de Elisa Coelho, Jesy Barbosa, Sílvio Caldas e Breno Ferreira.

CDs: Brasil, canto de amor, 1991. Revivendo RVCD 015; Ari Barroso, o mais brasileiro dos brasileiros, 1993, Revivendo RVCD-040.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

sábado, 22 de abril de 2006

Caco velho

Elisa Coelho provavelmente em 1930.

Caco velho (samba-canção, 1934) - Ary Barroso - Intérprete: Elisa Coelho

Disco 78 rpm / Título da música: Caco velho / Ary Barroso (Compositor) / Elisa Coelho (Intérprete) / Rogério e Nogueira [Violões] (Acomp.) / Ary Barroso [Piano] (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 16/07/1934 / Lançamento: 08/1934 / Nº do Álbum: 11143 / Nº da Matriz: 4878 / Gênero musical: Samba-canção / Coleção de origem: Nirez



Orlando Silva grava em junho de 1955, disco selo Copacabana 5415, nº de matriz M-610, a música "Caco velho". Essa gravação foi relançada no álbum "A Voz de Orlando Silva" pela gravadora Discos Marcus Pereira


-----C ---------Db°------------ G7
Reside no subúrbio do Encantado
--------------E7------ Am-- Am/G
Num barracão abandonado
-----------D/Gb-------- G7 --Db° --Dm7 --G7
João de tal, cabra falado.
------C ---------D7-------- G
Dizem que viveu fora da lei,
----------Em
Foi um rei
------------------------A7
Que zombava da morte
-------D7------------ G7
E tinha um santo forte
----------------------C7
No meio da gente bamba
-------------------------------F
O seu prazer era tirar um samba
------Fm----------- C
Pulava, dava rasteira
------A7----- Dm------- G7----- C-- Bb7--- A7
Topava briga de qualquer maneira


--------Dm--- Dm/C -------C ----G7
Mas hoje--------- é um caco velho
------------------C
Que não vale nada
0--------------Bb7 ----------A7 -----------Dm
Tem a cabeça branca e a pele encarquilhada
-----------Fm------- G7----- C
Faz até pena ver o seu estado.
-----Bb7----- A7
Pobre coitado
------------Dm
A vida é essa,
-------------Eb° --------------------C
É um segundo que se esvai depressa.
--------------Bb7------A7-------- Dm
Todos nós temos o nosso momento
--------------G7 --------------C Ab C
E, depois dele, só o esquecimento ...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

No Rancho Fundo

Elisa Coelho, cantora para quem
Ary dedicou No Rancho Fundo
Este samba foi lançado pela cantora Araci Cortes em junho de 1930, na revista É do outro mundo. Na ocasião chamava-se "Este mulato vai ser meu" (com o subtítulo "Na Grota Funda"), e tinha letra do caricaturista J. Carlos (José Carlos de Brito Cunha, autor da revista).

Ouvindo a composição, Lamartine Babo achou ruins os versos "Na Grota Funda / na virada da montanha / só se conta uma façanha / do mulato da Raimunda". Autorizado por Ary Barroso, escreveu nova letra ( "No Rancho Fundo / bem pra lá do fim mundo / onde a dor e a saudade / contam coisas da cidade..."), sendo o samba gravado por Elisa Coelho, no ano seguinte.

O lirismo nostálgico, que predomina na composição, já aparece na introdução instrumental dessa gravação, com o próprio Ary ao piano. A melodia, por sua vez, caminha suavemente em frases descendentes para um final melancólico, em perfeita sintonia com a letra. Quem não gostou da nova versão foi J. Carlos, que julgou a rejeição de sua letra uma desfeita, rompendo com Ary Barroso.

No Rancho Fundo (samba-canção, 1931) - Lamartine Babo e Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título: No rancho fundo / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Coelho, Elisa (Intérprete) / Dois violões (Acompanhante) / Piano (Acompanhante) / Gravadora: Victor / Gravação: 15/06/1931 / Lançamento: 08/1931 / Nº do Álbum: 33444-a / Nº da Matriz: 65164-1 / Gênero: Samba canção


D
No rancho fundo /
Gb7              Bm
Bem pra lá do fim do mundo
Gb7     
Onde a dor e a saudade/
G        Em7   A7     D   
Contam coisas da cidade....

            D
No rancho fundo/
Gb7                    Bm
De olhar triste e profundo
Gb7                   G
Um moreno canta as mágoas
Em7      A7        D       D
Tendo os olhos rasos dӇgua

        B7             Gbm7 B7   Em
Pobre moreno /  Que tarde no sereno
Gm7       Gbm7          Em7     A7                  D   
Espera a  lua no terreiro/ Tendo o cigarro por companheiro
B7          Gbm7 B7 Em
Sem um aceno / Ele pega da viola
Gm7        D            Em7        A7        D    Gm   D
E a lua por esmola / Vem pro quintal deste moreno

       D                   Gb7               Bm
No rancho fundo / Bem pra lá do fim do mundo
Gb7              G            Em7     A7          D     D
Nunca mais houve alegria/ Nem de noite  e nem de dia
D                    Gb7               Bm
Os arvoredos/ Já não contam mais segredos
Gb7          G          Em7     A7         D         D
Que a última palmeira/ Já morreu na cordilheira

    B7            Gbm7     B7        Em
Os passarinhos / Internaram-se nos ninhos
Gm7             D       Bm7       Em7     A7       D      D
De tão triste essa tristeza/ Enche de treva a natureza
B7                  Gbm7    B7       Em
Tudo por que ?   / Só por causa do moreno
Gm7                        D
Que era grande, hoje é pequeno
Em7     A7      D
Para uma casa de sapê  


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34