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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Costa Júnior

Costa Júnior (João José da Costa Júnior), compositor, pianista e revistógrafo, nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 08/11/1868 e faleceu na mesma cidade em 1917. Destacou-se como revistógrafo e compositor, mas foi também diretor de uma companhia lírica.

Em 1898, ingressou como professor do Instituto Profissional e do Conservatório do Rio de Janeiro. Usou também o nome artístico de Juca Storoni, anagrama de Costa Júnior.

Iniciou a carreira de revistógrafo no final da década de 1880, e sua primeira obra para o teatro foi a partitura da revista O homem, de Artur Azevedo.

Em 1889, levou à cena a revista O Bendengó. Nesse ano, regeu sua primeira orquestra no Teatro de Variedades. Em 1890, escreveu a revista O sarrilho, na qual fazia uma crítica à Proclamação da República.

Seu maior êxito como compositor foi a polca No bico da chaleira gravada inicialmente em 1907, pela Banda da Casa Edson na Odeon como música instrumental. Essa composição foi gravada também pela Banda da Casa Faulhaber e Cia em disco da Favorite Record. A mesma Banda da Casa Faulhaber e Cia gravou seu tango Os carapicus. Teve ainda gravada pela Favorite Record o arranjo cômico Carnaval carioca, sem indicação de quem tenha gravado. 

Em 1909, a polca No bico da chaleira tornou-se sucesso carnavalesco fazendo um sátira aos bajuladores do então muito poderoso Senador Pinheiro Machado. Sua letra dizia: "Iaiá me deixa/Subir nesta chaleira/Que eu sou do grupo/Do pega na chaleira". Segundo o livro "A canção no tempo": "Diariamente, o Morro da Graça no bairro de Laranjeiras no Rio de Janeiro era frequentado por dezenas de pessoas - senadores, deputados, juízes, empresários, ou, simplesmente, candidatos a cargos públicos ou mandatos coletivos. A razão da romaria era que no alto do morro morava o general-senador José Gomes Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Consevador, que dominou a política nacional no início do século".

Pois foi satirizando essa situação que surgiu a polca No bico da chaleira que acabaria por consagrar os termos "chaleira" e "chaleirar" como sinônimos de bajulação. Ainda em 1909, No bico da chaleira daria ensejo a uma revista com o mesmo nome de autoria de Ataliba Reis e Raul Pederneiras apresentada no Teatro Apolo, tendo sido gravada nesse ano pelo cantor Tomás de Souza em disco Columbia. 

Também em 1909, foi feito o filme Pega na chaleira com argumento de Gastão Tojeiro inspirado em sua polca Pega na chaleira. 

É de sua autoria o Tango do Amapá, homenagem ao Barão do Rio Branco pela vitória diplomática na questão do Amapá, música gravada pela Banda do Corpo de Bombeiros pela Odeon, e pela Banda do Corpo de Marinheiros Nacionais em disco Victor Record. 

Por volta de 1912, teve a cançoneta O que nasceu primeiro gravada pelo cantor Mário Pinheiro na Victor Record. Em 1913, o dobrado Cruz de Malta e a valsa Esquecida foram gravadas pela Banda do Corpo de Bombeiros pela Odeon. No mesmo ano, a polca Saiu-me boa foi gravada Odeon pela Banda Escudero. 

Provavelmente no mesmo período a Banda do Corpo de Bombeiros gravou as valsas Caresante e Irene pela Columbia, enquanto a Banda Columbia gravou o Tango da sogra, e a Banda da Imprensa Nacional registrou o tango O Peixoto nos ares. Ainda pela Columbia, a Banda do 52º de Caçadores registrou o tango No bico da chaleira, e a Banda so 13º Regimento de Cavalaria lançou o dobrado O politiqueiro. 

De seu repertório teatral foram registrados por volta de 1915 as cançonetas O Zeca Brazurura, pelo cantor Tomás de Souza, e Fala-me logo à saída e Petrópolis no prego (Canção da mulata)", pela cantora Iracema Bastos. Ainda teve gravadas as polcas A coisa é esta, pela Banda da Imprensa Nacional, e A coisa é outra, pela Banda Columbia. 

Por volta de 1916, sua valsa Coração ferido foi gravada na Odeon pela Banda da Casa Edson. Segundo o jornalista Edigard de Alencar, deixou mais de 200 composições.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

sábado, 18 de março de 2006

No bico da chaleira

Banda da Casa Edison - Inícios do séc. XX

Diariamente, o Morro da Graça no bairro das Laranjeiras no Rio de Janeiro era frequentado por dezenas de pessoas - senadores, deputados, juízes, empresários ou, simplesmente, candidatos a cargos públicos ou mandatos eletivos. A razão da romaria era que no alto do morro morava o general senador José Gomes Pinheiro Machado, líder do Partido Republicano Conservador, que dominou a política nacional no início do século.

Pois foi para satirizar o comportamento desses bajuladores que o maestro Costa Júnior (Juca Storoni) fez a animada polca "No Bico da Chaleira", sucesso do carnaval de 1909: "Iaiá me deixe subir nessa ladeira / eu sou do grupo que pega na chaleira...". E tamanha foi a popularidade da composição que acabou por consagrar o uso dos termos "chaleira" e "chaleirar" como sinônimos de bajulador e bajular. Isso porque, dizia-se na época, o pessoal que subia a ladeira da Graça disputava acirradamente o privilégio de segurar a chaleira que supria de água quente o chimarrão do chefe.

Com a morte de Pinheiro Machado, assassinado por um débil mental em 1915, deram seu nome à Rua Guanabara, onde começava a subida para sua casa, na qual passou a funcionar o Colégio Sacre Coeur e tempos depois uma empresa construtora.

No bico da chaleira (polca, 1909) - Juca Storoni (Costa Júnior) - Interpretação: Banda da Casa Edison

Disco 78 rpm / Título da música: No bico da chaleira / Juca Storoni (Compositor) / Banda da Casa Edison (Intérprete) / Gravadora: Odeon Record / Nº do Álbum: 108086 / Nº da matriz: xR619 / Data de Gravação: 1908 / Lançamento: 1908 / Lado único / Gênero musical: Polca / Obs.: Na gravação anuncia "marcha carnavalesca"



Iaiá / Me deixa subir esta ladeira
Eu sou do bloco / Mas não pego na chaleira
Na casa do Seu Tomaz / Quem grita
É que manda mais

Que vem de lá / Bela Iaiá
Ó abre alas / Que eu quero passar
Sou Democrata / Águia de Prata
Vem cá mulata / Que me faz chorar


Neste mesmo ano, Eustórgio Wanderley compôs uma versão mais picante e maliciosa desta polca: No bico da chaleira - versão II, gravada na Casa Edison pelos Os Geraldos.


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34