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quarta-feira, 23 de agosto de 2006
Luís Americano
Luís Americano (Luís Americano Rego), instrumentista e compositor, nasceu em Aracaju SE, em 27/2/1900, e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 29/3/1960. Começou os estudos de clarineta aos 13 anos com o pai, Jorge Americano, mestre-de-banda em Aracaju.
Ingressando no Exército, tornou-se músico do 20º Batalhão de Caçadores, sediado em Maceió AL. Transferido em 1921 para o Rio de Janeiro para servir no 3º Regimento de Infantaria, deu baixa no ano seguinte.
Já dominando o sax-alto e a clarineta, passou a atuar como músico profissional. Integrou diversas orquestras, entre as quais as de Justo Nieto, Raul Lipoff, Simon Bountman e Romeu Silva. No início da década de 1920 participou com destaque de gravações realizadas na Odeon, ainda pelo processo mecânico: Coração que bate, bate..., maxixe (Freire Júnior), gravado em 1922, traz no selo seu nome e do Grupo de Donga.
Em 1928 viajou para a Argentina, levado pelo norte-americano Gordon Stretton, baterista e chefe de orquestra, com quem trabalhou três meses. Integrou em seguida a orquestra do argentino Adolfo Carabelli, regressando em 1930 ao Rio de Janeiro, onde formou o conjunto de danças American Jazz, que gravou na Victor.
Em 1932 passou a integrar o Grupo da Guarda Velha e a partir do mesmo ano foi relançado pela Odeon, revelando-se nessa nova fase como grande compositor e um dos maiores clarinetistas brasileiros. São dessa época os lançamentos de É do que há, choro, e Lágrimas de virgem, valsa, ambos de sua autoria.
Em agosto de 1940 fez parte do grupo de músicos e compositores brasileiros escolhidos por Pixinguinha, a pedido do maestro Villa-Lobos, para realizarem gravações para o maestro Leopold Stokowski (1882—1976), que visitava o Brasil.
Além de atuar por muitos anos no teatro musicado e em dancings, participou como músico de estúdio das orquestras da Rádio Mayrink Veiga — de fins da década de 1930 ate 1950 — e da Rádio Nacional, de 1950 até a morte.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
Lágrimas de virgem
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| Luís Americano |
Lágrimas de virgem (valsa, 1931) - Luís Americano
Disco 78 rpm / Título da música: Lágrimas de virgem / Luiz Americano (Compositor) / Luiz Americano (Intérprete) / Tute [Violão] e Luperce [Bandolim] (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 05/03/1931 / Lançamento: 1931 / Nº do Álbum: 10797-b / Nº da Matriz: 4169 / Gênero: Valsa / Coleções: IMS, Nirez
Meiga flor,
Na luz do teu olhar nasceu,
Um lacrimário de dor,
Porque teu coração,
De pesar reviveu,
O amor,
Que alucinou, teu meigo ser,
Num róseo sonho em flor,
deixando-te no mundo sofrer.
Em fráguas doloridas,
A rolar,
As lágrimas sentidas
Vão levar,
Cheias de suavidade,
Um alívio imenso,
Ao pobre coração,
Que sofre de paixão,
Um pranto torturado,
A correr,
Dois olhos macerados,
De sofrer,
Cheios de poesia,
Dão alívio ao ser,
Que morre de agonia.
Da imensidão do céu a rir,
Suprema luz bendita vi,
Entrelaçar teus olhos,
Perdidos de afeto,
E os anjos liriais meu bem,
Em cantos divinais no além,
Glorificando a dor,
Do teu sonho dileto,
O teu olhar porém chorou,
Serena a luz enfim ficou,
Rebrilhando,
Em ditosa ternura,
Teu coração sossegou,
Doce amor,
Bem feliz de ventura.
Fonte musical: Discografia Brasileira - IMS.
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