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sábado, 26 de agosto de 2006

Na subida do morro

Clássico do samba de breque, de autoria de Geraldo Pereira, que o compôs especialmente para uma peça teatral apresentada no Morro de Mangueira, onde Geraldo então morava, escrita, dirigida e interpretada por ele mesmo, como número de encerramento. Anos mais tarde, Moreira da Silva comprou de Geraldo Pereira os direitos autorais e de gravação da música por um conto e trezentos.

O lançamento se deu pela Continental, em maio-junho de 1952, disco 16553-B, matriz C-2816, mas no selo original e na edição impressa apareceram apenas os nomes de Moreira da Silva e Ribeiro Cunha (fabricante dos chapéus do cantor), sendo o de Geraldo Pereira omitido.

O próprio Moreira reconhecia ser Geraldo o verdadeiro e único autor de "Na subida do morro", e regravaria a música em outras oportunidades, além de interpretá-la no filme "Maria 38" (1959), de Watson Macedo, estrelado pela sobrinha do cineasta, Eliana (Fonte: Samuel Machado Filho - Youtube).

Na Subida do Morro (samba, 1952) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Na Subida do Morro / Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Orquestra Tabajara (Acomp.) / Araújo, Severino (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1951-1952 / Nº Álbum 16553 / Lado B / Lançamento: 1952 / Gênero musical: Samba de breque.


  (A)
Na subida do morro, me contaram   (breque)
  A         E7          A       
Que você bateu na minha nega  
             A7 
Isto não é direito
                        ( D )             
Bater numa mulher que não é sua  (breque) 
                   ( D )
Deixou a nega quase crua (breque)
             Dm                           ( A )
 No meio da rua / A nega quase que virou presunto (breque)
                       ( A )                             Bm
Eu não gostei daquele assunto (breque) / Hoje venho resolvido
                        E7        ( A )
Vou lhe mandar para a cidade de pé junto (breque) 
                      ( A ) 
Vou lhe tornar em um defunto
            Db7                          (Gbm) 
Você mesmo sabe que já fui um malandro malvado (breque)
                  (Gbm)                            Gb7
Somente estou regenerado (breque) /  Cheio de malícia
                           ( Bm )          
Dei trabalho à polícia pra cachorro (breque) 
                    (Bm)
Dei até no dono do morro(breque)
             Bm           Db7                  (Gbm)
Mas nunca abusei de uma mulher que fosse de um amigo (breque)
                   (Gbm)                         Bm  
Agora me zanguei consigo(breque) / Hoje venho animado  
                    E7                    ( A )
A lhe deixar todo cortado / Vou dar-lhe um castigo (breque)
Meto-lhe o aço no abdome e tiro fora
 o seu umbigo (breque)
 
“Aí meti-lhe o aço, hum! Quando ele ia caindo disse: 
Moringueira você me feriu; Eu então disse-lhe: É claro,
você me desrespeitou, mexeu com a minha nega. Você sabe 
quem em casa de vagabundo malandro não pede emprego; 
Como é que você vem com xavecada, está armado; eu quero 
é ver gordura que a banha está cara. Aí meti a mão lá 
na duana, na peixeira, é porque eu sou de Pernambuco, 
cidade pequena, porém decente, peguei o Vargolino 
pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e 
fiz-lhe uma tubagem; ele caiu, bum, todo ensanguentado; 
E as senhoras como sempre nervosas: Meu Deus esse homem 
morre, moço. Coitado olha aí está se esvaindo em
sangue; Ora minha senhora, dê-lhe óleo canforado, 
penicilina, estreptomicina crebiosa, engrazida e até
 vacina Salk; Mas o homem já estava frio; Agora o 
malandro que é malandro não denuncia o outro, espera 
para tirar a forra. Então diz o malandro:”
 
              Db7                                 (Gbm)
Vocês não se afobem que o homem desta vez não vai morrer (breque)
                       (Gbm)          
Se ele voltar dou pra valer (breque) 
              Gb7
Vocês botem terra nesse sangue
                     ( Bm )           
Não é guerra / É brincadeira (breque) 
                    ( Bm )
Vou desguiando na carreira (breque)
               Bm   
A jungusta já vem 
          Db7                  ( Gbm )
E vocês digam que eu estou me aprontando ( breque)
                     ( A )              
Enquanto eu vou me desguiando (breque) 
                  Bm
Vocês vão ao distrito
    E7            (  A )
Ao delerusca, se desculpando (breque)  
Foi um malandro apaixonado
                 ( A )
Que acabou se suicidando.

Jogando com o capeta


Jogando Com o Capeta (samba, 1959) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - O Último Malandro / Título da música: Jogando Com o Capeta / Moreira da Silva (Compositor) / Ribeiro Cunha (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1958 / Nº Álbum: MOFB 3058 / Lado B / Faixa 1 / Gênero: Samba de breque.


Tonalidade: G

Introdução: C7M  C#° G7M  E7 Am  D7  G7M  D7

          G7M                D7
Jogando baralho, no terreiro grande
               G7M
No meio de homens fortes
- eu estava jogando com a sorte
           G7
Um desconhecido chegou, bem vestido
        C7M
E me pediu o corte
- eu disse-lhe “Jogo até com a morte.
             C#dim
Mas se acaso ganhar, não vá sorrir e nem zombar,
                  G7M     
Que hoje é meu companheiro
                 E7
- não vá levar o meu dinheiro
          Am7                        D7
Não sou brigador, mas se perder e não pagar,
            G7M
Eu vou bater no senhor”
- ele me disse ‘és um terror’

         Am7       D7     G7M
Fiz um macete de valete e dama
- o Vargo perde e não reclama

E diz ‘que lama’
G7                           C7M
Puxou de uma bolada e me desacatou,
- depois a sorte me deixou.

Ele tomou do lesco, e desfolhou
C#dim              G7M  
Fiquei sozinho, sem um companheiro
E7
- porque perderam o seu dinheiro
Am7           
Depois ele sorrindo me disse:
D7                     G7M
‘desista porque eu sou trigueiro.
                 Am7
Eu sou o Chico Tintureiro, o Zé Carneiro’. Fiz
     D7                     G7M
Umas paradas mais eu tinha um peso
- eu já estava quase pronto,
        G7                                C7M
Acabei teso. Puxei minha solinje e fiz o “pelo-sinal”

Ele me disse: ‘isto é que é mal’

“Deus me defenda do senhor”,
   C#dim                G7M  
falei em Deus mas sem má intenção.
          E7     
Mas para mim foi muito bom,
       Am7
porque deu um estouro e sumiu,
    D7             G7M
Era o capeta, mete cabelão
- mas que cheirinho de alcatrão.

Dormi no molhado


Dormi No Molhado (samba, 1942) - Moreira da Silva, Tancredo Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - O Último Malandro / Título da música: Dormi no Molhado / Moreira da Silva (Compositor) / Tancredo da Silva / Ribeiro Cunha (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1958 / Nº Álbum: MOFB 3058 / Lado A / Faixa 5 / Gênero: Samba de breque.

Disco 78 rpm / Título da música: Dormi no Molhado / Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Tancredo (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1942 / Nº Álbum 12144 / Lado A / Gênero musical: Samba:


Tonalidade: C

Introdução: F Ebdim C Am7 Dm7 G7 C Am7 Dm7  G7  C

                    C            G7                C
Eu quando vejo um rapaz, da sua idade estendendo a mão –
Dele não tenho compaixão
              C                       C7  
Porque não me conformo ver um homem de talento
                F
não querer trabalhar

Sente, meu velho, tou mais duro do que beira de sino,
Vê se tu me arranja uma nota aí prá pegar um prato feito
É, um P. F. um aparelho da zona acumulada.
        F                       Fm
Eu também já passei fome, já sofri e não morri,
               C                             Am7
Estou aqui de lição - e ninguém vai dizer que não.
                Dm7                   G7
Eu já dei atrapalhado, eu já andei afanado,
                   C
Mas nunca pedi tostão - acho que estou com a razão.
                                    G7
Eu enfrentei uma marreta, na pedreira São Diogo,
                           C
Quebrando pedra roliça - passando a pão e a linguiça.
                        C7                        
Dormia no cais do porto, no meio da sacaria,
              F
onde o rato dormia –
                   Fm
Onde ventava e chovia. Quando o dia amanhecia,
vinha o chefe da limpeza,
          C                         Am7
Jogando água fria - vejam só como eu saía.
         Dm7                       G7
Sem café e sem cigarro, sem saber prá onde ia,
                     C
Sem tostão e sem vintém - mas nunca pedia a ninguém.
                      G7
Cortei asfalto na linha, fui vendedor de galinha,
                      C
Carreguei cesto na feira - eu fui garçom de gafieira.
                          C7    
Comia numa vendinha, que só fritavam sardinha,
                    F
Com azeite de lamparina - eu só cheirava a gasolina.
                      Fm
Fui peixeiro, carvoeiro, fui carteiro, fui bicheiro
                C                            Am7
Apanhei como ladrão - mas não mudei de opinião.
                 Dm7                        G7
E como sou caprichoso, hoje me sinto outro homem,
                  C
Até já mudei meu nome
- oi, já me disseram até que eu virava lobisomem.
F  Ebdim  C  Am7  Dm7  G7  C  Am7  Dm7  G7  C

Chang-Lang


Chang-Lang (samba, 1957) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - O Último Malandro / Título da música: Chang-Lang / Moreira da Silva (Compositor) / Ribeiro Cunha (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1958 / Nº Álbum: MOFB 3058 / Lado B / Faixa 06 / Gênero: Samba de breque.


Tom:F

Intr.: Bb  Bbm  F  D7  Gm  C7  F F7
Bb  Bbm  F  D7  Gm  C7  F  C7

      F                        
Eu fui ao restaurante chinês, 
                              F#°    Gm
e peguei o gordurame, sem ter o arame.
   C7                                     
E disse ao China, “prá semana pagarei” - 
                                    F
O Chang-Lang se queimou comigo sem ter razão.
                      D7                  
É, na durindana disse: “Aqui não é pensão, 
          Gm
se você quer comer de graça, você tem que trabalhar.
 Bb        B°           F/C          D7  
Ou deixe em depósito seu chapéu de palha. 
         Gm                      C7         F
Vá se embora por favor, que eu não sou seu pai”

A7                    Dm                D7      
Na alta roda de malandros sempre fui considerado, 
             Gm
  um batuqueiro respeitado.
                           Dm          
Me queimei com a ignorância do chinês, 
               E7                 A7
e dei-lhe uma fritada pra servir de lição.
 
E disse: “Chang, se aguenta. 
Vá por mim que eu sou direito.
   Dm               D7                    Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras. 
‘Time is money’ quer dizer 
          Dm     
Tempo é dinheiro, 
            E7                A7        Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.
 
Eu pago a conta prá semana. Agüenta aí”. 
     A7                          Dm       
Dificilmente o malandro perde o controle. 
                           D7
Eu disse: “Está bem, vou pagar”, 
        Gm              
Meti a mão lá na aduana. 
                                     Dm
Mas ao invés de grana puxei da minha navalha.
   E7                              A7
Tomei o meu chapéu de palha prá poder me desguiar
 
“Mas Chang, o que é que há? Tá desconfiando do seu camarada? 
     Dm           D7                     Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras. 
‘Time is money’ quer dizer 
          Dm     
Tempo é dinheiro, 
                E7          A7          Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.
 
Eu pago a conta prá semana. Agüenta aí”
 
(solo):  

F  F#°  Gm  C7   F  D7  Gm  Bb  B°  F/C  D7  Gm  C7  F

    A7                                  
Dificilmente o malandro perde o controle. 
     Dm                    D7
Eu disse: “Está bem, vou pagar”, 
        Gm                
Meti a mão lá na aduana. 
                                          Dm
Mas ao invés de grana puxei da minha navalha.
   E7                                   A7
Tomei o meu chapéu de palha prá poder me desguiar
 
E disse: 
“O Chang, o que é que há? Eu conheço a tua terra, hein? 
Dm                  D7                    Gm
Se eu me agarro com você derrubo todas prateleiras.
                              Dm              
 ‘Time is money’ quer dizer tempo é dinheiro, 
                 E7        A7           Dm
o velho tempo é grana e eu estou na durindana.
Eu pago a conta prá semana” - Neca.

Gm  A7 D

Bamba de Caxias

Moreira da Silva
Bamba de Caxias (samba, 1953) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Bamba de Caxias / Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Astor (Acomp.) / Conjunto (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1953-1954 / Nº Álbum 16949 / Lado A / Lanç.: 1954 / Gênero musical: Samba de breque.


Tonalidade: E

Intro:  E7  A  B7  E E7  A  B7  E

        F#m              B7   
Sou nordestino, um homem fino, 
                  E
com diploma de doutor – 
Sou deputado, sim senhor.
            E                   E7      
Palavra inflamada, orgulho da bancada, 
                    A
da qual sou grande valor – E também grande orador.
        A                           Bb°    
Fico enfezado, quando alguém em mal estado, 
                 E
vem a mim pra revelar:

- “Doutor Tenório, o seu comissa quer me arrebentar,
Será que o doutor não vai providenciar…”

                F#m    
Que me queimo de estalo, 
           B7                      E
e lá da tribuna solto o meu vocabulário:

 
- Senhor Presidente, protesto contra certa autoridade, 
Que anda dando em homem de idade, 
em pleno coração da cidade.

         G#                          C#m7
Arranjo emprego prá quem está desempregado.
        B7                      E
Arranjo água prá quem tem cano furado.
       Eb7                        G#m
Sou pistolão e amigão de qualquer um, 
                   Eb7                            G#m
Mesmo de quem tem dinheiro, mesmo de quem vive a vida 
B      B7                                     E
Sem nenhum. Eu sou protetor de quem é fraco e oprimido. 
              G#                          C#m7    C#7
Eu nunca fui fingido como alguns colegas meus. 
        F#m                        C#m7   
Graças a Deus, eu sou um homem respeitado, 
                  A7
glória do meu estado, 
   G#7             C#m7  
O maior e sem igual - 
E qualquer um quer ser meu cabo eleitoral.
 
- Se não votar por bem…vota por mal…
              G#                      C#m7
A minha capa preta não tem medo de careta,
             C#7                           F#m
Não dispenso parada, nem por nada deste mundo,
                                         C#m
Se alguém folga comigo, me avexo ou perco a linha,
            A          G#7         C#m7
Aí eu taco o dedo no gatilho da Lurdinha…Brrrr
 
- Que tosse que é uma belezinha. Brrrr.
                        
E tem fogo prá dez dias. 
                                      E
Eu sou o revertério ad locum tum lá de Caxias.