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quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Teddy Vieira

Teddy Vieira (Teddy Vieira de Azevedo), compositor, nasceu em Itapetininga/SP em 23/12/1922 e faleceu em 16/12/1965. Fez o curso primário em Itapetininga e em seguida transferiu-se para São Paulo, onde concluiu o secundário.

Aos 18 anos já escrevia versos de inspiração sertaneja. Serviu o Exército em 1946 e, dois anos depois, teve suas primeiras músicas gravadas, pela dupla Mineiro e Manduzinho, que lançou, em etiqueta particular, Preto de alma branca (com Lauripe Pedroso) e João de barro (com Muibo Cury), esta com várias regravações de sucesso, entre as quais a de Sérgio Reis, em 1974, na RCA.

Entre 1948 e 1949 Palmeira e Biá lançaram, pela Victor, Couro de boi (com Palmeira), número incluído no repertório de diversas duplas de violeiros. O cururu O menino da porteira (com Luisinho), lançado em 1955 por Luisinho, Limeira e Zezinha, na Victor, consagrou-o como compositor e é considerado um clássico da música regional brasileira. Essa composição conta com inúmeras regravações, entre as quais a de Tião Carreiro na Chantecler, em 1968, e a de Sérgio Reis, em 1973, na RCA.

Em 1956, passou a ser diretor sertanejo da Columbia, criando a dupla Tião Carreiro e Pardinho, que obteve sucesso com Cavaleiros do Bom Jesus (com João Alves e Nhô Silva). Nesse mesmo ano foi gravado na Columbia, por Moreno e Moreninho, o cururu Treze de Maio (com Riachão e Riachinho), regravado em 1968 por Moreninho e Minuano, na Chantecler.

Ainda na Columbia, por 1956-1957, lançou em disco a dupla Zico e Zeca, com composições que marcaram época, como a Enxada e a caneta (com o Capitão Barduino), que também foi seu parceiro, junto com Serrinha, na moda-de-viola Besta bailarina e Força do destino. Essa mesma dupla gravou, tambem na Columbia, na mesma época, Namoro no portão, que teve grande sucesso.

Tião Carreiro e Pardinho lançaram em 1957, ainda na Columbia, Boiadeiro punho de aço (com Pereira), regravada com sucesso por Pedro Bento e Zé da Estrada, em 1963, na Chantecler. Em 1958, foi para a Chantecler, onde ficou como assessor do Palmeira, diretor artístico da gravadora. Nesse mesmo ano, Liu e Léu gravaram Rei do café. Essa composição conta inúmeras regravações, entre as quais a de Tião Carreiro, em 1961, na Chantecler, e a de Inesita Barroso, em 1972, na Copacabana.

Em 1960 compôs, em parceria com Lourival dos Santos, Pagode em Brasília, e com Nelson Gomes O mineiro e o italiano, gravadas por Tião Carreiro e Pardinho na Chantecler, sucesso até hoje. Nesse mesmo ano, Vieira e Vieirinha lançaram, pela Chantecler, a composição em parceria com Alceu Maynard Araújo, Rio Preto.

A dupla Sulino e Marrueiro, em 1961, lançou pela Chantecler Morena de olhos pretos (com Ado Benatti), além de outras composições suas. Em 1962, após a saída de Palmeira da Chantecler, continuou como assistente artístico da direção.

Bandeireiro do Divino (com Alves Lima), gravado por Tonico e Tinoco, em 1964, foi um dos maiores sucessos da Chantecler nesse ano. Em 1965, Alberto Calçada gravou a valsa Mariazinha (com Palmeira).

Em 1965 Nísio e Nestor fizeram sucesso com Cigana (com Salvador dos Santos Dias). Pedro Bento e Zé da Estrada, no mesmo ano e nessa gravadora, lançaram com sucesso Meu Amigo (com Nísio). Até hoje tem mais de 200 composições gravadas.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Couro de boi

Palmeira e Biá.

Couro de Boi (toada, 1954) - Palmeira e Teddy Vieira - Intérprete: Palmeira e Biá

Disco 78 rpm / Título da música: Couro de Boi / Palmeira (Compositor) / Teddy Vieira (Compositor) / Palmeira e Biá (Intérprete) / Gravação: RCA Victor / Ano: 1954 / Álbum nº 80.1337 / Lado A / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo


(intro 2x) C D Bm Em Am D G

(declamado - sobre intro)
Conheço um velho ditado, que é do tempo dos agáis.
Diz que um pai trata dez filhos, dez filhos não trata um pai.
Sentindo o peso dos anos sem poder mais trabalhar,
o velho, peão estradeiro, com seu filho foi morar.
O rapaz era casado e a mulher deu de implicar.
"Você manda o velho embora, se não quiser que eu vá".
E o rapaz, de coração duro, com o velhinho foi falar:
G                    D                         G
Para o senhor se mudar, meu pai eu vim lhe pedir
 G                    D                    G
Hoje aqui da minha casa o senhor tem que sair
C                       G
Leve este couro de boi que eu acabei de curtir
D                                              G
Pra lhe servir de coberta aonde o senhor dormir

( C D Bm Em Am D G )

 G                D                      G
O pobre velho, calado, pegou o couro e saiu
G                 D                             G
Seu neto de oito anos que aquela cena assistiu
 C                    G
Correu atrás do avô, seu paletó sacudiu
D                                      G
Metade daquele couro, chorando ele pediu

( C D Bm Em Am D G )

G                 D                          G
O velhinho, comovido, pra não ver o neto chorando.
G                  D                      G
Partiu o couro no meio e pro netinho foi dando
C                        G
O menino chegou em casa, seu pai foi lhe perguntando.
 D                                                G
Pra quê você quer este couro que seu avô ia levando

( C D Bm Em Am D G )

G                 D                      G
Disse o menino ao pai: um dia vou me casar
G                   D                    G
O senhor vai ficar velho e comigo vem morar
C                      G
Pode ser que aconteça de nós não se combinar
D                                           G
Essa metade do couro vai dar pro senhor levar

Couro de boi

Palmeira e Biá.

Couro de Boi (toada, 1954) - Palmeira e Teddy Vieira - Intérprete: Palmeira e Biá

Disco 78 rpm / Título da música: Couro de Boi / Palmeira (Compositor) / Teddy Vieira (Compositor) / Palmeira e Biá (Intérprete) / Gravação: RCA Victor / Ano: 1954 / Álbum nº 80.1337 / Lado A / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo


(intro 2x) C D Bm Em Am D G

(declamado - sobre intro)
Conheço um velho ditado, que é do tempo dos agáis.
Diz que um pai trata dez filhos, dez filhos não trata um pai.
Sentindo o peso dos anos sem poder mais trabalhar,
o velho, peão estradeiro, com seu filho foi morar.
O rapaz era casado e a mulher deu de implicar.
"Você manda o velho embora, se não quiser que eu vá".
E o rapaz, de coração duro, com o velhinho foi falar:
G                    D                         G
Para o senhor se mudar, meu pai eu vim lhe pedir
 G                    D                    G
Hoje aqui da minha casa o senhor tem que sair
C                       G
Leve este couro de boi que eu acabei de curtir
D                                              G
Pra lhe servir de coberta aonde o senhor dormir

( C D Bm Em Am D G )

 G                D                      G
O pobre velho, calado, pegou o couro e saiu
G                 D                             G
Seu neto de oito anos que aquela cena assistiu
 C                    G
Correu atrás do avô, seu paletó sacudiu
D                                      G
Metade daquele couro, chorando ele pediu

( C D Bm Em Am D G )

G                 D                          G
O velhinho, comovido, pra não ver o neto chorando.
G                  D                      G
Partiu o couro no meio e pro netinho foi dando
C                        G
O menino chegou em casa, seu pai foi lhe perguntando.
 D                                                G
Pra quê você quer este couro que seu avô ia levando

( C D Bm Em Am D G )

G                 D                      G
Disse o menino ao pai: um dia vou me casar
G                   D                    G
O senhor vai ficar velho e comigo vem morar
C                      G
Pode ser que aconteça de nós não se combinar
D                                           G
Essa metade do couro vai dar pro senhor levar

Boiadeiro errante


Boiadeiro Errante (toada, 1959) - Teddy Vieira - Intérprete: Liu e Léu

LP Felicidade De Caboclo / Título da música: Boiadeiro Errante / Teddy Vieira (Compositor) / Liu e Léu (Intérprete) / Gravadora: Continental / Ano: 1963 / Álbum: CS-LP-6.043 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo


Tom: G

         G            D7           G
  eu venho vindo de uma querência distante
         D7          G                         D7
  sou um boiadeiro errante que nasceu naquela serra
                      C              D7
  o meu cavalo corre mais que o pensamento
       C            D7                       G
  ele vem no passo lento porque ninguém me espera
              D7                                       G
  tocando a boiada auê-uê-uê-ê boi  eu vou cortando estrada uê boi
               D7                                       G
  tocando a boiada auê-uê-uê-ê boi  eu vou cortando estrada
                          D7         G
  toque o berrante com capricho Zé Vicente
         D7         G                     D7
  mostre para essa gente o clarim das alterosas
                          C           D7
  pegue no laço não se entregue companheiro
           C           D7                      G
  chame o cachorro campeiro que essa rez é perigosa
            D7                                 G
  olhe na janela auê uê uê ê boi  que linda donzela uê boi
            D7                                 G
  olhe na janela auê uê uê ê boi  que linda donzela
                       D7               G
  sou boiadeiro minha gente o que é que há
           D7         G                           D7
  deixe o meu gado passar vou cumprir com a minha sina
                        C         D7
  lá na baixada quero ouvir a siriema
          C             D7                        G
  prá lembrar de uma pequena que eu deixei lá em Minas
           D7                                       G
  ela é culpada auê uê uê ê boi  de eu viver nas estradas uê boi
           D7                                       G
  ela é culpada auê uê uê ê boi  de eu viver nas estradas
                       D7          G
  o rio tá calmo e a boiada vai nadando
         D7          G                       D7
  veja aquele boi berrando Chico Bento corre lá
                       C          D7
  lace o mestiço salve êle das piranhas
          C          D7                    G
  tire o gado da campana pra’ viagem continuar
                  D7                                   G
  com destino a Goiás auê uê uê ê boi  deixei Minas Gerais uê boi
                  D7                                   G
  com destino a Goiás auê uê uê ê boi  deixei Minas Gerais uê boi

Boiadeiro errante


Boiadeiro Errante (toada, 1959) - Teddy Vieira - Intérprete: Liu e Léu

LP Felicidade De Caboclo / Título da música: Boiadeiro Errante / Teddy Vieira (Compositor) / Liu e Léu (Intérprete) / Gravadora: Continental / Ano: 1963 / Álbum: CS-LP-6.043 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo


Tom: G

         G            D7           G
  eu venho vindo de uma querência distante
         D7          G                         D7
  sou um boiadeiro errante que nasceu naquela serra
                      C              D7
  o meu cavalo corre mais que o pensamento
       C            D7                       G
  ele vem no passo lento porque ninguém me espera
              D7                                       G
  tocando a boiada auê-uê-uê-ê boi  eu vou cortando estrada uê boi
               D7                                       G
  tocando a boiada auê-uê-uê-ê boi  eu vou cortando estrada
                          D7         G
  toque o berrante com capricho Zé Vicente
         D7         G                     D7
  mostre para essa gente o clarim das alterosas
                          C           D7
  pegue no laço não se entregue companheiro
           C           D7                      G
  chame o cachorro campeiro que essa rez é perigosa
            D7                                 G
  olhe na janela auê uê uê ê boi  que linda donzela uê boi
            D7                                 G
  olhe na janela auê uê uê ê boi  que linda donzela
                       D7               G
  sou boiadeiro minha gente o que é que há
           D7         G                           D7
  deixe o meu gado passar vou cumprir com a minha sina
                        C         D7
  lá na baixada quero ouvir a siriema
          C             D7                        G
  prá lembrar de uma pequena que eu deixei lá em Minas
           D7                                       G
  ela é culpada auê uê uê ê boi  de eu viver nas estradas uê boi
           D7                                       G
  ela é culpada auê uê uê ê boi  de eu viver nas estradas
                       D7          G
  o rio tá calmo e a boiada vai nadando
         D7          G                       D7
  veja aquele boi berrando Chico Bento corre lá
                       C          D7
  lace o mestiço salve êle das piranhas
          C          D7                    G
  tire o gado da campana pra’ viagem continuar
                  D7                                   G
  com destino a Goiás auê uê uê ê boi  deixei Minas Gerais uê boi
                  D7                                   G
  com destino a Goiás auê uê uê ê boi  deixei Minas Gerais uê boi

domingo, 28 de maio de 2006

João de barro


João de barro (1973) - Teddy Vieira e Muybo Cury - Interpretação: Sérgio Reis

Compacto simples / Título da música: João de Barro / Teddy Vieira (Compositor) / Muybo Cury (Compositor) / Sérgio Reis (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1974 / Álbum: 101.0257 / Lado A / Gênero musical: Regional / Sertaneja


E|-------2-2-5-2-2-2-5-2-3-3-7-3-3-3-7-3-3-3-1-1-0-0---|
B|-0-1-2-3-3-3-3-3-3-3-3-5-5-5-5-5-5-5-5-0-0-0-0-0-0---|
G|---------------------------------------------------2-|

          E7                       A
O João de Barro pra ser feliz como eu
               E7                    A
Certo dia resolveu arranjar uma companheira
          E7        D          A
Num vai e vem com o barro da biquinha
              Bm          E7          A
Ele fez uma casinha lá no galho da Paineira

       E7                   A
Toda manhã o pedreiro da floresta
                Bm           E7            A
Cantava fazendo festa pra'quela que tanto amava
            E7    D          A         
Mas quando ele ia buscar o raminho
                   Bm          E7          A
Para construir seu ninho, seu amor lhe enganava

          E7           D           A
Mas nesse mundo o mal feito é descoberto
                     Bm          E7         A
João de Barro viu de perto sua esperança perdida
        E7           (D     E7)  A
Cego de dor trancou a porta da morada
                 Bm         E7           A
Deixando lá sua amada presa pro resto da vida

         E7          D          A                   
Que semelhança entre o nosso fadário
                   Bm              E7             A
Só que eu fiz o contrário do que o João de Barro fez
         E7         D           A 
Nosso Senhor me deu força nesta hora
                     Bm           E7          A
A ingrata eu pus pra fora... onde anda eu não sei

quinta-feira, 11 de maio de 2006

O menino da porteira

Teddy Vieira
Um dos maiores compositores da música caipira, Teddy Vieira teria em "O Menino da Porteira" o seu primeiro grande sucesso. Cantada em como manda a tradição do gênero, a composição foi gravada pelo por Luizinho (Luís Raimundo) em dupla com Limeira (Ivo Raimundo), acompanhados por viola caipira de cinco cordas dobradas, violão e o som de um berrante de chifre de boi.

A letra conta a história de um boiadeiro que sempre presenteava com uma moeda um menino que lhe abria a porteira para dar passagem ao gado e sempre queria ouvir o berrante. Tempos depois o menino é morto por um boi e o boiadeiro nunca mais volta a tocar o berrante.

Em 1973, "O Menino da Porteira" ressurgiu em gravações de Tião e Pardinho e do ex-cantor da Jovem Guarda Sérgio Reis. O sucesso foi tão grande que Sérgio decidiu utilizar o poema como enredo de um solidificou sua carreira de cantor sertanejo.

O menino da porteira (cururu, 1955) - Teddy Vieira e Luizinho - Intérpretes: Luizinho e Limeira


A
Toda vez que eu viajava
                      E
Pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava
                  A
A figura de um menino

Que corria abrir a porteira
                   E
Depois vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço
          D     E     A
Que é pra eu ficar ouvindo
       D
Quando a boiada passava
                  E
E a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda
            A
Ele saia pulando
Obrigado boiadeiro
                        E
Que Deus vá lhe acompanhando
Pra aquele sertão afora
        D     E    A    (E A E A E A E A E A)
Meu berrante ia tocando

A
No caminho desta vida
                         E
Muito espinho eu encontrei
Mas nenhum caso mais fundo
                   A
Do que isso que eu passei

Na minha viagem de volta
                      E
Qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada
     D    E        A
O menino não avistei
 D
Apeei do meu cavalo
                        E
Num ranchinho à beira chão
Vi uma mulher chorando
                     A
Quis saber qual a razão
Boiadeiro veio tarde
                     E
Veja a cruz no estradão
Quem matou o meu filhinho
        D   E       A  (E A E A E A E A E A)
Foi um boi sem coração
A
Lá pra banda de Ouro Fino
                 E
Levando gado selvagem
Quando passo na porteira
                 A
Até vejo a sua imagem

O seu rangido tão triste
                    E
Mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro
     D     E    A
desejando-me boa viagem
    D
A cruzinha do estradão
                       E
Do meu pensamento não sai
Eu já fiz um juramento
                   A
Que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure
                     E
Que eu precise ir atrás
Nesse pedaço de chão
     D           E     A
Berrante eu não toco mais

( E A E A E A E A E A )


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Wikipédia.