Nem é bom falar disputa com o Antonico o título de samba mais popular de Ismael. Outro sucesso do carnaval de 31, também na voz de Chico Viola, marcou uma curiosidade: o acompanhamento de um grupo de vida curta intitulado Bambas do Estácio, com Ismael e Nilton entre eles. Repetiu o sucesso 40 anos depois, quando regravado por Mário Reis: “Nem tudo o que se diz, se faz / Eu digo e serei capaz / De não resistir / Nem é bom falar / Se a orgia se acabar (...)”
Disco 78 rpm / Título da música: Nem é bom falar / Francisco Alves (Compositor) / Ismael Silva, 1905-1978 (Compositor) / Nilton Bastos (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Bambas do Estácio (Acompanhante) / Gravadora: Odeon / Gravação: 27/11/1930 / Lançamento: 01/1931 / Nº do Álbum: 10745-a / Nº da Matriz: 4067-1 / Gênero: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez
Nem tudo que se diz se faz
Eu digo e serei capaz
De não resistir
Nem é bom falar
Se a orgia se acabar
(Tu, falas muito, meu bem
E precisas deixar
Tu falas muito, meu bem
E precisas deixar
Senão eu acabo
Dando pra gritar na rua
Eu quero uma mulher bem nua.)
Mas esta vida
Não há quem me faça deixar
Por falares tanto
A polícia quer saber
Se eu dou meu dinheiro todo a você
Até que enfim
Eu agora estou descansado
Até que enfim
Eu agora estou descansado
Ela deu o fora
Foi morar lá na Favela
E eu não quero saber mais dela
Lançada originalmente no teatro de revista na peça Café com Música onde se destacava a famosa cantora Araci Cortes, composição essa que se tornaria peça obrigatória nas apresentações de Noel Rosa; nesta composição Noel demonstra todo seu fino humor, sua imensa verve satírica e sua facilidade em retratar as características peculiares dos tipos humanos da sociedade brasileira dos anos 30, especificamente do Rio de Janeiro, capital da República do Brasil.
Noel inclusive gravou sua composição Gago apaixonado e costumava dizer em tom de deboche que o que mais gostava nesta música era o fato de "esta meus vizinhos não conseguem cantar" (Dárcio Fragoso).
Gago apaixonado (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Noel Rosa ("Noel Rosa - Pela Primeira Vez", 2002)
Intr.:(E°G°G/BE7/G#A7D7/F#GG/FE°G°G/BE7/G#A7D7/F#G)
GA#°G/B
Mu... mu... mulher, em mim fi... zeste um estrago
A#°G/BE7Am
Eu de nervoso esto... tou fi... ficando gago
E7/BAmB7B7/D#Em
Não po... posso com a cru... crueldade
A7/C#A7
Da saudade, Que... que mal... maldade
D7D/C
Vi... vivo sem afago
G
Tem tem... tem pe... pena
D7GEm
Deste mo... mo... moribundo, que... que já virou
B7EmE7/G#
Va... va... va... va... ga... gabundo
Am
Só... só... só... só...
Cm6/EbC#°G/D
Por ter so... so... sofri... frido
E7
Tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu...
A7D7G
Tu tens um co... coração fi... fi... fingido
*Repete Introdução*
GA#°G/B
Mu... mu... mulher, em mim fi... zeste um estrago
A#°G/BE7Am
Eu de nervoso esto... tou fi... ficando gago
E7/BAmB7B7/D#Em
Não po... posso com a cru... crueldade
A7/C#A7
Da saudade, Que... que mal... maldade
D7D/C
Vi... vivo sem afago
GD7G
Teu teu co... coração me entregaste
Em
De... de... pois... pois...
B7EmE7/G#
De mim tu to... toma... maste
AmCm6/EbG/D
Tu... tua falsi... si... sidade é pro... profunda
E7
Tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu...
A7D7G
Tua vais fi... fi... ficar corcunda!
"Faceira" é um samba animado e alegre, característico do estilo musical popularizado nas décadas de 1920 e 1930. A letra da música retrata uma mulher alegre e brincalhona, que encanta a todos com sua beleza e simpatia. A composição de Ary Barroso é habilmente construída, com versos bem-humorados e ritmo contagiante.
Sílvio Caldas (foto), com sua interpretação única e talento vocal, deu vida a essa música. Sua voz suave e emotiva combinou perfeitamente com o estilo do samba, tornando a gravação um sucesso na época. Caldas foi um dos grandes nomes da música brasileira, conhecido por sua técnica vocal refinada e por sua capacidade de transmitir emoção através de suas performances.
A gravação de "Faceira" por Silvio Caldas em 1931 marcou um momento importante na carreira de ambos. A música se tornou um dos primeiros sucessos de Ary Barroso como compositor e consolidou Caldas como um dos grandes intérpretes da música popular brasileira.
Ao longo dos anos, continuou a ser regravada por diversos artistas, mantendo-se como um clássico do samba. A canção representa um período rico da música brasileira, que influenciou gerações futuras de compositores e cantores.
Disco 78 rpm / Título da música: Faceira / Ary Barroso (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33446-a / Nº da Matriz: 65158-1 / Gravação: 09/06/31 / Lançamento: 07/1931 / Gênero musical: Samba
D7+/9 G5-/7 D7+/9 F#m5-/7
Foi num samba de gente bamba
E5+/7
Ô gente bamba
Em7 A6/7 D7+/9
Que eu te conheci, faceira
E7/9
Fazendo visagem
Em7/9 A6/7
Passando rasteira
Que bom, que bom, que bom
A6/7 Em7/9
E desceste lá do morro
A6/7 D7+/9
Pra viver cá na cidade
C#m5-/7
Deixando os companheiros
F#5+/7 Bm7 Am7
Quase loucos de saudade
D7/9 G7+
Linda criança
C7/9 D6/7 C#5+/7
Tenho fé, tenho esperança
C6/7 B5+/7 E7/9
Que algum dia hás de voltar
A6/7 D7+/9
Direitinho ao teu lugar
(O vamo embora agora ... foi num ...)
A6/7 Em7/9
Quando rompe a batucada
A6/7 D7+/9
Fica a turma aborrecida
C#m5-/7
O pandeiro não dá nada
F#5+/7 Bm7
Oi, a barriga recolhida
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Em 1931, os românticos Joubert de Carvalho e Olegário Mariano realizaram uma incursão na área sertaneja com o cateretê "De Papo pro Á". A composição expõe com muita graça a "filosofia" de um caipira esperto que leva a vida pescando e "tocando viola de papo pro á".
Curiosamente, este cateretê vem pelos anos afora sendo cantado com um erro na letra. O fato foi descoberto nos anos cinqüenta pelo pesquisador Paulo Tapajós, que estranhava os versos: "Se compro na feira feijão, rapadura / pra que trabalhar?". Quem compra geralmente trabalha... Foi o próprio Olegário quem lhe esclareceu: "o verso correto é 'se ganho na feira feijão, rapadura'. Acontece que, na primeira gravação, Gastão Formenti cantou 'se compro', cristalizando-se o erro a partir desse disco".
De Papo Pro Á (cateretê, 1931) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
Disco 78 rpm / Título da música: De Papo Pro Á / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra Típica (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33469 / Nº da Matriz: 65226-2 / Gravação: 28/08/1931 / Lançamento: Out/1931 / Gênero musical: Rumba (classificação musical contestável...)
Título da música: De Papo Pro Á / Joubert de Carvalho (Compositor) / Olegário Mariano (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / LP "Luar do Sertão - Músicas de Catulo e Joubert", Fontana, 1972)
E
Não quero outra vida
B7
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
E
De dá com o pé
B7
Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
EB7EB7E
De papo pro á
Se compro na feira
Feijão, rapadura,
B7
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O homem não deve
E
Se amofiná
(refrão)
Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.