segunda-feira, 24 de julho de 2006

Gota d'água

Retomando uma ideia de Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes e Chico Buarque transportaram a tragédia grega de Medeia (de Eurípedes) para um subúrbio do Rio, dando-lhe o nome de “Gota d’Água”. Medeia, que mata os filhos e se suicida ao ser desprezada pelo amante, é na tragédia carioca Joana, companheira de Jasão, um sambista que a abandona por uma mulher rica. Embutido na recriação do drama havia o propósito dos autores de criticar e questionar as implicações sócio-políticas da ditadura militar brasileira.

Toda escrita em versos, numa linguagem coloquial, “Gota d’Água” apresentava uma dúzia de composições das quais a mais importante era a canção homônima, em que a protagonista, interpretada por Bibi Ferreira, advertia o amante: “Deixa em paz meu coração / que ele é um pote / até aqui de mágoa / e qualquer desatenção / faça não / pode ser a gota d’água”.

Contemplada com o Prêmio Molière — que Chico recusou-se a receber, em razão de estarem os concorrentes com suas peças presas na censura — “Gota d’Água” esteve em cartaz em dois teatros cariocas, sendo uma das temporadas a preços populares. Já a canção “Gota d’Água” foi gravada por Bibi no disco da peça, com orquestração de Dori Caymmi, tendo no entanto maior sucesso a versão de Simone. Eurípedes, o mais moço dos três grandes trágicos atenienses, considerado o poeta do pessimismo, criou terríveis figuras femininas e exerceu forte influência nos trágicos latinos como Ênio e Sêneca (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Gota D'Água (1976) - Chico Buarque - Intérprete: Simone

LP Gotas D'Água / Título da música: Gota D'Água / Chico Buarque (Compositor) / Simone (Intérprete) / Milton Nascimento (Partic.) / Gravadora: Odeon / Ano: 1975 / Nº Álbum: SMOFB 3896 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.


Intro: D7+/F# 

       Gm6           G#m5-/7    C#7/9-  F#m7+ 
Já lhe dei meu corpo, minha alegria 
       F#m7      B7/9-  Em7      B/Eb   
Já estanquei meu sangue quando fervia 
Em/D               A7/C#   D/C 
Olha a voz que me resta 
                  G7+/B 
Olha a veia que salta 
                 F#/Bb            A7/13 
Olha a gota que falta pro desfecho da festa 
     D7+ 
Por favor 
       F#7/13-        Bm7  D/C  B7/D# 
Deixe em paz meu coração 
                       Em7      Gm6/Bb 
Que ele é um pote até aqui de mágoa 
              B/A          E/G#  Gm6   
E qualquer desatenção, faça não 
   F#7/13-       Bm7/9    F#7/13-       Bm7/9 
Pode ser a gota d'água 
      F#7/13-       Bm7  D/C  B7/D# 
Deixe em paz meu coração 
                       Em7      Gm6/Bb 
Que ele é um pote até aqui de mágoa 
               B/A         E/G#  Gm6 
E qualquer desatenção, faça não 
   F#7/13-       Bm7/9 
Pode ser a gota d'água 
        Gm6          G#m5-/7   C#7/9-  F#m7+ 
Já lhe dei meu corpo, minha alegria 
       F#m7       B7/9-     Em7  B//Eb  
Já estanquei meu sangue quando fervia 
Em/D              A7/C#   D/C 
Olha a voz que me resta 
                   G7+/B 
Olha a veia que salta 
                  F#/Bb              A7/13 
Olha a gota que falta pro desfecho da festa 
      D7+ 
Por favor 
       F#7/13-        Bm7  D/C  B7/D# 
Deixe em paz meu coração 
                     Em7         Gm6/Bb 
Que ele é um pote até aqui de mágoa 
                     B/A    E/G#  Gm6 
E qualquer desatenção, faça não 
    F#7/13-       Bm7  B7/D# 
Pode ser a gota d'água 
  B7               Em7   C7+ C#m5-/7 
Pode ser a gota d'água 
    F#7/9-         Bm7/9 
Pode ser a gota d'água

Geni e o zepelim


Geni e o Zepelim (1979) - Chico Buarque - Interpretação: Chico Buarque e Moreira da Silva

LP Ópera Do Malandro - Trilha Sonora da Peça Teatral / Título da música: Geni e o Zepelim / Chico Buarque (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1979 / Nº Álbum: 6349.400/1 / Disco 2 / Lado A / Faixa 5.


(intro 4x) Cm9       Fm6/C

 Cm9                      Fm6/C
De       tudo que é nego torto
 Cm9                           Fm6/C   Cm9
Do        mangue e do cais do porto
     G7/B         Cm9    Fm6/C
Ela já   foi namorada
Cm9                         Fm6/C
O        seu corpo é dos errantes
 Cm9                     Fm6/C    Cm9
Dos      cegos, dos retirantes
      G7/B              Cm9
É de quem não tem mais nada

 Bb7                 Eb/G
Dá-se assim desde menina
 G7/B                 Cm/G
Na    garagem, na cantina
Am7(b5)           Ab7(#11)   Gm7   G7
        Atrás do tanque, no mato
 Bb/Ab                Eb7M/G
É     a rainha dos detentos
 G7/B                 Cm/G
Das  loucas, dos lazarentos
 Am7(b5)       Ab7(#11)       Gm7   G7
        Dos moleques do internato

Cm9                    Fm6/C
E        também vai amiúde
 Cm9                     Fm6/C    Cm9
Co'os    velhinhos sem saúde
       G7/B         Cm9       Fm6/C
E as viúvas sem porvir
Cm9                      Fm6/C
Ela     é um poço de bondade
      Cm9                  Fm6/C   Cm9
E      é por isso que a cidade
      G7/B         Cm    G7
Vive sempre a repetir

 C               G7(4)
Joga pedra na Geni
 C               G7(4)
Joga pedra na Geni
C                    A7
Ela é feita pra apanhar
D7/A              G7
Ela  é boa de cuspir
Cm7/G                 Gm7
Ela   dá pra qualquer um
    G7     C
Maldita Geni

Cm9                      Fm6/C
Um      dia surgiu, brilhante
Cm9                     Fm6/C    Cm9
Entre   as nuvens, flutuante
     G7/B      Cm    Fm6/C
Um enorme Zepelim
 Cm9                 Fm6/C
Pairou  sobre os edifícios
Cm9                  Fm6/C   Cm9
Abriu   dois mil orifícios
          G7/B          Cm9
Com dois mil canhőes assim

Bb7              Eb/G
A   cidade apavorada
 G7/B              Cm/G
Se   quedou paralisada
Am7(b5)          Ab7(#11)   Gm7   G7
        Pronta pra virar geléia
 Bb/Ab              Eb7M/G
Mas   do Zepelim gigante
    G7/B           Cm/G
Desceu o seu comandante
Am7(b5)   Ab7(#11)                Gm7   G7
       Dizendo:      - Mudei de idéia

 Cm9                Fm6/C
Quando  vi nesta cidade
 Cm9                    Fm6/C    Cm9
Tanto   horror e iniqüidade
      G7/B          Cm9    Fm6/C
Resolvi  tudo explodir
 Cm9                     Fm6/C
Mas     posso evitar o drama
 Cm9                    Fm6/C    Cm9
Se      aquela formosa dama
      G7/B        Cm    G7
Esta noite me servir

C                  G7(4)
Essa dama era a Geni
 C                  G7(4)
Mas não pode ser Geni
C                    A7
Ela é feita pra apanhar
D7/A              G7
Ela  é boa de cuspir
Cm7/G                Gm7
Ela  dá pra qualquer um
    G7     C
Maldita Geni

 Cm9                  Fm6/C
Mas     de fato, logo ela
 Cm9                      Fm6/C    Cm9
Tăo     coitada e tăo singela
     G7/B        Cm9    Fm6/C
Cativara o forasteiro
Cm9                       Fm6/C
O       guerreiro tão vistoso
 Cm9                  Fm6/C   Cm9
Tăo     temido e poderoso
     G7/B        Cm9
Era dela, prisioneiro

Bb7                Eb/G
Acontece que a donzela
    G7/B              Cm/G
e   isso era segredo dela
Am7(b5)         Ab7(#11)          Gm7      G7
        Também tinha     seus caprichos
      Bb/Ab                   Eb7M/G
E     a deitar com homem tão nobre
 G7/B                       Cm/G
Tão cheirando a brilho e a cobre
Am7(b5)       Ab7(#11)        Gm7    G7
        Preferia amar com os bichos

Cm7                    Fm6/C
Ao      ouvir tal heresia
Cm7                    Fm6/C   Cm7
A       cidade em romaria
        G7         Cm7    Fm6/C
Foi beijar  a sua mão
Cm7                   Fm6/C
O       prefeito de joelhos
Cm7                        Fm6/C   Cm7
O       bispo de olhos vermelhos
        G7               Cm    G7
E o banqueiro com um milhão

 C                  G7(4)
Vai com ele, vai Geni
 C                  G7(4)
Vai com ele, vai Geni
 C                A7
Você pode nos salvar
 D7/A             G7
Você vai nos redimir
 Cm7/G                Gm7
Você  dá pra qualquer um
    G7     C
Bendita Geni

 Cm9                 Fm6/C
Foram   tantos os pedidos
 Cm9                      Fm6/C     Cm9
Tão     sinceros, tão sentidos
             G7/B   Cm9    Fm6/C
Que ela dominou seu asco
 Cm9                Fm6/C
Nessa   noite lancinante
Cm9                 Fm6/C   Cm9
Entregou-se a tal amante
       G7/B            Cm9
Como quem dá-se ao carrasco

Bb7              Eb/G
Ele fez tanta sujeira
 G7/B                  Cm/G
Lambuzou-se a noite inteira
Am7(b5)        Ab7(#11)   Gm7   G7
        Até ficar     saciado
Bb/Ab                Eb/G
E     nem bem amanhecia
 G7/B              Cm/G
Partiu numa nuvem fria
    Am7(b5)  Ab7(#11)   Gm7   G7
Com     seu zepelim prateado

 Cm9                  Fm6/C
Num      suspiro aliviado
Cm9                   Fm6/C    Cm9
Ela      se virou de lado
      G7/B       Cm9    Fm6/C
E tentou até sorrir
 Cm9                   Fm6/C
Mas      logo raiou o dia
       Cm9              Fm6/C   Cm9
E     a cidade em cantoria
        G7/B        Cm     G7
Năo deixou   ela dormir

 C               G7(4)
Joga pedra na Geni
 C               G7(4)
Joga bosta na Geni
C                    A7
Ela é feita pra apanhar
 D7/A             G7
Ela  é boa de cuspir
Cm7/G                Gm7
Ela  dá pra qualquer um
    G7     C
Maldita Geni

 C               G7(4)
Joga pedra na Geni
 C               G7(4)
Joga bosta na Geni
C                    A7
Ela é feita pra apanhar
D7/A              G7
Ela  é boa de cuspir
Cm7/G                Gm7
Ela  dá pra qualquer um
    G7     C
Maldita Geni

Funeral de um lavrador

Funeral De Um Lavrador (1968) - Chico Buarque e João Cabral de Melo Neto - Intérprete: Chico Buarque

LP Chico Buarque De Hollanda Vol. 3 / Título da música: Funeral De Um Lavrador / Chico Buarque (Compositor) / João Cabral de Melo Neto (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: RGE / Ano: 1968 / Nº Álbum: XRLP 5320 / Lado B / Faixa 5.


Tom: Am
Intro: (50-42-50-42-40-42-53-50) 2x

Am                 Fº  E7            Am
Esta cova em que estás com palmos medida
            Fº                  Am
É a conta menor que tiraste em vida
            Fº                  Am
É de bom tamanho nem largo nem fundo
                  Fº        E7   Am
É a parte que te cabe deste latifúndio

             Fº    E7        Am
Não é cova grande, é cova medida
                  Fº   E7    Am
É a terra que querias ver dividida
             Fº                    Am
É uma cova grande pra teu pouco defunto
                 Fº   E7             Am
Mas estás mais ancho que estavas no mundo

              Fº     E7             Am
É uma cova grande pra teu defunto parco
                   Fº       E7       Am
Porém mais que no mundo te sentirás largo
             Fº   E7             Am
É uma cova grande pra tua carne pouca
             Fº   E7             Am
Mas a terra dada, não se abre a boca

           Fº         E7        Am
É a conta menor que tiraste em vida
                  Fº    E7      Am
É a parte que te cabe deste latifúndio
                 Fº    E7     Am
É a terra que querias ver dividida
               Fº        E7        Am
Estarás mais ancho que estavas no mundo
             Fº         E7      Am9
Mas a terra dada não se abre a boca

Fortaleza


Fortaleza (1973) - Chico Buarque e Ruy Guerra - Interpretação: Chico Buarque

LP Calabar, O Elogio Da Traição / Título da música: Fortaleza / Chico Buarque (Compositor) / Ruy Guerra (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1973 / Nº Álbum: 6349 093 / Lado B / Faixa 6 / Obs.: Este disco foi proibido pela Censura e recolhido às lojas em seguida ao lançamento, com sua capa vetada. Foi então relançado, com outra capa, toda branca e com o título de Chico Canta.


Em7(9)            C#m7(b5)                 Eb7M
A minha tristeza    não é feita de angústias
Em7(b5)                 A7
A minha tristeza   não é feita de angústias
D7M   D7  Gm           Gm(add9)/F
A minha surpresa       A minha surpresa  
Eb7
é só feita de fatos
             D7/4    D7         A7
De sangue nos olhos e lama nos sapatos
D7M   D7  Gm           Gm(add9)/F
Minha fortaleza        Minha fortaleza   
Eb7
é de um silêncio infame
D7/4     D7         C#m7(b5)         B7(b9)
Bastando a si mesma, retendo o derrame   A minha represa