domingo, 26 de março de 2006

Amar a uma só mulher

Em "Amar a Uma Só Mulher" Sinhô faz a apologia da fidelidade no amor, virtude que jamais praticou. E o faz na forma de sempre, com versos pitorescos, impregnados de um lirismo simplório, bem característico de seu estilo: "Quem pintou o amor foi um ceguinho / mas não disse a cor que ele tem / penso que só Deus dizer-nos vem ensinando com carinho / a pura cor do querer bem..."

Dedicado ao poeta Álvaro Moreira, cuja casa em Copacabana era frequentada por Sinhô, este samba foi lançado na revista Língua de Sogra, em janeiro de 28, ao mesmo tempo em que era gravado por Francisco Alves. "Amar a Uma Só Mulher" assemelha-se nos compassos iniciais à canção "La vie en rose". Mas, se plágio existe no caso, é de Pierre Louiguy, autor da melodia francesa, composta dezesseis anos depois da morte de Sinhô.

Amar a uma só mulher (samba, 1927) - Sinhô - Interpretação: Francisco Alves - Disco 78 rpm - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1928 - Nº Álbum: 10119 - Gênero musical: Samba


Amar a uma só mulher
deixando as outras todas sempre em vão
Pois a uma só a gente quer
com todo fervor do coração

Quem pintou o amor foi um ceguinho
mas não disse a cor que ele tem
Penso que só Deus dizer-nos vem
ensinando com carinho
a pura cor do querer bem

Quem pintou o amor foi bem querido
Decorou também a ingratidão
e deixou rascunhos da paixão
como lema preferido
a uma só no coração



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
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