domingo, 26 de março de 2006

Cabide de molambo

João da Baiana
Cabide de molambo (samba, 1928) - João da Baiana - Interpretação: LP Gente da Antiga 1968



Meu Deus eu ando / Com o sapato furado
Tenho a mania / De andar engravatado
A minha cama / É um pedaço de esteira
E é uma lata velha / Que me serve de cadeira
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

Minha camisa / Foi encontrada na praia
A gravata foi achada / Na Ilha da Sapucaia
Meu terno branco / Parece casca de alho
Foi a deixa de um cadáver / Do acidente no trabalho
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

O meu chapéu / Foi de um pobre surdo e mudo
As botinas foi de um velho / Da revolta de Canudos
Quando eu saio a passeio / As damas ficam falando
Trabalhei tanto na vida / Pro malandro estar gozando
Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus

A refeição / É que é interessante
Na tendinha do Tinoco / No pedir eu sou constante
E o português / Meu amigo sem orgulho
Me sacode o caldo grosso / Carregado no entulho

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