terça-feira, 18 de abril de 2006

Açaí

Gravado por Gal Costa com o grupo Roupa Nova no elepê Fantasia, “Açaí” começou a se destacar nos primeiros meses de 82. Embora muito simples, com melodia cativante, a límpida interpretação de Gal tem dois andamentos: um, quase ad libitum, por toda a primeira parte repetida e o outro, mais marcado, no curto refrão que não resolve na tônica, um procedimento bem djavaneano.

Depois o autor gravou “Açaí”, que em tupi significa “fruta que chora”, utilizando um mesmo andamento para aquelas duas nuances rítmicas desencontradas, mais uma de suas fascinantes características. A canção tem uma letra sintética, quase sem adjetivação e sem verbos, o que também é típico de sua obra: “Solidão / de manhã / poeira tomando assento / rajada de vento / som de assombração / coração...” Nesse seu disco, Luz, Djavan gravou dez músicas cujos títulos são expressos em apenas treze palavras (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Açaí (1982) - Djavan
D7+     F°          Em     Em/D     C 
Solidão de manhã, poeira tomando assento 
           Am7    Bm       Bm7+        Bm7 
Rajada de vento, som de assombração, coração 
F#m7       B7/9b    E7/9   G/A  A7/9b 
Sangrando toda palavra sã 
D7+       F°         Em     Em/D    C 
A paixão puro afã, místico clã de sereia 
            Am7   Bm7      Bm7+     Bm7   Bm6 
Castelo de areia, ira de tubarão, ilusão 
  G7+   A7/11    D7+
O sol brilha por si 
E7/9     G7+
Açaí, guardiã 
         D/F#      F°
Zum de besouro um imã 
           Em7     D 
Branca é a tez da manhã

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