quinta-feira, 11 de maio de 2006

Mulata assanhada

Elizeth Cardoso
Um pouco antes de Ary Barroso e Luiz Peixoto lançarem "É luxo só", Ataulfo Alves estreava "Mulata Assanhada". De comum entre as duas canções, o propósito de exaltar a figura exuberante da mulata sambista, encontrando ambas sua intérprete ideal em Elizeth Cardoso, a personificação perfeita da homenageada.

Mas, sem demérito para "É Luxo Só", a "Mulata Assanhada" alcançou maior sucesso, talvez porque seja mais fácil de cantar, com sua melodia limitada a uma só oitava: "Ó mulata assanhada / que passa com graça / fazendo pirraça / fingindo inocente / tirando o sossego da gente". Da mesma safra deste samba é a autobiográfica "Meus Tempos de Criança", em que Ataulfo apresenta seu antológico verso "eu era feliz e não sabia".

Mulata assanhada (samba, 1956) - Ataulfo Alves - Intérprete: Elizeth Cardoso

"Elizete, A Exclusiva", Som, SOLP-40065 1962 -

G -------------------D7
Ô mulata assanhada / Que passa com graça
-----------------G-------------------------- D7
Fazendo pirraça / Fingindo inocente
-----------------------------G
Tirando o sossego da gente

---------E------------ Am --------D7 ------------G
Ô mulata se eu pudesse/ E se meu dinheiro desse
-----------------------D7 ------------------------------G
Eu te dava sem pensar / Este céu, esta terra, este mar
----------------------A7 ------------D7-------- G
Ela finge que não sabe que tem feitiço no olhar

------------E--------------- Am-------- D7------------ G
Ai meu Deus, que bom seria / Se voltasse a escravidão
--------------------------D7------------------------- G
Eu comprava essa mulata e prendia no meu coração
------------------A7------------- D7 --------G
E depois a pretoria é que resolvia a questão



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
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