quinta-feira, 18 de maio de 2006

Viola enluarada



A saudade do Brasil, sentida por Marcos Valle durante uma longa estada (a maior até então) nos Estados Unidos, levou-o a compor uma toada dolente, com harmonia bem brasileira, que traria em sua bagagem de volta sem nome e sem letra. Ainda em Nova York, às vésperas do retorno, ele ouvira de Eumir Deodato elogios entusiasmados a um novo compositor, chamado Milton Nascimento, que despontara no II FIC e para cujas músicas havia escrito os arranjos.

Assim, ao chegar ao Rio, procurou logo conhecê-lo, tendo esse encontro acontecido na casa de Tom Jobim, no Leblon. Na ocasião, como seu irmão Paulo Sérgio já havia aprontado a letra da toada que se chamou “Viola Enluarada”, Marcos e Milton tiveram a oportunidade de cantá-la juntos pela primeira vez: “A mão que toca um violão / se for preciso faz a guerra / mata o mundo, fere a terra...”

Ao contrário de outras músicas de protesto, em que o êxito se baseia quase tão somente na força da letra, “Viola Enluarada” possui, além dos belos versos libertários, uma rica melodia, que a classifica entre as grandes canções brasileiras do século. Isso era reconhecido pelo exigente Jacó do Bandolim, que tinha um projeto de gravá-la, não realizado em virtude de sua morte.

Divulgada inicialmente em shows do Quarteto em Cy e da cantora Eliana Pittman, a canção foi lançada pela Odeon num compacto com seus contratados Marcos Vale e Milton Nascimento. Nesta gravação, que tem arranjo de Dori Caymmi, a dupla canta exatamente como o fazia nas reuniões com os amigos. Aliás, a boa participação de Milton, bem à vontade, acontece não por acaso, pois a composição encaixa-se em seu estilo como se por ele tivesse sido feita.

Sucesso instantâneo (já havia uma lista de pedidos dos lojistas antes da gravação existir), “Viola Enluarada” foi incluída no álbum seguinte de Marcos, propiciando pela segunda vez a ele e a Paulo Sérgio o prêmio de melhor canção do ano, oferecido pela Rádio Jornal do Brasil (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Viola enluarada (1968) - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle
Tom: A

A                  E/G#
A mão que toca um violão     
           Em/G        D/F#  Dm/F
Se for preciso faz a guerra
           A/E  D6/9  E7/4  E7
Mata o mundo, fere a terra
A                      E/G#
A voz que canta uma canção
            Em/G      D/F#  Dm/F
Se for preciso canta um hino
       E7/4    E7
Louva à morte
A                  E/G#
Viola em noite enluarada
Em/G                  D/F#  Dm/F
No sertão é como espada
    A/E     D6/9  E7/4  E7
Esperan - - ça de vingança
A                      E/G#
O mesmo pé que dança um samba
          Em/G  D/F#  Dm/F
Se preciso  vai à luta
         E7/4  E7  A
Capoei -- ------ - ra
                     B/A  Bm7/5-  Bb7
Quem tem de noite a compan hei ---- ra
         Am7        B/A  Bm7  E7/9
Sabe que a paz é p assagei -- ra
   A             B/A  C/G
Prá defende-la se levanta
F#m7/5-    E7/4  E7  A
E grita: Eu vou !
A                       E/G#
Mão, violão, canção e espada
   Em/G      D/F#  Dm/F
E viola enluarada
A/E             D6/9  E7/4  E7
Pelo campo, e ci da -- de
A                   E/G#
Porta bandeira, capoeira
Em/G              D/F#  Dm/F
Desfila ndo vão cantando
         E7/4   E7  A
Liberda -- ------  de
A                        B/A    Bm7/5-  Bb7
Quem tem de noite a compan hei -- ra
  Am7              B/A       Bm7  E7/9
Sabe que a paz é passagei -- ra
  A                 B/A    C/G
Prá defende-la se levanta
F#7/5-  E7/4  E7  A
E grita: Eu vou!
A                   E/G#
Porta bandeira, capoeira
Em/G                 D/F#  Dm/F
Desfilando vão cantando
         E7/4  E7  A
Liberda -- ----- de
(  A  B/A  C/A  D/A  E7/4  E7   )
Liberdade, liberdade, liberdade....
 
 
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