quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Lapinha



Manuel Henrique Pereira (1895 — 1924)
conhecido como Besouro Mangangá.

Capoeirista valente, famoso em todo o estado da Bahia no começo do século, Valdemar de Tal, o Besouro Mangangá, também conhecido como sendo Cordão de Ouro, virou lenda depois de sua morte violenta, daí surgindo um refrão popular, “a música do Besouro”.  Este refrão, que Baden ouviu do baiano Canjiquinha e das moças do Quarteto em Cy, acabou servindo de base à composição “Lapinha”, vencedora da 1a Bienal do Samba, promovida pela TV Record em maio de 68:

“Quando eu morrer / me enterre na Lapinha / calça-culote paletó almofadinha.”

Elaborado com um novo parceiro, o então iniciante Paulo César Pinheiro, “Lapinha” seria mais um afro-samba que Baden acrescentava ao seu repertório e, como tal, muito apropriadamente lançado pela melhor intérprete do gênero, a cantora Elis Regina, que o defendeu na Bienal. Mas, voltando ao pitoresco refrão, a Lapinha citada, informa mestre Caymmi, “é o Largo da Lapinha, local de Salvador onde se realizam festas cívicas, como o 2 de Julho, e que jamais foi cemitério”.

Deve ter entrado no samba por sua importância como lugar tradicional, além de ser uma boa rima para “almofadinha”. Aliás, a tal “calça-culote”, que completa o traje do defunto, seja uma possível corruptela de “calça, colete”. Já o mangangá, origem do apelido, é o nome de um vespão de ferroada dolorosa e, no Nordeste, também de um besouro grande que rói determinados tipos de madeira. É ainda usado, em sentido figurado, para designar indivíduo grande, mandão (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Lapinha (1968) - Paulo César Pinheiro e Baden Powell - Interpretação: Elis Regina
Tom: C  

A7        D7M
Quando eu morrer
  Em7     A7      D7M
Me enterre na Lapinha
A7         D7M
Quando eu morrer
 Em7       A7   D7M
Me enterre na Lapinha
B7/13   E7/G#    A7/G      D/F#
Calça “culote", paletó, almofadinha.
B7/13   E7/G#    A7/G      D/F#         A7(b5)
Calça “culote", paletó, almofadinha.

Dm7    Dm7/C        G7/B
Sai, minha mágoa sai de mim
Gm6/Bb           Dm7  F  Em7(b5) A7(b5)
Há tanto coração ruim
Dm7  Dm7/C  Bm7(b5) E7(b9) Am7
Ai a verdade sempre dói
   B7/13b            Em7(b5) A7(b5)
E, às vezes, traz um mal amais.
Dm7    Dm7/C           G7/B
Ai! Só me fez dilacerar
Gm6/Bb    A7(b5)   Am7(b5)  D7(b9)
ver tanta gente se entregar
 Gm7  C7/9     F7M
Mas não me conformei
Bb7M        Em7(b9)
Indo contra a lei
A7(b5)         Am7(b5)   D7
sei que não me arrependi
Gm7   C7/9      F7M      Bb7M   Em7(b9)
Tenho um pedido só o último, talvez,
          A7/13
Antes de partir.

A7         D7M
Quando eu morrer
  Em7     A7   D7M
Me enterre na Lapinha
A7      D7M
Quando eu morrer
 Em7   A7        D7M
Me enterre na Lapinha
B7/13   E7/G#    A7/G   D/F#
Calça “culote", paletó, almofadinha.
B7/13   E7/G#    A7/G   D/F#           A7(b5)
Calça “culote", paletó, almofadinha.


Letra

Quando eu morrer me enterre na Lapinha,
Quando eu morrer me enterre na Lapinha
Calça, culote, palitó almofadinha
Vai meu lamento vai contar
Toda tristeza de viver
Ai a verdade sempre trai
E às vezes traz um mal a mais
Ai só me fez dilacerar
Ver tanta gente se entregar
Mas não me conformei
Indo contra lei
Sei que não me arrependi
Tenho um pedido só
Último talvez, antes de partir

Quando eu morrer me enterre na Lapinha,
Quando eu morrer me enterre na Lapinha
Calça, culote, palitó almofadinha
Sai minha mágoa
Sai de mim
Há tanto coração ruim
Ai é tão desesperador
O amor perder do desamor
Ah tanto erro eu vi, lutei
E como perdedor gritei
Que eu sou um homem só
Sem saber mudar
Nunca mais vou lastimar
Tenho um pedido só
Último talvez, antes de partir

Quando eu morrer me enterre na Lapinha,
Quando eu morrer me enterre na Lapinha
Calça, culote, palitó almofadinha
Calça, culote, palitó almofadinha
Adeus Bahia, zum-zum-zum
Cordão de ouro
Eu vou partir porque mataram meu besouro 


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