sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Pranto de poeta


Em suas andanças pelos subúrbios do Rio de Janeiro, Nelson Cavaquinho frequentemente amarrava seu cavalo, conhecido como Vovô, em uma árvore no Morro de Mangueira e ia ao encontro de sambistas como Zé da Zilda, Carlos Cachaça e Cartola. Desde cedo conhecedor da alta malandragem carioca, representada por nomes como Brancura, Edgar e Camisa Preta, Nelson tornou-se amigo dos sambistas do morro a partir do emprego que conseguiu na polícia.

Ficava horas bebendo cachaça e conversando com Cartola. Numa dessas, seu cavalo acabou fugindo e retornou sozinho para o Batalhão, o que ocasionou mais uma dentre as muitas prisões de Nelson, que habituado a ficar dias sem aparecer, aproveitava o tempo na cela para compor. Sobre esse episódio, Nelson diria em entrevista: ”E não é que o danado do cavalo tava rindo de mim quando cheguei no Batalhão?”.

No ano de 1938, antes de ser expulso da corporação, Nelson conseguiu dar baixa em seu cargo na polícia, separou-se de Alice e se entregou definitivamente ao samba e à boêmia. Em 1952 foi morar em Mangueira, onde permaneceu por um ano e meio, e em 1968, dividiu com Cartola, Clementina de Jesus, Carlos Cachaça e Odete Amaral os vocais de “Fala Mangueira”, produzido por Hermínio Bello de Carvalho.

Já ao lado de Guilherme de Brito, ele compôs a música que seria lançada em 1957 por Lucy Rosana, gravada em 1965 por Nara Leão e interpretada em dueto nada sóbrio de sua parte por ele e Cartola, em 1977, “Pranto de Poeta”. A música exalta a Mangueira onde ele criou raízes e conheceu geniais sambistas que nortearam sua trôpega trajetória de brilho infindo (Fonte: Esquina Musical).

Pranto de poeta (samba, 1957) - Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito - Intérprete: Lucy Rosana

Disco 78 rpm / Título da música: Pranto de poeta / Nelson Cavaquinho (Compositor) / Brito, Guilherme de (Compositor) / Lucy Rosana (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor / Gravação: Outubro/1956 / Lançamento: Março/1957 / Nº Álbum 801739 / Lado B / Gênero musical: Samba.


Tom: A

       A              G#
Em Mangueira, quando morre
Dm    C#7           Em       F#7    Bm
Um poe.........ta, todos cho.......ram
Dm          C#m       F#7      B7
Vivo tranqüilo em Mangueira porque
E7                E7/5+
Sei que alguém há de chorar quando eu morrer
     Bm            E7             Bm            E7
Mas o pranto em Mangueira é tão diferente
             A          Bm           A
É um pranto sem lenço que alegra a gente
              G#                 C#m
Hei de ter um alguém pra chorar por mim
        G#                        Bm         E7
Através de um pandeiro ou de um tamborim
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