quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Saí da tua alcova

Sendo Noel Rosa um grande boêmio, um cara que gostava de viver nas ruas, nos botequins, ele fez logo amizade com muitos motoristas de taxi, que às vezes o levavam para casa, às vezes emendavam uma outra farra, ou às vezes o levavam para namorar alguma moça no Juá. Noel percebeu que havia um motorista de táxi chamado Malhado, que era metido a cantor de seresta, dava o famoso "dó de peito" e gostava de cantar falsas canções com palavras difíceis, rebuscadas, que ele não entendia absolutamente o que significava.

Noel, percebendo o estilo do motorista, compôs uma canção especialmente para ele e combinou lançar essa música numa seresta para duas filhas de um coronel lá em Vila Isabel. Chegando lá em baixo do sobrado do coronel, o Noel disse que ia ficar do outro lado da rua pra dar o destaque que a voz do Malhado merecia. Feriu o tom... lá se foi o Malhado.

Saí da tua alcova - Noel Rosa

CD Noel Pela Primeira Vez (Volume 7 CD 13 Faixa 19) / Intérprete: Henrique Cazes e Cristina Buarque / Composição: Noel Rosa /
              Am            E7        Am
Saí da tua alcova com o prepúcio dolorido
(42-43-42-40-53-52-50)
Am                  Bb6       Bb(b5)  A7
Deixando seu clitóris gotejante
 A#°     A7/G    Dm   A7
De volúpia emurche..cido
   Dm   E7                 Am     B°
Porém,    o gonococus da paixão
Am      Am/G         Bb
Aumentou minha tensão
Bem, o coronel levantou atirando, o Malhado saiu correndo, chegou na esquina livre,
e o Noel já estava esperando ele e perguntou:

- O que é que houve Malhado?

E o Malhado assustadíssimo falou:

- O cara sai atirando, não entendi nada!

E o Noel sem perder a pose diz pra ele:

- Isso é pra você ver, Malhado, o que que é a falta de sensibilidade dessa gente!
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