quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Soneto da separação

Soneto da separação - Vinícius de Moraes e Tom Jobim

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

"E no entanto ali estava / A poucos passos
Sua forma feminina / Que não era nenhuma outra
forma feminina / Mas, a dela / A mulher amada
Aquela que ele abençoara com seus beijos / E agasalhara
Nos instantes do amor de seus corpos / Tento imaginar
em sua dolorosa nudez / Já envolta em seu espaço próprio
Perdida em suas cogitações próprias / Um ser desligado
dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas
De súbito sentindo que ia explodir em lágrimas
Correu para a rua e pôs a andar sem saber para onde"

Dbm7    D7/6     Em6        Gb7/5+  Bm7
É uma saudade tão bonita de você
Dm7 A Abm11
Que eu não sei mais nada não
Gb11+ Gbm7
E é isso aí sempre que o amor não pode ser
Dm6 Em6 Gb7 B7
Olhe meu amor tudo o que eu quero é não sofrer
E7/6 A Ebm7 Ab7 Dbm
Mais uma separação / Fomos enganados pelo tempo
Bm7 E7 A
Teu amor chegou tarde demais
Dbm7 Gb7 Bm
E o amor é sempre um sentimento
B7/6 E7
Que a separação não deixa em paz
Dbm7 D7/6 Em6 Gb7/5+
Pode ser assim mas quem sou eu prá resolver
Bm7 Dm7 A A/G Gb6 Dm6
As razões do coração / Olhe meu amor
Em6 Gb7 Gb6 E7/6 A
Tudo o que eu peço é nunca ser / Mais uma recordação



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