quarta-feira, 5 de março de 2008

Gegê

Eduardo Souto
Assim que assumiu o governo revolucionário, em 1930, Getúlio Vargas começou a receber inúmeros pedidos de empregos públicos. Para protelar e desacelerar a avalancha, passou a exigir requerimento estampilhado, com foto e selos. Uma das músicas que faz a crônica do episódio é justamente esta marcha-rancho do carnaval de 1932, gravada por Jayme Vogeler na Odeon em 24 de novembro de 31 e lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 10876-A, matriz 4369.

O Gegê da música, vale ressaltar, é um nome qualquer, e não ainda o apelido com o qual Getúlio ficaria conhecido, apenas coincidência. O curioso é que "Gegê" venceu um concurso do jornal carioca "Correio da Manhã" para escolher a melhor música de carnaval de 1932, por votação dos leitores através de cupons impressos no próprio periódico (18.703 votos), deixando em segundo lugar (11.461 votos) o clássico "Teu cabelo não nega", de Lamartine Babo e dos irmãos Valença (Fonte: Samuel Machado Filho).

Gegê (marcha/carnaval, 1932) - Eduardo Souto e Getúlio Marinho / Disco 78 rpm / Vogeler, Jaime (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1931 / Nº Álbum 10876 / Gênero musical: Marcha rancho


Tenha calma, Gegê
Tenha calma, Gegê
Vou ver se faço
Alguma coisa por você

Não se aborreça

Nem é preciso chorar
Güenta um pouco meu amor
Que as coisas vão melhorar

O seu pedido
Já foi, meu bem, despachado
O decreto já saiu
É na enxada e não no machado
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