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domingo, 29 de janeiro de 2023

O despertar da montanha

"Você acaba de fazer o seu "Danúbio Azul", disse o professor Guilherme Fontainha a Eduardo Souto, quando este lhe mostrou, ao piano, "O Despertar da Montanha". Peça essencial do repertório pianístico brasileiro, típica dos saraus do início do século, "O Despertar da Montanha" é a obra mais conhecida de Souto. Lançada em 1919, com sucesso imediato, tem na capa da edição inicial curioso desenho, que mostra uma cena pastoril de natureza européia: ao pé de suntuosa montanha, um pastor descansa tocando flauta, enquanto seu cão vigia um rebanho de quinze ovelhas...

Mas, se a cena é européia, a composição é bem brasileira, tendo ajudado até a fixar uma forma de tango, que Eduardo Souto chama de tango de salão, diferente dos tangos de Nazareth, mais próximos do choro. "O Despertar da Montanha" tem uma letra de Francisco Pimentel, que nada lhe acrescenta.

O Despertar da Montanha (tango de salão, 1919) - Eduardo Souto e Francisco Pimentel

Interpretação de Francisco Mignone e Conjunto Orquestral em 1943:

Disco 78 rpm / Título da música: Despertar da Montanha / Eduardo Souto (Compositor) / Conjunto Orquestral (Intérprete) / Francisco Mignoni [Região] (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Nº do Álbum: 75001-b / Nº da Matriz: #594-1 / Gravação: 5/janeiro/1943 / Lançamento: 1943 / Gênero musical: Tango / Coleção de fontes: Nirez, IMS D



Interpretação de Sílvio Caldas em 1946:

Disco 78 rpm / Título da música: Despertar da Montanha / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Pimentel (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra Continental (Acomp.) / Gravadora: Continental / Nº do Álbum: 28000-b / Nº da Matriz: #1567-1 / Gravação: 5/agosto/1946 / Lançamento: 1946 / Gênero musical: Canção de tango / Coleção de fontes: Nirez



Interpretação de Roberto Fioravante em 1963:

LP Seresteiro Da Saudade Nº 5 / Título da música: O Despertar da Montanha / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Pimentel (Compositor) / Roberto Fioravante (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Nº do Álbum: CMG 2218 / Ano: 1963 / Gênero musical: Canção / Seresta



Quando a noite entra na agonia, / Surgem os primeiros raios, / Na moldura do horizonte, / Iniciam seus ensaios, / Doira-se um monte... / E os lindos ramos mais felizes, / Os que ao longe estão mais altos, / Pintam-se em matizes, / No cimo do planalto... / Sai da sombra um novo dia.

E a luz da madrugada, / Entrando suavemente na floresta, / Beija os ninhos, / E esta festa, / Desperta os passarinhos / E envolve troncos, / Vindo através das folhagens, / Em acordes selvagens, / Anunciam a alvorada.

Desses cantos, sob o sol da manhã, / Em linda festa pagã, / Escorre a vida, cheia de encantos, / E transborda, numa chuva de cores, / E entre os vales sonhadores, / A montanha acorda.


Fonte: A canção no tempo - 85 anos de músicas brasileiras (Vol. 1: 1901-1957) - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello.

domingo, 19 de setembro de 2010

Quem quiser ver

Araci Côrtes
Quem quiser ver (samba, 1924) - Eduardo Souto - Intérprete: Araci Côrtes

Disco 78 rpm / Título da música: Quem quiser ver / Eduardo Souto (Compositor) / Araci Côrtes (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10426-b / Nº da Matriz: 2657 / Lançamento: Julho/1929 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez


Quem quiser ver, quem quiser ver
Tem que pagar
Tem que mexer, tem que mexer
Não pode entrar (x2)

Eu sou mulata sabida
Sei mexer, sei dançar
Na perfeição
O meu prazer nesta vida
É machucar um bacanão...

Quem quiser ter, quem quiser ter...

sábado, 18 de setembro de 2010

Paixão de artista

Vicente Celestino
Paixão de artista (canção, 1921) - Eduardo Souto - Intérpretes: Vicente Celestino e Laís Arêda

Disco selo: Odeon R / Título da música: Paixão de artista / Eduardo Souto (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Laís Arêda (Intérprete) / Nº do Álbum: 122084 / Nº da Matriz: 122084-A-II / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Dueto / Coleção de fontes: IMS, Nirez



Do sorriso das mulheres nasceram as flores

Vicente Celestino
Do sorriso da mulher nasceram as flores (tango de salão, 1921) - Eduardo Souto e Lélio de Aragão / Intérprete: Vicente Celestino

Disco selo: Odeon R / Título da música: Do Sorriso da Mulher Nasceram as Flores / Eduardo Souto (Compositor) / Lélio de Aragão (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122041 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Tango de Salão / Coleção de fontes: IMS



LP Saudade, Palavra Doce / Título da música: Do Sorriso da Mulher Nasceram As Flores / Eduardo Souto (Compositor) / Lélio de Aragão (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: BBL 1106 / Ano: 1960 / Gênero musical: Canção / Seresta


Mulher o teu sorriso parece um céu
Um grande altar do deus do amor
Onde as estrelas vem rezar, cantar, sonhar
Santificando a minha dor
No iluminar dos olhos teus
E um coração aberto em flor
Tens tu mulher toda fragrância
Das orquídeas cintilantes
Redolentes e gracis

A cintilar, a cintilar num céu de amor
Em que fala um poema
Feito de beijos ao luar
Um ninho de sincero afeto
Onde dois pombinhos
Vivem sempre a se arrolar e a se beijar
Quero a morte nos teus lábios
Num doce encanto de magia
Do aljôfar de um beijo teu
Do teu sorriso que fascina, inebria

Suspirar, soluçar com tristor e amargor
O carpir da desdita do amor
E adorar e crer 
Suplicar, implorar com ardor, e dulçor
O sorrir dos teus lábios em flor
E sentir o prazer de um ditoso e perenal amor

No iluminar dos olhos teus
E um coração aberto em flor
Tens tu mulher toda fragrância
Das orquídeas cintilantes
Redolentes e gracis
A cintilar, a cintilar um céu de amor.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Gegê

Eduardo Souto
"Assim que assumiu o governo revolucionário, em 1930, Getúlio Vargas começou a receber inúmeros pedidos de empregos públicos. Para protelar e desacelerar a avalancha, passou a exigir requerimento estampilhado, com foto e selos. Uma das músicas que faz a crônica do episódio é justamente esta marcha-rancho do carnaval de 1932, gravada por Jayme Vogeler na Odeon em 24 de novembro de 31 e lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 10876-A, matriz 4369.

O Gegê da música, vale ressaltar, é um nome qualquer, e não ainda o apelido com o qual Getúlio ficaria conhecido, apenas coincidência. O curioso é que "Gegê" venceu um concurso do jornal carioca "Correio da Manhã" para escolher a melhor música de carnaval de 1932, por votação dos leitores através de cupons impressos no próprio periódico (18.703 votos), deixando em segundo lugar (11.461 votos) o clássico "Teu cabelo não nega", de Lamartine Babo e dos irmãos Valença".

Gegê (marcha/carnaval, 1932) - Eduardo Souto e Amor (Getúlio Marinho)

Disco 78 rpm / Título da música: Gegê / Eduardo Souto (Compositor) / Getúlio Marinho (compositor) / Jaime Vogeler (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10876-a / Nº da Matriz: 4369 / Gravação: 24/11/1931 / Lançamento: 1932 / Gênero musical: Marcha rancho / Coleções: IMS, Nirez


Tenha calma, Gegê
Tenha calma, Gegê
Vou ver se faço
Alguma coisa por você

Não se aborreça

Nem é preciso chorar
Güenta um pouco meu amor
Que as coisas vão melhorar

O seu pedido
Já foi, meu bem, despachado
O decreto já saiu
É na enxada e não no machado



Fontes: Discografia Brasileira - Instituto Moreira Salles; Samuel Machado Filho - YouTube

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Batucada

Eduardo Souto
Batucada (marcha/carnaval, 1931) - João de Barro e Eduardo Souto

Disco 78 rpm / Título da música: Batucada / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Eduardo Souto (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13256-a / Nº da Matriz: 3730 / Gravação: 02/08/1930 / Lançamento: Jan/1931 / Gênero musical: Marcha / Coleções: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Ô, ô
Nós semo é memo do amô (x2)

Mulatinha frajola
Entra aqui no cordão (cordão)
Que a fuzarca consola
As mágoa que a gente
Traz no coração

(refrão)

Mulata, benzinho
Vem pra mim de uma vez
Dou-te amor e carinho
Dinheiro não tenho
Não sou português

(refrão)

Vou comprá uma redoma
Nela eu vou te guardá (guardá)
Que os malandros te oiando
Meu bem, são capaz
De te profaná

(refrão)

Vem, meu bem, pro Salgueiro
Leblon não vale nada
Pois nos bairros de lá
Mulata, meu anjo
Não tem batucada

(refrão)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

É sopa

A marchinha de Eduardo Souto (foto) recorre ao futebol para descrever as forças que iriam se defrontar na campanha de 1929/1930. De um lado, o combinado A, o time do continuísmo, tendo como capitão “Seu” Julinho Júlio Prestes, presidente da província de São Paulo; do outro, o combinado B, da oposição, capitaneado por “Seu Tonico” (Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente da província de Minas Gerais).

O doutor Macaé, árbitro do jogo, era o próprio presidente da República, Washington Luís (embora paulista, nascera em Macaé, no Estado do Rio). Antônio Carlos briga com o juiz e é posto para fora do jogo. Vai se aliar com os gaúchos, liderados por Getúlio Vargas, e os paraibanos, comandados por João Pessoa, numa chapa dissidente, contra a maioria dos estados, chefiados pelo Catete.

Como os dois lados apregoavam que venceriam com facilidade, a marchinha fez do “É sopa, é sopa, é sopa” seu estribilho. Não se descobriu quem é o “seu Tomé” que aparece ao final da música, aquele que foi para o gol e levou uma bruta lavagem.

É sopa (17 a 3) (marcha, 1930) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: É sopa (17 a 3) / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10484 / Nº da Matriz: 2986 / Gravação: Agosto/1929 / Lançamento: Novembro/1929 / Gênero musical: Marcha humorística / Coleções: IMS, Nirez


“Vai começar o grande jogo para a conquista da taça oferecida pelo Catete Futebol Clube (gritos)
Combinado B: “captain” Seu Tonico (gritos)
Combinado A: “captain” Seu Julinho (gritos)
Juiz: doutor Macaé, muito digno presidente do Catete Futebol Clube

Seu Tonico sem razão.
Ao juiz desatendeu,
E foi tal sua afobação,
Que a cabeça até perdeu.
O juiz, que é da barbada,
Seu Tonico pôs pra fora.
E gritou pra rapaziada:
Toca o bonde, tá na hora!

Pra vencer o combinado brasileiro.
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro.
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.

Foi pro gol o seu Tomé,
Bonde errado e sem coragem.
A torcida não fez fé.
Houve então bruta lavagem.
Pra jogar bem futebol
Só paulista e carioca.
Chova muito ou faça sol,
É no pau da tapioca.

Pra vencer o combinado brasileiro
Diz Getulinho: “É sopa, é sopa, é sopa”.
Paraibano com gaúcho e com mineiro,
Diz o Julinho: “É sopa, é sopa, é sopa.


Fonte: Franklin Martins - Site Oficial - Conexão Política

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Seu Doutor

Francisco Alves
Seu Doutor (marcha/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves

"A marchinha carnavalesca Seu Doutor foi cantada por Dimas Alonso no teatro de revista Que buraco, seu Luís!, encenada em 1928 no Teatro Carlos Gomes. Era mais uma música investindo contra o então presidente Washington Luís e seu "bom companheiro" Júlio Prestes de Albuquerque, candidato governista à sua sucessão, inclusive fazendo referência à não-implantação do cruzeiro como moeda nacional. O cruzeiro só seria adotado em 1942, durante o Estado Novo.

Em janeiro de 1929, saiu pela Odeon esta gravação de Francisco Alves, disco 10312-b, matriz 2148, com direito até a uma declamação debochada do estribilho, feita pelo próprio Chico. Na mesma sessão, ele fez outro registro de "Seu doutor", matriz 2148-1, lançado com o selo Parlophon sob número 12908-b, no qual um assobio substitui a declamação aqui ouvida".

Disco 78 rpm / Título da música: Seu Doutor / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Álbum 10312-b / Nº da Matriz: 2148 / Lançamento: Janeiro/1929 / Gênero musical: Marcha / Coleções: IMS, Nirez


O pobre povo brasileiro
Não tem, não tem, não tem dinheiro
O ouro veio do estrangeiro
Mas ninguém vê o tal cruzeiro

Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Não zangue não, nem dê o cavaco

Ó seu Doutor! Ó seu Doutor!
Viver assim é um buraco

Que sobe lá para o poleiro
Esquece cá do galinheiro
Só pensa num bom companheiro
A fim de ser o seu herdeiro



Fontes: a href="https://www.youtube.com/user/samuel63867">Samuel Machado Filho - YouTube, Discografia Brasileira - IMS; Instituto Memória Musical Brasileira.

É sim senhor

Francisco Alves
"É sim senhor", é um samba contra o presidente Washington Luís Pereira de Souza (1870-1957) e seu candidato Júlio Prestes (1882-1946). Washington era chamado, ironicamente, por seus adversários, de paulista de Macaé, por ser natural dessa cidade fluminense, portanto um paulista falsificado, mesmo tendo feito toda a sua carreira política em São Paulo. O jornal paulistano de oposição deliciar-se-ia com esse samba e de passagem pega no candidato de Washington Luís em muito bons versos, que rivalizam com as poesias líricas do sr. Júlio Prestes...

É sim senhor (samba/carnaval, 1929) - Eduardo Souto - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: É Sim Senhor / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Pan American (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10312-a / Nº da Matriz: 2147 / Lançamento: Janeiro/1929 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez


Ele é paulista?
É sim senhor
Falsificado?
É sim senhor
Cabra farrista?
É sim senhor
Matriculado?
É sim senhor

Ele é estradeiro?
É sim senhor
Habilitado?
É sim senhor
Mas o cruzeiro?
É sim senhor
Ovo gorado?
É sim senhor

Vem, vem, vem
Pra ganhar vintém
Vem, seu Julinho, vem
Aproveitar também



Fonte: Abel Cardoso Júnior - Francisco Alves: As mil canções do Rei da Voz, p. 138-139.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Quando me lembro

Eduardo Souto
Quando me lembro (marcha, 1925) - Eduardo Souto e João da Praia

A letra é de um certo João da Praia (¹), não creditado no selo - o que às vezes podia acontecer, pois o letrista naquele tempo não era considerado compositor musical. Gravação original de 1925, com Zaíra de Oliveira em dueto com Bahiano, disco Odeon 78 rpm 122.800. Relançado, como canção, pela Parlophon em junho de 1930, disco 13162-A, matriz 3485.

Lançamento de disco Odeon interpretado por Zaíra de Oliveira e Bahiano em 1925:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Quando me lembro / Eduardo Souto (Compositor) / João da Praia (Compositor) / Zaíra de Oliveira (Intérprete) / Bahiano (Intérprete) / Nº do Álbum: 122800 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Marcha / Obs.: Sem mídia mp3 ainda

A dupla Tom Bill e Aloncito (²) relança, pela Parlophon, a canção em 1930:

Disco 78 rpm / Título da música: Quando me lembro / Eduardo Souto (Compositor) / Alonsito (Intérprete) / Tom Bill (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Nº Álbum 13162-a / Nº da Matriz: 3485 / Gravação: 1930 / Lançamento: Junho/1930 / Gênero musical: Canção / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão



Quando eu me lembro do meu tempo antigo
Daquele tempo que eu passei contigo
Dos belos sonhos que não voltam mais
Ai, que saudade, ai, que saudade isso me faz

Viver! Viver sozinho
Sem teu carinho
Sem teu amor
Ó flor!

Viver, por bem querer
Hei de sofrer
Sofrer
Morrer!

Não posso crer que tu tenhas maldade
Seja capaz de tanta crueldade
Não posso crer na tua ingratidão
Se continua a ser só teu meu coração


(¹) Alcunha do compositor Filomeno Ribeiro; (²) Dupla gringa interpretando com sotaque.

Fontes: Samuel Machado Filho - Cantoras do Brasil).

Pai Adão

Eduardo Souto
Pai Adão (marcha/carnaval, 1924) - Eduardo Souto - Interpretações: Bahiano e Januário de Oliveira

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pai Adão / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Januário de Oliveira (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122660 / Lançamento: 1924 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Obs.: Ainda sem a música.

O Pai Adão lá na sua inocência
Comeu maçã que comer não devia
E desta sua falada imprudência
Foi que nasceu toda a nossa alegria

Você, seu Pai Adão
Com seu capricho
Foi mesmo um bicho
Com parte de inocente
Pôs toda a culpa
Na pobre serpente

Gozar, gozar
Gozar, gozar até cansar
Ai como é bom viver
Só a cantar
E como Adão, pecar
Pecar, pecar
Gozar, gozar
Gozar, gozar até cansar

Não vale a pena
A vida maldizer
Quem tem
Tão pouco tempo
De prazer, prazer

Não sei dizê

Eduardo Souto
Não sei dizê (marcha/carnaval, 1924) - Eduardo Souto - Intérpretes: Bahiano e Januário de Oliveira

Disco selo: Odeon R / Título da música: Não Sei Dizê / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Januário de Oliveira (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122658 / Lançamento: 1924 / Gênero musical: Marcha / Coleção: Nirez D



Não sei dizê quem é
O meu amor
Que passarinho mau
Fugiu, voou (x2)

Ai se eu pudesse
Ser passarinho
Pra seguir
No seu caminho
Não tinha agora
Que amargurar
E nem viver a penar

Viver sempre a chorar
Sempre a sofrer
Por teu amor
É dura sorte
É grande dor
Não sei, não sei que fiz
Pra andar no mundo
Assim sozinho
Sem carinho
Infeliz

Amar sem ter ao menos a doçura
De um olhar
É dura sorte, é desventura
Nem sei como findar
O meu viver,
Como acabar
Este meu sofrer

Só teu amor

Bahiano - Revista Musical - 1924

Só teu amor (marcha-rancho, 1923) - Eduardo Souto - Interpretação: Bahiano

Disco selo: Odeon R / Título da música: Só Teu Amor / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122334 / Lançamento: 1923 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Coleção: Nirez


Só teu amor me traz tanta alegria
E é toda a causa do meu viver
Só nele penso de noite e de dia
Porque só ele me dá prazer

Ai quem me dera viver assim
E no teu colo dormir, sonhar
Teu coração bem juntinho a mim
Contar segredos e palpitar

Que doce harmonia
Quanta alegria
Que paraíso
Traz o teu sorriso
Tanta ventura
Que me leva à loucura
Esse amor
Bendita esta calma
Que trago n'alma
Sempre contente
Pois só quem sente
Vive a sonhar
Vive a cantar
O seu amor

Mulheres raras e de mais fulgor
Não há no mundo, não pode haver
Não tem o encanto do teu casto amor
Porque só ele me dá prazer

Eu não lastimo viver na pobreza
E nem de glórias quero eu saber
O teu amor pra mim é riqueza
Porque só ele me dá prazer

Goiabada

Manuel Pedro dos Santos - Bahiano (1889-1944)

Goiabada (marcha/carnaval, 1923) - Eduardo Souto - Intérprete: Bahiano

Disco selo: Odeon R / Título da música: Goiabada / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122332 / Lançamento: 1923 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Coleções: IMS, Nirez


Não há mais goiabada
Que seja boa para se comer
Ficou tão estragada
Que o português já não quer vender
Seu aquele
Pra que tanto estrilo
Foi você
Quem fez tudo aquilo

Meu benzinho
Caladinho escuta
A goiaba
Nunca foi boa fruta


Não há como o bom queijo
Que não puderam falsificar
Então com bom café
Ai que delícia! Que paladar!

O arroz de Pendotiba
Nunca chegou aqui ao mercado
Nem mesmo lá em riba
O tal arroz nunca foi achado

O queijo finalmente
Sempre foi bom, nunca foi bichado
E isso toda a gente
Já sabe bem, pois ficou aprovado

Eu só quero é beliscá

Eu só quero é beliscá (marcha/carnaval, 1922) - Eduardo Souto - Interpretação: Bahiano

Disco selo: Odeon R / Título da música: Eu só quero é beliscar / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Coro (Acomp.)/ Nº do Álbum: 122127 / Lançamento 1922 / Gênero musical: Cateretê carnavalesco / Coleção: IMS


Ó Sá dona, não se zangue
Vancê pode assossegá
Eu não vim fazê barúiu
Eu só quero é beliscá

Ai, ai, ai
Com licença de Sinhá
Ai, ai, ai
Eu só quero é beliscá

Seu doutô, seu delegado
Dá licença pra passá
Eu não vim fazê barúiu
Eu só quero é beliscá

Me dissero que a puliça
Deixa a gente pandegá
Eu inté nem faço nada
Eu só quero é beliscá

Pemberê

Eduardo Souto
Pemberê (chula à moda baiana, 1921) - Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro

Interpretação do Grupo do Moringa:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pemberê / Eduardo Souto (Compositor) / Grupo do Moringa (Intérprete) / Violão, Cavaquinho, Trambone, Clarineta, Pandeiro (Acomp.) / Nº do Álbum: 121989 / Nº da Matriz: 121989-2 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Chula baiana / Coleções: IMS, Nirez



Interpretação do Bahiano da Casa Edison:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pemberê / Eduardo Souto (Compositor) / Filomeno Ribeiro "João da Praia" (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 121994 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Chula baiana / Coleções: Nirez



Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
Menina que namora qué casá
Criança que chora qué mamá

Pemberê / Pemberá
Galinha no ninho que não botá
É logo agarrada pra ir chocá

Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
A noite bonita que é de luá
Foi feita pra gente mais se gostá

Pemberê
Perna de fora é o que mais se vê, meu bem
Pemberá
Guarde essa perna se qué casá, Iaiá

Pemberê / Pemberá
Pemberê / Pemberá
Muié deste tempo véve a mostrá
O que era pecado só maginá

Pois não

Eduardo Souto
Pois não (marcha/carnaval, 1920) - Eduardo Souto e Filomeno Ribeiro - Interpretação do Grupo do Moringa em disco lançado em 1922:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pois não / Eduardo Souto (Compositor) / Grupo do Moringa (Intérprete) / Violão, Cavaquinho, Trombone, Clarineta, Pandeiro (Acomp.) / Nº do Álbum: 121991 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Marcha / Coleção de fontes: Nirez D



Interpretação de Bahiano em disco Odeon lançado em 1922:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Pois não / Eduardo Souto (Compositor) / João da Praia (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 121999 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Samba Cateretê (¹) / Coleção de fontes: Nirez D


Levanta o pé / Esconde a mão
Eu quero ver se tu gostas de mim
Ou não

Meu alecrim / Manjericão
Eu quero ver se tu não gostas não

Ó querubim / Ó tentação
Eu vou ver só se tu gostas de mim
Ou não

Perco o latim / Perco a razão
Porque não sei se tu não gostas não

O amor sem ser leal / Traz sedução
No carnaval / Pois não

E pode ser fatal / Ao coração
No carnaval / Pois não

É bem que nos faz mal / É tentação
Do carnaval / Pois não

Fiquei preso afinal / Por cavação
Do carnaval / Dar-te aqui vim
Um beliscão

Só quero ver se tu gostas de mim
Ou não

Picou? Doeu? / Ó coração
Não é por mal, meu anjo
Não é não

Chegado o fim / Desta paixão
Não mais terei dos lábios teus o sim
Ou não?

Melindrosinha / Almofadão
Eu sou teu mas tu minha
Não és não



Fonte: Instituto Moreira Salles - Discografia Brasileira. (¹) Na gravação o apresentador diz que é "samba carnavalesco". No site diz que é "samba cateretê". Mas escutando parece uma marchinha de Carnaval ...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Seu Derfim tem que vortá

Eduardo Souto
Seu Derfim tem que vortá (maxixe, 1919) - Eduardo Souto e Norberto Bittencourt

Nhô Derfim tem que vortá / Por vontade ou sem querê
Porque aqui na Capitá / Não tem mais nada a fazê
Nhô Derfim boa viage / Escreva sempre pra cá
Bem pensado é bobage / Sê mandante sem mandá

O trem apita / Chegou a hora
Cabou a fita / Pode i s'imbora
Porém na Centrá / O nosso homenzinho
Ficou pra enbarcá / Molinho, molinho...

Não brabeja Nhô Derfim / Qu'isto tudo é bem querê
E range um quarto pra mim / Passá um mêis com mecê!
Que grande celebridade / Mecê veio aqui cavá
Pois mostrô sê na verdade / Bom guardadô de lugá

Veja que cateretê / E que trovas divertida
Nós fizemos pra mecê / No momento de partida
Eu vou ainda fundá / Quando achá quem abone
Um grupo que vou chamá / Os amigo do trombone



Fonte: Novo Milênio - Santos - Histórias e Lendas de São Vicente: E. Souto - Nesta Esquina Surgiu Um Canção.

quarta-feira, 22 de março de 2006

Tatu subiu no pau

Em "Tatu Subiu no Pau", classificada como "samba à moda paulista", Eduardo Souto mostrava a intenção de diversificar o repertório com uma peça bem ao estilo vitorioso de Marcelo Tupinambá.

E acertou em cheio, pois criou uma composição tipicamente caipira, baseada em motivos folclóricos e que, apesar dessa característica, apareceu com destaque no carnaval.

Para isso, contribuiriam seus métodos de divulgação, que incluíam a execução repetida das músicas nos pianos da Casa Carlos Gomes, com distribuição das letras aos transeuntes, e até a criação de um bloco que frequentava a Festa da Penha.

Para fora do Rio iam os discos de sua orquestra, gravados pela Casa Edison, da qual foi diretor artístico por vários anos. Ao iniciar-se a década de 1930, quando o samba e outras bossas começaram a tomar conta de nossa música, deixaram de brilhar as estrelas de Souto e de alguns de seus contemporâneos, como Freire Júnior e Freitinhas (José Francisco de Freitas).

Tatu Subiu no Pau (samba paulista, 1923) - Eduardo Souto / Intérprete: Bahiano

Disco selo: Odeon R / Título da música: Tatú Subiu no Pau / Eduardo Souto (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 122333 / Lançamento: 1923 / Gênero: Samba carnavalesco / Coleções: IMS, Nirez



---A-------------- -E7------------------ A
Tatu subiu no pau / É mentira de mecê
----F7-------------- Bm-------- E7----------- A
Lagarto ou lagartixa / Isso sim é que pode sê
--------A-------------------- E7-------------------------- A
O melhor da galinha é o ovo / Que se pode comê gostoso
----------F7---------------- Bm-------- E7---------------- A
A moléstia do pinto é o gôgo / A coberta do velho é o fogo
---A ---------------E7------------------- A
Tatu subiu no pau / É mentira de mecê
-----F7----------------- Bm--------- E7====------ A
Santo Antônio ajudando? / Isso sim é que pode sê



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

O despertar da montanha

Eduardo Souto
"Você acaba de fazer o seu "Danúbio Azul", disse o professor Guilherme Fontainha a Eduardo Souto, quando este lhe mostrou, ao piano, "O Despertar da Montanha". Peça essencial do repertório pianístico brasileiro, típica dos saraus do início do século, "O Despertar da Montanha" é a obra mais conhecida de Souto. Lançada em 1919, com sucesso imediato, tem na capa da edição inicial curioso desenho, que mostra uma cena pastoril de natureza européia: ao pé de suntuosa montanha, um pastor descansa tocando flauta, enquanto seu cão vigia um rebanho de quinze ovelhas...

Mas, se a cena é européia, a composição é bem brasileira, tendo ajudado até a fixar uma forma de tango, que Eduardo Souto chama de tango de salão, diferente dos tangos de Nazareth, mais próximos do choro. "O Despertar da Montanha" tem uma letra de Francisco Pimentel, que nada lhe acrescenta.

O Despertar da Montanha (tango de salão, 1919) - Eduardo Souto e Francisco Pimentel

Interpretação de Francisco Mignone e Conjunto Orquestral em 1943:

Disco 78 rpm / Título da música: Despertar da Montanha / Eduardo Souto (Compositor) / Conjunto Orquestral (Intérprete) / Francisco Mignoni [Região] (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Nº do Álbum: 75001-b / Nº da Matriz: #594-1 / Gravação: 5/janeiro/1943 / Lançamento: 1943 / Gênero musical: Tango / Coleção de fontes: Nirez, IMS D



Interpretação de Sílvio Caldas em 1946:

Disco 78 rpm / Título da música: Despertar da Montanha / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Pimentel (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra Continental (Acomp.) / Gravadora: Continental / Nº do Álbum: 28000-b / Nº da Matriz: #1567-1 / Gravação: 5/agosto/1946 / Lançamento: 1946 / Gênero musical: Canção de tango / Coleção de fontes: Nirez



Interpretação de Roberto Fioravante em 1963:

LP Seresteiro Da Saudade Nº 5 / Título da música: O Despertar da Montanha / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Pimentel (Compositor) / Roberto Fioravante (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Nº do Álbum: CMG 2218 / Ano: 1963 / Gênero musical: Canção / Seresta



Quando a noite entra na agonia, / Surgem os primeiros raios, / Na moldura do horizonte, / Iniciam seus ensaios, / Doira-se um monte... / E os lindos ramos mais felizes, / Os que ao longe estão mais altos, / Pintam-se em matizes, / No cimo do planalto... / Sai da sombra um novo dia.

E a luz da madrugada, / Entrando suavemente na floresta, / Beija os ninhos, / E esta festa, / Desperta os passarinhos / E envolve troncos, / Vindo através das folhagens, / Em acordes selvagens, / Anunciam a alvorada.

Desses cantos, sob o sol da manhã, / Em linda festa pagã, / Escorre a vida, cheia de encantos, / E transborda, numa chuva de cores, / E entre os vales sonhadores, / A montanha acorda.


Fonte: A canção no tempo - 85 anos de músicas brasileiras (Vol. 1: 1901-1957) - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello.